quarta-feira, maio 27, 2009

chris marker no ccbb!

2009 está com tudo. Dá-lhe Chris Marker no CCBB. Não percam!
26 de maio (terça-feira)

20h00 - PROGRAMA 1 – La jetée (Chris Marker, França, 1962, 35mm, PB, Fic, 28min) + A.K. Retrato de Akira Kurosawa (A.K Portrait d’Akira Kurosawa, Chris Marker, França, 1985, 35mm, cor, Doc, 75min)

27 de maio (quarta-feira)

15h00 - PROGRAMA 3 – O fundo do ar é vermelho (Le fond de l’air est rouge, Chris Marker, França, 1977, 16mm/35mm>DVD, Doc, 180min)

18h00 - PROGRAMA 8 – As 20 horas nos campos (Les 20 heures dans les camps, Chris Marker, França, 1993, Vídeo Hi-8>Beta, cor, Doc, 28min) + Boina azul (Casque Bleu, Chris Marker, França, 1995, 27min, vídeo>Beta, cor, Doc, 27min) + Um prefeito em Kosovo (Un maire au Kosovo, 2000, Chris Marker, França, vídeo>Beta, cor, Doc, 27min)

19h30 - PROGRAMA 5 – O túmulo de Alexandre (Le tombeau d’Alexandre, Chris Marker, França, 1993, Hi-8>Beta, PB e cor, Doc, 118min)

28 de maio (quinta-feira)

15h00 - PROGRAMA 10 – A sexta face do pentágono (La sixiéme face du pentagone, Chris Marker, França, 1967, 35mm>Beta, PB e cor, 28min) + A embaixada (L’ambassade, Chris Marker, França, 1974, Super 8>Beta, cor, Doc, 20min) + Balada berlinense (Berliner Ballade, Chirs Marker, França, 1990, vídeo Hi-8>Beta, cor, 29min, Doc, 1990)

17h00 - PROGRAMA 9 – E-CLIP-SE (Chris Marker, França, 1999, Beta, cor, Doc, 8min) + Slon-Tango (Chris Marker, França, 1993, Beta, cor, Doc, 4min) + Gato escutando a música (Chat écoutant la musique, Chirs Marker, França,1985-90, vídeo>Beta, cor, Doc, 2min50s) + Chats perchés (Chris Marker, França, 2004, Beta, cor, Doc, 59min)

19h00 – Debate: Consuelo Lins e Emi Koide, Mediação: Patrícia Rebello

29 de maio (sexta-feira)

15h00 - PROGRAMA 13 – 2084. Centenário do Sindicalismo. Videoclipe para uma reflexão sindical e pelo prazer (2084. Centenaire du Syndicalisme. Video-Clip pour une reflexión syndicale et pour le plaisir, Chris Marker, França, 1984, 35mm>Beta, cor, Doc, 10min) + Até breve, espero (À bientôt, j’espère, Chris Marker e Mario Marret, França, 1968, 16mm>Beta, PB, Doc, 44min) + Já que dizemos que é possível (Puisqu’on vous dit que c’est possible, Filme coletivo, França, 1974, 16mm/35mm>Beta, cor, 43min)

17h00 - PROGRAMA 6 - Nível 5 (Level 5, Chris Marker, França, 1996, Betacam>35mm, cor, 106min)

19h00 - PROGRAMA 15 – Descrição de uma memória (Tsa'ad Revi'i La'matbe'a, Dan Geva, Israel, 2006, Beta, Cor, Doc, 80min)

30 de maio (sábado)

15h00 - PROGRAMA 7 – Um dia de Andrei Arsenevich (Une journée d’Andrei Arsenevich, Chris Marker, França, 1999, 16mm e vídeo>Beta, cor, Doc, 56min) + A felicidade (Schastye, Alexander Medevdkine, Rússia, 1934/1971, 35mm>Beta, PB, 70min)

17h15 - PROGRAMA 11 – Recordações de um porvir (Le souvenir d’un avenir, Yannick Bellon e Chris Marker, 2001, Vídeo>Beta, PB, 42min) + Viva a baleia (Vive la baleine, Chris Marker e Mario Ruspoli, 1972, 35mm, PB, Doc, 30min)

19h00 - PROGRAMA 2 – Junkopia - San Francisco (Chris Marker, França, 1981, 35mm, cor, Doc, 6min) + Sem sol (Sans Soleil, Chris Marker, França, 1982, 35mm, 100min)

31 de maio (domingo)

15h00 - PROGRAMA 10 – A sexta face do pentágono (La sixiéme face du pentagone, Chris Marker, França, 1967, 35mm>Beta, PB e cor, 28min) + A embaixada (L’ambassade, Chris Marker, França, 1974, Super 8>Beta, cor, Doc, 20min) + Balada berlinense (Berliner Ballade, Chirs Marker, França, 1990, vídeo Hi-8>Beta, cor, Doc, 29min)

17h00 - PROGRAMA 14 – Falamos de Praga: O segundo processo de Artur London (On vous parle de Prague: Le deuxième procès d’Artur London, Chris Marker, França, 1969, 16mm>Beta, PB, Doc, 30min) + Falamos do Brasil: Torturas (On vous parle du Brésil: Tortures, Chris Marker, França, 1969, 16mm>Beta, PB, Doc, 20min) + Falamos do Brasil: Carlos Marighela (On vous parle du Brésil: Carlos Marighela, Chris Marker, França, 1970, 16mm>Beta, PB, Doc, 17min) + Falamos de Paris: As palavras têm um sentido. Retrato de François Maspéro (On vous parle de Paris: Les mots ont un sens. Portrait of François Maspéro, Chris Marker, França, 1970, 16mm>Beta, PB, Doc, 20min) + Falamos do Chile: O que Allende dizia (On vous parle du Chili: Ce que disait Allende, Chris Marker, França, 1973, 16mm>Beta, PB, Doc, 15min)

19h00 - PROGRAMA 8 – As 20 horas nos campos (Les 20 heures dans les camps, Chris Marker, França, 1993, Vídeo Hi-8>Beta, cor, Doc, 28min) + Boina azul (Casque Bleu, Chris Marker, França, 1995, 27min, vídeo>Beta, cor, Doc, 27min) + Um prefeito em Kosovo (Un maire au Kosovo, 2000, Chris Marker, França, vídeo>Beta, cor, Doc, 27min)

2 de junho (terça-feira)

17h00 - PROGRAMA 5 – O túmulo de Alexandre (Le tombeau d’Alexandre, Chris Marker, França, 1993, Hi-8>Beta, PB e cor, Doc, 118min)

19h00 - PROGRAMA 3 – O fundo do ar é vermelho (Le fond de l’air est rouge, Chris Marker, França, 1977, 16mm/35mm>DVD, Doc, 180min)

3 de junho (quarta-feira)

15h00 - PROGRAMA 11 – Recordações de um porvir (Le souvenir d’un avenir, Yannick Bellon e Chris Marker, França, 2001, Vídeo>Beta, PB, 42min) + Viva a baleia (Vive la baleine, Chris Marker e Mario Ruspoli, França, 1972, 35mm, PB, Doc, 30min)

17h00 - PROGRAMA 15 – Descrição de uma memória (Tsa'ad Revi'i La'matbe'a, Dan Geva, Israel, 2006, Beta, Cor, Doc, 80min)

19h00 - PROGRAMA 4 – As estátuas também morrem (Les statues meurent aussi, Alain Resnais e Chris Marker, França, 1953, 35mm, PB, Doc, 30min) + Descrição de um combate (Description d’un combat, Chris Marker, França/Israel, 1960, 35mm>Beta, cor, Doc, 60min)

4 de junho (quinta-feira)

15h00 - PROGRAMA 5 – O túmulo de Alexandre (Le tombeau d’Alexandre, Chris Marker, França, 1993, Hi-8>Beta, PB e cor, Doc, 118min)

17h00 - PROGRAMA 13 – 2084. Centenário do Sindicalismo. Videoclipe para uma reflexão sindical e pelo prazer (2084. Centenaire du Syndicalisme. Video-Clip pour une reflexión syndicale et pour le plaisir, Chris Marker, França, 1984, 35mm>Beta, cor, Doc, 10min) + Até breve, espero (À bientôt, j’espère, Chris Marker e Mario Marret, França, 1968, 16mm>Beta, PB, Doc, 44min) + Já que dizemos que é possível (Puisqu’on vous dit que c’est possible, Filme coletivo, França, 1974, 16mm/35mm>Beta, cor, 43min)

19h00 - PROGRAMA 9 – E-CLIP-SE (Chris Marker, França, 1999, Beta, cor, Doc, 8min) + Slon-Tango (Chris Marker, França, 1993, Beta, cor, Doc, 4min) + Gato escutando a música (Chat écoutant la musique, 1985-90, vídeo>Beta, cor, Doc, 2min50s) + Chats perchés (Chris Marker, França, 2004, Beta, cor, Doc, 59min)

5 de junho (sexta-feira)

15h00 - PROGRAMA 14 – Falamos de Praga: O segundo processo de Artur London (On vous parle de Prague: Le deuxième procès d’Artur London, Chris Marker, França, 1969, 16mm>Beta, PB, Doc, 30min) + Falamos do Brasil: Torturas (On vous parle du Brésil: Tortures, Chris Marker, França, 1969, 16mm>Beta, PB, Doc, 20min) + Falamos do Brasil: Carlos Marighela (On vous parle du Brésil: Carlos Marighela, Chris Marker, França, 1970, 16mm>Beta, PB, Doc, 17min) + Falamos de Paris: As palavras têm um sentido. Retrato de François Maspéro (On vous parle de Paris: Les mots ont un sens. Portrait of François Maspéro, Chris Marker, França, 1970, 16mm>Beta, PB, Doc, 20min) + Falamos do Chile: O que Allende dizia (On vous parle du Chili: Ce que disait Allende, Chris Marker, França, 1973, 16mm>Beta, PB, Doc, 15min)

17h00 - PROGRAMA 7 – Um dia de Andrei Arsenevich (Une journée d’Andrei Arsenevich, Chris Marker, França, 1999, 16mm e vídeo>Beta, cor, Doc, 56min) + A felicidade (Schastye, Alexander Medevdkine, Rússia, 1934/1971, 35mm>Beta, PB, 70min)

19h15 - PROGRAMA 12 – Longe do Vietnã (Loin du Vietnam, Jean-Luc Godard, Joris Ivens, William Klein, Claude Lelouch, Chris Marker, Alain Resnais, Agnés Varda, Michele Ray, 1967, PB e cor, 35mm, 130min)


6 de junho (sábado)

