segunda-feira, dezembro 14, 2009

mostras

Ando meio afastado do Kinos. E creio que será assim por enquanto. Esqueci, inclusive, de postar aqui sobre a fabulosa mostra de Woddy Aleen lá no CCBB. A de David Lynch, que começou na semana passada, segue até domingo, na Caixa Cultural. A programação:

TERÇA-FEIRA (15.12):

Cinema 1:

17h - "Veludo azul" (DVD)

19h - Debate com José Wilker, Fernando Ceylão, Mario Abbade e um convidado

Cinema 2:

'Coração selvagem' - Divulgação 17h - "Crumb" (DVD)

QUARTA-FEIRA (16.12):

Cinema 1:

17h - "A estrada" (película)

19h - "Lynch" ("One") (DVD)

Cinema 2:

17h - "Pretty as a picture" (DVD)

19h - "Scene by scene" (DVD, matriz VHS) / "Ruth Roses and revolver" (DVD, matriz VHS)

QUINTA-FEIRA (17.12):

Cinema 1:

17h - "Hugh Hefner: Once upon a time" (DVD)

19h - "Dumbland" (DVD) / David Lynch Commercials e clipe Rammstein (DVD, matriz VHS s/legendas) / "School of thought" (DVD)

Cinema 2:

17h - "Rabbits" (DVD) / "Industrial symphony nº1 (DVD)

19h - "Hotel room" (DVD, matriz VHS)

SEXTA-FEIRA (18.12):

Cinema 1:

17h: "The short films of David Lynch" (DVD)

19h: Dynamic: 01: The best of DavidLynch.com (DVD)

Cinema 2:

17h: "Dumbland" (DVD) / David Lynch commercials e clipe Rammstein (DVD, matriz VHS s/legendas) / "School of thought" (DVD)

19h: "Os Beatniks" (DVD, matriz VHS)

SÁBADO (19.12):

Cinema 1:

17h - "Hotel room" (DVD, matriz VHS)

19h - "Transcendendo Lynch" (digital)

Cinema 2:

17h - "Scene by scene" (DVD, matriz VHS) / "Ruth roses and revolver" (DVD, matriz VHS)

19h - "Rabbits" (DVD) / "Industrial symphony nº1" (DVD)

DOMINGO (20.12):

Cinema 1:

17h - "Mystery disc" (DVD)

Cinema 2:

17h - "On the air" (DVD, matriz VHS)


E, no dia 22, começa no CCBB uma mostra imperdível: Horro no Cinema Brasileiro. Vejam:

Dia 22/12 (terça)

16h - O JOVEM TATARAVÔ (1936), de Luiz de Barros
18h - FANTASMA POR ACASO (1946), de Moacyr Fenelon
20h - VENENO (1952), de Gianni Pons

Dia 23/12 (quarta):

16h - À MEIA NOITE LEVAREI SUA ALMA (1964), de José Mojica Marins
18h - ESTA NOITE ENCARNAREI NO TEU CADÁVER (1967), de. José Mojica Marins
20h - ENCARNAÇÃO DO DEMÔNIO (2008), de José Mojica Marins

Dias 24 e 25/12 (quinta e sexta): o cinema estará fechado

Dia 26/12 (sábado):

15h - DESPERTAR DA BESTA (1969), de José Mojica Marins.
17h - LOBISOMEM, O TERROR DA MEIA-NOITE (1972), de Elyseu Visconti Cavalleiro
19h - A FORÇA DOS SENTIDOS (1979), de Jean Garrett – Episódios “Solo de Violino”, “O gafanhoto”, “O Pasteleiro”.

Dia 27/12 (domingo):

15h - A REENCARNAÇÃO DO SEXO (1981), de Luiz Castilini
17h - ENIGMA PARA DEMÔNIOS (1975), de Carlos Hugo Christensen
19h - THE RITUAL OF DEATH / RITUAL MACABRO (1991), de Fauzi Mansur

Dia 29/12 (terça):

16h - AS SETE VAMPIRAS (1986), de Ivan Cardoso
18h - O SEGREDO DA MÚMIA (1981), de Ivan Cardoso
20h - UM LOBISOMEM NA AMAZÔNIA (2005), de Ivan Cardoso

Dia 30/12 (quarta):

16h - EXCITAÇÃO (1977), de Jean Garrett
17h - O ESTRIPADOR DE MULHERES (1978), de Juan Bajon
20h - THE RITUAL OF DEATH / RITUAL MACABRO (1991), de Fauzi Mansur

Dias 31/12 e 1º/01 (quinta e sexta): o cinema estará fechado

Dia 2/01 (sábado):

15h - PECADO NA SACRISTIA (1975), de Miguel Borges
17h - OLHOS DE VAMPA (1996), de Walter Rogério
19h - O FIM DA PICADA (2009), de Christian Sagaard

Dia 3/01 (domingo):

15h - A MULHER DO DESEJO (A CASA DAS SOMBRAS) (1975), de Carlos Hugo Christensen
17h - 3 Episodios: "Solo de Violino"(1980), de Ody Fraga; "O Gafanhoto"(1981), de John Doo; "O Pasteleiro"(1981), de David Cardoso
19h - MANGUE NEGRO (2008), de Rodrigo Aragão

Dia 5/01 (terça):

16h - O JOVEM TATARAVÔ (1936), de Luiz de Barros
18h - FANTASMA POR ACASO (1946), de Moacyr Fenelon
20h – VENENO (1952), de Gianni Pons

Dia 6/01 (quarta):

16h - À MEIA NOITE LEVAREI SUA ALMA (1964), de José Mojica Marins
18h - ESTA NOITE ENCARNAREI NO TEU CADÁVER (1967), de José Mojica Marins
20h - ENCARNAÇÃO DO DEMÔNIO (2008), de José Mojica Marins

Dia 7/01 (quinta):

16h - A REENCARNAÇÃO DO SEXO (1981), de Luiz Castilini
18h - ENIGMA PARA DEMÔNIOS (1975), de Carlos Hugo Christensen
20h - O MANÍACO DO PARQUE (2009), de Alex Prado

Dia 8/01 (sexta):

15h - AS SETE VAMPIRAS (1986), de Ivan Cardoso
17h - O SEGREDO DA MÚMIA (1981), de Ivan Cardoso
19h - UM LOBISOMEM NA AMAZÔNIA (2005), de Ivan Cardoso
21h - SESSÃO MALDITA:
AS TARAS DO MINI VAMPIRO (1987), de José Adalto Cardoso

Dia 9/01 (sábado):

15h - EXCITAÇÃO (1977), de Jean Garrett
17h - O ESTRIPADOR DE MULHERES (1978) Juan Bajon
19h - SHOCK (1984), de Jair Correia

Dia 10/01 (domingo):

15h - A MULHER DO DESEJO (A CASA DAS SOMBRAS)
(1975), de Carlos Hugo Christensen
17h - '3 Episodios: "Solo de Violino"(1980), de Ody Fraga; "O Gafanhoto"(1981), de John Doo; "O Pasteleiro"(1981), de David Cardoso
19h - 'MANGUE NEGRO (2008), de Rodrigo Aragão

sexta-feira, novembro 20, 2009

cine bh, semana do cinema nancional e ims

Lá na Cinética, um breve texto sobre o Cine BH.

Hoje começa a Semana do Cinema Nacional. Até o dia 26 de novembro, na quase totalidade dos cinemas que exibem filmes brasileiros, o ingresso inteiro vai custar apenas 6 reais. Aproveitem, porra!

E o IMS abriga uma mostra cinema/pintura. Pelo menos duas obras-primas serão exibidas: "A bela intrigante" do Rivette, e "Van Gogh", de Maurice Pialat.

