domingo, março 14, 2010

eles vivem!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Vi "Eles vivem" (1988) ontem. Puta que pariu! Caralho! O Carpenter é sinistro! A cena de luta abaixo talvez seja a melhor que já vi. Sem efeitos ou coreografias mirabolantes. Vejam:



Para completar, a crítica apaixonada de Nicolas Saada, traduzida por José Roberto Rocha lá no Era uma vez na Paraíba:

Apocalypse Now
(Eles Vivem de John Carpenter)
por Nicolas Saada

O filme se abre num clima de errância que caracteriza o cinema de Carpenter e sua filiação ao western e aos seus heróis solitários. O herói é John Nada (interpretado por Rodney Piper, ex-lutador) que chega, bolsa nas costas, a Los Angeles para encontrar um emprego. Nada, sem abrigo nem trabalho, é recebido por uma pequena comunidade de desempregados e vagabundos, localizada próxima a uma igreja, onde entrará em contato com resistentes que lutam impetuosamente contra invasores misteriosos que controlam a população. John Nada é, evidentemente, o próprio John Carpenter que, desde seu grande fracasso comercial, “Aventureiros do Bairro Proibido”, voltou à produção B após seu purgatório em diferentes majors hollywoodianas. É assim, com nada, que Carpenter recomeça. Se é possível arriscar esta analogia, é porque Carpenter seguiu um trajeto (produção B-televisão-majors-produção B) comparável ao de seu personagem em “Eles Vivem”.

Em 1982, Carpenter declarou a Cahiers du Cinéma (nº 339), a propósito de seus primeiros passos com as majors: “Uma parte do charme de Assalto a 13ª DP ou de Halloween devia-se ao fato de que não havia dinheiro suficiente para mostrar as coisas. Ao contrário, hoje me dão dinheiro para mostrá-las, então é necessário fazê-lo”.

Mostrar: o próprio tema de “Eles Vivem” (e a função de seu herói); certamente um tema cinematográfico, mas também, para Carpenter, uma preocupação moral que o aproxima de Fritz Lang. “Eles Vivem” ilustra, na verdade, o velho adágio languiano segundo o qual a aparência não é a realidade, o visível não é a verdade. Provocação de Carpenter ao espectador que não consegue mais fazer a triagem das imagens que lhe são enviadas cotidianamente. Nada é ao início bastante ingênuo, crédulo (como poderia ter sido Carpenter no início dos anos 80 antes de seu fracasso nas majors): “Eu acredito na América, eu estou dentro do sistema”, declara ao início do filme. Depois, graças aos óculos escuros fabricados pela resistência (a produção B), espécies de “decodificadores portáteis”, Nada terá a prova de que não se pode confiar no sistema: este que rege a América de hoje é nada mais que o fruto de um vasto complô fomentado por extraterrestres (auxiliados por humanos sem escrúpulos) que embrutecem a população lhes transmitindo mensagens subliminares primárias (“não pensem”, “não reflitam”, “submetam-se”, “consumam”, “reproduzam-se”, “o dinheiro é seu Deus”). Este horror da realidade é mostrado bastante curiosamente através de imagens em preto e branco, que revelam esta visão decodificada do mundo. Carpenter poderia ter recorrido a outros estratagemas visuais: na verdade, este preto e branco pertence a um cinema de ontem (Hawks, citado por Carpenter como um pai em sua cinefilia) que joga nova luz sobre a face absolutamente inumana da América deste fim de anos 80. A fonte de emissão destas mensagens é naturalmente a televisão e seus programas (outro câncer do cinema americano) que a resistência tenta sabotar, em vão, através de transmissões clandestinas: John Nada e seu colega negro Frank vão destruir, fuzis às mãos, a estação televisiva. Assim, “Eles Vivem” é também a história de uma mini-insurreição que se pode interpretar ao mesmo tempo como política e, em outra medida, como de cinefilia.

Esta gravidade da proposta de Carpenter nunca é, felizmente, explicitada verbalmente no filme. Em total adequação com seu tema, Carpenter prefere mostrar, através de longas seqüências quase mudas, a extensão do mal ao criar um sentimento de inquietude e agonia constante, arte na qual ele se tornou mestre (assim como na utilização da trilha, tão opressora quanto possível). O resultado de “Eles Vivem” é deslumbrante, notadamente em seu controle do scope, formato ingrato que Carpenter emprega para isolar os personagens alienando-os no quadro, acentuando este efeito ao fimá-los em espaços fechados, com perspectivas de profundidade limitada (ruelas, corredores, becos).

Quanto ao aspecto “guéguerre” que alguns censuram no filme (a luta a mão armada entre os resistentes e os invasores), ele não faz com que Carpenter caia nas armadilhas do filme de gênero (filme de ação). Todas estas batalhas são dominadas por uma distância plástica que as transforma em verdadeiros ballets, ritmados por uma montagem, em certos instantes, digna do melhor cinema soviético: um insert, magnífico, dos canos das metralhadoras marca a maioria destas seqüências. A cena pivô do filme, uma briga de mais de dez minutos entre John Nada e seu colega Frank (que ele obriga a usar os famosos óculos) ilustra dois princípios hitchcock-hawksianos. O primeiro, hitchcockiano, é que tudo deve ser utilizado para as necessidades de uma cena (como o avião de “Intriga Internacional” que fumiga Cary Grant). O intérprete de Nada, Rodney Piper, é um ex-lutador: e nesta lógica ele deve, a um momento ou outro, brigar. O segundo, herdado das brigas iniciáticas dos filmes de Hawks ou Ford, é menos uma homenagem que uma necessidade: trata-se, para Frank, o negro, de sofrer a dor a fim de melhor ver. Diante da papa em que se tornou o cinema comercial americano, este mal é necessário: já o era para o herói de “Comando Assassino” de Romero, e também o é para aqueles de Carpenter. “Eles Vivem” soube reencontrar esta beleza e este discurso da produção B americana, que se podia dar por desaparecidos: isto é excepcional.

NICOLAS SAADA
(Cahiers du Cinéma nº418, abril de 1989)

Texto contido nas páginas 204-207 do volume 56 da coleção Petite anthologie des Cahiers du cinéma: "Le goût de l'Amérique". Tradução feita por José Roberto Rocha.

quinta-feira, março 11, 2010

Outro dia revi “Napoleon Dynamite” (2004), de Jared Hess and Jerusha Hess. Gosto do filme. Jon Heder é um bom comediante. Mas uma seqüência em particular me incomoda bastante. É aquela em que Nepoleon dança ao som de “Canned Heat”, do Jamiroquai. Vejam a cena abaixo.