16h00 - PROGRAMA 8 – As 20 horas nos campos (Les 20 heures dans les camps, Chris Marker, 1993, Vídeo Hi-8>Beta, cor, Doc, 28min) + Boina azul (Casque Bleu, Chris Marker, 1995, 27min, Beta, cor, Doc, 27min) + Um prefeito em Kosovo (Un maire au Kosovo, 2000, Chris Marker, vídeo>Beta, cor, Doc, 27min)

18h00 - PROGRAMA 1 – La jetée (Chris Marker, França, 1962, 35mm, PB, Fic, 28min) + A.K. Retrato de Akira Kurosawa (A.K Portrait d’Akira Kurosawa, Chris Marker, França, 1985, 35mm, cor, Doc, 75min)

20h00 - PROGRAMA 6 - Nível 5 (Level 5, Chris Marker, França, 1996, Betacam>35mm, cor, 106min)

7 de junho (domingo)

15h00 - PROGRAMA 2 – Junkopia - San Francisco (Chris Marker, França, 1981, 35mm, cor, Doc, 6min) + Sem sol (Sans Soleil, Chris Marker, França, 1982, 35mm, 100min)

17h00 - PROGRAMA 9 – E-CLIP-SE (Chris Marker, 1999, Beta, cor, Doc, 8min) + Slon-Tango (Chris Marker, 1993, Beta, cor, Doc, 4min) + Gato escutando a música (Chat écoutant la musique, 1985-90, vídeo>Beta, cor, Doc, 2min50s) + Chats perchés (Chris Marker, 2004, Beta, cor, Doc, 59min)

19h00 - PROGRAMA 10 – A sexta face do pentágono (La sixiéme face du pentagone, Chris Marker, 1967, 35mm>Beta, PB e cor, 28min) + A embaixada (L’ambassade, Chris Marker, 1974, Super 8>Beta, cor, Doc, 20min) + Balada berlinense (Berliner Ballade, Chirs Marker, 1990, vídeo Hi-8>Beta, cor, Doc, 29min)

sábado, maio 23, 2009

um curta de cronemberg!




Tem legenda em português. É só clicar no triangulozinho que fica na parte de baixo da tela e selecionar essa opção.

sexta-feira, maio 22, 2009

woddy


vicky cristina barcelona ***

Revi “Vicky Cristina Barcelona”. É um filme bem legal. Acho o melhor de Woody Allen em muito tempo. Ele vem traçando um caminho incerto por gêneros variados. E o que se vê é uma metamorfose bem discreta, um cineasta que vem arriscando se desvincular da imagem que seu cinema construiu. É um longa sobre as aparências, assim como “O sonho de Cassandra”, em que tudo já ficava estritamente na superfície das coisas. Mas se “Cassandra” sofria toda vez que Allen se dizia profundo, “Vicky Cristina” é subliteratura assumida. É um moderno romance de folhetim.

Quase tudo neste filme é clichê, estereótipo e ou aparência. A começar pela Barcelona idílica, digna de um cartão-postal. Os personagens não passam de máscaras, tipos de fácil identificação sob rótulos como o artista, o gênio imprevisível, o yuppie caxias e indiferente, a mulher inocente e inexperiente. É retórica tipicamente folhetinesca, em que se destaca um procedimento de adjetivação. A temática, por sua vez, contrapõe os personagens e o que eles representam, com desenvolvimentos capazes de revelar o patético de cada um deles e de refletir sobre o próprio percurso dessas criaturas no cumprimento de um destino cheio de emboscadas. E não esqueçam, é claro, do amor-paixão, que priva os personagens da razão e dá-lhes o motivo das ações em que se envolvem.

Há uma forte dose de pedagogia nesse filme. “Vicky Cristina Barcelona” é marcado pela participação - ou melhor: interferência mesmo - de um autor na matéria narrada; um narrador intervém comentando, esclarecendo, apelando, destacando certas coincidências, espantando-se e por vezes até julgando. É uma pedagogia que faz com que o factual predomine sobre o descritivo, desenvolvendo-se a ação pelo modelo dramático. O que interessa é o nível do factual, das ações diretas e simples. Os personagens "são" apenas quando postos diante de alguma situação.
ps 1: apesar de tanto amor, “Vicky Cristina” é um filme triste pra burro. Os personagens terminam o filme como começaram. Ninguém muda. Alguns ficam até piores do que estavam.

ps 2: Vicky vai para Barcelona para estudar o Catalão, não é? Mas na cidade para onde ela foi só se fala em espanhol... Muito estranho.

domingo, maio 17, 2009

max ophuls!

MAX OPHULS no Fórum de Cultura da UFRJ. A entrada é franca, sempre às 19h. Os filmes:

Segunda, 18 de maio
Carta de uma desconhecida (1948, em inglês com legendas em português).

Terça, 19 de maio
Conflitos de amor (La Ronde, 1950 - áudio em francês com legendas em inglês).

Quarta, 20 de maio
Desejos Proibidos (The Earrings of Madame de..., 1953 - áudio em francês com legendas em inglês).

Quinta, 21 de maio
Lola Montès (Lola Montès, 1955 - áudio em francês com legendas em inglês).

Sexta, 22 de maio
O Prazer (Le Plaisir, 1952 - falado em francês com legendas em inglês).

sexta-feira, maio 15, 2009

kaufman


sinédoque, nova york **

O filme começa como uma crônica familiar, acompanhando carinhosamente as idiossincrasias de seus personagens. Caden Cotard (Philip Seymour Hoffman), no entanto, entra em decadência criativa, existencial e física. O protagonista encontra todos os sinais de que sua vida vai se encaminhando para o final, sem que ele tenha conseguido fazer muito de importante dela. E assim, aos poucos, somos retirados do cotidiano banal dessa família. Charly Kaufman nos joga em um clima mais, digamos, “surrealista”. O espectador se vê preso a uma estrutura de labirintos. A cada seqüência, uma nova porta narrativa se abre. O ritmo interno do quadro se acelera. Elipses enormes tomam conta do filme. “Sinédoque, Nova York” começa a correr em direções tão inesperadas que o filme ameaça a desabar sob o peso da sua própria originalidade. Originalidade?

Talvez a palavra mais correta seja ambição. Pois o que se vê na tela é um monstro de camadas, cenas e desdobramentos que se repetem e se multiplicam na mais variadas representações. Cada seqüência, nos chega abarrotada de idéias sobre a vida, a arte - “é sobre tudo”, diz um personagem num certo momento. Os personagens e as locações vão se sucedendo de maneira impressionante. Caden contrata um ator para interpretá-lo. Cenas mais tarde, é o ator que precisa de um intérprete. Em nome de uma "verdade brutal", os sets ganham uma "quarta parede", e, antes que você perceba, haverá um estúdio no interior do estúdio. Caden se move sempre para fora, em espirais cada vez maiores, até ver sua própria identidade engolida. Não há limites para os espelhos de Kaufman. Eles parecem ainda mais importantes do que os dramas humanos apresentados.

segunda-feira, maio 11, 2009

beijo na boca não

beijo na boca não *****

Revi pela terceira vez "Beijo na boca não". Que filme grande! Dizem que parece teatro filmado. Mas como, se quando Azéma está na cozinha e ouve o nome Eric Thomson, ela passa mal, e cai em sua cama? Ah… as elipses de Resnais, o tom que nunca se perde, a mise en scène impecável, o elenco admirável. O filme se aproxima sim do teatro, mas nunca deixa de ser cinema. "Beijo na boca não" é uma ode ao amor e às confusões amorosas. A música proclama a tenacidade do desejo. Mas todos aqui querem um parceiro. Resnais nunca foi tão Lubitsch, procurando no artifício a verdade humana. Ele cria uma misteriosa distância entre nós e a ação, mas também leva-nos diretamente ao coração dos sentimentos. Os personagens são marionetes, embora as suas emoções sejam reais. O velhinho continua em grande forma.

segunda-feira, maio 04, 2009

animação


valsa com Bashir ***

Gostei bastante de “Valsa com Bashir”. Fazendo da narrativa uma espécie de cine-diário-animado, Ari Folman se concentra em torno do massacre de Sabra e Shatila, no Líbano, em 1982. Acompanhamos sua busca pessoal ao longo do filme. E essa missão, como bem diz um de seus primeiros entrevistados, se aproxima da ficção. A memória é feita de lacunas, construções imaginárias, projeções de sonhos e pesadelos. A animação se justifica. Ela é a representação direta do processo documental (as conversas e algumas reencenações incorporadas pelo discurso do filme) e das criações livres e poéticas evocadas pelos personagens (um belo exemplo é a cena da valsa em meio a um forte tiroteio que dá nome ao filme).

Através dessa abstração que é o desenho, Folman nos propõe uma interrogação sobre a memória e sobre as imagens que a preenchem, instâncias mediadoras entre nós e o mundo. Embora seu objetivo seja o de recuperar a concretude de fatos esquecidos, o cineasta não se contenta apenas com a observação ou a mera reencenação do real. Os desenhos funcionam então como uma espécie de interventores, para resgatar as subjetividades que se perderam no discurso oficial da guerra e tornar tudo um pouco mais “verdadeiro”. E assim, as falas são sempre problematizadas e as opções estéticas justificadas. Aos poucos, Folman constrói um estado de perplexidade e selvageria. A culpa mal resolvida do realizador não é apenas pessoal e intransferível, mas também um sintoma social. “Valsa com Bashir” nos deixa entrever um subtexto histórico e cultural do povo israelense, num ciclo violento e vicioso. Em respeito a Auschwitz, por onde passaram os pais de Folman, o amigo do cineasta afirma: “o massacre sempre esteve com você, desde dos seus seis anos de idade”.

O desfecho do filme, no entanto, guarda uma complicada surpresa: “Valsa com Bashir” parte para imagens jornalísticas do massacre. Esse movimento na direção dessas imagens que habitam nossa memória coletiva faz todo sentido. Mas o que se percebe, para além do aspecto catártico um tanto rasteiro, seja talvez uma estranha mudança de tom, marcada pelo depoimento mais, digamos, formal de um jornalista que cobriu a guerra. Ora, o próprio Folman já não havia admitido que uma câmera poderia tanto nos mostrar sofrimento como nos proteger dele? Além disso, porque essas imagens jornalísticas seriam mais “verdadeiras” dos que as animações que compõem o filme. No fim, Folman atira em seu próprio pé.

quarta-feira, abril 29, 2009

che

Na Cinética, texto sobre o primeiro "Che", do Steven Soderbergh.

tati!