A programação:

Sábado 21

16h00 Paixão (Passion), de Jean-Luc Godard (França/Suíça, 1982, 88 min, 16 anos)

18h30 A bela intrigante (La Belle noiseuse), de Jacques Rivette (França/Suíça, 1991, 240 min, 14 anos)


Domingo 22

16h00 A barriga do arquiteto (The Belly of an Architect), de Peter Greenaway (Reino Unido/Itália, 1987, 118 min, 16 anos)

18h30 A bela intrigante (La Belle noiseuse), de Jacques Rivette (França/Suíça, 1991, 240 min, 14 anos)



Terça 24

16h00 Goya (Goya en Burdeos), de Carlos Saura (Espanha/Itália, 1999, 106 min, 14 anos)

18h00 Sombras de Goya (Goya’s Ghosts), de Milos Forman (EUA/Espanha, 2006, 113 min, 14 anos)

20h00 A barriga do arquiteto (The Belly of an Architect), de Peter Greenaway (Reino Unido/Itália, 1987, 118 min, 16 anos)


Quarta 25

16h30 Goya (Goya en Burdeos), de Carlos Saura (Espanha/Itália, 1999, 106 min, 14 anos)

19h00 Van Gogh, de Maurice Pialat (França, 1991, 158 min, 14 anos)

Quinta 26

16h30 Sombras de Goya (Goya’s Ghosts), de Milos Forman (EUA/Espanha, 2006, 113 min, 14 anos)

Sexta 27

16h30 Paixão (Passion), de Jean-Luc Godard (França/Suíça, 1982, 88 min, 16 anos)

19h00 E la nave va, de Federico Fellini (Itália/França, 1983, 128 min, livre)

Sábado 28

14h00 Elogio ao amor (Éloge de l’amour), de Jean-Luc Godard (França/Suíça, 2001, 97 min, 12 anos)

16h30 Paixão (Passion), de Jean-Luc Godard (França/Suíça, 1982, 88 min, 16 anos)

19h00 E la nave va, de Federico Fellini (Itália/França, 1983, 128 min, livre)

Domingo 29

14h00 Sombras de Goya (Goya’s Ghosts), de Milos Forman (EUA/Espanha, 2006, 113 min, 14 anos)

16h30 Elogio ao amor (Éloge de l’amour), de Jean-Luc Godard (França/Suíça, 2001, 97 min, 12 anos)

19h00 E la nave va, de Federico Fellini (Itália/França, 1983, 128 min, livre)

segunda-feira, novembro 09, 2009

a lista do 'times'

Eu vi agora há pouco a lista dos 100 melhores filmes da década segundo o "The Times". Nada de Eugene Green, Claire Denis, Tsai Ming-liang, Apichatpong, Pedro Costa, Manoel de Oliveira, Vans Sant, Ferrara, Kiarostami, Ayoama, Dardennes... Terrível!

Seguindo o Sérgio Alpendre do Chip Hazard, colo a lista abaixo com as minhas cotações. Em negrito estão aqueles que poderiam entrar na minha lista.


1. Caché (Michael Haneke, 2005) ****
2. A Supremacia Bourne/O Ultimato Bourne (Paul Greengrass, 2004, 2007) **
3 Onde os Fracos Não Têm Vez (Joel Coen, Ethan Coen, 2007) ****
4 O Homem-Urso (Werner Herzog, 2005) ****
5 Team America: Detonando o Mundo (Trey Parker, 2004) **
6 Quem Quer Ser um Milionário? (Danny Boyle, 2008) °
7 O Último Rei da Escócia (Kevin Macdonald, 2006) *
8 Cassino Royale (Martin Campbell, 2006) ***
9 A Rainha (Stephen Frears, 2006) ***
10 Hunger (Steve McQueen, 2008) ****
11 Borat (Larry Charles, 2006) ****
12 A Vida dos Outros (Florian Henckel von Donnersmarck, 2006) **
13 This Is England (Shane Meadows, 2007) **
14 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias (Cristian Mungiu, 2007) ***
15 A Queda (Oliver Hirschbiegel, 2004) **
16 Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças (Michel Gondry, 2004) ***
17 O Segredo de Brokeback Mountain (Ang Lee, 2005) ****
18 Deixe Ela Entrar (Tomas Alfredson, 2008) ****
19 Vôo United 93 (Paul Greengrass, 2006) **
20 Donnie Darko (Richard Kelly, 2001) ***
21 Boa Noite, e Boa Sorte (George Clooney, 2005) ***
22 Longe do Paraíso (Todd Haynes, 2002) ****
23 O Equilibrista (James Marsh, 2008) **
24 Extermínio (Danny Boyle, 2002) **
25 Dançando no Escuro (Lars Von Trier, 2000) ****
26 Minority Report (Steven Spielberg, 2002) **
27 Sideways - Entre Umas e Outras (Alexander Payne, 2004) **
28 O Escafandro e a Borboleta (Julian Schnabel, 2007) **
29 Quero ser John Malkovich (Spike Jonze, 2000) ***
30 Irreversível (Gaspar Noé, 2002) *
31 Iraq in Fragments (James Longley, 2006) **
32 Gladiador (Ridley Scott, 2000) ***
33 Um Casamento à Indiana (Mira Nair, 2002) **
34 Procurando Nemo (Andrew Stanton/Lee Unkrich, 2003) *****
35 E Sua Mãe Também (Alfonso Cuarón, 2002) ***
36 Na Captura dos Friedmans (Andrew Jarecki, 2004) ***
37 Amor à Flor da Pele (Wong Kar Wai, 2000) *****
38 Cidade dos Sonhos (David Lynch, 2001) *****
39 Encontros e Desencontros (Sofia Coppola, 2003) ****
40 Syriana (Stephen Gaghan, 2005) **
41 Filhos da Esperança (Alfonso Cuarón, 2006) ***
42 Os Incríveis (Brad Bird, 2004) ****
43 Batman - O Cavaleiro das Trevas (Christopher Nolan, 2008) **
44 Sob a Areia (François Ozon, 2000) ***
45 Touching the Void (Kevin Macdonald, 2003)
46 Traffic (Steven Soderbergh, 2000) **
47 My Summer of Love (Pawel Pawlikowski, 2004) **
48 Pequena Miss Sunshine (Jonathan Dayton/Valerie Faris, 2006) **
49 Ligeiramente Grávidos (Judd Apatow, 2007) *****
50 O Senhor dos Anéis: O retorno do Rei (Peter Jackson, 2003) **
51 O Quarto do Filho (Nanni Moretti, 2001) ****
52 O Jardineiro Fiel (Fernando Meirelles, 2005) **
53 Milk (Gus Van Sant, 2008) **
54 Papai Noel às Avessas (Terry Zwigoff, 2003) ***
55 Chopper (Andrew Dominik, 2000)
56 Volver (Pedro Almodovar, 2006) ****
57 The Consequences of Love (Paolo Sorrentino, 2004)
58 Shaun of the Dead (Edgar Wright, 2004) **
59 Ser e Ter (Nicolas Philibert, 2002) ***
60 A Lula e a Baleia (Noah Baumbach, 2005) **
61 A Viagem de Chihiro (Hayao Miyazaki, 2001)
62 O Âncora: A Lenda de Ron Burgundy (Adam McKay, 2004) ****
63 Sangue Negro (Paul Thomas Anderson, 2007) ***
64 A Criança (Jean-Pierre Dardenne/Luc Dardenne, 2005) ****
65 Valsa Com Bashir (Ari Folman, 2008) ***
66 Cidade de Deus (Fernando Meirelles, Katia Lund, 2002) ***
67 Gomorra (Matteo Garrone, 2008) **
68 Memento (Christopher Nolan, 2000) *
69 Persépolis (Vincent Paronnaud, Marjane Satrapi, 2007) ***
70 Entre os Muros da Escola (Laurent Cantet, 2008) ***
71 Monstros S/A (Pete Docter/David Silverman/lee Unkrich, 2001) *
72 Guerra ao Terror (Kathryn Bigelow, 2008) ***
73 De Tanto Bater, Meu Coração Parou (Jacques Audiard, 2005) **
74 O Labirinto do Fauno (Guillermo Del Toro, 2006) ***
75 Fale com Ela (Pedro Almodóvar, 2002) *****
76 Control (Anton Corbijn, 2007) **
77 Tiros em Columbine (Michael Moore, 2002) **
78 As Confissões de Schmidt (Alexander Payne, 2002) *
79 Le Grand Voyage (Ismael Ferroukhi, 2004) **
80 Eu, Você e Todos Nós (Miranda July, 2005) *
81 In The Loop (Armando Iannucci, 2009)
82 As Coisas Simples da Vida (Edward Yang, 2000) *****
83 Ventos da Liberdade (Ken Loach, 2006) **
84 Hotel Ruanda (Terry George, 2004) *
85 A Professora de Piano (Michael Haneke, 2001) **
86 O Orfanato (Juan Antonio Bayona, 2007) **
87 Time and Winds (Reha Erdem, 2006)
88 Os Excêntricos Tenenbaums (Wes Anderson, 2001) ****
89 Escola de Rock (Richard Linklater, 2003) ****
90 Penetras Bons de Bico (David Dobkin, 2005) ****
91 Lantana (Ray Lawrence, 2001) ***
92 Coisas Belas e Sujas (Stephen Frears, 2002) **
93 O Clã das Adagas Voadoras (Zhang Yimou, 2004) **
94 Uma Verdade Inconveniente (Davis Guggenheim, 2006) *
95 Amores Brutos (Alejandro González Iñárritu, 2000) **
96 Morvern Callar (Lynne Ramsay, 2002)
97 Sympathy for Lady Vengeance (Park Chan-Wook, 2005) *
98 Crash (Paul Haggis, 2004) °
99 Battle Royale (Kinji Fukasaku, 2000)
100 O Diabo Veste Prada (David Frankel, 2006) *

mostras

O Fórum de Cultura lá da UFRJ exibe essa semana uma mostra com filmes do diretor argentino Martin Rejtman. De segunda a quinta, 9 a 12 de novembro, serão exibidos, respectivamente, os filmes "Rapado", "Los Guantes Mágicos", "Copacabana" e "Silvia Prieto". O evento acontece no Salão Moniz de Aragão do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ, às 19 horas. A entrada é franca.