Eu acho que essa cena tinha que ser um plano seqüência. É o que eu acho. Os cortes soam pra mim como uma grande sacanagem. Lembrei do cineasta e crítico Luc Moullet que dizia que a corrida de um homem em um filme de Samuel Fuller era um verdadeiro ato de cinema. Para Moullet, a moral de um realizador consiste em se manter fiel a esse ato de cinema original: um ritmo, um olhar, uma encenação que mostra o corpo do homem. “A moral é uma questão de travellings”, disse ele. Eu não diria que os cortes na seqüência da dança de Napoleon são amorais, mas em mim eles batem como uma traição ao personagem.

segunda-feira, março 08, 2010

indicações

Uma enormidade de links e recomendações de leitura:


blogs

Matheus Cartaxo

No escuro e vendo

Assim está escrito

Vistos e escritos


site

Editado por Daniel Dalpizzolo e Luis Henrique Boaventura, o Multiplot promete um especial sobre Anthony Mann.


adrian martin

Sobre “Aquele querido mês de agosto”, de Miguel Gomes.

Sobre o namoro recente dos blockbusters americanos e a Idade Média.


bordwell

O teórico americano num post polêmico sobre Kurosawa.


lilian ross

Uma curiosidade. Ícone do novo jornalismo americano, Lilian Ross escreve sobre J. D. Salinger e revela um pouco do gosto cinematográfico do recluso autor.


kiarostami

Jonathan Rosenbaum e Mehrnaz Saeed-Vafa conversam sobre “Shrin”, o mais novo filme do mestre iraniano (que eu, infelizmente, ainda não vi).


rohmer

Godard

Skorecki

Mourlet


benning

Para baixar os filmes de James Benning


francis ford

Mais um belo texto de Tag Gallagher, sobre a relação entre John Ford e seu irmão Francis.


sergei parajanov

Um texto bacana sobre esse cineasta da Armênia.

mulheres no ccbb

O CCBB abriga a partir de amanhã a mostra "Mulheres que alucinam". Bons filmes serão exibidos, embora, até onde pude apurar, quase todos em DVD. A programação:

09.03
17h – Diário de uma Garota Perdida (116 min.)
19h - O Anjo Azul (94 min.)

10.03

17h – Dama do Outro Mundo (73 min.)
19h - A Mulher Satânica (79 min.)

11.03

17h – Gilda (111 min.)
19h - A Malvada (138 min.)

12.03

15h30 - Carmen Jones (104 min.)
17h30– Lola Montés (106 min.)
19h30 - De Repente No Último Verão (112 min.)

13.03

15h30 - Madre Joana Dos Anjos (105 min.)
17h30– Os Inocentes (99 min.)
19h30 - Bonequinha de Luxo (114 min.)

14.03

15h – Cleópatra (248 min.)
19h30 - Deserto Vermelho (113 min.)

16.03

17h – Marnie – Confissões De Uma Ladra (130 min.)
19h - Persona – Quando duas Mulheres Pecam (84 Min.)

17.03

17h – Barbarella (98 min.)
19h - Lua De Mel de Assassinos (108 min.)

18.03

17h – O Amor (88 min.).
19h - Trabalhos Ocasionais de Uma Escrava (87 min.)

19.03

15h30 - Betty Blue (185 min.)
17h30– Mulheres a Beira de um Ataque de Nervos (89 min.)
19h30 - A Ultima Dança de Salomé (89 min.)

20.03

15h30 - Um Assunto de Mulheres (108 min.)
17h30– Rosalie Vai as Compras (90 min.)
19h30 - A Garota da Fábrica de Caixas de Fósforos (72 min.)

21.03

16h30 – Twin Peaks – Os Últimos Dias de Laura Palmer (135 min.)
18h30 - Corra Lola Corra (81 min.)

23.03

17h – Lady Vingança (114 min.)
19h - Maldito Coração (97 min.)

24.03

17h – Nome Próprio (120 min.)
19h - Anticristo (109 min.)

sexta-feira, março 05, 2010

japoneses

Em comemoração ao centário de nascimento de Akira Kurosawa (23 de março), o MAM do Rio vai exibir ao longo desse mês uma série de filmes do cineasta. São ao todo doze longas-metragens dirigidos por ele e mais dois outros nos quais foi roteirista. Ainda esse mês, o MAM projeta "Uma breve história do tempo", de Errol Morris, e alguns filmes suecos (dirigidos por Ingmar Bergman, Alf Sjoberg, Bo Widerberg e Per Lindeberg). Veja a programação aqui.

E na Caixa Cultural, quatro longas do também japonês Nobuhiro Suwa serão exibidos até domingo. Olhem aí:

5 de Março - sexta-feira
14h30 - H/Story
17h - Um Couple Parfait
19h - Debate

6 de Março - sábado
16h - 2/DUO
19h - M/Other

7 de Março - domingo
16h - Um Casal Perfeito
19h - H Story

quarta-feira, março 03, 2010

cartografias do desejo, de felix guattari e suely rolnik

Depois de “Preciosa”, fiquei aqui pensando nesse livro. O parágrafo abaixo (pág. 135) é especial. É o tipo de coisa que me faz quere ser melhor. Leiam:

“Com esse tipo de afirmação costuma-se usar o famoso argumento ‘se a política está por toda parte, ela não está em parte alguma’. A isso eu responderia que, efetivamente, a política e a micropolítica não estão por toda parte, e que a questão é, justamente, pôr a micropolítica por toda parte: em nossas relações estereotipadas de vida pessoal, de vida conjugal, de vida amorosa e de vida profissional, nas quais tudo é guiado por códigos. Trata-se de fazer entrar em todos esses campos um novo tipo de pragmática: um novo tipo de análise que corresponda, de fato, a um novo tipo de política”.

terça-feira, março 02, 2010

preciosa **


Vejam só: produção de Oprah Winfrey, atuações de Mariah Carey e Lenny Kravitz, várias indicações para o Oscar, uma trama (obesidade, incesto, aids) susceptível ao mais rasteiro dos dramas... “Preciosa”, um programa de alto risco. Pois não é que o filme surpreende?! Lee Daniels evita qualquer glamourização. Sua personagem não está congelada, seja como vítima ou heroína. Seu filme não tem mensagem. “Preciosa” aposta até por vezes em momentos um tanto crus, como as seqüências na escola especial ou as cenas pós-parto no hospital. Eu diria até que o filme se desenrola morno, no mesmo tom, sem altos e baixos. Ainda assim, Daniels me perde toda vez que se afirma virtuoso. A personagem é agredia, segue a imagem de um frigideira e muita gordura. Ela é estuprada ao som de uma trilha inusitada, em agulações, desfocos e firulas. Pequenas traições de Daniels.

terça-feira, fevereiro 16, 2010

antônio carlos bernardes gomes

deixe ela entrar

“Deixe ela entrar”, uma adaptação do romance homônimo do sueco John Ajvide Lindqvist, nos fala de uma estranha relação entre um tímido garoto de 12 anos e uma pequena vampira que aparenta ter a mesma idade. Oskar é maltratado pelos colegas de escola. Fica a maior parte do tempo sozinho, vendo o inverno passar da janela de seu quarto. Eli (Lina Leandersson) é a vizinha nova do apartamento ao lado. Ela não sente frio e só sai de casa após escurecer.

