sexta-feira, abril 25, 2008

dicas


O CCBB recebe uma mostra de filmes realizados pelo filósofo e teórico francês Guy Debord. Para quem não sabe, o cinema ocupou um lugar central no pensamento de Debord. Seus filmes contêm um projeto de desvalorização/revalorização do cinema. Debord opera a partir da apropriação e montagem de imagens de diversas fontes (cinejornais, filmes publicitários, filmes de ficção, desenhos, fotografias) e de imagens por ele registradas, além de uma enorme variedade de textos escritos ou lidos em off, e do uso pontual da música. Ainda assim, não são obras que se anulam em um exercício formalista. Os filmes de Debord parecem preservar um discurso sobre o potencial revolucionário da juventude. Enfim... Vejam! Clique aqui para ver a programação.

E a Cinemateca do MAM exibe em DVD quatro filmes do enigmático Serguei Paradjanov. Quem não conhece, vale a pena conferir – especialmente o “A cor da granada” (1968), meu preferido.

sab 26
16h A cor da granada (1968)
18h Os cavalos de fogo (1964)

dom 27
16h Trovador (1988)
18h A lenda da fortaleza de suram (1985)

quarta-feira, abril 16, 2008

cinética e Bafici

Estou em Buenos Aires para o BAFICI, um sonho agora concretizado. Pelo que leio e vejo, talvez seja mesmo o melhor festival da América do Sul. Fico até domingo, com direito a muitos filmes, aguns livros, e outros tantos cds. Não posso esquecer dos submarinos, é claro, e, quem sabe, de um jogo na Bombonera. Veremos.
Já ia esquecendo de deixar o link para uma página lá na Cinética com textos que escrevi sobre alguns documentários vistos no É Tudo Verdade. Leiam e, se for o caso, comentem.

terça-feira, abril 08, 2008

juízo e na natureza selvagem

Dois filmes que vem sendo muito bem recebidos, mas que me incomodam bastante:


Na natureza selvagem **

Em “Na natureza selvagem”, seu quarto longa-metragem na direção, Sean Penn trabalha com um dos melhores diretores de fotografia da atualidade, o francês Eric Gautier. Juntos esforçam-se para estabelecer uma mise-en-scène sensível, que busca de forma explícita os climas líricos, tentando tirar das imagens uma significação para além delas. Penn e Gautier evidenciam o capricho dos enquadramentos e do encadeamento deles. O cinema também se apóia na trilha musical de Eddie Vedder, um recurso narrativo que, embora seja excessivo em algumas passagens, dita a atmosfera do filme.

Tudo muito bem filmado, montado e musicado. No entanto, não entendo mesmo tantos elogios a este filme. Na verdade, a história verídica narrada de maneira apaixonada por “Na natureza selvagem” não é interessante. Simples assim. Me parece que a idéia de Penn era reviver os ideais hippies, tratar da negação radical da sociedade de consumo, acompanhada de um fascínio pela vida na natureza. O problema é passar por tudo isso com a política à margem. A decisão de Christopher McCandless (interpretado pelo ótimo Emile Hirsch) de viver no Alasca em meio à natureza não se dá por uma opção política.

A impressão é que McCandless faz uma leitura totalmente equivocada de autores como Thoreau, Whitman, Jack London e Jack Kerouac. Eles não estavam na contramão do processo civilizatório. Muito pelo contrário. Eram também produto da sociedade. Penn não constrói um olhar crítico em relação ao protagonista, insiste sim em uma visão romantizada e psicologizante de McCandless e sua opção de vida. “Na natureza selvagem” quer que compremos um personagem traumatizado pela conturbada relação de seus pais. Convenhamos, uma justificativa pra lá de insuficiente. O protagonista está apenas fugindo de seu passado, e é imaturo, arrogante, egoísta e alienado. Ele parece convencido de que tem uma espécie de missão grandiosa e distribui pequenas lições de moral a todos os demais personagens que encontra ao longo de sua jornada.

Para piorar o filme sugere algumas conotações que não me parecem terem sido previamente deliberadas. Ora, cada seleção que se faz, seja por determinado close ou técnica de montagem, seja por uma palavra ou expressão específicas, é a manifestação de um ponto de vista, quer o realizador esteja disso consciente ou não. Assim, quando o protagonista decide seu futuro depois de ouvir George Bush na TV, ou quando se nega a ter relações sexuais (consentida) com uma menina só por ela ter 16 anos (ele tinha 22, se não me engano), “Na natureza selvagem” passa uma idéia de conservadorismo que vai na contramão das premissas supostamente libertadoras do filme. Em resumo, um longa superficial e raso.