Hoje rola a sessão do Novíssimo Cinema Brasileiro, lá no Cine Glória, às 19h30. Os filmes: "As vilas volantes", de Alexandre Veras, e "Vidança" e "Primas", ambos de de Salomão Santana.

E o Estação Ipanema abriga até o fim da semana a 3ª Mostra Rock-Totem. Vejam a programação.

terça-feira, novembro 03, 2009

inacio

Este domingo a Folha de São Paulo publicou uma entrevista com o Jean Michel Frodon, ex-editor da "Cahiers du Cinema".

Pois faço minhas as palavras de Inácio Araújo a respeito da entrevista. Leiam lá.

FOLHA - Como vai o cinema brasileiro?
JEAN-MICHEL FRODON
- É um cinema sem maior brilho. Vi alguns documentários interessantes, mas o cinema brasileiro não é tão bom quanto poderia ser, ou o quanto imaginamos que seria. O último filme brasileiro do qual eu gostei foi "Mutum".

FOLHA - Houve algum momento, além do cinema novo, em que o Brasil chamou a atenção da crítica internacional?
FRODON
- Havia muita expectativa quando o Brasil voltou a ser um país democrático e, depois, a esperança de que o fenômeno Walter Salles não fosse isolado. Mas a promessa não se cumpriu. A Globo soube tirar vantagem do desenvolvimento do país e isso teve efeitos sobre o cinema.

FOLHA - Por o cinema brasileiro era visto como promessa?
FRODON
- Porque o Brasil parece um país obviamente feito para o cinema. As paisagens, a riqueza cultural, a genialidade de um diretor como Mário Peixoto... Alguém poderia até questionar o seguinte: os mesmos ingredientes que fazem o futebol brasileiro ser único não poderiam ser também utilizados no cinema? O Brasil vem ganhando visibilidade internacional e poderia traduzir esse movimento histórico em filmes, mas, ao contrário da China e de outros países asiáticos, não tem feito isso.

FOLHA - O senhor vê algo de brasileiro em filmes como "Ensaio sobre a Cegueira" ou "O Jardineiro Fiel", de Fernando Meirelles?
FRODON
- Eu os vejo como filmes internacionais. E ruins.

FOLHA - E o que aconteceu com a "buena onda" argentina?
FRODON
- Bons diretores continuam sendo bons diretores, como Lucrecia Martel. Mas a boa onda do jovem cinema argentino foi interrompida. O México também tem coisas interessantes, mas a construção de algo de longo prazo, sólido, me parece distante.

FOLHA - Por que, a despeito do frescor que muitos estrangeiros enxergam na América Latina, o cinema da região não se desenvolve? É um problema econômico ou cultural?
FRODON
- Certamente, não é econômico, e sim de dependência cultural de Hollywood.

FOLHA - O senhor citou o cinema asiático. O que tem vindo de lá?
FRODON
- Um cinema dinâmico, que capta o movimento econômico da região. Tem me chamado a atenção o que vem de países como Tailândia, Filipinas, Malásia. Há muitos jovens diretores e um forte realismo na maneira de filmar. Eles mostram o interior, as periferias, mas se apoiam muito na relação das pessoas com os celulares e a internet. A tecnologia é traduzida numa nova textura de imagens, muitas delas digitais. Os personagens estão nesse ambiente digital.

FOLHA - Eles têm apoio estatal?
FRODON
- Não, mas há uma grande solidariedade entre os diretores, um participa e apoia o filme do outro. Eles conseguiram criar uma pequena indústria porque fazem filmes muito baratos.

FOLHA - Vivemos num mundo sobrecarregado de imagens. Qual o papel do cinema nesse contexto?
FRODON
- O cinema deixou de ser dominante na construção do imaginário coletivo, mas ainda tem um grande poder. Nunca tanta gente viu tantos filmes, nunca tantos filmes foram produzidos em tantos lugares. Mas todas as pessoas querem ver os mesmos poucos filmes, ao mesmo tempo. O grande desafio, hoje, é reabrir o espaço para 95% do cinema contemporâneo, que tem mais e mais dificuldade de existir, de ser visto pelo público em geral.

FOLHA - Que papel tem a crítica nesse cenário?
FRODON
- Chamar a atenção para todo esse outro cinema. No meio de tanta oferta, é possível escolher de duas maneiras. Numa delas, o mercado diz o que você deve ver, por meio do marketing, e você obedece. A outra maneira é dividir opiniões e gostos com quem não tem interesses comerciais e decidir por você mesmo. Nesse sentido, a crítica é cada vez mais necessária. Ela pode funcionar como uma espécie de contrapeso às estratégias de marketing, mais e mais ferozes.

segunda-feira, outubro 26, 2009

sexta-feira, outubro 23, 2009

projeção digital

Os críticos reunidos no Fórum de Crítica organizaram um protesto quanto a qualidade da projeção digital por estas bandas. Este é o link para assinar e apoiar a causa. E segue abaixo o texto capitaneado por Pedro Butcher na integra:

A projeção digital chegou ao Brasil com a missão de democratizar o acesso aos filmes e libertar os distribuidores da dependência de cópias em 35 milímetros, cuja confecção e transporte são notoriamente caros. A instalação de projetores digitais permitiria ao público assistir a títulos que dificilmente seriam lançados nas condições tradicionais e ainda ofereceria condições para que espectadores situados longe do eixo Rio-São Paulo (onde se concentram quase 50% das salas de cinema do país) tivessem acesso aos mesmos títulos simultaneamente.

O que estamos vendo, no entanto, é uma total falta de respeito ao espectador no que se refere à exibição do filme propriamente dita. As razões são basicamente duas: projeções incapazes de reproduzir fielmente os padrões de cor e textura da obra e/ou projeções incapazes de exibir os filmes no formato em que foram originalmente concebidos. Sem falar no som, que muitas vezes ganha uma reprodução abafada, limitada ao canal central, muito diferente de seu desenho original.

A adoção da projeção digital pelos dois maiores festivais internacionais do Brasil (o Festival do Rio e a Mostra de São Paulo) e por outros festivais do país, infelizmente, não respeitou o que seriam critérios mínimos de qualidade de projeção de filmes em cinema – algo que é observado com atenção em qualquer festival internacional que se preze. Trata-se de uma situação particularmente alarmante tendo em vista o papel de formadores de plateia que esses eventos desempenham.

Sucessivamente, temos visto um autêntico massacre ao trabalho de cineastas, fotógrafos, diretores de arte, figurinistas, técnicos de som e até mesmo de atores. Apenas para citar um exemplo: Les herbes folles, o novo filme de Alain Resnais, originalmente concebido no formato 2:35:1, foi exibido no Festival do Rio, com projeção digital, no formato 1:78. Isso representou o corte da imagem em suas extremidades, resultando em enquadramentos arruinados, movimentos de câmera deformados e rostos dos atores cortados. Um pouco como se A santa ceia, de Leonardo Da Vinci, tivesse suas pontas decepadas, deixando alguns discípulos de Jesus fora de campo – e da história. Para completar o desrespeito, não há qualquer aviso em relação às condições de exibição e o preço cobrado pelo ingresso não sofre qualquer alteração.

Não nos cabe, aqui, pregar a “volta ao 35mm” nem defender determinada resolução mínima para a projeção digital. Sabemos que, se respeitados determinados critérios técnicos – ou seja, se a empresa responsável pela projeção digital receber do distribuidor o master no formato adequado, se o processo de encodamento for feito corretamente, e se os ajustes necessários para a exibição de cada filme forem realizados cuidadosamente –, a projeção digital pode ser uma experiência perfeitamente satisfatória para o espectador.

Não é isso, porém, que tem ocorrido. Exibidores, distribuidores e os fornecedores do serviço da projeção digital são responsáveis pela má qualidade da projeção e coniventes com esse lamentável descaso geral, que tem deixado críticos e amantes de cinema indignados. É um desrespeito ao cinema e aos seus criadores, mas, sobretudo, ao espectador e consumidor final, que saiu de casa e pagou ingresso para ver um filme.

A situação chegou a um ponto intolerável. Pedimos a todos os profissionais envolvidos com a projeção digital que tomem providências para que tais deformações não se repitam.

sexta-feira, outubro 02, 2009

festival II

Na Cinética:

As praias de Agnès
Amreeka
Five minutes of heaven

Alguns filmes vistos:

24 City ***
35 doses de rum ***
Barba Azul **
A casa de Nucingen *
Erótica aventura ***
Mother ****
O rei da fuga ****
Singularidades de uma rapariga loira ****
Tulpan ***
Viajo porque preciso, volto porque te amo ***

sábado, setembro 26, 2009

festival

Esse ano vai ser difícil escrever muito por aqui. Mas vou tentar pelo menos postar algumas recomendações.