Eli mal consegue administrar suas necessidades vitais. Ela não quer expandir sua raça e sempre mata suas vítimas. Obrigada a viver para sempre, a personagem se afirma em um desejo/dilema aparentemente insolúvel: encontrar alguém para amar e, ao mesmo tempo, condená-lo a uma vida subserviente e criminosa. Oskar vive em uma sociedade que não o respeita. E ele parece assumir total responsabilidade por isso. Um movimento interessante. Oskar não quer saner de seus professores, de seus pais, e não cultiva nenhuma amizade.

O encontro desperta nos personagens sentimentos sem nome. Algo sempre nos escapa. Oskar e Eli recusam qualquer forma de subordinação ou de funcionalidade. O que os une é um desejo sem nome. Não é amor, paixão, compaixão, ou amizade. A relação aqui é de outra ordem, ainda a ser classificada. A direção de Tomas Alfredson é delicada, porém radical em sua entrega sem cautelas à compreensão dos corpos e desejos de seus personagens. Eli decepa os garotos que maltratavam Oskar. O cineasta filma tudo com uma certa alegria, e nos convida a partilha-la com ele. Alfredson recupera um certo apelo à coragem de pensar de uma forma ainda não-pensada ou de sentir de maneira diferente. Essa é a política de “Deixa ela entrar”. Uma política da imaginação que aponta para a criação de novas imagens e metáforas para o pensamento, a política e os sentimentos e que renuncie a prescrever uma imagem dominante.

“Deixe ela Entrar” é uma estranha espécie de afirmação das diferenças e dos diferentes. Oskar será o novo provedor de sangue para a menina? Ele será um vampiro e com ela viverão felizes? É um final cheio de esperança, estranhamente otimista. Ta aí um filme disposto a devolver ao mundo uma certa complexidade.

zona livre

O CCBB do Rio abriga o festival Zona Livre. Alguns destaques:

- Nowhere, de Gregg Araki
- Sangre, de Amat Escalante
- Trash Humpers, de Harmony Korine (video)
- Gozu, de Takeshi Miike
- Hunger, de Steve McQueen (em 35mm)
- Moonlighting, de Jerzy Skolimowski

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

cimino

Amanhã o IMS-RJ exibe "O portal do paraíso" (1980), de Michael Cimino, às 14h30. Cópia com legendas em espanhol.

young


“Neil Young - Heart of Gold” não é apenas um show filmado. É como um testamento. As músicas se conjugam sempre na primeira pessoa do singular. Odes panteístas à família, à amizade. "I want to live/I want to give", confessa Young em seus primeiros versos. Gravado em um momento de luto - Young estava com um aneurisma e seu pai havia morrido poucos meses antes do diagnóstico - o show alterna canções mais recentes e o material mais antigo em uma espécie de panorâmica da vida do cantor e campositor. "Quando comecei a tocar”, diz ele, “eu criava galinhas. Eu devia ter uns sete, oito anos. Talvez um pouco mais. E ganhei um ukelele de plástico de meu pai. E eu não sabia o que fazer com ele. Meu pai disse: ‘Talvez você precise disso’. E cantou uma canção para mim que eu nunca tinha ouvido antes. Ele ficou me olhando, com um sorriso engraçado no rosto. Fiquei olhando para ele. E então tive que ir cuidar das galinhas". Uma celebração. Uma celebração doída, é verdade. Jonathan Demme intui um tom. Poucos movimentos. Poucas angulações. A câmera acompanha com delicadeza. O filme se faz em um íntimo imbricamento com a música e nos convida a um outro tipo de fruição. Young no palco é como uma força da natureza. Solta no espaço. Tudo que ele toca se torna seu, seu e de mais ninguém. Isso tem nome. Verdade!

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

os celulares de ferrara

Outro dia revi “Mary”, de Abel Ferrara. Quantos celulares! Eu não os tinha visto antes. Voltei ao filme novamente. É curioso. Os personagens não trocam e-mails. Não postam cartas. Só celulares. É através deles que os personagens se cruzam, que os continentes se aproximam, que os dramas se desencadeiam. A opção me parece deliberada (embora isso pouco importe). E dessa vez, eu vi o celular. O celular e a experiência contemporânea. A minha experiência. Ferrara! Cinema!

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

guerra ao terror e ao francis

- No Rio, uma sexta de estréias pra lá de desagradável – com a exceção de “Guerra ao terror”. Enquanto isso, em São Paulo, dois ótimos ganham o circuito: “O que resta do tempo”, de Elia Suleiman, e “Mother”, de Bong Joon-ho.

- Por falar em “Guerra ao terror”, suas nove indicações ao Oscar são mais uma evidência do faro deslocado dos nossos distribuidores. Segundo eles, o filme não valia um centavo. Foi direto para o DVD. Agora, por causa do Oscar, “Guerra ao terror” faz o caminho inverso e chega enfim aos cinemas. Os cadernos de cultura falam da cineasta Kathryn Bigelow como uma grande surpresa, não esquecem do fato dela ser ex-mulher de James Cameron (“Avatar”, que concorre também em nove categorias), mas, com a exceção de uma breve cutucada do Inácio Araújo na “Folha”, nada foi dito sobre o que fizeram com o filme dela por aqui.

- Vi “Caro Francis”, de Nelson Hoineff. Não gostei. Não esperava muito, é verdade. Acho “Alô, Alô Terezinha” uma ofensa. Aliás, ambos os filmes são forjados em estratégias similares. Hoineff se esforça para que suas opções produzam efeitos à imagem e à semelhança de seus personagens. “Alô, Alô Terezinha” cobrava um preço por todo esse empenho. Era preciso, no mínimo, uma auto-sabotagem. Sem ela, o filme se torna um espaço de humilhação pública. “Caro Francis” é ainda mais frágil. A idéia de contradição, associada ao personagem, “justifica” algumas estratégias vazias, como a montagem de Caio Túlio e Diogo Mainardi. Preguiça. Esse o termo que vem à mente. Preguiça editorial, preguiça cinematográfica. No mais, como bem disse o Sérgio Alpendre, o filme leva uma surra do You Tube.

terça-feira, fevereiro 02, 2010

stewie sobre matthew mcconaughey

stewie sobre colin farrel

recomeçar...

Estou de volta. Aos poucos.


Primeiro: os links. Dei um jeito neles. Alguns já estavam inativos há algum tempo. Outros mudaram de endereço.


Entre eles, o Los Olvidados, o Fabito’s Way, o Ricardo Calil, Francis Vogner e o Víscera.


