domingo, maio 17, 2009

max ophuls!

MAX OPHULS no Fórum de Cultura da UFRJ. A entrada é franca, sempre às 19h. Os filmes:

Segunda, 18 de maio
Carta de uma desconhecida (1948, em inglês com legendas em português).

Terça, 19 de maio
Conflitos de amor (La Ronde, 1950 - áudio em francês com legendas em inglês).

Quarta, 20 de maio
Desejos Proibidos (The Earrings of Madame de..., 1953 - áudio em francês com legendas em inglês).

Quinta, 21 de maio
Lola Montès (Lola Montès, 1955 - áudio em francês com legendas em inglês).

Sexta, 22 de maio
O Prazer (Le Plaisir, 1952 - falado em francês com legendas em inglês).

sexta-feira, maio 15, 2009

kaufman


sinédoque, nova york **

O filme começa como uma crônica familiar, acompanhando carinhosamente as idiossincrasias de seus personagens. Caden Cotard (Philip Seymour Hoffman), no entanto, entra em decadência criativa, existencial e física. O protagonista encontra todos os sinais de que sua vida vai se encaminhando para o final, sem que ele tenha conseguido fazer muito de importante dela. E assim, aos poucos, somos retirados do cotidiano banal dessa família. Charly Kaufman nos joga em um clima mais, digamos, “surrealista”. O espectador se vê preso a uma estrutura de labirintos. A cada seqüência, uma nova porta narrativa se abre. O ritmo interno do quadro se acelera. Elipses enormes tomam conta do filme. “Sinédoque, Nova York” começa a correr em direções tão inesperadas que o filme ameaça a desabar sob o peso da sua própria originalidade. Originalidade?

Talvez a palavra mais correta seja ambição. Pois o que se vê na tela é um monstro de camadas, cenas e desdobramentos que se repetem e se multiplicam na mais variadas representações. Cada seqüência, nos chega abarrotada de idéias sobre a vida, a arte - “é sobre tudo”, diz um personagem num certo momento. Os personagens e as locações vão se sucedendo de maneira impressionante. Caden contrata um ator para interpretá-lo. Cenas mais tarde, é o ator que precisa de um intérprete. Em nome de uma "verdade brutal", os sets ganham uma "quarta parede", e, antes que você perceba, haverá um estúdio no interior do estúdio. Caden se move sempre para fora, em espirais cada vez maiores, até ver sua própria identidade engolida. Não há limites para os espelhos de Kaufman. Eles parecem ainda mais importantes do que os dramas humanos apresentados.

segunda-feira, maio 11, 2009

beijo na boca não

beijo na boca não *****

Revi pela terceira vez "Beijo na boca não". Que filme grande! Dizem que parece teatro filmado. Mas como, se quando Azéma está na cozinha e ouve o nome Eric Thomson, ela passa mal, e cai em sua cama? Ah… as elipses de Resnais, o tom que nunca se perde, a mise en scène impecável, o elenco admirável. O filme se aproxima sim do teatro, mas nunca deixa de ser cinema. "Beijo na boca não" é uma ode ao amor e às confusões amorosas. A música proclama a tenacidade do desejo. Mas todos aqui querem um parceiro. Resnais nunca foi tão Lubitsch, procurando no artifício a verdade humana. Ele cria uma misteriosa distância entre nós e a ação, mas também leva-nos diretamente ao coração dos sentimentos. Os personagens são marionetes, embora as suas emoções sejam reais. O velhinho continua em grande forma.

segunda-feira, maio 04, 2009

animação


valsa com Bashir ***

Gostei bastante de “Valsa com Bashir”. Fazendo da narrativa uma espécie de cine-diário-animado, Ari Folman se concentra em torno do massacre de Sabra e Shatila, no Líbano, em 1982. Acompanhamos sua busca pessoal ao longo do filme. E essa missão, como bem diz um de seus primeiros entrevistados, se aproxima da ficção. A memória é feita de lacunas, construções imaginárias, projeções de sonhos e pesadelos. A animação se justifica. Ela é a representação direta do processo documental (as conversas e algumas reencenações incorporadas pelo discurso do filme) e das criações livres e poéticas evocadas pelos personagens (um belo exemplo é a cena da valsa em meio a um forte tiroteio que dá nome ao filme).