Na Cinética, tem texto sobre o "Bad lieutenant" do Herzog. Incrivelmente decepcionante. Leiam lá.

Vi ainda:
Lake Tahoe *
Eu matei a minha mãe °

quarta-feira, setembro 23, 2009

festival

As recomendações:

24 City, de Jia Zhang-Ke
35 doses de rum, de Claire Denis
Barba Azul, de Catherine Breillat
Uma barragem contra o pacífico, de Rithy Panh
A batalha dos três reinos, de John Woo
Bom trabalho, de Claire Denis
A casa de Nucingen, de Raoul Ruiz
O dia da transa, de Lynn Shelton
Erótica aventura, de Jean-Claude Brisseau
Les herbes folles, de Alain Resnais
It might get loud, de Davis Guggenheim
Katalin Varga, de Peter Strickland
Morrer como um homem, de João Pedro Rodrigues
Mother, de Bong Joon-ho
O pai dos meus filhos, de Mia Hansen-love
Politist, adjectiv, de Corneliu Porumboiu
Porco cego quer voar, de Edwin
As prais de Agnès, de Agnès Varda
Queridinho da mamãe, de Azazel Jacobs
O rei da fuga, de Alain Guiraudie
Salamandra, de Pablo Aguero
Singularidades de uma rapariga loira, de Manoel de Oliveira
A terceira parte do mundo, de Eric Forestier
The time that remains, de Elia Suleiman
Tulpan, de Sergey Dvorstsevoy
Viajo porque preciso, volto porque te amo, de Marcelo Gomes e Karim Ainouz
Vincere, de Marco bellocchio
White material, de Claire Denis
The withe ribbon, de Michael Haneke

coisas

- tem texto meu lá na Cinética sobre o belo doc "O nome dela é Sabine".

- tem uma revista nova na internet. imperdível. "Foco Revista de Cinema".

- podcast no site da revista Piauí. trata-se de um debate realizado no IMS do Rio com Ismail Xavier, Eduardo Coutinho e José Carlos Avellar.

- começou no início da semana uma mostra com os primeiros filmes de alguns dos cineastas contemporâneos mais importantes. Lá na Caixa Cultural. Detalhe importante: vai ser tudo exibido em DVD. A programação:

23 SET | QUARTA-FEIRA

SALA 01

15h30 Mundo grua, Pablo Trapero (1999)

17h30 Mysterious object at noon, Apichatpong Weerasethakul (2000)

19h30 Chocolat, Claire Denis (1988)

SALA 02

15h Conflito mortal, Wong Kar-wai (1988)

17h O balão branco, Jafar Panahi (1995)

19h Gosto de sangue, Joel e Ethan Coen (1984)

24 SET | QUINTA-FEIRA

SALA 01

15h30 O sangue, Pedro Costa (1989)

17h30 Chronicle of a disappearance, Elia Suleiman (1996)

19h30 Pickpocket, Jia Zhang-ke (1997)

SALA 02

15h Mala noche, Gus Van Sant (1985)

17h Gosto de sangue, Joel e Ethan Coen (1984)

19h Os matadores, Beto Brant (1997)

25 SET | SEXTA-FEIRA

SALA 01

15h30 Chronicle of a disappearance, Elia Suleiman (1996)

17h30 The element of crime, Lars Von Trier (1984)

19h30 Pickpocket, Jia Zhang-ke (1997)

SALA 02

15h Chocolat, Claire Denis (1988)

17h Os matadores,Beto Brant (1997)

19h Mala noche, Gus Van Sant (1985)

26 SET | SÁBADO

SALA 01

15h30 Mysterious object at noon, Apichatpong Weerasethakul (2000)

17h30 Pickpocket, Jia Zhang-ke (1997)

19h30 O sangue, Pedro Costa (1989)

SALA 02

15h O balão branco, Jafar Panahi (1995)

17h Mala noche, Gus Van Sant (1985)

19h Conflito mortal, Wong Kar-wai (1988)

27 SET | DOMINGO

SALA 01

15h30 The element of crime, Lars Von Trier (1984)

17h30 Mundo grua, Pablo Trapero (1999)

19h30 Chronicle of a disappearance, Elia Suleiman (1996)

SALA 02

15h Gosto de sangue, Joel e Ethan Coen (1984)

17h Chocolat, Claire Denis (1988)

19h O balão branco, Jafar Panahi (1995)

sexta-feira, setembro 18, 2009

semana dos realizadores

A Semana dos Realizadores começa hoje e segue até quinta-feira no Unibanco Arteplex do Rio. A programação está no blog do evento.

sexta-feira, setembro 11, 2009

cineclube da cinética e jonas mekas na ufrj

Neste domingo, teremos a primeira sessão do cineclube organizado pela Cinética, lá no Instituto Moreira Salles. À frente do projeto estão Fabio Andrade, Rodrigo Oliveira e Leonardo Sette. Para a sessão de inauguração, eles programaram os filmes "Ninotchka", de Ernst Lubitsch, às 16h; e "Ondas do Destino", de Lars Von Trier, às 18h. Ambos os longas serão exibidos em cópias 35mm, nas janelas corretas de exibição, com legendas em português. A sessão do primeiro custará R$6,00 (R$3,00 a meia-entrada) e a do segundo terá entrada gratuita.

Enquanto isso, o Fórum de Cultura da UFRJ abriga uma pequena mostra com alguns diários do Jonas Mekas. A entrada é franca, sempre às 19h. A programação:

2ª feira (14/09)

Lost, Lost, Lost (1976)

3ª feira (15/09)

Walden – Diaries, Notes and Sketches (1964)

4ª feira (16/09)

As I Was Moving Ahead Occasionally I Saw Brief Glimpses of Beauty (2001,) Primeira Parte (163min)

5ª feira (17/09)

Reminiscences From a Journey to Lithuania (1971)

* No final da sessão, haverá debate sobre os filmes de Mekas com Juliana Cardoso e Juliano Gomes, mestrandos do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFRJ.

6ª feira (18/09)

As I Was Moving Ahead Occasionally I Saw Brief Glimpses of Beauty (2001,) Segunda Parte

quinta-feira, setembro 10, 2009

links

- O Moving Image Source anda disponibilizando o áudio de algumas entrevistas. Essa do Judd Apatow é muito legal.

- O blog do Fabio Camarneiro.

- O projeto do National Film Board, do Canadá, de entrevistas com documentaristas. Entre eles, Eduardo Coutinho.

terça-feira, setembro 08, 2009

soderbergh

Tem texto meu lá na Cinética sobre o "Confissões de uma garota de programa", um filme desequilibrado, mas que nos lembra que um longa pode conjugar seu interesse mais nas questões que ele por ventura levanta do que exatamente pela eficiência ou qualidade de seus resultados e opções estéticas e narrativas.

terça-feira, agosto 25, 2009

cronenberg

Começou nesta terça na Caixa Cultural a mostra "Cinema em carne viva: David Cronenberg - Corpo, imagem e tecnologia".

Quarta-feira - 26/08
Quinta-feira - 27/08
CINEMA 2
16h -
Rabid
18h - The Brood
Sexta-feira - 28/08
CINEMA 2
16h -
Calafrios
18h - A Mosca
Sábado - 29/08
CINEMA 1
16h -
Mistérios e Paixões
CINEMA 2
20h -
eXistenZ
Domingo - 30/08
CINEMA 2
16h -
Fast Company
Terça-feira - 01/09
CINEMA 2
Quarta-feira - 02/09
CINEMA 2
16h -
Marcas da Violência
Quinta-feira - 03/09
18h - The Brood
Sexta-feira - 04/09
CINEMA 2
16h -
Videodrome
18h - eXistenZ
Sábado - 05/09
CINEMA 2
20h -
Câmera
20h - Stereo
Domingo - 06/09
CINEMA 2
16h -
M. Butterfly
CINEMA 1
18h -
Mistérios e Paixões

domingo, agosto 23, 2009

mais um de johnnie to


mad detective *****

“Mad detective” (2007) é mais um filme incrível de Johnnie To e Wai Ka-Fai. O detetive do título chama-se Bun. Ele consegue ler mentes criminosas e desvendar seus crimes, embora ostente uma personalidade atípica. Quando corta uma de suas orelhas para dar de presente de despedida para seu ex-chefe, Bun é declarado “incompatível com o ambiente normal de trabalho” e banido da polícia. Anos depois, um jovem detetive o procura pedindo ajuda para resolver um caso. Mais uma vez: a câmera percorre espaços e assiste à ação com uma desenvoltura magistral e imprime certezas em cada movimento, enquadramento ou plano, com uma montagem orgânica e uma cadência um tanto operística.