Acrescentei outros links. O Olhos Livre Bônus, o Cine Monstro, de Carlos Primati, o Paragrafilme, do Eduardo Valente, e o blog de Steven Shapiro. Falarei mais desse teórico americano mais pra frente.


Por enquanto, é só. Mas já já vem mais por aí.

segunda-feira, dezembro 14, 2009

mostras

Ando meio afastado do Kinos. E creio que será assim por enquanto. Esqueci, inclusive, de postar aqui sobre a fabulosa mostra de Woddy Aleen lá no CCBB. A de David Lynch, que começou na semana passada, segue até domingo, na Caixa Cultural. A programação:

TERÇA-FEIRA (15.12):

Cinema 1:

17h - "Veludo azul" (DVD)

19h - Debate com José Wilker, Fernando Ceylão, Mario Abbade e um convidado

Cinema 2:

'Coração selvagem' - Divulgação 17h - "Crumb" (DVD)

QUARTA-FEIRA (16.12):

Cinema 1:

17h - "A estrada" (película)

19h - "Lynch" ("One") (DVD)

Cinema 2:

17h - "Pretty as a picture" (DVD)

19h - "Scene by scene" (DVD, matriz VHS) / "Ruth Roses and revolver" (DVD, matriz VHS)

QUINTA-FEIRA (17.12):

Cinema 1:

17h - "Hugh Hefner: Once upon a time" (DVD)

19h - "Dumbland" (DVD) / David Lynch Commercials e clipe Rammstein (DVD, matriz VHS s/legendas) / "School of thought" (DVD)

Cinema 2:

17h - "Rabbits" (DVD) / "Industrial symphony nº1 (DVD)

19h - "Hotel room" (DVD, matriz VHS)

SEXTA-FEIRA (18.12):

Cinema 1:

17h: "The short films of David Lynch" (DVD)

19h: Dynamic: 01: The best of DavidLynch.com (DVD)

Cinema 2:

17h: "Dumbland" (DVD) / David Lynch commercials e clipe Rammstein (DVD, matriz VHS s/legendas) / "School of thought" (DVD)

19h: "Os Beatniks" (DVD, matriz VHS)

SÁBADO (19.12):

Cinema 1:

17h - "Hotel room" (DVD, matriz VHS)

19h - "Transcendendo Lynch" (digital)

Cinema 2:

17h - "Scene by scene" (DVD, matriz VHS) / "Ruth roses and revolver" (DVD, matriz VHS)

19h - "Rabbits" (DVD) / "Industrial symphony nº1" (DVD)

DOMINGO (20.12):

Cinema 1:

17h - "Mystery disc" (DVD)

Cinema 2:

17h - "On the air" (DVD, matriz VHS)


E, no dia 22, começa no CCBB uma mostra imperdível: Horro no Cinema Brasileiro. Vejam:

Dia 22/12 (terça)

16h - O JOVEM TATARAVÔ (1936), de Luiz de Barros
18h - FANTASMA POR ACASO (1946), de Moacyr Fenelon
20h - VENENO (1952), de Gianni Pons

Dia 23/12 (quarta):

16h - À MEIA NOITE LEVAREI SUA ALMA (1964), de José Mojica Marins
18h - ESTA NOITE ENCARNAREI NO TEU CADÁVER (1967), de. José Mojica Marins
20h - ENCARNAÇÃO DO DEMÔNIO (2008), de José Mojica Marins

Dias 24 e 25/12 (quinta e sexta): o cinema estará fechado

Dia 26/12 (sábado):

15h - DESPERTAR DA BESTA (1969), de José Mojica Marins.
17h - LOBISOMEM, O TERROR DA MEIA-NOITE (1972), de Elyseu Visconti Cavalleiro
19h - A FORÇA DOS SENTIDOS (1979), de Jean Garrett – Episódios “Solo de Violino”, “O gafanhoto”, “O Pasteleiro”.

Dia 27/12 (domingo):

15h - A REENCARNAÇÃO DO SEXO (1981), de Luiz Castilini
17h - ENIGMA PARA DEMÔNIOS (1975), de Carlos Hugo Christensen
19h - THE RITUAL OF DEATH / RITUAL MACABRO (1991), de Fauzi Mansur

Dia 29/12 (terça):

16h - AS SETE VAMPIRAS (1986), de Ivan Cardoso
18h - O SEGREDO DA MÚMIA (1981), de Ivan Cardoso
20h - UM LOBISOMEM NA AMAZÔNIA (2005), de Ivan Cardoso

Dia 30/12 (quarta):

16h - EXCITAÇÃO (1977), de Jean Garrett
17h - O ESTRIPADOR DE MULHERES (1978), de Juan Bajon
20h - THE RITUAL OF DEATH / RITUAL MACABRO (1991), de Fauzi Mansur

Dias 31/12 e 1º/01 (quinta e sexta): o cinema estará fechado

Dia 2/01 (sábado):

15h - PECADO NA SACRISTIA (1975), de Miguel Borges
17h - OLHOS DE VAMPA (1996), de Walter Rogério
19h - O FIM DA PICADA (2009), de Christian Sagaard

Dia 3/01 (domingo):

15h - A MULHER DO DESEJO (A CASA DAS SOMBRAS) (1975), de Carlos Hugo Christensen
17h - 3 Episodios: "Solo de Violino"(1980), de Ody Fraga; "O Gafanhoto"(1981), de John Doo; "O Pasteleiro"(1981), de David Cardoso
19h - MANGUE NEGRO (2008), de Rodrigo Aragão

Dia 5/01 (terça):

16h - O JOVEM TATARAVÔ (1936), de Luiz de Barros
18h - FANTASMA POR ACASO (1946), de Moacyr Fenelon
20h – VENENO (1952), de Gianni Pons

Dia 6/01 (quarta):

16h - À MEIA NOITE LEVAREI SUA ALMA (1964), de José Mojica Marins
18h - ESTA NOITE ENCARNAREI NO TEU CADÁVER (1967), de José Mojica Marins
20h - ENCARNAÇÃO DO DEMÔNIO (2008), de José Mojica Marins

Dia 7/01 (quinta):

16h - A REENCARNAÇÃO DO SEXO (1981), de Luiz Castilini
18h - ENIGMA PARA DEMÔNIOS (1975), de Carlos Hugo Christensen
20h - O MANÍACO DO PARQUE (2009), de Alex Prado

Dia 8/01 (sexta):

15h - AS SETE VAMPIRAS (1986), de Ivan Cardoso
17h - O SEGREDO DA MÚMIA (1981), de Ivan Cardoso
19h - UM LOBISOMEM NA AMAZÔNIA (2005), de Ivan Cardoso
21h - SESSÃO MALDITA:
AS TARAS DO MINI VAMPIRO (1987), de José Adalto Cardoso

Dia 9/01 (sábado):

15h - EXCITAÇÃO (1977), de Jean Garrett
17h - O ESTRIPADOR DE MULHERES (1978) Juan Bajon
19h - SHOCK (1984), de Jair Correia

Dia 10/01 (domingo):

15h - A MULHER DO DESEJO (A CASA DAS SOMBRAS)
(1975), de Carlos Hugo Christensen
17h - '3 Episodios: "Solo de Violino"(1980), de Ody Fraga; "O Gafanhoto"(1981), de John Doo; "O Pasteleiro"(1981), de David Cardoso
19h - 'MANGUE NEGRO (2008), de Rodrigo Aragão

sexta-feira, novembro 20, 2009

cine bh, semana do cinema nancional e ims

Lá na Cinética, um breve texto sobre o Cine BH.