A trajetória de Christopher McCandless clama mesmo é por Werner Herzog. Tá aí um filme que gostaria de ver.


Juízo *

Eu já havia declarado aqui durante o Festival do Rio o meu desconforto em relação a “Juízo”, filme ainda em cartaz de Maria Augusta Ramos. A diretora acompanhou, do tribunal às unidades correcionais de menores infratores, casos que vão do roubo de uma bicicleta ao assassinato de um pai, esfaqueado pelo próprio filho. “Juízo” mantém o estilo e o método de “Justiça” (2004). Maria Augusta apenas instala câmeras nos ambientes que investiga, sem movimentá-las, e não faz perguntas. Trata-se de um cinema que busca o menor grau possível de interferência na realidade e de manipulação do espectador. Estas premissas gerariam enormes problemas em seu primeiro filme. Problemas que reaparecem sob nova forma em “Juízo”.

Impossibilitada pela lei de mostrar os rostos dos meninos e meninas em seu filme, Maria Augusta decidiu substituí-los por atores que conhecessem essa realidade. Assim, temos de um lado os advogados e a juíza “reais”, e, do outro, meninos e meninas “representando seus próprios papéis”. Maria Augusta assume a presença dos atores nos letreiros iniciais. A cineasta afirma que optou pelos não-atores porque queria dar rosto àqueles meninos. Mas isso não se dá no filme. Estes meninos não nos são apresentados em suas individualidades, não são personagens exatamente.

No entanto, o que mais me incomoda é o fato deste recurso do uso de atores ser apenas funcional, um instrumento para se atingir uma transparência. Nada mais. Essa é grande diferença em relação a “Justiça”: em “Juízo” Maria Augusta é muito mais eficiente em suas manipulações. Interessa à cineasta apenas passar para o espectador uma impressão de não-intervenção. Depois daqueles letreiros iniciais, a cineasta esconde todos os traços de encenação. A montagem cria uma perfeita ilusão de continuidade e busca transparência. Não há no filme a intenção de questionar as fronteiras entre real e ficção. “Juízo” não trafega nas bordas do documentário e da ficção.

É bom esclarecer que o problema que nasce da maneira pela qual “Juízo” faz uso de atores não é dramatúrgico. As cenas com os atores são tão “verdadeiras” ou “reais” quanto seriam caso estivessem ali os meninos “de verdade”. O problema é de outra ordem: é ético. “Juízo”, na minha opinião, coloca de vez em cheque o posicionamento ético da cineasta.

godard no cine-puc

A partir desta terça (8), o CinePuc “As história(s) do cinema”, de Jean Luc-Godard.

A obra está divida em quatro partes, cada uma com dois episódios, como foi exibida originalmente na TV francesa. As sessões começam, sempre, às 19h, na sala k102 da PUC-Rio. Segue a programação.

8/4
Todas as Histórias (Toutes les histoires), 51 min, 1988
Uma Só História (Une histoire seule), 42 min, 1989

15/4
Só o cinema (Seul le cinéma), 26 min 1997
Fatal Beleza (Fatale beauté), 28min, 1997

22/4
A Moeda do Absoluto (La monnaie de l'absolu) 27min 1998
Uma Onda Nova (Une vague nouvelle), 28min 1998

29/4
O Controle do Universo (Le contrôle de l'univers), 28min 1998
Os Signos Entre Nós (Les signes parmi nous), 38min 1998

sexta-feira, abril 04, 2008

mais dicas

Muitas mostras pela cidade. Além do É tudo Verdade, que termina neste fim de semana, temos uma ótima programação na cinemateca do MAM. Este mês de abril terá uma pequena mostra de filmes de Taiwan (incluindo o primeiro Tsai Min-Liang e penúltimo Hou Hsiao-Hsien), uma homenagem ao mestre Jean Rouch, além de alguns longas do enigmático Sergei Paradjanov.

A
Caixa Cultural recebe até o dia 20, a mostra “Retrospectiva Ozualdo R. Candeias”, que exibirá a obra completa de um de nossos maiores cineasta. Com a curadoria de Eugênio Puppo, foram programados longas, médias, curtas-metragens, produções em vídeo, uma série para TV com 12 episódios, palestras e, ainda, 61 minutos de trabalhos inéditos recém-encontrados e nomeados “Filmes amadores dos anos 50 e 60”.