Através dessa abstração que é o desenho, Folman nos propõe uma interrogação sobre a memória e sobre as imagens que a preenchem, instâncias mediadoras entre nós e o mundo. Embora seu objetivo seja o de recuperar a concretude de fatos esquecidos, o cineasta não se contenta apenas com a observação ou a mera reencenação do real. Os desenhos funcionam então como uma espécie de interventores, para resgatar as subjetividades que se perderam no discurso oficial da guerra e tornar tudo um pouco mais “verdadeiro”. E assim, as falas são sempre problematizadas e as opções estéticas justificadas. Aos poucos, Folman constrói um estado de perplexidade e selvageria. A culpa mal resolvida do realizador não é apenas pessoal e intransferível, mas também um sintoma social. “Valsa com Bashir” nos deixa entrever um subtexto histórico e cultural do povo israelense, num ciclo violento e vicioso. Em respeito a Auschwitz, por onde passaram os pais de Folman, o amigo do cineasta afirma: “o massacre sempre esteve com você, desde dos seus seis anos de idade”.

O desfecho do filme, no entanto, guarda uma complicada surpresa: “Valsa com Bashir” parte para imagens jornalísticas do massacre. Esse movimento na direção dessas imagens que habitam nossa memória coletiva faz todo sentido. Mas o que se percebe, para além do aspecto catártico um tanto rasteiro, seja talvez uma estranha mudança de tom, marcada pelo depoimento mais, digamos, formal de um jornalista que cobriu a guerra. Ora, o próprio Folman já não havia admitido que uma câmera poderia tanto nos mostrar sofrimento como nos proteger dele? Além disso, porque essas imagens jornalísticas seriam mais “verdadeiras” dos que as animações que compõem o filme. No fim, Folman atira em seu próprio pé.

quarta-feira, abril 29, 2009

che

Na Cinética, texto sobre o primeiro "Che", do Steven Soderbergh.

tati!

Jacques Tati no CCBB!!!!!!!!!!
Programação
29 de abril (quarta-feira)
17h30 - Meu tio (110 min)
19h30 - Carrossel de esperança (79 min)
30 de abril (quinta-feira)
17h30 - As férias do Sr. Hulot (114 min)
19h30 - Tempo de diversão (124 min)
1º de maio (sexta-feira)
15h30 - Carrossel de Esperança (79 min)
17h30 - Traffic (97 min)
19h30 - Parade (85 min)
2 de maio (sábado)
15h30 - Meu tio (110 min)
17h30 - As férias do Sr. Hulot (114 min)
19h30 - Tempo de diversão (124 min)
3 de maio (domingo)
15h30 - Traffic (97 min)
17h30 - Parade (85 min)
19h30 - Sparring por um dia (Curta)- Escola de Carteiros (Curta)- Curso Noturno (Curta)

sexta-feira, abril 24, 2009

feliz e milionário


simplesmente feliz ***

Mais uma vez: Mike Leigh transmite peculiaridades de "ser inglês" com um enorme rigor – o que pra mim, que morei por lá, é muito legal. Avesso aos atalhos moralistas e psicologizantes, Leigh se mostra também extremamente atento aos modos distintos com que as pessoas se relacionam. O filme começa didático, em uma série de hipérboles sobre a personagem e sua visão de mundo: Poppy anda de bicicleta distribuindo sorrisos pelo transito londrino, ela rejeita um livro da vitrine, se sente confortável na seção infantil, e faz piada até quando lhe roubam a bicicleta. Não há dúvidas. Poppy decidiu ser feliz! E ponto final. Mas Simplesmente Feliz não é uma comédia leve e alegre. Muito pelo contrário. O que Mike Leigh nos provoca é um certo incômodo. O cineasta põe a alegria de sua protagonista em questão. Ora o filme a desafia, armando confrontos mais variados (do roubo da bicicleta ao caso de violência doméstica de um dos alunos da personagem), ora é própria Poppy quem provoca essas em situações em que seu estado de espírito é posto a prova (a relação com o professor da auto-escola). Simplesmente Feliz é um filme tenso. E Sally Hawkins é incrível. Ela contagia, mas não explica.