Hoje começa a Semana do Cinema Nacional. Até o dia 26 de novembro, na quase totalidade dos cinemas que exibem filmes brasileiros, o ingresso inteiro vai custar apenas 6 reais. Aproveitem, porra!

E o IMS abriga uma mostra cinema/pintura. Pelo menos duas obras-primas serão exibidas: "A bela intrigante" do Rivette, e "Van Gogh", de Maurice Pialat.

A programação:

Sábado 21

16h00 Paixão (Passion), de Jean-Luc Godard (França/Suíça, 1982, 88 min, 16 anos)

18h30 A bela intrigante (La Belle noiseuse), de Jacques Rivette (França/Suíça, 1991, 240 min, 14 anos)


Domingo 22

16h00 A barriga do arquiteto (The Belly of an Architect), de Peter Greenaway (Reino Unido/Itália, 1987, 118 min, 16 anos)

18h30 A bela intrigante (La Belle noiseuse), de Jacques Rivette (França/Suíça, 1991, 240 min, 14 anos)



Terça 24

16h00 Goya (Goya en Burdeos), de Carlos Saura (Espanha/Itália, 1999, 106 min, 14 anos)

18h00 Sombras de Goya (Goya’s Ghosts), de Milos Forman (EUA/Espanha, 2006, 113 min, 14 anos)

20h00 A barriga do arquiteto (The Belly of an Architect), de Peter Greenaway (Reino Unido/Itália, 1987, 118 min, 16 anos)


Quarta 25

16h30 Goya (Goya en Burdeos), de Carlos Saura (Espanha/Itália, 1999, 106 min, 14 anos)

19h00 Van Gogh, de Maurice Pialat (França, 1991, 158 min, 14 anos)

Quinta 26

16h30 Sombras de Goya (Goya’s Ghosts), de Milos Forman (EUA/Espanha, 2006, 113 min, 14 anos)

Sexta 27

16h30 Paixão (Passion), de Jean-Luc Godard (França/Suíça, 1982, 88 min, 16 anos)

19h00 E la nave va, de Federico Fellini (Itália/França, 1983, 128 min, livre)

Sábado 28

14h00 Elogio ao amor (Éloge de l’amour), de Jean-Luc Godard (França/Suíça, 2001, 97 min, 12 anos)

16h30 Paixão (Passion), de Jean-Luc Godard (França/Suíça, 1982, 88 min, 16 anos)

19h00 E la nave va, de Federico Fellini (Itália/França, 1983, 128 min, livre)

Domingo 29

14h00 Sombras de Goya (Goya’s Ghosts), de Milos Forman (EUA/Espanha, 2006, 113 min, 14 anos)

16h30 Elogio ao amor (Éloge de l’amour), de Jean-Luc Godard (França/Suíça, 2001, 97 min, 12 anos)

19h00 E la nave va, de Federico Fellini (Itália/França, 1983, 128 min, livre)

segunda-feira, novembro 09, 2009

a lista do 'times'

Eu vi agora há pouco a lista dos 100 melhores filmes da década segundo o "The Times". Nada de Eugene Green, Claire Denis, Tsai Ming-liang, Apichatpong, Pedro Costa, Manoel de Oliveira, Vans Sant, Ferrara, Kiarostami, Ayoama, Dardennes... Terrível!

Seguindo o Sérgio Alpendre do Chip Hazard, colo a lista abaixo com as minhas cotações. Em negrito estão aqueles que poderiam entrar na minha lista.