Jacques Tati no CCBB!!!!!!!!!!
Programação
29 de abril (quarta-feira)
17h30 - Meu tio (110 min)
19h30 - Carrossel de esperança (79 min)
30 de abril (quinta-feira)
17h30 - As férias do Sr. Hulot (114 min)
19h30 - Tempo de diversão (124 min)
1º de maio (sexta-feira)
15h30 - Carrossel de Esperança (79 min)
17h30 - Traffic (97 min)
19h30 - Parade (85 min)
2 de maio (sábado)
15h30 - Meu tio (110 min)
17h30 - As férias do Sr. Hulot (114 min)
19h30 - Tempo de diversão (124 min)
3 de maio (domingo)
15h30 - Traffic (97 min)
17h30 - Parade (85 min)
19h30 - Sparring por um dia (Curta)- Escola de Carteiros (Curta)- Curso Noturno (Curta)

sexta-feira, abril 24, 2009

feliz e milionário


simplesmente feliz ***

Mais uma vez: Mike Leigh transmite peculiaridades de "ser inglês" com um enorme rigor – o que pra mim, que morei por lá, é muito legal. Avesso aos atalhos moralistas e psicologizantes, Leigh se mostra também extremamente atento aos modos distintos com que as pessoas se relacionam. O filme começa didático, em uma série de hipérboles sobre a personagem e sua visão de mundo: Poppy anda de bicicleta distribuindo sorrisos pelo transito londrino, ela rejeita um livro da vitrine, se sente confortável na seção infantil, e faz piada até quando lhe roubam a bicicleta. Não há dúvidas. Poppy decidiu ser feliz! E ponto final. Mas Simplesmente Feliz não é uma comédia leve e alegre. Muito pelo contrário. O que Mike Leigh nos provoca é um certo incômodo. O cineasta põe a alegria de sua protagonista em questão. Ora o filme a desafia, armando confrontos mais variados (do roubo da bicicleta ao caso de violência doméstica de um dos alunos da personagem), ora é própria Poppy quem provoca essas em situações em que seu estado de espírito é posto a prova (a relação com o professor da auto-escola). Simplesmente Feliz é um filme tenso. E Sally Hawkins é incrível. Ela contagia, mas não explica.

quem quer ser um milionário? °

Não queria dar trela para esse filme. Mas não agüentei. “Quem Quer Ser Um Milionário?” é uma afronta, uma tentativa equivocada de romance de formação e drama redentor. É uma aposta cínica em um “cinema globalizado”. Eu me senti francamente ofendido por esse filme. Logo de cara, assusta a falta de organicidade da estrutura narrativa. O filme se assume como um jogo de perguntas e respostas, e a montagem segue esquemática em um “pingue-pongue” absurdo e mirabolante – as questões são ilustradas por flashbacks que narram a história de Jamal. O que são esses personagens? E esses atores? Estão sempre tão irritantemente auto-conscientes de seus papeis e do que eles simbolizam... Jamal, o bem absoluto – os vilões diante dele são ainda mais vilões. Latika e o amor, que a tudo vence. E é claro: o dinheiro é um meio, mas nunca um fim.

Jamal viu a mãe ser morta a pauladas num conflito entre muçulmanos e hindus. Pessoas são queimadas vivas, em uma seqüência rápida como um piscar de olhos, desprovida de qualquer contextualização histórica ou religiosa. “Milionário” é um filme rasteiro como poucos. Tudo é tão incrivelmente superficial. O cinema de Boyle sempre foi uma espécie privilegiada de spot, exemplar de um certo ideal estético caro ao imaginário da propaganda. Mas dessa vez a ofensa é menos estética do que ética. A Índia é um esgoto a céu aberto. E as crianças indianas não pensam duas vezes antes de mergulharem na merda para conseguir um autógrafo. E tudo acaba em um musical (e em oscars). Dança alegre da miséria, exploração de uma cultura exótica e remixada para o gosto ocidental. Os Oscars ainda pioram a situação: agora “Milionários” vende a sensação edificante de que estaríamos vendo um mundo distante com olhos mais abertos e tolerantes.

terça-feira, abril 21, 2009

acervo da veja

A revista "VEJA" digitalizou todas suas edições de 1968 pra cá, inclusive edições especiais. É só clicar aqui.

hitchcock e truffaut

Imperdível! As firas originais da longa e famosa conversa entre Hitchcock e Truffaut! Baixe e ouça no seu computador, no mp3, no rádio do carro... Ouça!

quarta-feira, abril 15, 2009

marguerite duras

A Caixa Cultural do Rio começou a exibir a mostra “Marguerite Duras: Escrever Imagens”. É a mais completa mostra de filmes da escritora e diretora francesa já feita por estas bandas.
Programação
16/04 – quinta-feira – Cinema 1
15h00 – Seu nome de Veneza em Calcutá deserta (Son nom de Venise dansCalcutta désert, França, 1976, cor, 120 minutos)
17h00 – Agatha ou as leituras ilimitadas (Agatha ou les lecturesillimitées, França, 1981, 35 mm, cor, 90 minutos)
19h00 – Nathalie Granger (França, 1972, 35 mm, P&B, 83 minutos) ****
17/04 – sexta-feira – Cinema 1
15h00 – Cesárea (Césarée, França, 1979, 35 mm, cor, 11 minutos) +Aurélia Steiner (Melbourne) (França, 1979, 35 mm, cor, 35 minutos) + Ohomem atlântico (L'homme atlantique, França, 1981, 35 mm, cor, 42minutos)
17h00 – O navio Night (Le navire Night, França, 35mm, 1979, cor, 94 minutos)
19h00 – India Song (França, 1974, 35 mm, cor, 120 minutos) – sessãoapresentada pelo curador

18/04 – sábado – Cinema 1
15h00 – As crianças (Les enfants, co-dir. Jean Mascolo e Jean-MarcTurine, França, 1984, 35 mm, cor, 90 minutos)
17h00 – Hiroxima, meu amor (Hiroshima mon amour, dir. Alain Resnais,França/Japão, 1959, 35 mm, P&B, 90 minutos)
19h00 – O caminhão (Le camion, França, 1977, 35 mm, cor, 80 minutos) -sessão apresentada pelo curador

18/04 – sábado – Cinema 2 (exibições em DVD)
15h00 – Marguerite tal como ela é (Marguerite telle qu’en elle-même,dir. Dominique Auvray, França, 2001, vídeo, cor, 61 minutos) Legendasem espanhol
17h00 – Dias inteiros nas árvores (Des journées entières dans lesarbres, França, 1976, 35 mm, cor, 95 minutos)
19h00 – As mãos negativas (Les mains négatives, França, 1979, DVD,cor, 18 minutos) + Aurélia Steiner (Vancouver) (França, 1979, DVD,P&B, 48 minutos)

19/04 – domingo – Cinema 1
15h00 – A mulher do Ganges (La femme du Gange, França, 1972-73, 35 mm,cor, 90 minutos)17h00 – India Song (França, 1974, 35 mm, cor, 120 minutos)
19h30 – Seu nome de Veneza em Calcutá deserta (Son nom de Venise dansCalcutta désert, França, 1976, cor, 120 minutos) - sessão apresentadapelo curador
19/04 – domingo – Cinema 2 (exibições em DVD)
15h00 – As crianças (Les enfants, co-dir. Jean Mascolo e Jean-MarcTurine, França, 1984, 35 mm, cor, 90 minutos)
17h00 – Marguerite tal como ela é (Marguerite telle qu’en elle-même,dir. Dominique Auvray, França, 2001, vídeo, cor, 61 minutos) Legendasem espanhol
19h00 – Cesárea (Césarée, França, 1979, 35mm, cor, 11 minutos) +Aurélia Steiner (Melbourne) (França, 1979, 35mm, cor, 35 minutos)

21/04 – terça-feira – Cinema 1
15h00 – Amarelo, o sol (Jaune le soleil, França, 1971, 35 mm, P&B, 80 minutos)
17h00 – Cesárea (Césarée, França, 1979, 35 mm, cor, 11 minutos) +Aurélia Steiner (Melbourne) (França, 1979, 35 mm, cor, 35 minutos) + Ohomem atlântico (L'homme atlantique, França, 1981, 35 mm, cor, 42minutos)
19h00 – As mãos negativas (Les mains négatives, França, 1979, 35 mm,cor, 18 minutos) + Aurélia Steiner (Vancouver) (França, 1979, 35 mm,P&B, 48 minutos) - sessão apresentada pelo curador
22/04 – quarta-feira – Cinema 1
15h00 – Destruir, disse ela (Détruire, dit-elle, França, 1969, 35 mm,P&B, 90 minutos)
17h00 – Seu nome de Veneza em Calcutá deserta (Son nom de Venise dansCalcutta désert, França, 1976, cor, 120 minutos)
19h30 – As crianças (Les enfants, co-dir. Jean Mascolo e Jean-MarcTurine, França, 1984, cor, 90 minutos) - sessão apresentada pelocurador
23/04 – quinta-feira – Cinema 1
15h00 – Nathalie Granger (França, 1972, 35 mm, P&B, 83 minutos)
17h00 – Hiroxima, meu amor (Hiroshima, mon amour, dir. Alain Resnais,França/Japão, 1959, 35 mm, P&B, 90 minutos)
19h00 – Debate com Ismail Xavier e Stella Senra, mediação de Maurício Ayer

24/04 – sexta-feira – Cinema 1
15h00 – Agatha ou as leituras ilimitadas (Agatha ou les lecturesillimitées, França, 1981, 35 mm, cor, 90 minutos)
17h00 – Amarelo, o sol (Jaune le soleil, França, 1971, 35 mm, P&B, 80 minutos)
19h00 – O navio Night (Le Navire Night, França, 35mm, 1979, cor, 94 minutos)
25/04 – sábado – Cinema 1
15h00 – As mãos negativas (Les mains négatives, França, 1979, 35 mm,cor, 18 minutos) + Aurélia Steiner (Vancouver) (França, 1979, 35 mm,P&B, 48 minutos)
17h00 – A mulher do Ganges (La femme du Gange, França, 1972-73, 35mm,cor, 90 minutos)19h00 – O caminhão (Le camion, França, 1977, 35 mm, cor, 80 minutos)

26/04 – domingo – Cinema 1
15h00 – Hiroxima, meu amor (Hiroshima, mon amour, dir. Alain Resnais,França/Japão, 1959, 35 mm, P&B, 90 minutos)
17h00 – Agatha ou as leituras ilimitadas (Agatha ou les lecturesillimitées, França, 1981, 35 mm, cor, 90 minutos)
19h00 – India Song (França, 1974, 35 mm, cor, 120 minutos)

segunda-feira, abril 13, 2009

douglas sirk!