quem quer ser um milionário? °

Não queria dar trela para esse filme. Mas não agüentei. “Quem Quer Ser Um Milionário?” é uma afronta, uma tentativa equivocada de romance de formação e drama redentor. É uma aposta cínica em um “cinema globalizado”. Eu me senti francamente ofendido por esse filme. Logo de cara, assusta a falta de organicidade da estrutura narrativa. O filme se assume como um jogo de perguntas e respostas, e a montagem segue esquemática em um “pingue-pongue” absurdo e mirabolante – as questões são ilustradas por flashbacks que narram a história de Jamal. O que são esses personagens? E esses atores? Estão sempre tão irritantemente auto-conscientes de seus papeis e do que eles simbolizam... Jamal, o bem absoluto – os vilões diante dele são ainda mais vilões. Latika e o amor, que a tudo vence. E é claro: o dinheiro é um meio, mas nunca um fim.

Jamal viu a mãe ser morta a pauladas num conflito entre muçulmanos e hindus. Pessoas são queimadas vivas, em uma seqüência rápida como um piscar de olhos, desprovida de qualquer contextualização histórica ou religiosa. “Milionário” é um filme rasteiro como poucos. Tudo é tão incrivelmente superficial. O cinema de Boyle sempre foi uma espécie privilegiada de spot, exemplar de um certo ideal estético caro ao imaginário da propaganda. Mas dessa vez a ofensa é menos estética do que ética. A Índia é um esgoto a céu aberto. E as crianças indianas não pensam duas vezes antes de mergulharem na merda para conseguir um autógrafo. E tudo acaba em um musical (e em oscars). Dança alegre da miséria, exploração de uma cultura exótica e remixada para o gosto ocidental. Os Oscars ainda pioram a situação: agora “Milionários” vende a sensação edificante de que estaríamos vendo um mundo distante com olhos mais abertos e tolerantes.

terça-feira, abril 21, 2009

acervo da veja

A revista "VEJA" digitalizou todas suas edições de 1968 pra cá, inclusive edições especiais. É só clicar aqui.

hitchcock e truffaut

Imperdível! As firas originais da longa e famosa conversa entre Hitchcock e Truffaut! Baixe e ouça no seu computador, no mp3, no rádio do carro... Ouça!

quarta-feira, abril 15, 2009

marguerite duras

A Caixa Cultural do Rio começou a exibir a mostra “Marguerite Duras: Escrever Imagens”. É a mais completa mostra de filmes da escritora e diretora francesa já feita por estas bandas.
Programação
16/04 – quinta-feira – Cinema 1
15h00 – Seu nome de Veneza em Calcutá deserta (Son nom de Venise dansCalcutta désert, França, 1976, cor, 120 minutos)
17h00 – Agatha ou as leituras ilimitadas (Agatha ou les lecturesillimitées, França, 1981, 35 mm, cor, 90 minutos)
19h00 – Nathalie Granger (França, 1972, 35 mm, P&B, 83 minutos) ****
17/04 – sexta-feira – Cinema 1
15h00 – Cesárea (Césarée, França, 1979, 35 mm, cor, 11 minutos) +Aurélia Steiner (Melbourne) (França, 1979, 35 mm, cor, 35 minutos) + Ohomem atlântico (L'homme atlantique, França, 1981, 35 mm, cor, 42minutos)
17h00 – O navio Night (Le navire Night, França, 35mm, 1979, cor, 94 minutos)
19h00 – India Song (França, 1974, 35 mm, cor, 120 minutos) – sessãoapresentada pelo curador

18/04 – sábado – Cinema 1
15h00 – As crianças (Les enfants, co-dir. Jean Mascolo e Jean-MarcTurine, França, 1984, 35 mm, cor, 90 minutos)
17h00 – Hiroxima, meu amor (Hiroshima mon amour, dir. Alain Resnais,França/Japão, 1959, 35 mm, P&B, 90 minutos)
19h00 – O caminhão (Le camion, França, 1977, 35 mm, cor, 80 minutos) -sessão apresentada pelo curador