1. Caché (Michael Haneke, 2005) ****
2. A Supremacia Bourne/O Ultimato Bourne (Paul Greengrass, 2004, 2007) **
3 Onde os Fracos Não Têm Vez (Joel Coen, Ethan Coen, 2007) ****
4 O Homem-Urso (Werner Herzog, 2005) ****
5 Team America: Detonando o Mundo (Trey Parker, 2004) **
6 Quem Quer Ser um Milionário? (Danny Boyle, 2008) °
7 O Último Rei da Escócia (Kevin Macdonald, 2006) *
8 Cassino Royale (Martin Campbell, 2006) ***
9 A Rainha (Stephen Frears, 2006) ***
10 Hunger (Steve McQueen, 2008) ****
11 Borat (Larry Charles, 2006) ****
12 A Vida dos Outros (Florian Henckel von Donnersmarck, 2006) **
13 This Is England (Shane Meadows, 2007) **
14 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias (Cristian Mungiu, 2007) ***
15 A Queda (Oliver Hirschbiegel, 2004) **
16 Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças (Michel Gondry, 2004) ***
17 O Segredo de Brokeback Mountain (Ang Lee, 2005) ****
18 Deixe Ela Entrar (Tomas Alfredson, 2008) ****
19 Vôo United 93 (Paul Greengrass, 2006) **
20 Donnie Darko (Richard Kelly, 2001) ***
21 Boa Noite, e Boa Sorte (George Clooney, 2005) ***
22 Longe do Paraíso (Todd Haynes, 2002) ****
23 O Equilibrista (James Marsh, 2008) **
24 Extermínio (Danny Boyle, 2002) **
25 Dançando no Escuro (Lars Von Trier, 2000) ****
26 Minority Report (Steven Spielberg, 2002) **
27 Sideways - Entre Umas e Outras (Alexander Payne, 2004) **
28 O Escafandro e a Borboleta (Julian Schnabel, 2007) **
29 Quero ser John Malkovich (Spike Jonze, 2000) ***
30 Irreversível (Gaspar Noé, 2002) *
31 Iraq in Fragments (James Longley, 2006) **
32 Gladiador (Ridley Scott, 2000) ***
33 Um Casamento à Indiana (Mira Nair, 2002) **
34 Procurando Nemo (Andrew Stanton/Lee Unkrich, 2003) *****
35 E Sua Mãe Também (Alfonso Cuarón, 2002) ***
36 Na Captura dos Friedmans (Andrew Jarecki, 2004) ***
37 Amor à Flor da Pele (Wong Kar Wai, 2000) *****
38 Cidade dos Sonhos (David Lynch, 2001) *****
39 Encontros e Desencontros (Sofia Coppola, 2003) ****
40 Syriana (Stephen Gaghan, 2005) **
41 Filhos da Esperança (Alfonso Cuarón, 2006) ***
42 Os Incríveis (Brad Bird, 2004) ****
43 Batman - O Cavaleiro das Trevas (Christopher Nolan, 2008) **
44 Sob a Areia (François Ozon, 2000) ***
45 Touching the Void (Kevin Macdonald, 2003)
46 Traffic (Steven Soderbergh, 2000) **
47 My Summer of Love (Pawel Pawlikowski, 2004) **
48 Pequena Miss Sunshine (Jonathan Dayton/Valerie Faris, 2006) **
49 Ligeiramente Grávidos (Judd Apatow, 2007) *****
50 O Senhor dos Anéis: O retorno do Rei (Peter Jackson, 2003) **
51 O Quarto do Filho (Nanni Moretti, 2001) ****
52 O Jardineiro Fiel (Fernando Meirelles, 2005) **
53 Milk (Gus Van Sant, 2008) **
54 Papai Noel às Avessas (Terry Zwigoff, 2003) ***
55 Chopper (Andrew Dominik, 2000)
56 Volver (Pedro Almodovar, 2006) ****
57 The Consequences of Love (Paolo Sorrentino, 2004)
58 Shaun of the Dead (Edgar Wright, 2004) **
59 Ser e Ter (Nicolas Philibert, 2002) ***
60 A Lula e a Baleia (Noah Baumbach, 2005) **
61 A Viagem de Chihiro (Hayao Miyazaki, 2001)
62 O Âncora: A Lenda de Ron Burgundy (Adam McKay, 2004) ****
63 Sangue Negro (Paul Thomas Anderson, 2007) ***
64 A Criança (Jean-Pierre Dardenne/Luc Dardenne, 2005) ****
65 Valsa Com Bashir (Ari Folman, 2008) ***
66 Cidade de Deus (Fernando Meirelles, Katia Lund, 2002) ***
67 Gomorra (Matteo Garrone, 2008) **
68 Memento (Christopher Nolan, 2000) *
69 Persépolis (Vincent Paronnaud, Marjane Satrapi, 2007) ***
70 Entre os Muros da Escola (Laurent Cantet, 2008) ***
71 Monstros S/A (Pete Docter/David Silverman/lee Unkrich, 2001) *
72 Guerra ao Terror (Kathryn Bigelow, 2008) ***
73 De Tanto Bater, Meu Coração Parou (Jacques Audiard, 2005) **
74 O Labirinto do Fauno (Guillermo Del Toro, 2006) ***
75 Fale com Ela (Pedro Almodóvar, 2002) *****
76 Control (Anton Corbijn, 2007) **
77 Tiros em Columbine (Michael Moore, 2002) **
78 As Confissões de Schmidt (Alexander Payne, 2002) *
79 Le Grand Voyage (Ismael Ferroukhi, 2004) **
80 Eu, Você e Todos Nós (Miranda July, 2005) *
81 In The Loop (Armando Iannucci, 2009)
82 As Coisas Simples da Vida (Edward Yang, 2000) *****
83 Ventos da Liberdade (Ken Loach, 2006) **
84 Hotel Ruanda (Terry George, 2004) *
85 A Professora de Piano (Michael Haneke, 2001) **
86 O Orfanato (Juan Antonio Bayona, 2007) **
87 Time and Winds (Reha Erdem, 2006)
88 Os Excêntricos Tenenbaums (Wes Anderson, 2001) ****
89 Escola de Rock (Richard Linklater, 2003) ****
90 Penetras Bons de Bico (David Dobkin, 2005) ****
91 Lantana (Ray Lawrence, 2001) ***
92 Coisas Belas e Sujas (Stephen Frears, 2002) **
93 O Clã das Adagas Voadoras (Zhang Yimou, 2004) **
94 Uma Verdade Inconveniente (Davis Guggenheim, 2006) *
95 Amores Brutos (Alejandro González Iñárritu, 2000) **
96 Morvern Callar (Lynne Ramsay, 2002)
97 Sympathy for Lady Vengeance (Park Chan-Wook, 2005) *
98 Crash (Paul Haggis, 2004) °
99 Battle Royale (Kinji Fukasaku, 2000)
100 O Diabo Veste Prada (David Frankel, 2006) *

mostras

O Fórum de Cultura lá da UFRJ exibe essa semana uma mostra com filmes do diretor argentino Martin Rejtman. De segunda a quinta, 9 a 12 de novembro, serão exibidos, respectivamente, os filmes "Rapado", "Los Guantes Mágicos", "Copacabana" e "Silvia Prieto". O evento acontece no Salão Moniz de Aragão do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ, às 19 horas. A entrada é franca.

Hoje rola a sessão do Novíssimo Cinema Brasileiro, lá no Cine Glória, às 19h30. Os filmes: "As vilas volantes", de Alexandre Veras, e "Vidança" e "Primas", ambos de de Salomão Santana.

E o Estação Ipanema abriga até o fim da semana a 3ª Mostra Rock-Totem. Vejam a programação.

terça-feira, novembro 03, 2009

inacio

Este domingo a Folha de São Paulo publicou uma entrevista com o Jean Michel Frodon, ex-editor da "Cahiers du Cinema".

Pois faço minhas as palavras de Inácio Araújo a respeito da entrevista. Leiam lá.

FOLHA - Como vai o cinema brasileiro?
JEAN-MICHEL FRODON
- É um cinema sem maior brilho. Vi alguns documentários interessantes, mas o cinema brasileiro não é tão bom quanto poderia ser, ou o quanto imaginamos que seria. O último filme brasileiro do qual eu gostei foi "Mutum".

FOLHA - Houve algum momento, além do cinema novo, em que o Brasil chamou a atenção da crítica internacional?
FRODON
- Havia muita expectativa quando o Brasil voltou a ser um país democrático e, depois, a esperança de que o fenômeno Walter Salles não fosse isolado. Mas a promessa não se cumpriu. A Globo soube tirar vantagem do desenvolvimento do país e isso teve efeitos sobre o cinema.

FOLHA - Por o cinema brasileiro era visto como promessa?
FRODON
- Porque o Brasil parece um país obviamente feito para o cinema. As paisagens, a riqueza cultural, a genialidade de um diretor como Mário Peixoto... Alguém poderia até questionar o seguinte: os mesmos ingredientes que fazem o futebol brasileiro ser único não poderiam ser também utilizados no cinema? O Brasil vem ganhando visibilidade internacional e poderia traduzir esse movimento histórico em filmes, mas, ao contrário da China e de outros países asiáticos, não tem feito isso.