O Fórum de Cultura da UFRJ exibe filmes de Douglas Sirk, o mestre!
Programação
13.04 (segunda)
Sublime Obsessão (Magnificent Obsession, 1954, 108 min)
14.04 (terça)
Tudo o que o céu permite (All that Heaven Allows, 1955, 89 min)
15.04 (quarta)
Palavras ao vento (Written in the Wind, 1956, 99 min)

16.04 (quinta)
Imitação da vida (Imitation of Life, 1959, 125 min)
17.04 (sexta)
Almas torturadas (The Tarnished Angels, 1957, 91 min)

sexta-feira, abril 10, 2009

enfim... milk e lutador



o lutador ***

“O lutador” é Mickey Rourke. Seu corpo “suja” o filme e materializa as tensões de Randy. É como uma aparição, uma presença que preenche o plano. Darren Aronofsky, cineasta famoso por um estilo cheio de virtuoses (como “Réquiem para um Sonho” e “Fonte da Vida”), o filma com simpatia e "simplicidade". Uma simpatia e uma simplicidade que não são ingênuas. A câmera não deixa Rourke/Randy, mas não vê o mesmo que ele. É um personagem irremadiavelmente romântico, mas o filme é de uma tristeza acachapante - embora vez ou outra cisme em sublinhá-la ou nos explicá-la. Ademais, o longa usa muito bem o universo da luta livre, uma espécie de subproduto da industria cultural, teatralizado, porém verdadeiro. E os momentos de ringue (e seus bastidores) são muito legais. Ainda assim, Aronofsky é de uma encenação grosseira. A mão é pesada em todas as viradas e em muitos dos diálogos. Quando a história precisa seguir, o filme cai. E, nesses momentos, Randy/Rourke ficam presos nas mecânicas da dramaturgia. No fim das contas, o filme tem a cara de Randy/Rourke. Não chega a ser um ótimo filme, meio irregular, meio brusco, com algumas brechas, cenas mal encenadas, algumas sem começo, outras sem final...


milk **


Gus Van Sant tem uma trajetória curiosa. Embora seja possível identificar aqui e ali as marcas estéticas do cineasta, não deixa de ser estranho para alguém que vem de “Lost days” (2005) e “Paranoid Park” (2007) fazer esse “Milk”. Este último é uma elegia sensível e pessoal, porém “oficial”. É um filme “importante”, “correto”, “acessível”, porém “oficial”. O filme se desenrola como um fluxo de consciência, com Harvey gravando seu testemunho. O cineasta transita entre um cinema mais lacrimal e um outro da análise psicológica, expandindo o contato com o espectador sem nunca subestimá-lo - embora o filme seja por vezes irritantemente reiterativo (a coisa do menino desesperançado que liga para Harvey, a relação entre o assassinato do personagem e a encenação da ópera Tosca). Van Sant assume uma posição diretamente pessoal e dotada de um juízo de valor positivo em relação aos personagens, conquistando com carinho nossa adesão. Acho muito legal a proximidade que o Van Sant busca com os seus atores. Juntos, eles correm atrás do personagem. Os filmes de Van Sant sempre são o personagem. Não é diferente em “Milk”.

É curioso atentar para a quantidade de filmes (quase todos os indicados ao Oscar esse ano) que recorrem a certas mediações internas por meio das quais um personagem ou uma voz da consciência emitem testemunhos (que a narrativa não problematiza) e se tornam na maioria das vezes a própria voz do filme. Eles nos dizem como deveríamos ver, sentir, ouvir e entender todas as situações que o filme nos mostra.

terça-feira, abril 07, 2009

stan brakhage

Começa hoje na Caixa Cultural a mostra "Stan Brakhage - A aventura da percepção". Com a curadoria do crítico americano Fred Camper, a mostra reúne 28 filmes divididos em seis programas temáticos. Camper estará no Brasil e apresentará todos os filmes, incluindo o lendário "Dog Star Man". Não percam! Se podemos dizer que Maya Deren (sobre a qual estou escrendo algumas linhas) inventou o cinema experimental americano, foi Brakhage quem explorou todo o seu potencial. Para conferir a programação, clique aqui.

grande bill hader

segunda-feira, março 30, 2009

pedro costa no fórum da ufrj

O Fórum de Cultura da UFRJ exibe esta semana filmes do português Pedro Costa. As sessões começam sempre às 19h. A entrada é franca.

segunda, 30 de março
casa de lava (1994)

terça, 31 de março
no quarto de vanda (2000)

quarta, 1º de abril
juventude em marcha (2006)

quinta, 2° de abril
ossos (1997)
sexta, 3° de abril
onde jaz o teu sorriso? (2001)

terça-feira, março 24, 2009

burman e titãs


ninho vazio *

O que aconteceu com Daniel Burman? A pergunta não me sai da cabeça, desde os primeiros minutos de “Ninho vazio”. A trama está centrada em um casal de meia-idade à beira de uma crise matrimonial deflagrada pela saída dos filhos de casa – os jovens são figuras coadjuvantes ou ausentes. Em uma estrutura episódica, Bruman privilegia os atores e a palavra como condutora dos climas e da percepção do protagonista. Seu estilo elegante e descompromissado se faz presente e ainda tem a sua força. Quando se atem às pequenas poesias da convivência familiar, o filme funciona, embora o timimg cômico esteja completamente errado e tudo pareça sempre muito certinho em termos de mise-en-scène (todo o suposto caso extraconjugal) e/ou “super artístico” (o que são aquelas seqüências do elevador subindo e descendo?). No mais, Burman desfila uma enorme quantidade de clichês associados ao homem de meia-idade. “Ninho vazio” não parte deles para atingir algo original. Aqui o clichê está dado, se parte dele e se encaminha ao seu encontro. Mais o que mais me incomoda é a tentativa despropositada de confundir nossa percepção a partir de desconstruções paulatinas do que vemos e ouvimos. E no fim das contas, o filme ainda vomita um truque de roteirista fácil...

titãs - a vida até parece uma festa **

Gostei de “Titãs - A vida até parece uma festa”. O filme de Branco Mello e Oscar Rodrigues Alves começa em um ritmo siderado. Entre imagens capturadas pelo vocalista e co-diretor Branco Mello (que comprou uma câmera nos anos 80 e passou a registrar o dia-a-dia dos Titãs) e gravações de amigos tiradas do fundo do baú (como as de shows undergrounds, além de entrevistas e apresentações em diversos canais de TV), a montagem põe em paralelo os anos de 1982 e 2002, o VHS e a película, o projeto musical entre amigos e o fenômeno de público e mídia, o show em um bar mitzvah e o Rock In Rio 2. Tudo isso em questão de poucos cortes, e sem nenhum depoimento, narração ou qualquer informação mais, digamos, objetiva. Aos poucos, no entanto, “Titãs” perde grande parte de suas forças. O ritmo muda, assim como aquele entusiasmo inicial. O filme esgarça um pouco pela duração, e, ao fim, o que se vê é um extenso videoclipe. Ainda assim, “Titãs” mostra que, com um pouco de vontade, dá para tirar o documentário biográfico (incluindo aí os sobre bandas) da mesmice dominante.

Agora, é interessante observar: a saída do Nando Reis parece ter sido bem mais amarga do que a do Arnaldo Antunes. Outro ponto curioso: pela enorme quantidade de músicas que ouvimos durante o filme, “Titãs” nos confirma (talvez a contragosto e por linhas tortas) que os últimos dez anos da banda são mesmo muito aquém do que ela já foi capaz de criar, em estúdio e ao vivo.

terça-feira, março 10, 2009

dois

foi apenas um sonho *

O filme começa com uma desastrosa produção amadora de teatro. April (Kate Winslet) é a protagonista. A peça é um fracasso. E os Wheelers abraçam o fracasso, bebem nele, são por ele preenchidos. Num piscar de olhos, o que não passava de pequeno embaraço público, se transforma numa afirmação de seu mútuo desprezo e repugnância. Frank (Leonardo Di Caprio) e April acreditam serem melhores do que a banalidade exasperante em que caíram. Ele fantasia sobre o que chama de seu "próprio mérito excepcional", uma ilusão a qual eles se agarram, num movimento que registra uma certa neurose e uma espécie de sintoma de um mal social pra lá de vago.

Mendes transforma seus personagens em caricaturas histéricas e garante o “overdone” de cada cena. Para tanto, existe até o personagem porta-voz do roteiro: o louco John (Michael Shannon), sempre a nos explicar tudo o que nós já estávamos entendendo sobre o casal. E o é que aquele mar cinza de chapéus... Tudo aqui soa falso e impostado, teatralizado em excesso. Assim como em “Beleza Americana” (1999), “Foi apenas um sonho” parece por vezes reproduzir em suas estratégicas estéticas e dramáticas os mesmos métodos que busca denunciar na mediocridade de Frank e April.

Os personagens não têm muita simpatia por si. Eu tampouco. Talvez o grande problema seja o fato do envolvimento de Mendes ser meramente profissional. O cineasta mantém uma certa distância, uma frieza de quem traça um diagnóstico. E assim, o sentimento que seus personagens despertam é apenas pena. No mais, onde estão as questões para além de dois seres humanos egoístas que não foram honestos consigo próprios ou uns aos outros? Mendes não parece interessado na origem social ou histórica dos problemas vividos por Frank e April. Estamos em pleno anos 50. Mas para Mendes, isso não parece fazer nenhuma diferença. Será que em outros tempos, April e Frank (e muitos outros) teriam melhores condições para encontrar uma saída? A aproximação de Mendes é ahistórica, e seu filme, no fim das contas, dá sua bênção ao conformismo e à resignação.

dúvida *



“Dúvida” é um filme “sério” e "artístico", desses que empolam a Hollywood desses últimos anos – vide a triste safra do Oscar deste ano. O diretor e dramaturgo John Patrick Shanley surpreende pelos diálogos, pelas metáforas que seu texto suscita. Mas seus achados são sempre excessivamente sublinhados, reiterados, seja pela música, seja pela câmera, seja por suas previsíveis soluções visuais e dramáticas (as persianas se abrem como se acendesse uma luz de interrogatório, o toque insistente do telefone para elevar a carga de tensão, etc.). A impressão é a de que Shanley se esforçou para fazer de “Dúvida” mais do que uma simples adaptação de sua peça para o cinema. E assim, o filme segue pontuado por desastradas tentativas de desteatralizar tudo, com quadros na mais variadas angulações. Sofrem também as atuações. Sabemos que a atuação do ator cinematográfico exige a mediação de todo um mecanismo. E aqui ele cisma em prejudicar Meryl Streep, Philip Seymour Hoffman, Amy Adams e Viola Davis, cortado-os pra lá e pra cá.

