quarta-feira, dezembro 21, 2011

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Ontem fui assistir "Roubo nas alturas", filminho bem mais ou menos de Ben Stiller e Eddie Murphy. E o que me deixou bolado mesmo foram os trailers. Primeiro veio o novo "Missão Impossível", e, em seguida, "Dois coelhos". E aí, meu irmão... Não dá. Não sabia da existência deste "Dois coelhos", de Afonso Poyart. Mas o fato é que, diante do "Missão impossível", diante da pujança hollywoodiana, o brasileiro parece uma coisa meio amadorística. Na comparação, perderemos quase sempre. Não tem muito jeito. Vejam vocês:



domingo, dezembro 18, 2011

garoto da bicicleta ***


Não sei se gosto de “O Garoto de Bicicleta”. Acho que o Francis Vogner dos Reis conseguiu sintetizar a minha sensação com os filmes mais recentes dos Dardenne em sua crítica sobre “O silêncio de Lorna”: o projeto estético-cinematográfico dos belgas anda dando sinais de saturação e não exatamente de esgotamento. É bem por aí mesmo. Ainda é possível maravilhar-se como o garoto (brilhantemente interpretado por Jérémie Renier) nos é revelado enquanto anda em sua bicicleta, como suas vontades e angústias tornam-se em geral evidentes pela maneira como ele pedala. O jogo de gato e rato entre a câmera e o personagem que tanto marca o cinema dos Dardenne também permanece sedutor e energético, assim como a precisão e objetividade narrativa dos irmãos belgas. Agora, contudo, as linhas (e seus pontos de chegada) que conjugam essa negociação entre a câmera e o corpo dos atores e dos espaços e determinadas funções narrativas, me parecem por demais visíveis. É neste sentido que a trilha supostamente bressoneana (como bem disse o Fábio de Andrade lá na Cinética) me incomoda bastante. Ele vem em três momentos do filme, como que a sublinhar viradas e fazer brotar sentimentos por demais esclarecidos, pena, piedade, compaixão. Tudo muito certinho, programático, previsível.

terça-feira, dezembro 13, 2011

ferrara

Ando revendo os filmes de Abel Ferrara - a minha produtora (firula filmes) aprovou uma retrospectiva do homem lá no CCBB. Eu já tinha visto quase tudo (com a exceção dos episódios do “Miami Vice” e dos filmes para a TV), e, agora, revejo os meus favoritos: “Maria” (2005), “New Rose Hotel” (1998), “The blackout” (1997), “Bad Lieutenant” (1992), “MS.45” (1981), “Dangerous game” (1993) ... É um cineasta que parece falar pra mim. Só pra mim. Tudo me chega com uma intensidade... Tudo me parece tão livre... Fico pensando de onde vem esta sensação de algo que transborda, que nos joga pra frente. Ferrara filma como se fosse o primeiro. Seus filmes são diferentes. Diferentes a ponto de serem estranhos. A cada plano, algo potencialmente novo se vislumbra e nos convoca. Tudo é possível em um filme de Ferrara. Talvez venha daí...

Aliás, já troquei alguns emails com o Ferrara. São emails com a cara do cinema de Ferrara: palavras fortes, sem tempo para vírgulas ou pontuações... e, por vezes, de uma curiosa incompreensão. Depois volto a isso.

sexta-feira, dezembro 09, 2011

links

- nova revista no ar, a Interlúdio!

- a nova edição da Filme Cultura.

- Jacques Rancière e Philippe Lafosse em uma conversa sobre os Straubs.

quinta-feira, novembro 24, 2011

cineclube cinética

Hoje tem Cineclube da Cinética lá no IMS. Às 17h passa "Nanook, o Esquimó" (1922), de Robert Flaherty, e, às 18h30, é a vez de "Aquele Querido Mês de Agosto" (2008), de Miguel Gomes. Cliquem nos filmes para ler os textos sobre eles.

sábado, novembro 19, 2011

ray, haneke e von trier

Estão rolando algumas retrospectivas no Rio. Michael Haneke no Caixa Cultural, Lars Von Trier no IMS, e Nicholas Ray, o grande, no CCBB. Para ver a programação basta clicar nos nomes.

terça-feira, outubro 25, 2011

links

- a nova edição da La Furia Umana está no ar.

- algumas homenagens a Raul Ruiz.