18/04 – sábado – Cinema 2 (exibições em DVD)
15h00 – Marguerite tal como ela é (Marguerite telle qu’en elle-même,dir. Dominique Auvray, França, 2001, vídeo, cor, 61 minutos) Legendasem espanhol
17h00 – Dias inteiros nas árvores (Des journées entières dans lesarbres, França, 1976, 35 mm, cor, 95 minutos)
19h00 – As mãos negativas (Les mains négatives, França, 1979, DVD,cor, 18 minutos) + Aurélia Steiner (Vancouver) (França, 1979, DVD,P&B, 48 minutos)

19/04 – domingo – Cinema 1
15h00 – A mulher do Ganges (La femme du Gange, França, 1972-73, 35 mm,cor, 90 minutos)17h00 – India Song (França, 1974, 35 mm, cor, 120 minutos)
19h30 – Seu nome de Veneza em Calcutá deserta (Son nom de Venise dansCalcutta désert, França, 1976, cor, 120 minutos) - sessão apresentadapelo curador
19/04 – domingo – Cinema 2 (exibições em DVD)
15h00 – As crianças (Les enfants, co-dir. Jean Mascolo e Jean-MarcTurine, França, 1984, 35 mm, cor, 90 minutos)
17h00 – Marguerite tal como ela é (Marguerite telle qu’en elle-même,dir. Dominique Auvray, França, 2001, vídeo, cor, 61 minutos) Legendasem espanhol
19h00 – Cesárea (Césarée, França, 1979, 35mm, cor, 11 minutos) +Aurélia Steiner (Melbourne) (França, 1979, 35mm, cor, 35 minutos)

21/04 – terça-feira – Cinema 1
15h00 – Amarelo, o sol (Jaune le soleil, França, 1971, 35 mm, P&B, 80 minutos)
17h00 – Cesárea (Césarée, França, 1979, 35 mm, cor, 11 minutos) +Aurélia Steiner (Melbourne) (França, 1979, 35 mm, cor, 35 minutos) + Ohomem atlântico (L'homme atlantique, França, 1981, 35 mm, cor, 42minutos)
19h00 – As mãos negativas (Les mains négatives, França, 1979, 35 mm,cor, 18 minutos) + Aurélia Steiner (Vancouver) (França, 1979, 35 mm,P&B, 48 minutos) - sessão apresentada pelo curador
22/04 – quarta-feira – Cinema 1
15h00 – Destruir, disse ela (Détruire, dit-elle, França, 1969, 35 mm,P&B, 90 minutos)
17h00 – Seu nome de Veneza em Calcutá deserta (Son nom de Venise dansCalcutta désert, França, 1976, cor, 120 minutos)
19h30 – As crianças (Les enfants, co-dir. Jean Mascolo e Jean-MarcTurine, França, 1984, cor, 90 minutos) - sessão apresentada pelocurador
23/04 – quinta-feira – Cinema 1
15h00 – Nathalie Granger (França, 1972, 35 mm, P&B, 83 minutos)
17h00 – Hiroxima, meu amor (Hiroshima, mon amour, dir. Alain Resnais,França/Japão, 1959, 35 mm, P&B, 90 minutos)
19h00 – Debate com Ismail Xavier e Stella Senra, mediação de Maurício Ayer

24/04 – sexta-feira – Cinema 1
15h00 – Agatha ou as leituras ilimitadas (Agatha ou les lecturesillimitées, França, 1981, 35 mm, cor, 90 minutos)
17h00 – Amarelo, o sol (Jaune le soleil, França, 1971, 35 mm, P&B, 80 minutos)
19h00 – O navio Night (Le Navire Night, França, 35mm, 1979, cor, 94 minutos)
25/04 – sábado – Cinema 1
15h00 – As mãos negativas (Les mains négatives, França, 1979, 35 mm,cor, 18 minutos) + Aurélia Steiner (Vancouver) (França, 1979, 35 mm,P&B, 48 minutos)
17h00 – A mulher do Ganges (La femme du Gange, França, 1972-73, 35mm,cor, 90 minutos)19h00 – O caminhão (Le camion, França, 1977, 35 mm, cor, 80 minutos)

26/04 – domingo – Cinema 1
15h00 – Hiroxima, meu amor (Hiroshima, mon amour, dir. Alain Resnais,França/Japão, 1959, 35 mm, P&B, 90 minutos)
17h00 – Agatha ou as leituras ilimitadas (Agatha ou les lecturesillimitées, França, 1981, 35 mm, cor, 90 minutos)
19h00 – India Song (França, 1974, 35 mm, cor, 120 minutos)

segunda-feira, abril 13, 2009

douglas sirk!