De qualquer maneira, o que mais me incomoda é o fato da questão sobre o possível abuso sexual ser menos importante para Shanley do que o dilema da irmã Aloysius, da justeza de sua investigação e dos procedimentos de sua investigação. São tantas as vezes que a câmera vagueia até o céu, que o filme nos parece dizer que apenas o Todo-Poderoso poderia nos responder ao certo sobre a relação entre o Padre e o menino. Ora, ou o Padre abusou ou não. Shanley, no entanto, empurra um certo relativismo moral até o fim. Ele se recusa a satisfazer nosso desejo de saber o que realmente aconteceu. Tudo bem: é verdade que não podemos saber tudo com certeza. Mas uma Dúvida pode ser tão absoluta quanto uma Certeza. Ter certeza é sempre prejudicial? A dúvida é importante em todos os casos? O ceticismo mais radical não me parece ser receita para nada, exceto para se preservar o status quo. No fim das contas, não seria isso que vemos em “Dúvida”?

quinta-feira, março 05, 2009

mostras por todos os lados

Antes de voltar a postar textos por aqui, alguns avisos importantes! Mostras pipocam pela cidade. Olhem aí:
No MAM: clássicos do cinema japonês, Fernando Coni Campos e Stroheim com acompanhamento musical!

sex 06
18h30 Harakiri (1962), de Masaki Kobayahi

sab 07
16h A rotina tem seu encanto (1962), de Yasujiro Ozu
18h O segredo de uma esposa - Desejo profano (1964), de Shohei Imamura

dom 08
16h De onde se avistam as chaminés (1953), de Heinosuke Gosho
18h O idiota (1951), de Akira Kurosawa

sex 13
18h30 O império dos sentidos (1976), de Nagisha Oshima

sab 14
16h Esposas ingênuas (1922), de Erich von Stroheim. Sessão com acompanhamento de piano ao vivo por Cadu.
18h O portal do inferno (1953), de Teinosuki Kinugasa

dom 15
16h Vida de casado (1951), de Mikio Naruse
18h O Império da Paixão (1978), de Nagisa Oshima

sex 20
18h30 Contos da lua vaga (1953), de Kenji Mizoguchi

sab 21
16h Época de garoto (1990), de Masahiro Shinoda
18h Era uma vez em Tóquio (1953), de Yasugiro Ozu

dom 22
16h Não lamento a minha juventude (1946), de Akira Kirosawa
18h Sonatine (1993), de Takeshi Kitano

qui 26
18h30 O Mágico e o delegado (1983), de Fernando Coni Campos

sex 27
18h30 Os amantes crucificados (1954), de Kenji Mizoguchi

sab 28
16h Filho único (1936), de Yasujiro Ozu
18h Oharu (1952), de Kenji Mizoguchi

dom 29
16h A Mulher de Areia (1964), de Hiroshi Teshigahara
18h Dersu Uzala (1975), de Akira Kurosawa

Na Caixa Cultural: uma pequena mostra com trabalhos da grande Maya Deren!

Os filmes exibidos:

Meshes of the afternoon (1944)
At Land (1944)
A study in choreography for camera (1945)
Ritual in transfigured time (1945-1946)
Meditation on violence (1948)
The very eye of the night (1952-59)

Horário das sessões: 14h, 15h30, 17h, 18h30 e 20h (cada uma com todos os 05 curtas da mostra). Sessões especiais no dia 13, sexta: 18h30 - Sessão com música ao vivo – DJ Hisato

Por fim, no CCBB: Chantal Akerman!

10 de março – terça-feira
19h30 - Do leste

11 de março – quarta-feira
17h30 - Do outro lado
19h30 - Histórias da América: Comida, Família e Filosofia

12 de março – quinta-feira
15h30 - Do leste
17h30 - Retrato de uma garota do fim dos anos 60 em Bruxelas
19h30 - Carta de uma cineasta: Chantal Akerman + O homem da mala

13 de março – sexta-feira
15h30 - Lá
17h30 - Histórias da América: Comida, Família e Filosofia
19h30 - A prisioneira

14 de março – sábado
17h30 - Chantal Akerman por Chantal Akerman
19h30 - UMA CONVERSA COM CHANTAL AKERMAN

15 de março – domingo
15h30 - Carta de uma cineasta: Chantal Akerman + O homem da mala
17h30 - Lá
19h30 - A prisioneira

17 de março - terça-feira
17h30 Toda uma noite
19h30 Chantal Akerman por Chantal Akerman

18 de março – quarta-feira
16h - Jeanne Dielman, 23 Quai du Commerce, 1080 Bruxelles
19h30 - PALESTRA: RITOS DO DIA-A-DIA por Ivone Margulies

19 de março – quinta-feira
17h30 - Tenho fome, tenho frio + Os anos 80
19h30 - Golden Eighties

20 de março – sexta-feira
17h30 - Noite e Dia
19h30 - Toda uma noite

21 de março – sábado
16h - Hotel Monterey
17h30 - Jeanne Dielman, 23 Quai du Commerce, 1080 Bruxelles

22 de março – domingo
15h30 - Os anos 80
17h30 - Golden Eighties
19h30 - Noite e dia

24 de março – terça-feira
15h30 - Notícias de casa
17h30 - Do outro lado
19h30 - PALESTRA: Chantal Akerman e o documentário por César Guimarães

25 de março – quarta-feira
15h30 - Hotel Monterey
17h30 - Exploda minha cidade + Eu Tu Ele Ela
19h30 - Os encontros de Ana

26 de março – quinta-feira
15h30 - Os encontros de Ana
17h30 - Notícias de casa
19h30 - Exploda minha cidade + Eu Tu Ele Ela

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

de volta

de volta! e com algumas indicações!

novo blogue do Milton do Prado!

uma ótima entrevista em português com o crítico australiano Adrien Martin!

uma conversa incrível entre Christopher Walken e Mickey Rourke, com direito a comentários sobre Michael Cimino!

conheçam o site Order of the Exile, uma página com textos e entrevistas (traduzidas para o inglês) de e sobre Jacques Rivette!

sábado, dezembro 27, 2008

murnau


"A Última Gargalhada" (1924) talvez seja um dos meus filmes preferidos. Tive a oportunidade de revê-lo no CCBB, pouco tempo atrás. Grande Murnau! Grande "A Última Gargalhada". A forma bem acabada de uma certa concepção de cinema: aquela em que se privilegia o que um cineasta é capaz de dizer com movimentos de câmera e de corpos, com luzes e sombras, com enquadramentos, composições e ritmo.

Na Cinética, um texto meu sobre o filme.

terça-feira, dezembro 23, 2008

deneuve!

CATHERINE DENEUVE - Isto vai ser sério?

PERGUNTA - É para a "Film Comment". É um pouco como uma "Cahiers du Cinéma" dos EUA.

DENEUVE - Eu não leio a "Cahiers"; compro, mas não leio. Essas revistas são na realidade para pessoas que refletem sobre o cinema, que pensam o cinema. Não são feitas para pessoas como eu. Na verdade, não leio muito sobre filmes.

PERGUNTA - Leio os "Cahiers" desde os 16 anos.

DENEUVE - Para mim há duas coisas: ação e reflexão. E constato que sou mais uma pessoa de ação. Sou uma leitora lenta, então prefiro passar esse tempo assistindo a um filme.

PERGUNTA - A sra. nunca foi à Cinémathèque?
DENEUVE - Às vezes. Esperei ter um namorado cinéfilo para começar a ir ao cinema. Eu não ia por conta própria.

PERGUNTA - Então a sra. não era cinéfila na época em que fez seus primeiros filmes?
DENEUVE - Sim, era, já tinha assistido a muitos filmes. Era muito jovem quando tive um namorado, comecei a ver filmes interessantes aos 15 anos, mais ou menos na época em que fiz "Les Portes Claquent" [As Portas Batem, 1960, de Michel Fermaud e Jacques Poitrenaud]. Ver "Ivã, o Terrível" [de Eisenstein] exerceu um efeito tremendo sobre mim.

PERGUNTA - Quem a sra. curtia mais: atores ou diretores?
DENEUVE - É estranho, mas os atores nunca me fascinaram muito, com exceção de Marilyn Monroe. Para mim, sempre foi o filme em primeiro lugar. Sempre me senti um pouco à margem, até conhecer Jacques Demy. Foi então que me dei conta de que o cinema poderia ser outra coisa, quando comecei a ter um relacionamento (profissional) com alguém que realmente me queria, para esse filme em particular.

PERGUNTA - Foi apenas após fazer "Os Guarda-Chuvas do Amor" [1964, de Jacques Demy] que o cinema virou sua paixão?
DENEUVE - Sim. O fato de o filme ser musical contou muito. Fizemos com muito poucos recursos, acho que isso o beneficiou, pois tínhamos que ser muito criativos. Estava presente em todas as gravações.

PERGUNTA - Além do trabalho de atriz, a sra. estava muito presente durante o trabalho de direção.
DENEUVE - Com certeza, porque a preparação realmente era responsável por metade do filme. Jacques era muito exigente, mas também muito tímido, e gostava de rir. Eu me reconheci completamente em sua maneira de trabalhar. Para mim, alguma coisa mudou definitivamente quando trabalhei com ele. Alguma coisa profunda aconteceu em torno do relacionamento que podemos ter com um filme.

PERGUNTA - Quando considero todos os seus filmes, vejo uma qualidade singular que não enxergo em outros atores. O que vejo é a marca de uma autora. Além da excelência de sua atuação, o que seus filmes parecem compartilhar é seu olhar.
DENEUVE - Sim, você tem razão, é isso o que é: um olhar. Acho que sempre tendi a isso. Talvez por nunca ter feito escola de atuação e nunca ter trabalhado com atores. Só os encontrava nos sets de filmagem -nunca tive realmente amigos atores, com a exceção de minha irmã.

PERGUNTA - A sra. falou antes de sua paixão por Marilyn. Mais tarde, a sra. tingiu seu cabelo de loiro, e esse gesto me fascinou.
DENEUVE- Foi um gesto de amor.

PERGUNTA - Existe uma ambigüidade nele. Foi uma rebelião ao estilo de Monroe, um sonho ao estilo de Demy ou classicismo hitchcockiano? É como a pergunta que um jovem cineasta se poderia fazer: para que serve o cinema?
DENEUVE - O cinema me ajudou a amadurecer, isso é certo. Eu realmente era ignorante em muitas coisas. É difícil imaginar como o fato de fazer parte de uma família grande muda seu relacionamento com o mundo de fora. Pois uma família grande é ao mesmo tempo muito protetora e muito fechada. Foi quando me dei conta de que eu tinha o anseio de partir. Achei isso um pouco preocupante, então saí de casa ainda bastante jovem.