FOLHA - O senhor vê algo de brasileiro em filmes como "Ensaio sobre a Cegueira" ou "O Jardineiro Fiel", de Fernando Meirelles?
FRODON
- Eu os vejo como filmes internacionais. E ruins.

FOLHA - E o que aconteceu com a "buena onda" argentina?
FRODON
- Bons diretores continuam sendo bons diretores, como Lucrecia Martel. Mas a boa onda do jovem cinema argentino foi interrompida. O México também tem coisas interessantes, mas a construção de algo de longo prazo, sólido, me parece distante.

FOLHA - Por que, a despeito do frescor que muitos estrangeiros enxergam na América Latina, o cinema da região não se desenvolve? É um problema econômico ou cultural?
FRODON
- Certamente, não é econômico, e sim de dependência cultural de Hollywood.

FOLHA - O senhor citou o cinema asiático. O que tem vindo de lá?
FRODON
- Um cinema dinâmico, que capta o movimento econômico da região. Tem me chamado a atenção o que vem de países como Tailândia, Filipinas, Malásia. Há muitos jovens diretores e um forte realismo na maneira de filmar. Eles mostram o interior, as periferias, mas se apoiam muito na relação das pessoas com os celulares e a internet. A tecnologia é traduzida numa nova textura de imagens, muitas delas digitais. Os personagens estão nesse ambiente digital.

FOLHA - Eles têm apoio estatal?
FRODON
- Não, mas há uma grande solidariedade entre os diretores, um participa e apoia o filme do outro. Eles conseguiram criar uma pequena indústria porque fazem filmes muito baratos.

FOLHA - Vivemos num mundo sobrecarregado de imagens. Qual o papel do cinema nesse contexto?
FRODON
- O cinema deixou de ser dominante na construção do imaginário coletivo, mas ainda tem um grande poder. Nunca tanta gente viu tantos filmes, nunca tantos filmes foram produzidos em tantos lugares. Mas todas as pessoas querem ver os mesmos poucos filmes, ao mesmo tempo. O grande desafio, hoje, é reabrir o espaço para 95% do cinema contemporâneo, que tem mais e mais dificuldade de existir, de ser visto pelo público em geral.

FOLHA - Que papel tem a crítica nesse cenário?
FRODON
- Chamar a atenção para todo esse outro cinema. No meio de tanta oferta, é possível escolher de duas maneiras. Numa delas, o mercado diz o que você deve ver, por meio do marketing, e você obedece. A outra maneira é dividir opiniões e gostos com quem não tem interesses comerciais e decidir por você mesmo. Nesse sentido, a crítica é cada vez mais necessária. Ela pode funcionar como uma espécie de contrapeso às estratégias de marketing, mais e mais ferozes.

segunda-feira, outubro 26, 2009

sexta-feira, outubro 23, 2009

projeção digital

Os críticos reunidos no Fórum de Crítica organizaram um protesto quanto a qualidade da projeção digital por estas bandas. Este é o link para assinar e apoiar a causa. E segue abaixo o texto capitaneado por Pedro Butcher na integra:

A projeção digital chegou ao Brasil com a missão de democratizar o acesso aos filmes e libertar os distribuidores da dependência de cópias em 35 milímetros, cuja confecção e transporte são notoriamente caros. A instalação de projetores digitais permitiria ao público assistir a títulos que dificilmente seriam lançados nas condições tradicionais e ainda ofereceria condições para que espectadores situados longe do eixo Rio-São Paulo (onde se concentram quase 50% das salas de cinema do país) tivessem acesso aos mesmos títulos simultaneamente.

O que estamos vendo, no entanto, é uma total falta de respeito ao espectador no que se refere à exibição do filme propriamente dita. As razões são basicamente duas: projeções incapazes de reproduzir fielmente os padrões de cor e textura da obra e/ou projeções incapazes de exibir os filmes no formato em que foram originalmente concebidos. Sem falar no som, que muitas vezes ganha uma reprodução abafada, limitada ao canal central, muito diferente de seu desenho original.

A adoção da projeção digital pelos dois maiores festivais internacionais do Brasil (o Festival do Rio e a Mostra de São Paulo) e por outros festivais do país, infelizmente, não respeitou o que seriam critérios mínimos de qualidade de projeção de filmes em cinema – algo que é observado com atenção em qualquer festival internacional que se preze. Trata-se de uma situação particularmente alarmante tendo em vista o papel de formadores de plateia que esses eventos desempenham.

Sucessivamente, temos visto um autêntico massacre ao trabalho de cineastas, fotógrafos, diretores de arte, figurinistas, técnicos de som e até mesmo de atores. Apenas para citar um exemplo: Les herbes folles, o novo filme de Alain Resnais, originalmente concebido no formato 2:35:1, foi exibido no Festival do Rio, com projeção digital, no formato 1:78. Isso representou o corte da imagem em suas extremidades, resultando em enquadramentos arruinados, movimentos de câmera deformados e rostos dos atores cortados. Um pouco como se A santa ceia, de Leonardo Da Vinci, tivesse suas pontas decepadas, deixando alguns discípulos de Jesus fora de campo – e da história. Para completar o desrespeito, não há qualquer aviso em relação às condições de exibição e o preço cobrado pelo ingresso não sofre qualquer alteração.

Não nos cabe, aqui, pregar a “volta ao 35mm” nem defender determinada resolução mínima para a projeção digital. Sabemos que, se respeitados determinados critérios técnicos – ou seja, se a empresa responsável pela projeção digital receber do distribuidor o master no formato adequado, se o processo de encodamento for feito corretamente, e se os ajustes necessários para a exibição de cada filme forem realizados cuidadosamente –, a projeção digital pode ser uma experiência perfeitamente satisfatória para o espectador.

Não é isso, porém, que tem ocorrido. Exibidores, distribuidores e os fornecedores do serviço da projeção digital são responsáveis pela má qualidade da projeção e coniventes com esse lamentável descaso geral, que tem deixado críticos e amantes de cinema indignados. É um desrespeito ao cinema e aos seus criadores, mas, sobretudo, ao espectador e consumidor final, que saiu de casa e pagou ingresso para ver um filme.

A situação chegou a um ponto intolerável. Pedimos a todos os profissionais envolvidos com a projeção digital que tomem providências para que tais deformações não se repitam.

sexta-feira, outubro 02, 2009

festival II

Na Cinética:

As praias de Agnès
Amreeka
Five minutes of heaven

Alguns filmes vistos:

24 City ***
35 doses de rum ***
Barba Azul **
A casa de Nucingen *
Erótica aventura ***
Mother ****
O rei da fuga ****
Singularidades de uma rapariga loira ****
Tulpan ***
Viajo porque preciso, volto porque te amo ***

sábado, setembro 26, 2009

festival

Esse ano vai ser difícil escrever muito por aqui. Mas vou tentar pelo menos postar algumas recomendações.