E o
Cinemaison resolveu dar uma segunda chance para aqueles que perderam os filmes de Jacques Demy no CCBB. Nesta segunda (7) e na outra (14) serão exibidos quatro longas de Demy e o “Jacquot de Nantes”, de Agnès Varda.

Para terminar, estou colaborando para a cobertura do É Tudo Verdade na
Cinética. Apareçam por lá.

sábado, março 29, 2008

hou hsiao-hsien e é tudo verdade

Durante toda a semana, de 1 (terça) a 4 (sexta) de abril, o Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ (Praia Vermelha) exibirá filmes de um dos nomes mais importantes do cinema contemporâneo, o grande Hou Hsiao-Hsien.

Terça, 1º de abril - Dust in the Wind (Taiwan, 1986, 109 min).
Quarta (2) - Millenium Mambo (Taiwan, 2001, 119 min)
Quinta (3) - Café Lumière (Taiwan, 2003, 103 min) Após a exibição, haverá debate com o pesquisador André Keiji e o crítico de cinema e professor Ruy Gardnier.
Sexta (4) - Three Times (Taiwan, 2005, 132 min) As exibições acontecem das 18h30 às 22h, no Salão Moniz da Aragão. A entrada é franca. Para maiores informações, clique aqui.
Filmes mais recentes de gente grande como Errol Morris e Frederick Wiseman não estão na programação, mas este É Tudo Verdade tem lá seus destaques, em especial os longas e curtas da retrospectiva do documentário experimental brasileiro. Segue alguns nomes:

Além dos Trilhos - Wang Bing
Fengming - Memórias de uma Chinesa - Wang Bing
A Dor e a Piedade (Le Chagrin et la Pitié) - Marcel Ophüls
A Tênue Linha da Morte (The Thin Blue Line) - Errol Morris
Miss Universo 1929 - Lisl Goldarbeiter, Uma Rainha em Viena - Peter Forgacs
Descrição de uma Memória (13 Lembranças do Documentário "Descrição de um Combate" de Chris Marker) - Dan Geva
A Revolução Não Vai Passar na TV – Kim Bartley e Donnacha O’Brian
Triste Trópico - Arthur Omar
Congo - Arthur Omar
Céu Sobre Água - José Agrippino de Paula
Cinema Inocente - Julio Bressane
Conversas no Maranhão - Andrea Tonacci
Dormente - Joel Pizzini
Dr. Dyonélio - Ivan Cardoso
Juvenília - Paulo Sacramento
O Porto de Santos - Aloysio Raulino
Tudo é Brasil - Rogério Sganzerla
Lavra-Dor - Paulo Rufino, Ana Carolina
Sopro - Cao Guimarães
Poesia é uma ou duas linhas e por trás uma imensa paisagem - João Moreira Salles

documentário e jornalismo

Dissertação defendida. Agora sou Mestre em Comunicação e Cultura. Abaixo, segue o resumo de “Documentário e Jornalismo: Propostas para uma Cartografia Plural”. Quem quiser mais alguma informação, é só deixar um comentário ou enviar um e-mail.

O objetivo desta dissertação é pensar a relação entre documentário e jornalismo a partir de uma perspectiva histórica. Ambos mostram, representam, e produzem a realidade. Ambos são categorias permeáveis e variáveis, modos de ver construídos historicamente por rotinas produtivas, por transformações sociais, por relações e interesses comerciais e políticos, por estéticas, metodologias e técnicas inventadas por diferentes movimentos. Ambos compartilham inúmeros pontos de contato nos processos históricos de significação, de mediação e de legitimação de suas narrativas. A proposta é trabalhar nesta multiplicidade que caracteriza o documentário e o jornalismo, propondo aproximações e estranhamentos entre eles. Assim, assumimos um lugar de problematização do próprio ato de definir estes domínios. O caminho a ser percorrido passa por um exame das práticas, dos modelos, dos protótipos, e das inovações que marcaram a história do documentário e do jornalismo, passa também por uma analise sobre a ânsia de organização em termos de unidade que perpassa a formação histórica de ambos os domínios; a constituição de um certo “lugar de fala” que os envolve em uma esfera de autoridade para explicar o mundo histórico; e o estabelecimento de um pacto narrativo que orienta a leitura de documentários e reportagens enquanto índices da realidade.