PERGUNTA - A experiência de fazer "Repulsa ao Sexo" [1965] em Londres com Roman Polanski durante a revolução pop exerceu um efeito mais forte sobre a sra. que a guerra dos modernos, na França?
DENEUVE - É engraçado, porque nós três éramos franceses: Roman, que, apesar de ser polonês, falava francês o tempo todo, Gérard Brach e eu. Éramos realmente os três mosqueteiros. Todas as outras pessoas no set eram britânicas. Roman sabia exatamente como fazer para ser respeitado pela equipe; não era de se deixar dominar. Mas, pelo fato de falarmos francês, vivemos a experiência de fazer aquele filme um pouco pelo lado de fora, num ambiente singular. Éramos um núcleo no interior da equipe.

PERGUNTA - Como o filme que a sra. fez com Demy, "Repulsa ao Sexo" exige uma proximidade entre o diretor e a atriz.
DENEUVE - Sim, eu me sentia muito próxima de Roman. Aquele é o filme que sinto que ajudei a fazer, pois os produtores estavam acostumados a produzir pornôs. Era um filme de orçamento baixo e, para eles, sem grande importância...

PERGUNTA - Outra atriz teria aceito os papéis por serem escandalosos...
DENEUVE - Não, não. Para mim, de jeito nenhum.

PERGUNTA - Mas o que me chama a atenção em sua performance é que a sra. aceita o papel porque acha que talvez não seja tão escandaloso assim, afinal. Ou que o escândalo é inerente à vida.
DENEUVE - Sim, isso é absolutamente verdade. Pareceu interessante e normal. Recordo-me de ter encontrado um jornalista em Los Angeles quando saiu "Os Ladrões" [1996], de André Téchiné, que me disse: "Você não sabe como vocês têm sorte, vocês atrizes da Europa". "Uma atriz americana jamais aceitaria representar uma lésbica num filme, após uma certa idade e em determinado ponto de sua vida ou carreira. É arriscado demais." Admito que sempre ziguezagueei. Você sabe, realmente depende de que filmes lhe são oferecidos. Talvez as pessoas aceitem mais minhas escolhas, enquanto, no caso de outra pessoa, diriam: "Que estranho ela ter feito aquilo". A porta que se abriu para mim após "A Bela da Tarde" [1967] foi tão grande que muitas coisas puderam passar por ela. É um filme que ficou maior com o tempo. Saiu-se bem quando foi lançado, mas apenas mais tarde se tornou mítico, quase um filme cult. E aquela personagem virou, até certo ponto um símbolo, uma heroína estranha. E, porque eu a representei, as pessoas supunham coisas a meu respeito.

PERGUNTA - Confesso que prefiro "Tristana" [1970].
DENEUVE- Eu definitivamente prefiro "Tristana" a "A Bela da Tarde"!

PERGUNTA - Sua performance como Tristana é estupenda. Os saltos que a personagem faz, da dor à inocência, da alegria ao desespero. E, então, a amargura...
DENEUVE - Sim, a experiência de fazer aquele filme foi única. E é raro representar um personagem que passa por tantos estados emocionais.

PERGUNTA - No diário que escreveu no set de "Tristana", a sra. registrou que as primeiras cenas que rodou foram as cenas de sua amargura, ambientadas no hall. A sra. escolheu seu próprio figurino e fez sua própria maquiagem. Enquanto Buñuel está em outro lugar, rodando outra cena, a sra. se confere um rosto fantasmagórico...
DENEUVE - Eu tinha mencionado a Buñuel a rainha malévola de "Branca de Neve". Com Buñuel, a experiência foi única, porque ele era muito modesto e gostava de fazer piadas sobre as coisas. Truffaut era igual. Quando filmávamos, nunca falava comigo de modo direto.

PERGUNTA - A sra. menciona que durante a filmagem da cena da sacada, Buñuel disse: "Nada de psicologia". Essa cena fez história! Por causa dela, Hitchcock escreveu uma carta a Buñuel lhe falando de sua admiração e dizendo que tinha inveja dessa tomada. Uma cena tão escabrosa, tão chocante não pode ser explicada com a psicologia.
DENEUVE - Às vezes você tem que aceitar que a imagem é mais poderosa que você, que as intenções do diretor são mais fortes que você. Por isso a performance exigia ser extremamente permeável, aberta, sem nenhum pensamento por trás. Quando me disse: "Você sorri", a idéia era ficar tão impávida quanto possível enquanto sorria e me abster de colocar uma intenção atrás do sorriso. Já havia intenção suficiente ali, para começar! Ao mesmo tempo, Buñuel era extremamente modesto. Mesmo com os atores, parecia... Era evidente que aquela não era sua etapa favorita do processo de criação cinematográfica. Era algo pelo qual ele era obrigado a passar: para que o filme exista, é preciso que os atores representem papéis. Mas o que dizia era mínimo. Era mais o que dizia fora do filme ou o que estava escrito. Mas era realmente preciso tentar imaginar ou adivinhar o que ele teria a dizer. Era muito grosseiro em sua maneira de falar. Na verdade, isso me fazia rir.

PERGUNTA - A sra. já trabalhou com vários diretores muito mais velhos: Buñuel, Melville, Manoel de Oliveira. Mas, olhando sua carreira, nunca tive a impressão de que fossem relacionamentos filiais, e sim que poderiam ser mais bem caracterizados como fraternos.
DENEUVE - Acho que isso se deve a meu lado masculino.

PERGUNTA - Também estou pensando em "Dançando no Escuro" [2000, de Lars von Trier]. Sua personagem está num canto do teatro, de mau humor, e a sra. diz "não quero fazer papel de cachorro". Mas começa a latir, mesmo assim. A sra. está de mau humor, mas faz assim mesmo. Não se trata de submissão, mas de diálogo.
DENEUVE - Seria difícil explicar exatamente o que aconteceu naquele momento. Porque, na realidade, eu não deveria latir. É verdade que eu lembrei que tinha feito a mesma coisa em "Liza". Sou eu quem late quando gravamos o som. Fiz o papel de cachorro. Eu tinha dito ao [diretor, Marco] Ferreri: "Como estou representando a cadela, também farei o cão!" E assim eu tinha gravado o cachorro latindo, também. Por sinal, eu estava grávida de Chiara quando fiz esse filme. Não sei o que aconteceu com Von Trier. Alguma coisa, um pouco de desfaçatez... E não sou muito descarada. Acho que é preciso ter muita confiança para ser capaz de fazer isso. Você precisa ser capaz de pensar: "Sei subconscientemente que, se não funcionar, ele não vai incluir no filme". O que me assusta mais quando estou com um diretor e a sensação não é boa é quando penso: "Ele não tem ponto de vista, não sabe exatamente o que está fazendo, não será capaz de julgar". Quando é assim, não posso me dar por inteiro, porque não haverá ninguém para me segurar. Para mim, isso é o pior: não confiar, sentir desconfiança. Eu me contenho, quando, na realidade, quero me entregar quando estou filmando. Mas é verdade que, para me entregar, preciso sentir muita confiança. E isso não tem nada a ver com idade ou experiência. Tem a ver com intuição.

PERGUNTA - Emmanuelle Devos me disse certa vez que as pessoas freqüentemente perguntam: como a sra. inventa um personagem? Quando, é claro, há toda uma preparação prévia.
DENEUVE - Não para mim.

PERGUNTA - Mas no final, o que fica, o que o público vai ver, são os 5% que restam. Esses 5% são o que acontece durante a tomada. E o tempo de uma tomada é absoluto.
DENEUVE - Não há dúvida de que algumas coisas começam a acontecer antes: algumas são subconscientes, outras são conscientes. Em meu caso, acontece em relâmpagos. Sou incapaz de trabalhar sozinha, sem um diretor, sem alguém para me conduzir. Mas isso não condiz em nada com minha idéia daquilo que deve ser um personagem de filme. Preciso absorver o que vai acontecer no set naquele dia, a locação, a luz... Preciso saber o que acontece antes na história. Para mim, isso é o mais importante: me relacionar com o personagem, em relação a onde estamos no filme. Talvez isso tenha a ver com o fato de que nunca fiz papéis de personagens típicos. Mesmo com "Tristana", que exigia um pouco de trabalho desse tipo. Mas Buñuel e eu conversávamos fora do set, jantávamos juntos. O mesmo acontecia com Téchiné. A gente se encontra, mas sempre termina falando de outra coisa. E, mesmo que tenhamos acabado falando de outro assunto, algo de útil terá resultado disso. As questões estão muito presentes em nossas cabeças. Mas nunca é simples e direto.

PERGUNTA - Quando vejo a sra. atuar, sinto que nos está contando alguma coisa. E essa alguma coisa me comove. Em seus diários dos filmes, uma vez, quando se irritou ao trabalhar com Stuart Rosenberg ["Um Dia em Duas Vidas", 1969], a sra. escreveu: "Sua câmera sugestiva me aborrece".
DENEUVE - Stuart era adorável, mas era muito passivo. Não era nem sequer devagar. Eu gostava dele. Mas a passividade cria um ambiente pesado. Eu estava sofrendo um pouco. Ao mesmo tempo, eu adorava Jack Lemmon, que era um ator leve, maravilhoso. Mas estava passando por um momento difícil em sua vida...

PERGUNTA - A continuidade me assusta. Adoro os cortes abruptos do cinema mudo.
DENEUVE - O cinema mudo é uma outra coisa. É engraçado porque dei uma entrevista, não faz muito tempo, em que disse que adoraria fazer um filme mudo. Mas teria que ser moderno. Um filme curto, moderno, mudo. Acho que eu realmente gostaria desse exercício.

PERGUNTA - A sra. mencionou antes o sonambulismo. Encontrei uma frase que Truffaut disse a seu respeito: "Catherine é uma "atriz desacelerada", é um pouco lenta".
DENEUVE - Verdade?

PERGUNTA - "As atrizes que atingem um status mítico são um pouco mais lentas que as outras." Isso me lembrou as palavras que a sra. empregou: transe e sonambulismo.
DENEUVE - Sim, talvez. É verdade. Mas é espantoso, mesmo assim. O que é irritante é quando você tem que representar algo anódino. Às vezes assisto a filmes de ação e penso: "Meu Deus, eles devem ter se entediado tanto! Quantas vezes tiveram que repetir aquilo?". Acho terrível. Você tem que fazer isso, ver aquilo, então tem que entrar num carro...

PERGUNTA - Sim, mas o carro, os olhares, o tédio... Isso é exatamente James Stewart em "Um Corpo que Cai"! A sra. conheceu Hitchcock, tinha um projeto com ele...
DENEUVE - Sim, eu deveria fazer um filme com Hitchcock. Era ambientado no norte também, como "Cortina Rasgada". Seria uma história de espionagem. Na época, ainda não passava de uma sinopse. Almocei com ele em Paris, e ele morreria alguns meses mais tarde. Teria adorado trabalhar com ele.