Agora, To e Kai-fai parecem interessados como nunca na caracterização de seus personagens. Bun é um personagem instigante como poucos. Ele nunca se revela por completo. A ex-mulher. Um trauma. A loucura. A seqüência em que realizadores nos mostram as diferentes personalidades do assassino é das melhores dos últimos anos. To e Ka-Fai parecem se perguntar até aonde podem seguir com o plano ponto de vista de Bun. Esse experimento se repete ao longo do filme das mais variadas maneiras. Às vezes vemos essas “diferentes personalidades” entrecortadas por planos de Bun olhando para elas, noutras não. Às vezes, Ho tenta entender o que está se passando, noutras não. E ainda existem os planos em que Bun aparece no mesmo quadro das “diferentes personalidades”.

A narrativa prima por uma certa insanidade, pela falta mesmo de uma lógica interna. Ainda assim, o filme jamais deixa de ser coerente e direto. Os cineastas estilhaçam a trama em ritmos, tons, angulações, movimentos, personagens e personalidades diferentes. A cada filme, To desafia nossas expectativas e determinadas convenções narrativas. Em “Mad Detective” nada é o que parece, seja em termos narrativos ou visuais. Assim que nosso herói embarca em sua investigação, a linha tênue entre o verdadeiro e o falso cresce em ambigüidade. E, curiosamente, quanto mais perto chegamos da verdade, mais longe da realidade parecemos estar.

quarta-feira, agosto 19, 2009

seminário na ufrj

Começa hoje no Fórum de Cultura da UFRJ o Seminário Internacional Retornos do Real: Cinema e Pensamento Contemporâneos. O evento segue até sexta. Abaixo, a programação.

dia 19

19:00 –Tom Cohen: "Ônibus em explosão – Técnicas Cinemáticas e a Vida descartável: Hitchcok em Ônibus 174". Professor do Departamento de Inglês da State University of New York, Albany e autor de Anti-Mimesis from Plato to Hitchcock (Cambridge University Press, 1994); Ideology and Inscription: "Cultural Studies" after Benjamin, de Man, and Bakhtin (Cambridge University Press, 1998); Hitchcock's Cryptonymies 1: Secret Agents (University of Minnesota Press, 2005) e Hitchcock's Cryptonymies 2: War Machines (University of Minnesota Press, 2005).

Mediadora e debatedora: Gabriela Nouzeilles – Professora Associada e Chefe do Departamento de Espanhol e Português da Princeton University e autora de Ficciones somáticas: Naturalismo, nacionalismo y políticas médicas del cuerpo (Beatriz Viterbo, 2000) e editora de The Argentina Reader. History, Culture, and Politics (Duke University Press, 2003) e de La naturaleza en disputa. Retóricas del cuerpo y el paisaje (Paidós 2002). No momento, concluí Of Other Places. Patagonia and the Production of Nature.

dia 20

09:00 – Mesa-redonda Modalidades do Real

Ismail Xavier: O exemplar e o contingente no teatro das evidências. Professor Associado do Departamento de Cinema, Televisão e Rádio da Universidade de São Paulo e autor de O discurso cinematográfico: a opacidade e a transparência. (Paz e Terra, 1977), Sertão Mar: Glauber Rocha e a estética da fome (Brasiliense, 1983), Allegories Of Underdevelopment: Aesthetics And Politics In Modern Brazilian Cinema. (University of Minnesota Press, 1997) e O Olhar e a Cena: Hollywood, Melodrama, Cinema Novo, Nelson Rodrigues (COSAC & NAIFY, 2003)

Yngjin Zhang: “Paisagens em Movimento: Realidade, Visualidade e Translocalidade nos Filmes de Jia Zhangke”. Professor Associado e Diretor do Programa de Estudos Chineses da (University of California, San Diego e autor de The City in Modern Chinese Literature and Film: Configurations of Space, Time, and Gender (Stanford University Press, 1996); Screening China: Critical Interventions, Cinematic Reconfigurations, and the Transnational Imaginary in Contemporary Chinese Cinema. (Center for Chinese Studies, University of Michigan, 2002) e Chinese National Cinema. (Routledge, 2004) e China in Focus: Studies of Chinese Film and Literature in the Perspective of Academic History (em Chinês) (Nanjing University Press, 2006).

Mediador: Denilson Lopes – Superintendente de Difusão Cultural do Fórum de Ciência e Cultura e Professor da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro. É autor de Nós os Mortos: Melancolia e Neo-Barroco (7Letras, 1999), O Homem que Amava Rapazes e Outros Ensaios (Aeroplano, 2002), A Delicadeza: Estética, Experiência e Paisagens (EdUnB, 2007), organizador de O Cinema dos Anos 90 (Argos, 2005) e co-organizador de Cinema, Globalização e Interculturalidade .(Argos, a sair em 2009).

10:30 – Conferência

Ivone Margulies: “A presença reencenada no cinema contemporâneo”. Professora Associada da City University of New York, autora de Nothing Happens: Chantal Akerman’s Hyperrealist Everyday (Duke University Press, 1996) e organizadora de Rites of Realism: Essays on Corporeal Cinema (Duke University Press, 2003).

Apresentador e mediador: Álvaro Fernandez Bravo – Professor e Diretor da New York University Buenos Aires. Autor de Literatura y frontera: procesos de territorialización en las culturas argentina y chilena del siglo XIX(Sudamericana, 1999), co-autor de Introducción a la escritura universitaria. Ciudades alteradas: nación e inmigración en la cultura moderna. (Granica, 2003) e co-organizador de Sujetos en tránsito:(in)migración, exilio y diáspora en la cultura latinoamericana (Alianza, 2003) e El valor de la cultura: Arte, literatura y mercado en América latina(Beatriz Viterbo, 2007).

11:45 – Mesa-redonda Repensando o Documentário

Andréa França: “O cinema documentário e o retorno daquilo que foi”. Professora do Pontifícia Universidade Católica/Rio de Janeiro e autora , autora de Cinema em Azul, Branco e Vermelho - a trilogia de Kieslowski (7Letras,1997) e de Terras e Fronteiras no cinema político contemporâneo (7Letras, 2003) e co-organizadora de Cinema, Globalização e Interculturalidade .(Argos, a sair em 2009).

Emilio Bernini: “Una arqueología de la imagen: el documental de found footage”. Professor Titular e Diretor do Mestrado em Documentário da Universidad del Cine da Universidad del Cine e professor da Universidad de Buenos Aires. Autor de Ciertas tendencias. Notas sobre el nuevo cine argentino (1956-1966). (UBA, 2002) e Silvia Prieto. Un film sin atributos (Picnic, 2008) e Diretor da revista Kilómetro 111. Ensayos sobre cine.

César Guimarães: “O Documentário e as Potências da Vida Ordinária”. Professor Associado do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal de Minas Gerais e autor de Imagens da Memória: Entre o Visível e o Invisível (Ed. UFMG, 1996), co-organizador de Comunicação e Experiência Estética (Ed. UFMG, 2006), Na Mídia, Na Rua: Narrativas do Cotidiano (Autêntica, 2006) e O Comum e A Experiência da Linguagem (Ed. UFMG, 2007).

Mediador: Álvaro Fernandez Bravo (New York University-Buenos Aires)

15:30 – Conferência

Laura Marks: “Desdobrando o Real: Mediação como um Tecido Conectivo”. Dena Wosk University Professor da Escola de ArtesContemporâneas Simon Fraser University(Vancouver), autora de The Skin of the Film: Intercultural Cinema, Embodiment, and the Senses (Duke University Press, 2000), Touch: Sensuous Theory and Multisensory Media (University of Minnesota Press, 2002) e curadora. No momento está escrevendo Enfoldment and Infinity: An Islamic Genealogy of New Media Art (a ser publicado pela MIT Press)

Apresentador e Mediador: Mauricio Lissovsky – Professor Adjunto da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro e roteirista de Cinema e TV e entre seus trabalhos mais recentes estão os longa-metragens “Seja o que Deus quiser” (Murilo Salles, ficção, 2003) e “A Pessoa é para o que nasce” (Roberto Berliner, documentário, 2004). É autor de A Máquina de Esperar: Origens e Estética da Fotografia Moderna (Mauad, 2008)

16:45 - Mesa-redonda Encruzilhadas do Novo Cinema Argentino

Ana Amado: “Visitas Guiadas Al Território de los Desclasado”. Professora da Universidad de Buenos Aires, autora de La Imagen Justa. Cine Argentino e Politica (Colihue, 2009) e co-autora de Lazos de Família: Herencias, Cuerpos, Ficciones (Paidós, 2004)

Davi Oubiña: “Riesgos y desafíos del cine argentino reciente”. Professor da Universidad de Buenos Aires, Universidad del Cine e New York University-Buenos Aires e autor de Filmología (Ensayos con el cine), (Manantial, 2000), Lucrecia Martel: La ciénaga (Picnic, 2007) e Una juguetería filosófica. Cine, cronofotografía y arte digital (Manantial, 2009) e El silencio y sus bordes (discursos extremos en la literatura y el cine argentinos, entre los ’60 y los ’70) (Santiago Arcos, a ser publicado).