rambo IV


Rambo é um personagem que nasceu interessante em um filme cheio de vigor e inteligência. “Rambo – Programado para matar” (1982) é um ótimo filme. Ted Kotcheff trabalha bem a violência, o suspense, e o widescreen, e tem plena consciência das implicações subversivas do que tem em mãos. O protagonista era uma figura alheia à lei, à civilização. Nada disso dizia mais respeito a Rambo. Tudo lhe fora tirado durante e depois da guerra. Rambo personifica a humilhação dos americanos, é uma espécie de cicatriz ambulante. O longa parecia também expressar o conflito de uma nação que passava da oposição contra a guerra no Vietnã à estranha sensação culpada de ter traído seus próprios soldados.

Essas idéias foram obviamente invertidas no segundo e terceiro filmes da série, quando John Rambo passa a representar a América e seus delírios de grandeza. Eis que temos então este “Rambo IV”. Neste longa, Rambo está novamente por sua conta e risco, sem servir a um governo ou a uma ideologia específica. Antes de ser ruim ou bom, “Rambo IV” é um filme muito, muito estranho.

Quem são os malvados do filme? Os milicianos da Birmânia? Mas somente eles? Os mercenários contratados também não seriam malvados? O próprio Rambo não parece ter plena consciência dele também ser malvado? E os bonzinhos? Os missionários não são tratados como bonzinhos, muito pelo contrário. Rambo é completamente contrário à missão deles, apesar de ajudá-los. Rambo não faz justiça, mas também não é exatamente pintado como um criminoso. “Rambo IV” não é pacifista, mas também não prega a guerra. Se em determinado momento, o filme parece apostar na possibilidade de se transformar a realidade, no fim das contas essa crença parece totalmente descartada. Ele não defende a transformação pela guerra, embora faça uso dela. Rambo parece convicto de que a guerra é contínua, mas ele acaba voltando pra casa.

“Rambo IV” é sempre muito reticente e cauteloso em suas afirmações, e se presta muito às conjunções adversativas. Todos os personagens relativizam de uma maneira ou de outra sua própria condição e crenças. “Rambo IV” é ambíguo ao extremo, não afirma nem nega nada. Ao contrário de todos os outros “Rambos”, neste não há exatamente um discurso político, ideológico ou religioso.

Talvez o único escorregão neste sentido seja mesmo a volta pra casa. Esta cena final soa como uma contradição e sugere conotações reveladoras que o filme não parece ter previamente deliberado. Em um ótimo texto, Contardo Calligaris vê nessa volta pra casa um retrato do atual espírito americano. Para ele, essa derradeira aventura de Rambo completa uma longa argumentação pelo isolacionismo. Talvez.

Sylvester Stallone (ator, diretor e tudo o mais) adere fortemente ao niilismo de Rambo e se esforça para oferecer ao público apenas aquilo que ele quer. “Rambo IV” é recheado de problemas, da canastrice sem limites dos atores a montagens paralelas bizarras. Mas concordo com o Marcelo Miranda que isso não significa que ele seja passível de descaso, deboche ou desrespeito. Stallone está ali por inteiro, sem jamais se permitir concessões, sem medo de soar ridículo ou patético. Merece respeito.

quarta-feira, março 19, 2008

dicas

No MAM, dois filmes de um cineasta que sempre quis conhecer: Luiz Rosemberg Filho. “Crônica de um industrial” passa no sábado (22), às 16h. E “América do Sexo” será exibido no dia seguinte (23), às 18h.
A Caixa Cultural-RJ sedia, de 18 a 30 de março, a primeira mostra organizada pela Revista Cinética: “Eu é Um Outro - O autor e o objeto no documentário brasileiro contemporâneo”. A mostra exibirá 36 longas documentais realizados a partir de 2000 e terá debates com críticos, teóricos e realizadores. São muitos os destaques. Vale a pena dar uma olhada na programação.