O Fórum de Cultura da UFRJ exibe filmes de Douglas Sirk, o mestre!
Programação
13.04 (segunda)
Sublime Obsessão (Magnificent Obsession, 1954, 108 min)
14.04 (terça)
Tudo o que o céu permite (All that Heaven Allows, 1955, 89 min)
15.04 (quarta)
Palavras ao vento (Written in the Wind, 1956, 99 min)

16.04 (quinta)
Imitação da vida (Imitation of Life, 1959, 125 min)
17.04 (sexta)
Almas torturadas (The Tarnished Angels, 1957, 91 min)

sexta-feira, abril 10, 2009

enfim... milk e lutador



o lutador ***

“O lutador” é Mickey Rourke. Seu corpo “suja” o filme e materializa as tensões de Randy. É como uma aparição, uma presença que preenche o plano. Darren Aronofsky, cineasta famoso por um estilo cheio de virtuoses (como “Réquiem para um Sonho” e “Fonte da Vida”), o filma com simpatia e "simplicidade". Uma simpatia e uma simplicidade que não são ingênuas. A câmera não deixa Rourke/Randy, mas não vê o mesmo que ele. É um personagem irremadiavelmente romântico, mas o filme é de uma tristeza acachapante - embora vez ou outra cisme em sublinhá-la ou nos explicá-la. Ademais, o longa usa muito bem o universo da luta livre, uma espécie de subproduto da industria cultural, teatralizado, porém verdadeiro. E os momentos de ringue (e seus bastidores) são muito legais. Ainda assim, Aronofsky é de uma encenação grosseira. A mão é pesada em todas as viradas e em muitos dos diálogos. Quando a história precisa seguir, o filme cai. E, nesses momentos, Randy/Rourke ficam presos nas mecânicas da dramaturgia. No fim das contas, o filme tem a cara de Randy/Rourke. Não chega a ser um ótimo filme, meio irregular, meio brusco, com algumas brechas, cenas mal encenadas, algumas sem começo, outras sem final...


milk **


Gus Van Sant tem uma trajetória curiosa. Embora seja possível identificar aqui e ali as marcas estéticas do cineasta, não deixa de ser estranho para alguém que vem de “Lost days” (2005) e “Paranoid Park” (2007) fazer esse “Milk”. Este último é uma elegia sensível e pessoal, porém “oficial”. É um filme “importante”, “correto”, “acessível”, porém “oficial”. O filme se desenrola como um fluxo de consciência, com Harvey gravando seu testemunho. O cineasta transita entre um cinema mais lacrimal e um outro da análise psicológica, expandindo o contato com o espectador sem nunca subestimá-lo - embora o filme seja por vezes irritantemente reiterativo (a coisa do menino desesperançado que liga para Harvey, a relação entre o assassinato do personagem e a encenação da ópera Tosca). Van Sant assume uma posição diretamente pessoal e dotada de um juízo de valor positivo em relação aos personagens, conquistando com carinho nossa adesão. Acho muito legal a proximidade que o Van Sant busca com os seus atores. Juntos, eles correm atrás do personagem. Os filmes de Van Sant sempre são o personagem. Não é diferente em “Milk”.

É curioso atentar para a quantidade de filmes (quase todos os indicados ao Oscar esse ano) que recorrem a certas mediações internas por meio das quais um personagem ou uma voz da consciência emitem testemunhos (que a narrativa não problematiza) e se tornam na maioria das vezes a própria voz do filme. Eles nos dizem como deveríamos ver, sentir, ouvir e entender todas as situações que o filme nos mostra.

terça-feira, abril 07, 2009

stan brakhage

Começa hoje na Caixa Cultural a mostra "Stan Brakhage - A aventura da percepção". Com a curadoria do crítico americano Fred Camper, a mostra reúne 28 filmes divididos em seis programas temáticos. Camper estará no Brasil e apresentará todos os filmes, incluindo o lendário "Dog Star Man". Não percam! Se podemos dizer que Maya Deren (sobre a qual estou escrendo algumas linhas) inventou o cinema experimental americano, foi Brakhage quem explorou todo o seu potencial. Para conferir a programação, clique aqui.