PERGUNTA - Ele filma aquelas coisas mundanas, mas mesmo assim se sente a tensão. Com ele, o ator tem plena consciência de que está sendo filmado, como num filme de Manoel de Oliveira!
DENEUVE - Sim, mas nesses filmes é muito engraçado. Truffaut também tinha isso, de tempos em tempos. Aquele jeito inteligente e astuto de saber que certas coisas precisam ser filmadas de certa maneira. Aprendera isso com Hitchcock, observando-o e fazendo aquele livro ["Hitchcock/ Truffaut", Cia. das Letras]. Um modo inimitável de filmar. François falava livremente sobre o que fazia e como filmava as coisas. Cara a cara: tinha que ser uma conversa reservada, nunca um debate público.

PERGUNTA - Qual é seu filme favorito de Godard, entre os recentes?
DENEUVE - Não, não entre os recentes. Quando ouço as palavras de seus filmes recentes, acho que são absolutamente maravilhosas, fico incrivelmente comovida. Mas, quando assisto aos filmes, não consigo me identificar realmente com eles. De seus filmes, diria provavelmente "O Demônio das Onze Horas". Mas não conheço suficientemente seus filmes.

PERGUNTA - Um filme favorito de Scorsese?
DENEUVE - Ahnn... Não, não "A Época da Inocência". "Cassino" é realmente brilhante. Ah, sim, já sei: "Touro Indomável".

PERGUNTA - Obviamente, porque a sra. é mulher e adora identificar-se com Jake LaMotta.
DENEUVE - É sobretudo por causa de Robert de Niro. Assistir a um ator tornar-se aquilo para um filme, vê-lo conseguir ser filmado desse jeito por seu diretor... A única coisa que me irrita um pouco nos filmes de Scorsese são as mulheres. Acho que são um pouco pisoteadas.

PERGUNTA - Que atores americanos mais a fascinaram?
DENEUVE - Sempre os achei muito assexuados. Muito sexy e muito assexuados. James Dean, sim, eu o achava muito comovente, diferente, surpreendente. Eles vieram mais tarde para mim: Al Pacino, De Niro. Esses dois em especial. Mas há muitos outros atores americanos que amo. Francamente, acho muito mais fácil pensar nos nomes dos atores americanos que nos dos europeus. Com a exceção dos britânicos -adoro os atores britânicos.

PERGUNTA - É mesmo? Quem?
DENEUVE - Estão todos mortos: Lawrence Harvey, Tom Courtenay, Peter Finch... e Albert Finney, que hoje me lembra tanto o pai de Chiara, fisicamente. É fantástico o quanto me lembra Mastroianni.

PERGUNTA - A sra. disse algo sobre Mastroianni, certa vez, que adoro. Disse que no cinema, diferentemente do teatro, não há homens e mulheres, apenas meninos e meninas.
DENEUVE - Bem, é verdade!

PERGUNTA - Concluo com Truffaut: "Se a humanidade se divide entre exibicionistas e voyeurs, Catherine é voyeur, logo está mais próxima da vida." Acho isso perfeito.

quarta-feira, dezembro 10, 2008

dois brazucas


pan-cinema permanente ****

“Vida é sonho”, não se cansa de repetir Waly Salomão em “Pan-Cinema Permanente”. A graça do mundo estaria na mentira, nas ilusões. Trata-se de um protagonista avesso à transparência. Waly nunca se despe para a câmera. Muito pelo contrário: ele se constrói pra ela. Mas como fazer um filme sobre alguém que acreditava que tudo era ficção? Através da cumplicidade, nos diz o belo “Pan-Cinema Permanente”. Assumindo essa opacidade de seu sujeito/objeto, Carlos Nader empreende uma narrativa fragmentada, recheada de momentos de reflexidade, e faz de seu filme um acúmulo de solos performáticos - é sintomático o fato do documentário perder um pouco de sua força toda vez que tenta mostrar objetivamente aspectos da obra e da vida do personagem (como as circunstâncias de sua morte).

Em uma dada seqüência, Nader nos confessa o desejo pelo registro de um instante de distração de Waly. Da Amazônia a Síria, o cineasta busca um momento sem máscaras. E ele consegue, em uma pequena cena encadeada discretamente, sem alarde. Em Paris, Waly sentado, calmo, quieto fala da acidez de uma comida da noite anterior. A acidez de uma comida. É apenas isso. E aqui se dá a grande moral dessa história. Não importa se Waly mente, se posa, se fabrica personagens para a câmera: esta mentira, esta pose e este personagem dirão mais sobre quem ele é do que qualquer mímica da sinceridade.

Para Waly, toda pessoa é uma criatura de imaginação e de fantasia, e a câmera de Nader se transforma em um catalisador dessa imaginação e dessa fantasia. Vale ressaltar a sensibilidade da direção e da montagem de Nader (a segunda realizada em parceria com Gustavo Gordilho), que não se esgotam em associações de causa e efeito, mas atestam que a instabilidade original de Waly faz com que não possamos compreender o comportamento de sua trajetória, somente algumas de suas possibilidades. Este é um longa extremamente cauteloso em suas conclusões, que não abre mão de conhecer, mas admite uma série de lacunas.

feliz natal ***

Gostei de “Feliz Natal”. O filme de Selton Mello transborda logo de saída o desejo por um universo essencialmente cinematográfico, beirando sempre a hiperatividade de seus elementos artísticos, como bem identificou o Eduardo Valente lá na Cinética. A atuações dos atores, a fotografia granulada de Lula Carvalho, a trilha sonora onipresente de Plínio Profeta... são todos elementos chaves para se processar os dramas em cena. A festa que dá nome ao filme é registrada com uma câmera nervosa, em uma aproximação quase abusiva dos personagens e seus corpos. A montagem seca de Selton e Marília Moraes rarefaz seus cortes e, no encadeamento das situações, nos sinaliza um estado avançado de decomposição. Essa é a proposta de Selton: exibir o comportamento humano em desarmonia, em uma descrição hiperativa e ao mesmo tempo sutil/movediça em seus conflitos.

A opção mais evidente de Selton é a entrega do filme aos atores. “Feliz Natal” é cinema de ator. E cada um deles tem seu momento, das crianças aos personagens secundários. Nestes instantes, o filme pára. O espectador encara Lúcio Mauro, Cláudio Mendes, Paulo Guarnieri, e, especialmente, Darlene Glória. Ela é a Gena Rowlands (atriz e mulher de John Cassavetes) de Selton, como ele mesmo diz. Em uma atuação de tirar o fôlego, uma personagem que perturba um sistema vivo ontologicamente, como pura expressão de si mesma.

O inferno são os outros, parece nos dizer “Feliz Natal”. Muito do drama descrito ali nasce das relações e jogos de poder e violência que se estabelecem entre os personagens. Ainda que resvale aqui e ali em um certo determinismo, Selton narra com muito vigor a história de uma família em decomposição, de indivíduos jogados num mundo cruel, "crudelizado" por eles mesmos. Caio talvez seja a única exceção. Talvez. Ele sai de casa e vislumbramos uma possibilidade de esperança. Um vislumbre, apenas.

quinta-feira, dezembro 04, 2008

os anos 40

A Liga dos Blogues Cinematográficos esta realizando um ranking dos 20 melhores filmes da década de 40 segundo seus integrantes. Abaixo, segue a lista que enviei à liga. Devo dizer que não sei bem se ainda concordo com ela...

Cidadão Kane (1941), de Orson Welles
Ladrões de Bicicleta (1948), de Vittorio de Sica
Paixão dos Fortes (1946), John Ford
O boulevard do crime (1944), de Marcel Carné
Contrastes Humanos (1941), de Preston Sturges
A Loja da Esquina (1940), de Ernst Lubitsch
À beira do abismo (1946), de Howard Hawks
Detour (1946), de Edgar G. Ulmer
Sangue de Pantera (1942), de Jacques Tourneur
Scarlet Street (1945), de Fritz Lang
Odd Man Out (1947), de Carol Reed
O Grande Ditador (1940), de Charles Chaplin
Amarga esperança (1948), Nicholas Ray
Listen to Britain (1942), de Humphrey Jennings
Pacto de sangue (1944), de Billy Wilder
Lousiana Story (1948), de Robert Flaherty
O Tesouro de Sierra Madre (1948), de John Huston
Ivan o Terrivel, Partes 1 e 2 (1944-46), de Sergei Eisenstein
Casablanca (1942), de Michael Curtiz
Sob o Signo de Capricórnio (1949), de Alfred Hitchcock

Para fazê-la, acabei montando uma lista enorme de possíveis filmes. Em itálico, os que eu ainda não vi (mas que, pelo realizador, pelo que li, e pelo que ouvi dizer, merece seu lugar na lista). Quem quiser reclamar, sugerir, recomendar, comentar...

1940
Natal em Julho, de Preston Sturges
Correspondente Estrangeiro, de Alfred Hitchcock
As Vinhas da Ira, de John Ford
O Grande Ditador, de Charles Chaplin
A Longa Viagem de Casa, de John Ford
Pinóquio, de Ben Sharpsteen e Hamilton Luske
Rebecca, de Alfred Hitchcock
A Loja da Esquina, de Ernst Lubitsch
O Ladrão de Bagda, de Ludwig Berger, Michael Powell e Tim Whelan
Jejum de Amor, de Howard Hawks
Núpcias de escândalo, de George Cukor
De Mayerling à Serajevo, de Max Ophuls

1941
O homem que vendeu sua alma, de William Dieterle
Os irmãos da família Toda, de Yasujiro Ozu
Cidadão Kane, de Orson Welles
Dumbo, de Ben Sharpsteen
O Falcão Maltês, de John Huston
O Homem que Quis Matar Hitler, de Fritz Lang
Uma loura com açúcar, de Raoul Walsh
Suspeita, de Alfred Hitchcock
As três noites de Eva, de Preston Sturges
Contrastes Humanos, de Preston Sturges
O Sargento York, de Howard Hawks
Meu adorável vagabundo, de Frank Capra
Como era verde o meu vale, de John Ford
O último refúgio, de Raoul Walsh

1942
Sangue de Pantera, de Jacques Tourneur
Os 47 Ronin, de Kenji Mizoguchi
Soberba, de Orson Welles
Mulher de verdade, de Preston Sturges
Os Visitantes da Noite, de Marcel Carne
Ser ou não ser, de Ernst Lubitsch
Casablanca, de Michael Curtiz
Listen to Britain, de Humphrey Jennings
Bambi, de David Hand
Aniki-Bobó, de Manoel de Oliveira
A Mulher do Dia, de George Stevens