Para terminar, o CinePuc volta à ativa com um pequeno ciclo dedicado ao brilhante diretor sul-coreano Hong Sang-soo. As sessões se dão sempre às 19h, sempre às terças-feiras, na sala k102 da PUC-Rio. Os filmes dele não costumam passar por aqui, nem mesmo em festival. Portanto, considerem:

“Turning Gate” (2002) e “A Mulher é o Futuro do Homem” (2004) já foram exibidos. No dia 25/03, passa “Conto de Cinema” (2005) e na terça seguinte (1/04) passa “Mulher na Praia” (2006).

terça-feira, fevereiro 12, 2008

mais dicas

Mestrado em reta final. O Kinos terá de ficar um pouco de lado. Pelo menos até o início de Março. Até lá apenas algumas dicas:

- depois de muito procurar, consegui comprar por um sebo baiano a coletânea “Walter da Silveira: O Eterno e o Efêmero”. Foi uma fortuna. Ainda não tive tempo de olhar com mais carinho e há evidentes deficiências na edição um tanto confusa dos volumes, mas valeu a pena. O Walter da Silveira é um dos maiores ensaístas do cinema brasileiro. Siga o conselho e dia sim dia não entre no Estante Virtual.

- leiam a ótima entrevista cedida por Guillaume Marion, delegado-geral do festival 3 Continents, de Nantes, a Felipe Bragança na Cinética.

- O CCBB vem exibindo uma mostra com alguns filmes do grande Jacques Demy. Não encontrei muitas informações sobre a mostra, em que formato os filmes estão sendo exibidos... Me parece que alguns estão em película, outros em DVD. Até para achar a programação propriamente dita tive que vasculhar a Internet. Na “Veja Rio” está assim:

Terça (12)

17h: A Fuga dos Meninos Perdidos (1991), de Agnès Varda;
19h: Pele de Asno (1970).

Quarta (13)

17h: A Menina da Baía dos Anjos (1963)
19h: Pele de Asno (1970)

Quinta (14)

17h: Duas Garotas Românticas (1967)
19h: Os Guarda-Chuvas do Amor (1964)

Sexta (15)

17h: Lola (1961)
19h: A Fuga dos Meninos Perdidos (1991), de Agnès Varda

Sábado (16)

19h: A Menina da Baía dos Anjos (1963)

Domingo (17)

17h: A Fuga dos Meninos Perdidos
19h: Duas Garotas Românticas (1967)

- finalizando: a revista “Vanity Fair” lançou recentemente uma edição com um ensaio fotográfico sobre os filmes do mestre Hitchcock. É uma espécie de remontagem dos posters de seus filmes mais clássicos, substituindo atores do passado pelos do presente.

Assim, em “Disque M para matar” (1954), Charlize Theron aparece no lugar de Grace Kelly; em “Intriga internacional” (1959), Seth Rogen substitui Cary Grant; em “Janela indiscreta” (1954), James Stewart e Grace Kelly dão lugar a Javier Bardem e Scarlett Johanson; e em “Um corpo que cai” (1958) Renée Zellweger no papel que foi de Kim Novak. Para ver as demais fotos, clique aqui.




sábado, janeiro 26, 2008

top 20/2007 e inéditos no CCBB

Sigo bem enrolado com a dissertação. Mas, enfim, bola pra frente:

Minha lista dos melhores de 2007. Os 10 primeiros e os 10 seguintes.

Top 10 (não estão em ordem de preferência)

- Em Busca da Vida - Jia Zhang-ke
- Maria - Abel Ferrara
- Medos Privados em Lugares Públicos - Alain Resnais
- Lady Chatterley - Pascale Ferran
- Tropa de Elite - José Padilha
- Os Donos da Noite - James Gray
- O Hospedeiro - Bong Joon-ho
- Jogo de Cena - Eduardo Coutinho
- Santiago – João Moreira Salles
- Anjos Exterminadores - Jean-Claude Brisseau

Outros 10 (não estão em ordem de preferência)

- Cão sem Dono - Beto Brant e Renato Ciasca
- A Comédia do Poder - Claude Chabrol
- Império dos Sonhos - David Lynch
- A Conquista da Honra - Clint Eastwood
- Cartas de Iwo Jima - Clint Eastwood
- Ligeiramente Grávidos - Judd Apatow
- Zodiaco - David Fincher
- Maria Antonieta - Sofia Coppola
- Possuídos - William Friedkin
- Estamos Bem Mesmo Sem Você - Kim Rossi Stuart


No CCBB, a Mostra de Inéditos exibe amanhã três ótimos filmes:

16h30 – Sempre Bela – Manoel de Oliveira
18h30 – Shortbus - John Cameron Mitchell
20h30 – O Sol - Alexander Sokurov

Para acessar a programação clique aqui.

terça-feira, janeiro 01, 2008

recomeçar, sempre recomeçar

Desculpem. Ando totalmente enrolado, na reta final do mestrado. Ontem passei o dia cozinhando e não deu nem pra desejar um feliz ano novo. Enfim... 2008 será diferente! Promessa de fim de ano!