grande bill hader

segunda-feira, março 30, 2009

pedro costa no fórum da ufrj

O Fórum de Cultura da UFRJ exibe esta semana filmes do português Pedro Costa. As sessões começam sempre às 19h. A entrada é franca.

segunda, 30 de março
casa de lava (1994)

terça, 31 de março
no quarto de vanda (2000)

quarta, 1º de abril
juventude em marcha (2006)

quinta, 2° de abril
ossos (1997)
sexta, 3° de abril
onde jaz o teu sorriso? (2001)

terça-feira, março 24, 2009

burman e titãs


ninho vazio *

O que aconteceu com Daniel Burman? A pergunta não me sai da cabeça, desde os primeiros minutos de “Ninho vazio”. A trama está centrada em um casal de meia-idade à beira de uma crise matrimonial deflagrada pela saída dos filhos de casa – os jovens são figuras coadjuvantes ou ausentes. Em uma estrutura episódica, Bruman privilegia os atores e a palavra como condutora dos climas e da percepção do protagonista. Seu estilo elegante e descompromissado se faz presente e ainda tem a sua força. Quando se atem às pequenas poesias da convivência familiar, o filme funciona, embora o timimg cômico esteja completamente errado e tudo pareça sempre muito certinho em termos de mise-en-scène (todo o suposto caso extraconjugal) e/ou “super artístico” (o que são aquelas seqüências do elevador subindo e descendo?). No mais, Burman desfila uma enorme quantidade de clichês associados ao homem de meia-idade. “Ninho vazio” não parte deles para atingir algo original. Aqui o clichê está dado, se parte dele e se encaminha ao seu encontro. Mais o que mais me incomoda é a tentativa despropositada de confundir nossa percepção a partir de desconstruções paulatinas do que vemos e ouvimos. E no fim das contas, o filme ainda vomita um truque de roteirista fácil...

titãs - a vida até parece uma festa **

Gostei de “Titãs - A vida até parece uma festa”. O filme de Branco Mello e Oscar Rodrigues Alves começa em um ritmo siderado. Entre imagens capturadas pelo vocalista e co-diretor Branco Mello (que comprou uma câmera nos anos 80 e passou a registrar o dia-a-dia dos Titãs) e gravações de amigos tiradas do fundo do baú (como as de shows undergrounds, além de entrevistas e apresentações em diversos canais de TV), a montagem põe em paralelo os anos de 1982 e 2002, o VHS e a película, o projeto musical entre amigos e o fenômeno de público e mídia, o show em um bar mitzvah e o Rock In Rio 2. Tudo isso em questão de poucos cortes, e sem nenhum depoimento, narração ou qualquer informação mais, digamos, objetiva. Aos poucos, no entanto, “Titãs” perde grande parte de suas forças. O ritmo muda, assim como aquele entusiasmo inicial. O filme esgarça um pouco pela duração, e, ao fim, o que se vê é um extenso videoclipe. Ainda assim, “Titãs” mostra que, com um pouco de vontade, dá para tirar o documentário biográfico (incluindo aí os sobre bandas) da mesmice dominante.

Agora, é interessante observar: a saída do Nando Reis parece ter sido bem mais amarga do que a do Arnaldo Antunes. Outro ponto curioso: pela enorme quantidade de músicas que ouvimos durante o filme, “Titãs” nos confirma (talvez a contragosto e por linhas tortas) que os últimos dez anos da banda são mesmo muito aquém do que ela já foi capaz de criar, em estúdio e ao vivo.

terça-feira, março 10, 2009

dois

foi apenas um sonho *

O filme começa com uma desastrosa produção amadora de teatro. April (Kate Winslet) é a protagonista. A peça é um fracasso. E os Wheelers abraçam o fracasso, bebem nele, são por ele preenchidos. Num piscar de olhos, o que não passava de pequeno embaraço público, se transforma numa afirmação de seu mútuo desprezo e repugnância. Frank (Leonardo Di Caprio) e April acreditam serem melhores do que a banalidade exasperante em que caíram. Ele fantasia sobre o que chama de seu "próprio mérito excepcional", uma ilusão a qual eles se agarram, num movimento que registra uma certa neurose e uma espécie de sintoma de um mal social pra lá de vago.