- Rafael de Luna acaba de colocar no ar o site Viva Cine – Portal História Viva do Cinema Brasileiro, uma iniciativa da Associação Cidadela e do Tela Brasilis voltada para a reflexão e discussão sobre a história do cinema brasileiro.

sexta-feira, outubro 21, 2011

cineclube cinética

Hoje tem Cineclube Cinética lá no IMS. Serão exibidos, às 17h30, "O Atalante" (1934), de Jean Vigo, e, às 19h45, "Após a Reconciliação" (2000), de Anne-Marie Miéville.

terça-feira, outubro 18, 2011

canções

É um privilégio ver um filme de Eduardo Coutinho. Talvez ele nunca esteve tão feliz fazendo um documentário quanto neste “As canções”. E algo desta felicidade imprimi no filme. Um palco, uma cadeira, uma cortina, e pessoas conversando sobre suas vidas e canções preferidas. Coutinho é de uma simplicidade meio punk. Ao mesmo tempo, o jogo entre fato, lembrança, ficção e relato é de uma sofisticação desconcertante. Nada disso, contudo, parece realmente importante quando “experienciamos” um filme de Coutinho. “Canções” é como um presente. Vê-lo é como ganhar um presente.

domingo, outubro 16, 2011

festival

Este Festival do Rio é uma bagunça. Agora mesmo cancelaram a exibição do filme do Abel Ferrara. Não consegui ver “Drive”, que disseram que não ia mais passar, mas acabou passando. Os longas de Monte Hellman e Chantal Akerman ainda não começaram a vender. E, pelo amor de Deus, quem faz a seleção dos curtas deste festival?

terça-feira, outubro 11, 2011

francesco

Esta cena de Francesco (1950), de Rossellini, é incrível. É um cinema que vislumbra uma espécie de pedagogia. Rossellini acredita na capacidade do cinema de revelar uma verdade (espiritual) a partir da literalidade das coisas e, por conseguinte, tocar as pessoas.

Lembro de “Lettre sur Rossellini”, artigo em que Jacques Rivette compara os filmes do cineasta italiano a ensaios atravessados por parábolas, suaves e precisas, que o crítico associava aos traços de Matisse. "Cada cena, cada episódio voltarão à sua memória, não como uma sucessão de planos e de enquadramentos, uma seqüência mais ou menos brilhante, mas como uma grande frase melódica, um arabesco contínuo, um só traço implacável que conduz seguramente os seres para o que ainda ignoram e encerra na sua trajetória um universo palpitante e definitivo; seja um fragmento de Paisà, um episódio de ‘Francisco, arauto de Deus’, ‘Europa 51’, ou o todo de seus filmes, a sinfonia em três movimentos de ‘Alemanha, ano zero’, a linha ascendente e obstinada de ‘Stromboli’ -, sempre o olhar incansável da câmera representa o papel do lápis, um desenho temporal prossegue sob nossos olhos; seguimos seu progresso até o esvaecimento final, até que ele se perca na duração, tal como surgira da brancura da tela".

domingo, outubro 09, 2011

elvis & madona

“Elvis & Madona” é um filme bem sedutor atraente e ao mesmo muito fácil de se desgostar. Se a temática é ousada, sua condução poderia até ser classificada como conservadora. O amor de Elvis e Madona acaba sendo reconvertido em uma relação heterossexual, e, por vezes, as noções pré-concebidas a respeito destes tipos parecem falar mais alto do que os personagens em cena. Se a montagem é truncada e a encenação um tanto limitada (algumas piadas não têm timing, perde-se o ritmo interno em certas cenas, alguns conflitos são resolvidos com pressa, e alguns atores rendem menos do que os protagonistas), “Elvis & Madona” transpira vez ou outra um amadorismo no bom sentido, um filme que deseja produzir imagens que se imponham.

sexta-feira, outubro 07, 2011

festival do rio

Algumas (poucas) dicas (os dois primeiros estreiam ainda em outubro):

Inquietos, de Gus Van Sant
L'Apollonide, de Bertrand Bonello
Chantrapas, de Otar Iosseliani
Drive, de Nicolas Winding Refn
4:44 Last Day on Earth, de Abel Ferrara
Tabloide, de Errol Morris
Um método perigoso, de David Cronenberg
Take Shelter, de Jeff Nichols
Boys meets girl, de Leo Carax
Loucura de Almayer, de Chantal Akerman
Uma longa viagem, de Monte Hellman
Terraferma, de Emanuele Crialese
Sangue do meu sangue, João Canijo
We Need to Talk About Kevin, de Lynne Ramsay
George Harrison, de Martin Scorsese

Além das retrospectivas de Bela Tárr e Dario Argento

terça-feira, outubro 04, 2011

aula magna com roberto farias

Esta quinta (dia 6) a UFF recebe Roberto Farias no Auditório da Faculdade de Direito para uma Aula Magna, às 10h. Quem quiser, é só chegar.

Endereço: Rua Presidente Pedreira 62, Ingá, Niterói.

segunda-feira, outubro 03, 2011

assombro



Uma performance assombrosa de Klaus Nomi, contra-tenor alemão, que morreu de Aids em 1983, aos 39 anos. Ele canta uma ária do século XVII escrita por Henry parcell, morto em decorrência da tuberculose, aos 36 anos. A ária chama-se "The Cold Song":

What power art thou, who from below
Hast made me rise unwillingly and slow
From beds of everlasting snow
See’st thou not ( how stiff )2) and wondrous old
Far unfit to bear the bitter cold,
I ( can scarcely move or draw my breath )2)
Let me, let me freeze again to death.3)