Alguns filmes vistos:

Lady Chatterly *****

Belíssimo esse filme da francesa Pascale Ferran. Certamente, um dos melhores do ano. Adaptação do clássico de D. W. Lawrence, “Lady Chatterly” tem um roteiro simples: uma mulher rica que mora numa casa de campo com o marido paralítico (guerra) tem um caso com o guarda-caças da fazenda. Ferran é simples e direta: reduz a trama aos seus elementos mais básicos, abre mão de possíveis complicações dramáticas ao redor do casal, e não parece exatamente interessada em situar o filme em seu contexto histórico-social.

Ferran faz um uso curioso da trilha e explora a fundo o som ambiente. Um cinema realista e sensorial. “Lady Chatterley” é elegante em seus planos detalhes e elipses, é também doce e paciente na maneira pela qual se debruça sobre o processo de reeducação da sensibilidade do olhar pelo qual passa seus personagens. Aos poucos eles são tomados por um desejo de libertação que se desmembra em encontros com a natureza: natureza das coisas e dos corpos. Depois do primeiro encontro, Constance volta para casa e se olha nua no espelho. Em uma das belas cenas do filme, o casal toma banho de chuva e faz amor sobre a relva, para depois, na cabana dele, enfeitar seus corpos com flores e folhas. Ferran acompanha cada passo desse processo de descobertas. Em outra belíssima seqüência, pela primeira vez os dois se sentem à vontade para tirar suas roupas antes do ato sexual e apreciar seus corpos: uma grande conquista, comemorada por ambos como tal.

E é incrível a interpretação de Marina Hands e Jean-Louis Coulloc'h, comoventemente confortáveis um com o outro e seus corpos. Toda a transformação é marcada pelo rosto de Constance, que se torna cada vez mais bela e poderosa ao longo do filme. “Lady Chatterly” é um olhar delicado, intimista e paciente sob o encontro de duas pessoas e seus corpos.

O passado ****

É curioso como Hector Babenco parece sempre contar a mesma história. Pixote, Lúcio Flávio, Luis A. Molina... personagens no limite de alguma coisa, divididos entre dois mundos, que sentem-se perseguidos e tentam escapar. Em “O passado”, seu mais novo filme, Babenco retorna ao universo da emoção, dos sentimentos, à relação homem-mulher, num belo filme sobre um “pós-amor”. O filme lembra “Coração iluminado” (1998). Em “O passado” há o desejo, uma vontade de falar sobre um amor de um ângulo talvez mais contemporâneo, não o sexo livre, o casamento, a traição. Ambos os longas são sedutores em sua decupagem, em especial o começo de “O passado”, registrando momentos fortes, seguindo os olhares do protagonista em movimentos de puro cinema. Há aqui a mesma paixão que transbordava em “Coração iluminado”.

Babenco preserva aquela forma de narração um tanto distanciada que compreende todos os seus filmes, além de centrar sua trama num personagem estranho e seus mais íntimos segredos. É cinema clássico (a câmera invisível, o enquadramento clássico) com a montagem costurada por elipses e uma atmosfera melancólica e amarga (lembrando Roman Polanski). O cineasta imprime à experiência amorosa uma dimensão de pesadelo. O filme se desenrola como uma história de fantasmas. O casamento ideal terminou ali, logo na segunda seqüência do longa. No entanto, para ser completo, o amor precisa incluir, paradoxalmente, o momento da separação. “O passado” parece inicialmente tratar de um amor depois que ele aparentemente terminou. Mas, sobre as ruínas temos aos poucos uma espécie de delírio, recheado de obsessões. Rimini e Sofia continuam juntos, presentes na ausência. Sofia transforma o amor em uma causa. Ela é uma fanática. O fantasma dela volta para atormentar o protagonista. Rimini, por sua vez, parece dar voltas ao redor da mesma coisa mais de uma vez. Ele não vai para a frente. Ou melhor, ele foge para frente. O curioso é que “O passado” é narrado por ele, segue o olhar de Rimini. Mas é Sofia quem domina as ações. O filme é pontuado pelas intervenções dela.