Na Cinética, tem texto sobre o "Bad lieutenant" do Herzog. Incrivelmente decepcionante. Leiam lá.

Vi ainda:
Lake Tahoe *
Eu matei a minha mãe °

quarta-feira, setembro 23, 2009

festival

As recomendações:

24 City, de Jia Zhang-Ke
35 doses de rum, de Claire Denis
Barba Azul, de Catherine Breillat
Uma barragem contra o pacífico, de Rithy Panh
A batalha dos três reinos, de John Woo
Bom trabalho, de Claire Denis
A casa de Nucingen, de Raoul Ruiz
O dia da transa, de Lynn Shelton
Erótica aventura, de Jean-Claude Brisseau
Les herbes folles, de Alain Resnais
It might get loud, de Davis Guggenheim
Katalin Varga, de Peter Strickland
Morrer como um homem, de João Pedro Rodrigues
Mother, de Bong Joon-ho
O pai dos meus filhos, de Mia Hansen-love
Politist, adjectiv, de Corneliu Porumboiu
Porco cego quer voar, de Edwin
As prais de Agnès, de Agnès Varda
Queridinho da mamãe, de Azazel Jacobs
O rei da fuga, de Alain Guiraudie
Salamandra, de Pablo Aguero
Singularidades de uma rapariga loira, de Manoel de Oliveira
A terceira parte do mundo, de Eric Forestier
The time that remains, de Elia Suleiman
Tulpan, de Sergey Dvorstsevoy
Viajo porque preciso, volto porque te amo, de Marcelo Gomes e Karim Ainouz
Vincere, de Marco bellocchio
White material, de Claire Denis
The withe ribbon, de Michael Haneke

coisas

- tem texto meu lá na Cinética sobre o belo doc "O nome dela é Sabine".

- tem uma revista nova na internet. imperdível. "Foco Revista de Cinema".

- podcast no site da revista Piauí. trata-se de um debate realizado no IMS do Rio com Ismail Xavier, Eduardo Coutinho e José Carlos Avellar.

- começou no início da semana uma mostra com os primeiros filmes de alguns dos cineastas contemporâneos mais importantes. Lá na Caixa Cultural. Detalhe importante: vai ser tudo exibido em DVD. A programação:

23 SET | QUARTA-FEIRA

SALA 01

15h30 Mundo grua, Pablo Trapero (1999)

17h30 Mysterious object at noon, Apichatpong Weerasethakul (2000)

19h30 Chocolat, Claire Denis (1988)

SALA 02

15h Conflito mortal, Wong Kar-wai (1988)

17h O balão branco, Jafar Panahi (1995)

19h Gosto de sangue, Joel e Ethan Coen (1984)

24 SET | QUINTA-FEIRA

SALA 01

15h30 O sangue, Pedro Costa (1989)

17h30 Chronicle of a disappearance, Elia Suleiman (1996)

19h30 Pickpocket, Jia Zhang-ke (1997)

SALA 02

15h Mala noche, Gus Van Sant (1985)

17h Gosto de sangue, Joel e Ethan Coen (1984)

19h Os matadores, Beto Brant (1997)

25 SET | SEXTA-FEIRA

SALA 01

15h30 Chronicle of a disappearance, Elia Suleiman (1996)

17h30 The element of crime, Lars Von Trier (1984)

19h30 Pickpocket, Jia Zhang-ke (1997)

SALA 02

15h Chocolat, Claire Denis (1988)

17h Os matadores,Beto Brant (1997)

19h Mala noche, Gus Van Sant (1985)

26 SET | SÁBADO

SALA 01

15h30 Mysterious object at noon, Apichatpong Weerasethakul (2000)

17h30 Pickpocket, Jia Zhang-ke (1997)

19h30 O sangue, Pedro Costa (1989)

SALA 02

15h O balão branco, Jafar Panahi (1995)

17h Mala noche, Gus Van Sant (1985)

19h Conflito mortal, Wong Kar-wai (1988)

27 SET | DOMINGO

SALA 01

15h30 The element of crime, Lars Von Trier (1984)

17h30 Mundo grua, Pablo Trapero (1999)

19h30 Chronicle of a disappearance, Elia Suleiman (1996)

SALA 02

15h Gosto de sangue, Joel e Ethan Coen (1984)

17h Chocolat, Claire Denis (1988)

19h O balão branco, Jafar Panahi (1995)

sexta-feira, setembro 18, 2009

semana dos realizadores

A Semana dos Realizadores começa hoje e segue até quinta-feira no Unibanco Arteplex do Rio. A programação está no blog do evento.

sexta-feira, setembro 11, 2009

cineclube da cinética e jonas mekas na ufrj

Neste domingo, teremos a primeira sessão do cineclube organizado pela Cinética, lá no Instituto Moreira Salles. À frente do projeto estão Fabio Andrade, Rodrigo Oliveira e Leonardo Sette. Para a sessão de inauguração, eles programaram os filmes "Ninotchka", de Ernst Lubitsch, às 16h; e "Ondas do Destino", de Lars Von Trier, às 18h. Ambos os longas serão exibidos em cópias 35mm, nas janelas corretas de exibição, com legendas em português. A sessão do primeiro custará R$6,00 (R$3,00 a meia-entrada) e a do segundo terá entrada gratuita.

Enquanto isso, o Fórum de Cultura da UFRJ abriga uma pequena mostra com alguns diários do Jonas Mekas. A entrada é franca, sempre às 19h. A programação:

2ª feira (14/09)

Lost, Lost, Lost (1976)

3ª feira (15/09)

Walden – Diaries, Notes and Sketches (1964)

4ª feira (16/09)

As I Was Moving Ahead Occasionally I Saw Brief Glimpses of Beauty (2001,) Primeira Parte (163min)

5ª feira (17/09)

Reminiscences From a Journey to Lithuania (1971)

* No final da sessão, haverá debate sobre os filmes de Mekas com Juliana Cardoso e Juliano Gomes, mestrandos do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFRJ.

6ª feira (18/09)

As I Was Moving Ahead Occasionally I Saw Brief Glimpses of Beauty (2001,) Segunda Parte

quinta-feira, setembro 10, 2009

links

- O Moving Image Source anda disponibilizando o áudio de algumas entrevistas. Essa do Judd Apatow é muito legal.

- O blog do Fabio Camarneiro.

- O projeto do National Film Board, do Canadá, de entrevistas com documentaristas. Entre eles, Eduardo Coutinho.

terça-feira, setembro 08, 2009

soderbergh

Tem texto meu lá na Cinética sobre o "Confissões de uma garota de programa", um filme desequilibrado, mas que nos lembra que um longa pode conjugar seu interesse mais nas questões que ele por ventura levanta do que exatamente pela eficiência ou qualidade de seus resultados e opções estéticas e narrativas.