Mendes transforma seus personagens em caricaturas histéricas e garante o “overdone” de cada cena. Para tanto, existe até o personagem porta-voz do roteiro: o louco John (Michael Shannon), sempre a nos explicar tudo o que nós já estávamos entendendo sobre o casal. E o é que aquele mar cinza de chapéus... Tudo aqui soa falso e impostado, teatralizado em excesso. Assim como em “Beleza Americana” (1999), “Foi apenas um sonho” parece por vezes reproduzir em suas estratégicas estéticas e dramáticas os mesmos métodos que busca denunciar na mediocridade de Frank e April.

Os personagens não têm muita simpatia por si. Eu tampouco. Talvez o grande problema seja o fato do envolvimento de Mendes ser meramente profissional. O cineasta mantém uma certa distância, uma frieza de quem traça um diagnóstico. E assim, o sentimento que seus personagens despertam é apenas pena. No mais, onde estão as questões para além de dois seres humanos egoístas que não foram honestos consigo próprios ou uns aos outros? Mendes não parece interessado na origem social ou histórica dos problemas vividos por Frank e April. Estamos em pleno anos 50. Mas para Mendes, isso não parece fazer nenhuma diferença. Será que em outros tempos, April e Frank (e muitos outros) teriam melhores condições para encontrar uma saída? A aproximação de Mendes é ahistórica, e seu filme, no fim das contas, dá sua bênção ao conformismo e à resignação.

dúvida *



“Dúvida” é um filme “sério” e "artístico", desses que empolam a Hollywood desses últimos anos – vide a triste safra do Oscar deste ano. O diretor e dramaturgo John Patrick Shanley surpreende pelos diálogos, pelas metáforas que seu texto suscita. Mas seus achados são sempre excessivamente sublinhados, reiterados, seja pela música, seja pela câmera, seja por suas previsíveis soluções visuais e dramáticas (as persianas se abrem como se acendesse uma luz de interrogatório, o toque insistente do telefone para elevar a carga de tensão, etc.). A impressão é a de que Shanley se esforçou para fazer de “Dúvida” mais do que uma simples adaptação de sua peça para o cinema. E assim, o filme segue pontuado por desastradas tentativas de desteatralizar tudo, com quadros na mais variadas angulações. Sofrem também as atuações. Sabemos que a atuação do ator cinematográfico exige a mediação de todo um mecanismo. E aqui ele cisma em prejudicar Meryl Streep, Philip Seymour Hoffman, Amy Adams e Viola Davis, cortado-os pra lá e pra cá.

De qualquer maneira, o que mais me incomoda é o fato da questão sobre o possível abuso sexual ser menos importante para Shanley do que o dilema da irmã Aloysius, da justeza de sua investigação e dos procedimentos de sua investigação. São tantas as vezes que a câmera vagueia até o céu, que o filme nos parece dizer que apenas o Todo-Poderoso poderia nos responder ao certo sobre a relação entre o Padre e o menino. Ora, ou o Padre abusou ou não. Shanley, no entanto, empurra um certo relativismo moral até o fim. Ele se recusa a satisfazer nosso desejo de saber o que realmente aconteceu. Tudo bem: é verdade que não podemos saber tudo com certeza. Mas uma Dúvida pode ser tão absoluta quanto uma Certeza. Ter certeza é sempre prejudicial? A dúvida é importante em todos os casos? O ceticismo mais radical não me parece ser receita para nada, exceto para se preservar o status quo. No fim das contas, não seria isso que vemos em “Dúvida”?

quinta-feira, março 05, 2009

mostras por todos os lados

Antes de voltar a postar textos por aqui, alguns avisos importantes! Mostras pipocam pela cidade. Olhem aí:
No MAM: clássicos do cinema japonês, Fernando Coni Campos e Stroheim com acompanhamento musical!