Mediador: Jens Andermann é Professor da University of London, Birkbeck College é autor de Mapas De Poder. Una Arqueología Literaria Del Espacio Argentino (Beatriz Viterbo, 2000) e de The Optic of the State: Visuality and Power in Argentina and Brazil (University of Pittsburgh Press, 2007) e co-editor de Images of Power: Iconography, Culture And the State in Latin America (Berghahn Books, 2006) e de Galerias del progreso. Museos, exposiciones y cultura visual en America Latina (Beatriz Viterbo, 2006).

18:30 – Palestra de Encerramento

Karl Erik Schöllhammer: “Além ou aquém do realismo do choque?”. Professor associado do departamento de Letras da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, autor de Novas Epistemologias (NAU, 1999), Além do visível - o olhar da literatura (7Letras, 2007) e de Ficção brasileira contemporânea. (Civilização Brasileira, 2009), co-editor de Linguagens da Violência (Rocco, 2000) e de Literatura e Mídia (Ed.PUC/Loyola, 2002).

Apresentador e Mediador: Jens Andermann (University of London, Birkbeck College)

terça-feira, agosto 18, 2009

guy maddin no ccbb

O CCBB do Rio abriga a partir de hoje uma mostra sobre o cinema do canadense Guy Maddin. Não conheço muito, mas gosto do que conheço. Vale dar uma olhada.

18/8 – terça-feira
18h A Música mais triste do mundo, (The Saddest Music in the World) Canadá 2003, 100 min, 35mm, p&b, 16 anos.100 min
20h Meu pai tem cem anos, (My Dad Is 100 Years Old), Canadá 2005, 16 min, p&b, com Isabella Rossellini.16 min + Marcado na mente!, (Brand Upon the Brain!) Canadá 2006, 95 min, 35mm, p&b, 16 anos
19/8 – quarta-feira
18h Visões sobre Guy Maddin, 113 min
20h Programa Curtas 1: 54 min (abaixo)
20/8 – quinta-feira
18h Meu pai tem cem anos, (My Dad Is 100 Years Old), Canadá 2005, 16 min, 35mm, p&b, com Isabella Rossellini.16 min + Covardes se ajoelham (Cowards Bend the Knee) Canadá 2003, 64 min, Beta SP, p&b, mudo, 18 anos
20h Programa Curtas 2: 52 min (abaixo)
21/8 – sexta-feira
18h Dracula: páginas do diário de uma virgem, (Dracula, Pages from a Virgin's Diary) Canadá 2002, 73 min, Beta Digital, p&b, mudo, 14 anos
20h O coração do mundo, 5 min / Arcanjo, (Archangel) Canadá 1990, 83 min, 35mm, p&b, 16 anos.83 min
22/8 – sábado
16h Contos do Hospital Gimli, 70 min18h A Música mais triste do mundo, 100 min
20h Minha Winnipeg (My Winnipeg) Canadá 2007, 80 min, 35mm, cor/p&b, 16anos.
23/8 – domingo
16h O coração do mundo, (The Heart of the World), Canadá 2000, 5 min, 35mm, p&b, mudo. + Arcanjo, 83 min
18h Programa Curtas 3: 46 min (abaixo)
20h Crepúsculo da ninfas de gelo, (Twilight of the Ice Nymphs) Canadá 1997, 92 min, Beta SP, cor, 14 anos. 100 min
25/8 – terça-feira
18h Meu pai tem cem anos, 16 min + Covardes se ajoelham (Cowards Bend the Knee) Canadá 2003, 64 min, Beta SP, p&b, mudo, 18 anos.
20h Programa Curtas 3: 46 min
26/8 – quarta-feira
18h Crepúsculo da ninfas de gelo, 100 min
20h Cuidadoso, (Careful) Canadá 1992, 100 min, Beta Digital, cor, 18 anos.100 min
27/8 – quinta-feira
18h Programa Curtas 2: 52 min
20h Contos do Hospital Gimli, (Tales from the Gimli Hospital) Canadá 1988, 70 min, Beta SP, p&b, 16 anos. 70 min
28/8 – sexta-feira
18h Dracula: páginas do diário de uma virgem, 73 min
20h Visões sobre Guy Maddin, 113 min
29/8 – sábado
16h Cuidadoso, 100 min18h Programa Curtas 1: 54 min
20h A Música mais triste do mundo, 100 min
30/8 – domingo
16h Minha Winnipeg (My Winnipeg), 80 min
18h Marcado na mente!, (Brand Upon the Brain!) Canadá 2006, 95 min, 35mm, p&b, 16 anos
20h O coração do mundo, 5 min / Dracula: páginas do diário de uma virgem, 73 min

domingo, agosto 16, 2009

coutinho

Começou a Retrospectiva Eduardo Coutinho lá no IMS. Completíssima. Segue até o dia 27 de agosto. Dia 22, a exibição de “Moscou” será seguida por um debate com o cineasta, Ismail Xavier e José Carlos Avellar. Logo depois, serão lançados dois livros sobre o cineasta.

18 de agosto, terça-feira
14h00 Jogo de cena (2007, 104 min, livre)
16h00 Moscou (2009, 80 min, livre)

19 de agosto, quarta-feira
14h00 A lei e a vida (1992, 35 min, 12 anos); Seis histórias (1998, 27 min, 12 anos); Mulheres no front (1996, 35 min, 12 anos)
16h00 Santa Marta, duas semanas no morro (1987, 54 min, 12 anos); Boca de lixo (1992, 50 min, 12 anos)
18h00 Seis dias em Ouricuri (1976, 40 min, 12 anos); Teodorico, o imperador do sertão (1978, 49 min, 12 anos)
20h00 Babilônia 2000 (2001, 80 min, livre)

20 de agosto, quinta-feira
14h00 Peões (2004, 85 min, livre)
16h00 Cabra marcado para morrer (1984,119 min, 12 anos)
18h00 O fio da memória (1991, 115 min, 12 anos)
20h00 Cabra marcado para morrer (1984, 119 min, 12 anos)

21 de agosto, sexta-feira
14h00 A lei e a vida (1992, 35 min, 12 anos); Seis histórias (1998, 27 min, 12 anos); Mulheres no front (1996, 35 min, 12 anos)
16h00 Moscou (2009, 80 min, livre)
18h00 Jogo de cena (2007, 104 min, livre)
19h30 Moscou (2009, 80 min, livre)

22 de agosto, sábado
14h00 Volta Redonda, o memorial da greve (codireção Sérgio Goldemberg, 1989, 39 min, 12 anos); Os romeiros do padre Cícero (1994, 38 min, 12 anos)
17h00 Moscou (2009, 80 min, livre) [ENTRADA FRANCA]
18h30 mesa de debates com a participação de Ismail Xavier e José Carlos Avellar, e lançamento dos livros da coleção Encontros da editora Azougue.
20h00 Santo forte (1999, 80 min, 12 anos)

23 de agosto, domingo
14h00 O fio da memória (1991, 115 min, 12 anos)
16h00 Cabra marcado para morrer (1984,119 min, 12 anos)
18h00 O fio da memória (1991, 115 min, 12 anos)
20h00 Cabra marcado para morrer (1984, 119 min, 12 anos)

25 de agosto, terça-feira
14h00 Edifício Master (2002, 110 min, 12 anos)
16h00 O fim e o princípio (2005, 110 min, livre)
18h00 Santo forte (1999, 80 min, 12 anos)
20h00 Moscou (2009, 80 min, livre)

26 de agosto, quarta-feira
14h00 Jogo de cena (2007, 104 min, livre)
16h00 Babilônia 2000 (2001, 80 min, livre)
18h00 Peões (2004, 85 min, livre)
20h00 Moscou (2009, 80 min, livre)

27 de agosto, quinta-feira
14h00 O fim e o princípio (2005, 110 min, livre)
16h00 Seis dias em Ouricuri (1976, 40 min, 12
anos); Teodorico, o imperador do sertão (1978, 49 min, 12 anos)
18h00 Edifício Master (2002, 110 min, 12 anos)
20h00 Moscou (2009, 80 min, livre)

quarta-feira, agosto 12, 2009

stroszek


Gostei muito de “Stroszek” (1976). Muito mesmo. Werner Herzog escreveu o filme especialmente para Bruno S. - um cantor de rua com uma leve deficiência mental e muitas passagens por reformatórios -, que havia sido descoberto pelo próprio cineasta alemão em “O Enigma de Kaspar Hauser”. Desiludidos com a vida alemã, Bruno, seu amigo Scheitz e a prostituta Eva (tanto o protagonista, quanto os demais personagens, usam os nomes dos próprios atores) viajam para os Estados Unidos. Os problemas, no entanto, não tardam. Mas “Stroszek” não é um filme de denúncia. Não é filme interessado em desmascarar o sonho americano. “Stroszek” é antes de tudo um filme sobre a história desses três personagens à deriva em um mundo que não foi feito para eles.