Por fim, Rimini vira exemplo, troféu para Sofia. O filme parece optar pelo pesadelo. Novos caminhos se apresentam, mas parecem estranhos, difíceis, quiçá impossíveis. Felizmente, não há em “O passado” aquela necessidade de parecer importante e grandioso que fazia mal a “Carandiru” - um filme com vida, mas respirando com dificuldade. “O passado” parece repleto de pequenos problemas – o longa peca por vezes na condução das subtramas, em especial a da mulher obsessiva e ciumenta, que morre tragicamente em uma cena fraca dramaticamente -, mas a eficiência da narrativa mantém-se intacta, e mesmo o final enigmático aponta para toda a tensão existente ao longo do filme.


Jogo de cena *****

“Jogo de cena” é o melhor filme de Coutinho desde “Edifício Máster”. O documentário começa com um anúncio de jornal publicado no Rio. Mulheres com histórias para contar eram convidadas para um teste cinematográfico. Das 83 mulheres que se dispuseram a falar de sua vida, Coutinho selecionou 23, que foram filmadas no palco do Teatro Glauce Rocha. No filme estão algumas delas, alternadas com as atrizes que receberam os textos e as imagens de seus depoimentos para as reinterpretarem como quisessem.

As histórias contadas giram em torno de temas comuns ao cinema de Coutinho: separações, perdas, depressão, gestação, relações familiares, sonhos, projetos de vida, morte. A palavra mais uma vez é um elemento cinematográfico fundamental, tem um valor de criação dentro da estrutura narrativa. Estas mulheres que se colocam disponíveis para uma experiência dessa natureza – querer-se filmada, saber-se filmada, atuar diante da câmera, liberar a memória e a imaginação diante da câmera – cada uma delas embarca nesse jogo, em que as imagens se desmembram em possibilidades do afeto como imersão no mundo. Difícil encontrar cineasta mais generoso do que o Coutinho.

Mas ao alternar, e às vezes embaralhar, depoimentos reais com reencenações, o diretor joga o espectador num exercício de dúvida quase permanente, e explicita ainda mais as regras do documentário coutiniano. Atrizes e personagens reais se confundem em vários níveis, jogando com o que sabemos, ignoramos ou apenas esperamos de cada uma. Coutinho explora a interpenetração entre os papéis que os atores representam, os papéis que acreditavam representar e os papéis que nós os vimos representando. No fim das contas: ninguém detém a autoria de suas vidas quando narradas. O que importa é o registro da “palavra em ato”. A força ou a veracidade do que essas mulheres dizem não se encontra necessariamente no que está sendo contado, mas no próprio ato de contar, na forma como elas se expressam, no olhar, nos silêncios, na construção das frases.

Além disso, é impressionante como cada mulher (seja ela atriz ou não) traz consigo todo um universo. E o filme me parece uma homenagem à fascinante profissão das atrizes, fazendo dois universos completamente distintos conviverem. Enquanto via “Jogo de cena” também lembrei de Kieslowski que dizia que a câmera documentária não tinha o direito de entrar no que lhe mais interessava: a vida íntima, privada, dos indivíduos. Ele dizia preferir comprar glicerina (haverá aqui alguma relação com o filme Coutinho?) na farmácia e os atores simularem choro do que filmar pessoas chorando, ou fazendo amor, ou morrendo.

sexta-feira, novembro 02, 2007

outra imperdível

Cinema húngaro no MAM. Se só poder ver um, veja "Os sem esperança". Obra-prima!
sab 03

16h A Testemunha (1969) de Péter Bacsó
18h As Queridas amigas Édes Emma, Drága Böbe (1991) de István Szabo.
dom 04
16h As aventuras de Mattie Ludas Matyi (1992) de Attila Dargay. 18h Hukkle (2002) de György Pálfi.
sab 10
16h O Carrossel da vida e do amor (1955) de Zoltán Fábri.
18h Erótica saudável (1985) de Péter Tímár.
dom 11
16h Os sem esperanças (1965) de Miklós Jancso.
18h Diário Íntimo (1982) de Márta Mészáros.
sab 17
16h O novo Gilgamesh (1963) de Mihaly Szemes.
dom 18

18h30 Rapsódia Húngara (1979) de Miklós Jancsó.

quarta-feira, outubro 31, 2007

imperdíveis

Amanhã, numa sessão conjunta entre sala escura e tela brasilis, o MAM exibe, às 18h30, "O vampiro da cinemateca" (1975-77), de Jairo Ferreira, e os curtas "Mocoso mal criado" (1993), de Pablo Trapero, e "Rey muerto" (1995), de Lucrecia Martel.