1943
La ciel est a vous, de Jean Gremillon
Dia da Ira, de Carl Dreyer
O Diabo Disse Não, de Ernst Lubitsch
A Morta Viva, de Jacques Tourneur
O homem leopardo, de Jacques Tourneur
Sob a Luz do Verão, de Jean Grémillon
Esta terra é minha, de Jean Renoir
Obsessão, de Luchino Visconti
Fires Were Started, de Humphrey Jennings

1944
At Land, de Maya Deren
Desencanto, de David Lean
Pacto de sangue, de Billy Wilder
O boulevard do crime, de Marcel Carné
Laura, de Otto Preminger
Agora Seremos Felizes, de Vincente Minnelli
Uma Aventura na Martinica, de Howard Hawks
Henry V, de Laurence Olivier
Papai por acaso, de Preston Sturges
Este Mundo é um Hospício, de Frank Capra
Consciências Mortas, de William A. Wellman

1944-1946
Ivan o Terrivel, Partes 1 e 2, de Sergei Eisenstein

1945
Silêncio nas Trevas, de Robert Siodmak
Amar Foi Minha Ruína, de John M. Stahl
Roma, Cidade Aberta, de Roberto Rossellini
O ponteiro da saudade, de Vicente Minnelli
As Damas do bois Boulogne, de Robert Bresson
Duelo ao Sol, de King Vidor
Scarlet Street, de Fritz Lang
The Great Flamarion, de Anthony Mann
The battle of San Pietro, de John Huston
A Diary for Timothy, de Humphrey Jennings
Na Solidão da Noite, de Alberto Cavalcanti, Charles Crichton, Basil Dearden e Robert Hamer

1946
A Bela e a Fera, de Jean Cocteau
Os Melhores Anos de Nossas Vidas, de William Wyler
Five Women around Utamaro, de Kenji Mizoguchi
Gilda, de Charles Vidor
Meu único amor, de Raoul Walsh
A Matter of Life and Death, de Michael Powell e Emeric Pressburger
Paixão dos Fortes, de John Ford
Interlúdio, de Alfred Hitchcock
Paisa, de Roberto Rossellini
A Felicidade Não se Compra, de Frank Capra
À beira do abismo, de Howard Hawks
Grandes esperanças, de David Lean
O estranho, de Orson Welles
Detour, de Edgar G. Ulmer

1947
Carrossel da Esperança, de Jacques Tati
Prisioneiro do Passado, de Delmer Daves
Alemanha Ano Zero, de Roberto Rossellini
I Know Where I'm Going, de Michael Powell e Emeric Pressburger
Monsieur Verdoux, de Charles Chaplin
Odd Man Out, de Carol Reed
Fuga do Passado, de Jacques Tourneur
Quai des Orfevres, de Henri-Georges Clouzot
La Femme sur la plage, de Jean Renoir
Rancor, de Edward Dmytryk


1948
Ladrões de Bicicleta, de Vittorio De Sica
A Força do Mal, de Abraham Polonsky
A felicidade bate à sua porta, Leo McCarey
Uma ave no vento, de Yasujiro Ozu
A Dama de Shanghai, de Orson Welles
Carta de uma Desconhecida, de Max Ophuls
Ao cair da noite, de Frank Borzage
O Pirata, de Vicente Minnelli
Sapatinhos Vermelhos, de Michael Powell e Emeric Pressburger
Festim Diabólico, de Alfred Hitchcock
Spring in a Small City, de Fei Mu
A Terra Treme, de Luchino Visconti
Amarga esperança, de Nicholas Ray
Rio Vermelho, de Howard Hawks
Hamlet, de Laurence Olivier
Lousiana Story, de Robert Flaherty
O Menino dos Cabelos Verdes, de Joseph Losey
O Tesouro de Sierra Madre, de John Huston
Macbeth - Reinado de Sangue, de Orson Welles

1949
A Costela de Adão, de George Cukor
Begone Dull Care, de Norman McLaren
Blood of the Beast, de Georges Franju
Les enfants terribles, de Jean-Pierre Melville
O Terceiro Homem, de Carol Reed
Mortalmente Perigosa, de Joseph H. Lewis
O mundo não perdoa, de Clarence Brown
Pai e Filha, de Yasujiro Ozu
Na teia do destino, de Max Ophuls
Sansão e Dalila, de DeMille
Stromboli, de Rossellini
Mercado de Ladrões, de Jules Dassin
Stray Dog, de Akira Kurosawa
Sob o Signo de Capricórnio, de Alfred Hitchcock
Punhos de Campeão, de Robert Wise
A Grande Ilusão, de Robert Rossen

sexta-feira, novembro 28, 2008

mam e ccbb

Grande Programação no MAM! Victor Erice e Kiarostami!

Olhem aí:

sex 28
18h30 El sol de membrillo (1992), de Victor Erice.

sab 29
16h O Espírito da Colméia (1973), de Victor Erice.

18h 10 (2002), de Abbas Kiarostami.

dom 30
16h Los desafios (1969), de Victor Erice, José Luis Egea, Claudio Guerin.

18h Oscuros sueños de otoño (1967), de Miguel Picazo.
O roteiro é de Erice.

Dezembro

sex 5
18h30 El sur (1983), de Victor Erice.

sab 6
18h Ten minutes older: the trumpet (2002), de Victor Erice, Kaige Chen, Werner Herzog, Jim Jarmusch, Aki Kaurismäki, Spike Lee e Wim Wenders.

dom 07
18h A propos de Nice, la suíte (1995), de Abbas Kiarostami, Catherine Breillat, Costa-Gavras, Claire Denis, Raymond Depardon, Pavel Lungin e Raoul Ruiz.


E no CCBB (02 a 21/12/08): Bertolucci.
02/12 – terça-feira
17h – Antes da Revolução (Prima della Rivoluzione, Itália, 1964, 35mm,P&B, 112 minutos)
19h – O Caminho do Petróleo (La Via del Petrolio, Itália, 1967,documentário, P&B, 133 minutos)
03/12 – quarta-feira
17h – A Saúde está Doente (La Salute è Malata, Itália, 1971,documentário, p/b, 35 minutos + Bernardo Bertolucci: Praque Serve o Cinema? (Bernardo Bertolucci: A Cosa Serve il Cinema?,dir. Sandro Lai, Itália, 2002, documentário, cor, 57 minutos)
19h – A Morte (La Commare Secca, Itália, 1962, 35mm, P&B, 93minutos)
04/12 – quinta-feira
17h – Antes da Revolução (Prima della Rivoluzione, Itália, 1964, 35mm,P&B, 112 minutos)
19h – Último tango em Paris (Ultimo Tango a Parigi, França, 35mm 1972,cor, 123 minutos)
05/12 – sexta-feira
17h – O Caminho do Petróleo (La Via del Petrolio, Itália, 1967,documentário, P&B, 133 minutos)
19h30 – La Luna (La Luna, Itália/EUA, 1979, 35mm, cor, 142 minutos)
06/12 – sábado
19h – O Conformista (Il Conformista, Itália, 1970, 35mm, cor,115minutos)
07/12 – domingo
17h – Carta a Bertolucci (dir. Marcos Jorge, Itália, 1993, vídeo,documentário, cor, 5 minutos) + Bernardo Bertolucci: Pra que Serve oCinema? (Bernardo Bertolucci: A Cosa Serve il Cinema?, dir. SandroLai, Itália, 2002, documentário, cor, 57 minutos)
19h – Amor e Raiva (Amore e Rabbia, Itália, 1969, 35mm, cor, 102 minutos)
09/12 – terça-feira
17h – Antes da Revolução (Prima della Rivoluzione, Itália, 1964, 35mm,P&B, 112 minutos)
19h – O Caminho do Petróleo (La Via del Petrolio, Itália, 1967,documentário, P&B, 133 minutos)
10/12 – quarta-feira
17h – A Saúde está Doente (La Salute è Malata, Itália, 1971,documentário, p/b, 35 minutos) + Bernardo Bertolucci: Praque Serve o Cinema? (Bernardo Bertolucci: A Cosa Serve il Cinema?,dir. Sandro Lai, Itália, 2002, documentário, cor, 57 minutos)
19h – Último tango em Paris (Ultimo Tango a Parigi, França, 35mm 1972,cor, 123 minutos)
11/12 – quinta-feira
17h – Antes da Revolução (Prima della Rivoluzione, Itália, 1964, 35mm,P&B, 112 minutos)
19h – A Estratégia da Aranha (Strategia del Ragno, Itália, 1970, 35mm,cor, 99minutos)
12/12 – sexta-feira
17h – O Conformista (Il Conformista, Itália, 1970, 35mm, cor,115minutos)
Sessão seguida de debate.
13/12 – sábado
19h – A Morte (La Commare Secca, Itália, 1962, 35mm, P&B, 93minutos)
14/12 – domingo
17h – A Saúde está Doente (La Salute è Malata, Itália, 1971,documentário, cor, 35 minutos) + Bernardo Bertolucci: Pra que Serve oCinema? (Bernardo Bertolucci: A Cosa Serve il Cinema?, dir. SandroLai, Itália, 2002, documentário, cor, 57 minutos)
19h – Partner (Partner/Il Sosia, Itália, 1968, 35mm, cor, 105minutos)
16/12 – terça-feira
17h – Antes da Revolução (Prima della Rivoluzione, Itália, 1964, 35mm,P&B, 112 minutos)
19h – Último tango em Paris (Ultimo Tango a Parigi, França, 35mm 1972,cor, 123 minutos)
17/12 – quarta-feira
17h – Carta a Bertolucci (dir. Marcos Jorge, Itália, 1993, vídeo,documentário, cor, 5 minutos) + Bernardo Bertolucci: Pra que Serve oCinema? (Bernardo Bertolucci: A Cosa Serve il Cinema?, dir. SandroLai, Itália, 2002, documentário, cor, 57 minutos)
19h – La Luna (La Luna, Itália/EUA, 1979, 35mm, cor, 142 minutos)
18/12 – quinta-feira
17h – O Caminho do Petróleo (La Via del Petrolio, Itália, 1967,documentário, P&B, 133 minutos)19h30 – Último tango em Paris (Ultimo Tango a Parigi, França, 35mm1972, cor, 123 minutos)
19/12 – sexta-feira
17h – Partner (Partner/Il Sosia, Itália, 1968, 35mm, cor, 105minutos)
19h – A Estratégia da Aranha (Strategia del Ragno, Itália, 1970, 35mm,cor, 99minutos)
20/12 – sábado
19h – Amor e Raiva (Amore e Rabbia, Itália, 1969, 35mm, cor, 102 minutos)
21/12 – domingo
16h – 1900 (Novecento, Itália/França, 1976, 35mm, cor,161 minutos)-Parte I
19h – 1900 (Novecento, Itália/França, 1976, 35mm, cor,161minutos)-Parte II