Ao longo do filme, o que sinto é essa uma sensação de absoluto isolamento de cada um desses personagens (de todos eles, não apenas os protagonistas), abandonados no mundo. A câmera de Herzog acompanha inquieta as suas criaturas e pinta um mundo perverso, onde tudo é efêmero, como a casa que chega já pronta, trazida por um caminhão, e, da mesma maneira, é levada de volta. Herozg filma o confronto entre o apelo de seus personagens e o silêncio irracional do mundo.

Antes de ser belo, “Stroszek” é justo, justíssimo. Herzog ainda garante aos seus personagens uma espécie de vingança para com o mundo. É assim que vejo o desfecho do filme. A seqüência começa em círculos: a galinha dançarina, Bruno passeando no teleférico e o caminhão pegando fogo. O mundo se vê impotente. “Há um caminhão pegando fogo, não consigo encontrar o interruptor para desligar o teleférico dos esquiadores e não consigo parar a máquina da galinha dançarina”, diz um policial. “Mandem um eletricista”, responde o seu comandante. Segue então dois minutos da galinha dançando sem parar. O que vemos antes de tudo é uma contradição. Diante dessas imagens, tentamos agregar algum sentido. Mas é inútil esforçar-se para ser convincente. Herzog e seus personagens não nos deixam esquecer disso. Em “Stroszek”, o mundo não é tão racional, nem irracional. É irracionável, e nada mais do que isso. A razão constata os seus limites e nega a si mesma. É simplesmente absurdo. Um desfecho perturbador.

Na Internet, encontrei essa pequena entrevista em português de Portugal:

Werner Herzog: É como o fim de Stroszek, por exemplo, com a galinha dançante. Mas, na altura, a equipa técnica ou quase todos nas filmagens odiaram o filme de tal forma que por fim o director de fotografia se recusou a filmá-lo (ao plano) e disse: "Vamos almoçar agora, se queres filmar essa merda." E eu disse: "Vou filmar esta merda, claro". E tentei dizer-lhes. "Não percebem que há algo muito muito grande aqui?" E ninguém o via. Era mesmo grande. Ainda é uma das melhores coisas que filmei na minha vida.

Offscreen: É um dos finais mais bonitos de um filme...

Werner Herzog: Até a equipa que eu paguei e que me era leal entrou em greve.

Offscreen: Estava a cena no guião inicialmente?
Werner Herzog: Não me lembro. Acho que estava no guião. Sim! Acho mesmo que estava no guião. Mas não tenho a certeza absoluta, devia dar uma vista de olhos no guião.

Offscreen: E uma coisa sobre essa cena é uma rara ocorrência de montagem intercalada de diferentes coisas que ocorrem simultaneamente, de Bruno nas montanhas aos animais (galinhas, patos, coelhos) dançando e tocando música e para o camião a arder andando aos círculos lá fora. Normalmente, as suas cenas são segmentos bastante largos, passados num local, numa situação, frequentemente tomadas longas...

Werner Herzog: Sim, mas os animais dançam ainda algum tempo, portanto agarramo-nos a isso. O problema era que as galinhas não dançavam mais do que 15 segundos e depois retiravam-se. Colocamo-las em treino especial para que dançassem tanto quanto pudessem. Quando se punha uma moeda na máquina, a música tocava e a galinha dançava. Como recompensa recebia algum milho. Estavam acostumadas a dançar entre 3 a 5 segundos. Mantive-as em treino por uns par de meses para que dançassem tanto quanto pudessem. Mas só dançavam durante 15 segundos. O problema é que não me conseguia safar com um final que fosse um plano de 15 segundos. Tinha bastantes planos desses e tive que os juntar. Ficava sempre um jump cut. Portanto, também havia razões técnicas por trás disso. Muitas vezes não é uma ideologia ou algo parecido que está por trás de alguma coisa. »

Abaixo, duas cenas do filme.

cena final

bruno canta

sábado, agosto 08, 2009

bressame no mam

O MAM celebra neste sábado (8) os quarenta anos de duas obras-primas de Julio Bressane.

16h

Matou a família e foi ao cinema (1969)

18h

O Anjo nasceu (1969)

john hughes morreu

John Hughes ("Gatinhas e gatões", "Clube dos cinco", "Curtindo a vida adoidado") morreu nesta quinta. Infarte.

segunda-feira, julho 27, 2009

coni campos

Conheço pouco do cinema de Fernando Coni Campos. Apenas dois filmes: “Ladrões de cinema” (1977) e “O mágico e o delegado” (1983). Ambos, enormes, gigantes. No primeiro, um bando de pobres moradores de uma favela carioca rouba um equipamento de filmagem e resolvem fazer um filme. No segundo, um mágico é preso por um delegado de uma cidadezinha do interior. A atividade marginal, mas elaborada a partir de baixo. A morte pela imaginação, uma espécie de diagnóstico de um dos problemas mais crônicos do cinema brasileiro. Em conjunto, esses filmes me deixam com a impressão de um cinema brasileiro por excelência. Coni Campos se afirma como um cineasta antes de tudo brasileiro.

E seu cinema é de uma rara alegria. “Ladrões” e “O mágico” celebram o fato de serem cinema. O que me comove é a vontade de nos contaminar por essa alegria, por esse desejo de ser cinema. O cineasta explora as mais variadas possibilidades comunicativas. Nada de formalismos. Nada de hermetismos. Coni Campos narra como quem canta. Ele carnavaliza. O Tiradentes de “Ladrões de cinema” é o do samba-enredo composto por Mano Décio e Silas de Oliveira para o Império Serrano. E as seqüências mais importantes de “O mágico e o delegado” terminam quase sempre em dança – com destaque especial para os planos eróticos (mas nem por isso vulgares) de Tânia Alves. O carnaval como um momento igualitário, em que os indivíduos podem extravasar certas repressões e talvez experimentar uma liberdade provisória dos papéis sociais que cumprem no dia-a-dia.

segunda-feira, julho 20, 2009

garapa


Garapa *

É preciso perguntar o “porquê” de um filme como “Garapa”. Um documentário sobre a fome. José Padilha registra o cotidiano de três famílias cearenses e sua luta contra a miséria. De cara, um certo didatismo. Surge uma cartela com um dizer de Josué de Castro. No vai-e-vem entre as famílias, imagens, situações e perguntas se repetem. Percebe-se o desejo por um painel homogêneo, sem muitas especificidades. “Garapa” nos deixa então ver suas engrenagens. E o filme corre sempre o risco de ser apenas uma ilustração de dados e teses que o antecedem. Esse risco está impresso no filme. Um cineasta julga o que mostra e é julgado pela forma como mostra. Fazer um filme é mostrar certas coisas. É também mostrá-las de uma determinada maneira. Estas duas ações são rigorosamente indissociáveis. E o que vemos em “Garapa”? Imagens estilizadas como efeitos de pobreza. Imagens pensadas à revelia do que elas nos mostram.