E no CCBB, a mostra completíssima do Jarmusch:

Dia 1/11 (quinta):

15h30 – Johnny Guitar, de Nicholas Ray
17h30 – Down by Law, de Jim Jarmusch
19h30 – Trem Mistério, de Jim Jarmusch

Dia 2/11 (sexta)

15h30 – Sem Fôlego, de Paul Auster e Wayne Wang
17h30 – Sobre café e cigarros (curta e longa), de Jim Jarmusch
19h30 – Pull my Daisy, de Alfred Leslie e Robert Frank
The Last Clean Shirt, de Alfred Leslie

Dia 3/11 (sábado):

19h – Sem Fôlego, de Paul Auster e Wayne Wang
20h30 – Sobre café e cigarros (curta e longa), de Jim Jarmusch

Dia 4/11 (domingo):

16h – Os Corruptos, de Fritz Lang
18h – Pull my Daisy, de Alfred Leslie e Robert Frank
The Last Clean Shirt, de Alfred Leslie
20h – Tigrero, de Mika Kaurismäki

Dia 6/11 (terça):

15h30 – A marca da maldade, de Orson Welles
17h30 – Uma Noite sobre a Terra, de Jim Jarmusch
19h50 – Ghost Dog, de Jim Jarmusch

Dia 7/11 (quarta):

15h30 – Faça a coisa certa, de Spike Lee
17h30 – Ghost Dog, de Jim Jarmusch
19h30 – Year of the Horse, de Jim Jarmusch

Dia 8/11 (quinta):

15h30 – Accatone – Desajuste Social, de Pier Paolo Pasolini
17h30 – O estado das coisas, de Wim Wenders
19h30 – Uma Noite sobre a Terra, de Jim Jarmusch

Dia 9/11 (sexta):

15h30 – Tigrero, de Mika Kaurismäki
17h30 – Dead Man, de Jim Jarmusch
19h40 – Permanent Vacation, de Jim Jarmusch
Ten Minutes Older, de Jim Jarmusch

Dia 10/11 (sábado):

19h – Flores Partidas, de Jim Jarmusch
20h30 - Dead Man, de Jim Jarmusch

Dia 11/11 (domingo):

16h – Acossado, de Jean-Luc Godard
18h – Permanent Vacation, de Jim Jarmusch
Ten Minutes Older, de Jim Jarmusch
20h - Flores Partidas, de Jim Jarmusch

terça-feira, outubro 16, 2007

mais dicas

O CinePuc, organizado pelos alunos do curso de cinema da faculdade, se supera a cada mês. Outubro é dedicado ao mestre português João César Monteiro:

09/10 às 19h - Veredas, João César Monteiro, 1978, 120 min.
16/10 às 19h - Recordações da Casa Amarela , João César Monteiro, 1989, 122 min. - convidado: Hernani Heffner
23/10 às 19h - O Último Mergulho, João César Monteiro, 1992, 88 min.
30/10 às 20h - Vai E Vem, João César Monteiro, 2003, 178 min.

E a partir desta quarta, a cinemateca do MAM abriga uma imperdível mostra sobre Alexander Kluge, um dos maiores (e menos conhecidos) expoentes do cinema novo alemão. A mostra traz a obra completa em longas-metragens (vários inéditos no Brasil), além de curtas e programas de televisão. Eu mesmo vi apenas dois filmes de Kluge: “Os artistas da cúpula do circo: Perplexos” (1968) e “O poder dos sentimentos” (1983). Obras-primas. A programação.

Para terminar, a tirinha do Laerte:




domingo, outubro 14, 2007

duas dicas

Mais um blog/diário de filmagem bem legal: Filmefobia. A página é de autoria do roteirista Hilton Lacerda ("Baixio das bestas", "Árido Movie") e relata as filmagens do novo filme de Kiko Goifman ("33").
A outra dica (esta roubada discaradamente do Anotações de um Cinéfilo), é a disponibilização na web do livro de Tag Gallagher sobre John Ford. É só clicar no link.