sex 06
18h30 Harakiri (1962), de Masaki Kobayahi

sab 07
16h A rotina tem seu encanto (1962), de Yasujiro Ozu
18h O segredo de uma esposa - Desejo profano (1964), de Shohei Imamura

dom 08
16h De onde se avistam as chaminés (1953), de Heinosuke Gosho
18h O idiota (1951), de Akira Kurosawa

sex 13
18h30 O império dos sentidos (1976), de Nagisha Oshima

sab 14
16h Esposas ingênuas (1922), de Erich von Stroheim. Sessão com acompanhamento de piano ao vivo por Cadu.
18h O portal do inferno (1953), de Teinosuki Kinugasa

dom 15
16h Vida de casado (1951), de Mikio Naruse
18h O Império da Paixão (1978), de Nagisa Oshima

sex 20
18h30 Contos da lua vaga (1953), de Kenji Mizoguchi

sab 21
16h Época de garoto (1990), de Masahiro Shinoda
18h Era uma vez em Tóquio (1953), de Yasugiro Ozu

dom 22
16h Não lamento a minha juventude (1946), de Akira Kirosawa
18h Sonatine (1993), de Takeshi Kitano

qui 26
18h30 O Mágico e o delegado (1983), de Fernando Coni Campos

sex 27
18h30 Os amantes crucificados (1954), de Kenji Mizoguchi

sab 28
16h Filho único (1936), de Yasujiro Ozu
18h Oharu (1952), de Kenji Mizoguchi

dom 29
16h A Mulher de Areia (1964), de Hiroshi Teshigahara
18h Dersu Uzala (1975), de Akira Kurosawa

Na Caixa Cultural: uma pequena mostra com trabalhos da grande Maya Deren!

Os filmes exibidos:

Meshes of the afternoon (1944)
At Land (1944)
A study in choreography for camera (1945)
Ritual in transfigured time (1945-1946)
Meditation on violence (1948)
The very eye of the night (1952-59)

Horário das sessões: 14h, 15h30, 17h, 18h30 e 20h (cada uma com todos os 05 curtas da mostra). Sessões especiais no dia 13, sexta: 18h30 - Sessão com música ao vivo – DJ Hisato

Por fim, no CCBB: Chantal Akerman!

10 de março – terça-feira
19h30 - Do leste

11 de março – quarta-feira
17h30 - Do outro lado
19h30 - Histórias da América: Comida, Família e Filosofia

12 de março – quinta-feira
15h30 - Do leste
17h30 - Retrato de uma garota do fim dos anos 60 em Bruxelas
19h30 - Carta de uma cineasta: Chantal Akerman + O homem da mala

13 de março – sexta-feira
15h30 - Lá
17h30 - Histórias da América: Comida, Família e Filosofia
19h30 - A prisioneira

14 de março – sábado
17h30 - Chantal Akerman por Chantal Akerman
19h30 - UMA CONVERSA COM CHANTAL AKERMAN

15 de março – domingo
15h30 - Carta de uma cineasta: Chantal Akerman + O homem da mala
17h30 - Lá
19h30 - A prisioneira

17 de março - terça-feira
17h30 Toda uma noite
19h30 Chantal Akerman por Chantal Akerman

18 de março – quarta-feira
16h - Jeanne Dielman, 23 Quai du Commerce, 1080 Bruxelles
19h30 - PALESTRA: RITOS DO DIA-A-DIA por Ivone Margulies

19 de março – quinta-feira
17h30 - Tenho fome, tenho frio + Os anos 80
19h30 - Golden Eighties

20 de março – sexta-feira
17h30 - Noite e Dia
19h30 - Toda uma noite

21 de março – sábado
16h - Hotel Monterey
17h30 - Jeanne Dielman, 23 Quai du Commerce, 1080 Bruxelles

22 de março – domingo
15h30 - Os anos 80
17h30 - Golden Eighties
19h30 - Noite e dia

24 de março – terça-feira
15h30 - Notícias de casa
17h30 - Do outro lado
19h30 - PALESTRA: Chantal Akerman e o documentário por César Guimarães

25 de março – quarta-feira
15h30 - Hotel Monterey
17h30 - Exploda minha cidade + Eu Tu Ele Ela
19h30 - Os encontros de Ana

26 de março – quinta-feira
15h30 - Os encontros de Ana
17h30 - Notícias de casa
19h30 - Exploda minha cidade + Eu Tu Ele Ela