Mais do que isso. O que se vislumbra é uma certa idéia de documentário. Ainda hoje, pensam o documentário como tendo as suas utilidades. Pra mim, essa crença é totalmente descabida. Acho que a própria história do gênero nos aponta nessa direção: um filme documentário não faz nada acontecer. Na verdade, essa fé na força do documentário como instrumento importante de transformação social talvez explique boa parte dos problemas éticos nos quais os filmes documentários se vêem enredados.

domingo, julho 19, 2009

um fim de semana e 1000 retratos


Um belo projeto de um amigo de Barcelona. Dois fotógrafos (Gerard Franquesa Capdevila, o meu amigo, e Sergi López Graells), uma câmera, um fim de semana, e 1000 retratos. Uma saudade enorme de Barcelona. Quem quiser ver as fotos, é só clicar na imagem.

segunda-feira, julho 06, 2009

rouch no ims

Passarei a posta sobre congressos e colóquios por aqui. Para quem não sabe, estou fazendo doutorado na UFF, e vem recebendo mensagens sobre esses eventos. Alguns deles são bem legais.
Bom, pra começar, como introdução a Mostra Jean Rouch (no Instituto Moreira Salles, entre os dias 18 de julho e 18 de agosto), o IMS abrigará um colóquio sobre o cinema do mestre francês. Vale a pena dar uma olhada no site do Instituto. Começa nesta terça, amanhã. É de graça, mas precisa fazer a inscrição. Fiz uma pequena nota lá para a Cinética.

sexta-feira, julho 03, 2009

histórias de godard

A Cinemateca do MAM exibe nesse fim de semana o "Histoire(s) du cinema", do Godard. A série passa em DVD com legendas em português. Clique aqui para os horários.

quinta-feira, julho 02, 2009

tykwer e nachtergaele



trama internacional *

Esse me incomodou. Para além do esmero no estilo, sobra pouco, muito pouco. A câmera segue os atores (ambos, Clive Owen e Naomi Watts, estão apenas batendo o ponto) em constante movimento e os cortes vêm em grande quantidade. Contudo, estas opções são tão evidenciadas que colocam ruídos na descrição mais objetiva. Talvez essa impressão seja produzida pelo apreço aos macetes do roteiro, ao deslumbramento frente ao muitos recursos estilísticos à disposição do cineasta, aos detalhes sempre por demais sublinhados para causar sensação. Tom Tykwer dirige como se a “A Identidade Bourne” e seus inúmeros genéricos não existissem. Estes funcionam bem como exercícios de cinema de gênero, mas Tykwer parece se levar a sério demais para perceber que o que está na tela não passa de uma fórmula, usada e abusada à exaustão.
a festa da menina morta ***

Gostei do filme do Matheus Nachtergaele. A narrativa é cronológica, porém não no sentido clássico de causa e efeito. “Menina Morta” segue de cena a cena. Como cineasta, Matheus as trabalha quase isoladamente, em textura e intensidade. Ele opta por planos colados aos rostos dos personagens, aposta numa certa animalização de seu gestual e recruta planos-sequências para sublinhar seus atores - todos muito bem. “Menina Morta” propõe uma estética de choque: o sexo entre pai e filho, a matança do porco, os descontroles de Santinho, etc. E o registro é sempre excessivo, dotado de uma carga visual e dramática pra lá de carregada. Com o tempo alongado dos planos, no entanto, a hipervisualidade das cenas perde um pouco de sua força. Mas a impressão que fica é a do desejo pelo cinema.

sábado, junho 20, 2009

killshot e patativa

Nos textículos da Cinética, além de "A janela" e "Um ato de liberdade", texto sobre "Killshot".
Veja também o texto sobre "Patativa do Assaré".

sexta-feira, junho 12, 2009

quarta-feira, junho 03, 2009

anos 30

A Liga dos Blogues Cinematográficos postou hoje um ranking dos 20 melhores filmes da década de 30 segundo seus integrantes. Abaixo, segue a lista que enviei à liga.

M (1931), de Fritz Lang
A Regra do Jogo (1939), de Jean Renoir
Limite (1931), de Mário Peixoto
A Atalante (1934), de Jean Vigo
O Diabo a Quatro (1933), de Leo McCarey
O homem de Aran (1934), de Robert Flaherty
Las hurdes (1932), de Luiz Buñuel
Scarface (1932), de Howard Hawks
Terra (1930), de Aleksandr Dovzhenko
Enthusiasm (1931), de Dziga Vertov
À Nous la Liberte (1931), de René Clair
O Gato Preto (1934), de Edgar G. Ulmer
Sabotagem (1936), de Alfred Hitchcock
I Was Born But (1932), de Yasujiro Ozu
Sisters of the Gion (1936), de Kenji Mizoguchi
O morro dos ventos uivantes (1939), de William Wyler
Heróis esquecidos (1939), de Raoul Walsh
A mocidade de Lincoln (1939), de John Ford
Alexander Nevsky (1938), de Sergei Eisenstein
O Mágico de Oz (1939), de Victor Fleming

Para essa lista, acabei montando uma outra enorme. Alguns eu ainda nem vi. Mas estão computados pelo realizador, pelo que li, e pelo que ouvi dizer. Quem quiser reclamar, sugerir, recomendar, comentar...

1930
A Idade de Ouro (Bunuel)
Terra (Dovzhenko)
Morocco (Josef von Sternberg)
Sangue de um poeta (Jean Cocteau)
Sous les Toits de Paris (René Clair)
Hell's Angels (Howard R. Hughes)
The Big Trail (Raoul Walsh)
Nada de Novo no Front (Lewis Milestone)
O Anjo Azul (Sternberg)
Her Man (Tay Garnett)
Laughter (Harry d'Arrast)
Monte Carlo (Lubitsch)
Sob os Tetos de de Paris (Clair)
Tabu (Murnau)
That Night's Wife (Ozu)

1931
Enthusiasm (Vertov)
M (Lang)
Limite (Mário Peixoto)
À Nous la Liberté (René Clair)
Blonde Crazy (Roy del Ruth)
O Campeão (King Vidor)
A Cadela (Renoir)
Luzes da Cidade (Chaplin)
Desonrada (Sternberg)
The Man I Killed (Lubitsch)
La nuit du carrefour (Renoir)
Philips Radio (Joris Ivens)
The Struggle (Griffith)

1932
Las hurdes (Bunuel)
Ivan (Dovzhenko)
I Was Born But (Ozu)
Boudu Salvo das Aguas (Renoir)
Freaks (Tod Browning)
Scarface (Hawks)
O Testamento do Dr. Mabuse (Lang)
Ladrão de Alcova (Lubitsch)
O Vampiro (Dreyer)
Zero de Conduta (Jean Vigo)
Os Genios da Pelota (Norman Z. McLeod)
Love Me Tonight (Robert Mamoulian)
Marie, legende hongrois (Fejos)
A Mascara de Fu Manchu (Charles Brabin)
Me and My Gal (Walsh)
Million Dollar Legs (Edward F. Cline)
The Music Box (James Parrott)
A Casa Sinistra (James Whale)
Uma Hora Contigo (Lubitsch/Cukor)

1933
O Diabo a Quatro (Leo McCarey)
King Kong (Merian C. Cooper)
Industrial Britain (Robert Flaherty)
O Ultimo Chá do General Yen (Frank Capra)
Bombshell (Victor Fleming)
Deserter (Pudovkin)
The Great Consoler (Kuleshov)
Hallelujah, I'm a Bum (Milestone)
Hard to Handle (Mervyn LeRoy)
Man's Castle (Borzage)
Passing Fancy (Ozu)
Stoopnocracy (Dave Fleischer)
Topaze (d'Arrast)

1934
A Atalante (Vigo)
O Gato Preto (Edgar G. Ulmer)
Toni (Renoir)
Triumph of the Will (Leni Riefenstahl)
It Happened One Night (Frank Capra)
Man of Aran (Flaherty)
Cleopatra (DeMille)
A Alegre Divorciada (Mark Sandrich)
Juiz Priest (John Ford)
Our Daily Bread (King Vidor)
The Scarlet Empress (Sternberg)
La signora di tutti (Max Ophuls)
Suprema Conquista (Hawks)

1935
Aerograd / Frontier (Dovzhenko)
A Noiva de Frankenstein (James Whale)
O Crime do Sr. Lange (Renoir)
Vamos a America (McCarey)
The Scoundrel (Ben Hecht / Charles MacArthur)
Sylvia Scarlett (George Cukor)
Os 35 Degraus (Hitchcock)

1936
Mr. Deeds Goes to Town (Frank Capra)
Sabotage (Alfred Hitchcock)
Sisters of the Gion (Mizoguchi)
The Devil Doll (Browning)
Furia (Lang)
Tempos Modernos (Chaplin)
Filho Unico (Ozu)
O Prisoneiro da Ilha dos Tubarões (Ford)
Rose Hobart (Joseph Cornell)
Night Mail (Harry Watt, Basil Wright)
Osaka Elegy (Mizoguchi)

1937
A Grande Ilusão (Renoir)
A Star is Born (William Wellman)
J'accuse (Abel Gance)
The Great Garrick (Whale)
A Cruz dos Anos (McCarey)
Les perles de la couronne (Sacha Guitry)
Vive-se Só uma Vez (Lang)
A Day at the Races (Sam Wood)

1938
Alexander Nevsky (Eisenstein)
A Besta Humana (Renoir)
A Dama Oculta (Hitchcock)
Olympia (Leni Riefenshahl)
Bringing Up Baby (Howard Hawks)

1939
A Regra do Jogo (Renoir)
O Magico de Oz (Fleming)
Young Mr. Lincoln (John Ford)
O morro dos ventos uivantes (William Wyler)
The Roaring Twenties (Raoul Walsh)
Ninotchka (Ernst Lubitsch)
Stagecoach (John Ford)
L'espoir (Andre Malraux)
Duas Vidas (McCarey)
Paraiso Infernal (Hawks)
Conto dos Crisântemos Tardios (Mizoguchi)