Harold Ramis se foi. A mídia noticia. Noticia, mas desinforma. "Ator de 'Ghostbusters'", dizem. Ramis foi muito mais do que isso. Até mesmo em "Ghostbusters" ele foi muito mais do que um ator. Ramis é uma espécie de catalizador de uma certa comédia americana. Sem ele... Não sei. Por Ramis passaram Dan Aykroyd, Chevy Chase, Bill Murray... Comédia com sentimento. Um cara como Judd Apatow sempre lhe faz as devidas referências. A participação especial de Ramis em "Ligeiramente grávidos" é uma espécie de atestado de filiação. Enfim... Ouçam este incrível podcast.
Alguns links:
- Entrevistas com Kurt Russel, Dennis Lavant e Abel Ferrara!
- Entrevista com Nicole Brenez e texto dela na Cinética!
- Ótimo texto de Steven Shaviro sobre o "Ela" de Spike Jonze.
- David Bordwell e James Agee.
E, pra fechar, um curta de Gus Van Sant:
terça-feira, fevereiro 25, 2014
quarta-feira, fevereiro 19, 2014
a imagem que falta ****
Esta aí um belíssimo, doído filme. Leiam a crítica de Fábio de Andrade na “Cinética”. Ele tem toda razão. Os melhores filmes de Rithy Panh são movidos por perguntas como: Por que encenar? O que significa filmar? E encenar e filmar para Panh é uma necessidade. Estamos falando do Camboja. Estamos falando de um cineasta que viu todos (absolutamente todos) seus parentes e amigos desaparecem ou perecerem em meio ao regime de Pol Pot. Panh não tem imagens deste passado. As imagens que faltam, contudo, insistem. O contrário da existência não é a inexistência, mas a insistência. O que não existe continua a insistir, como se lutasse para passar a existir. O cinema, portanto, é uma oportunidade ética crucial que Panh não pode deixar passar. Seu cinema nos lembra que a verdadeira escolha com relação a um trauma histórico não está entre lembrar-se ou esquecer-se dele. Afinal, os traumas que não queremos ou não somos capazes de relembrar assombram-nos com mais força. Ou seja: para superar um acontecimento traumático, é preciso antes criar forças para lembrá-lo.
sexta-feira, fevereiro 14, 2014
nicolas klotz na caixa cultural
TERÇA-FEIRA – 18 de FEVEREIRO
CINEMA 1
15h - PARIA (2000) – 125min – 35mm
18h - A QUESTÃO HUMANA (2007) – 143min – 35mm
CINEMA 2
16h - DIÁLOGOS CLANDESTINOS 2013 : CEREMONY BRAZZA (52min) + POUR SE FRAYER UN CHEMIN DANS LA JUNGLE, IL EST BON DE FRAPPER AVEC UN BATON POUR ÉCARTER LES DANGERS INVISIBLES(25min)
19h - BRAD MEHLDAU (56min) + JAMES CARTER (56min)
QUARTA-FEIRA – 19 de FEVEREIRO
CINEMA 1
15h – LES AMANTS CINEMA (65min) + JEUNESSE D'HAMLET (9min – 35mm) + LA CONSOLATION (9min – 35mm)
18h - LOW LIFE (2011) – 134min – 35mm
CINEMA 2
16h -MADEMOISELLE JULIE (2011) – 101min
18h30 - LE VENT SOUFFLE DANS LA COUR D'HONNEUR (2013) – 101min
QUINTA-FEIRA – 20 de FEVEREIRO
CINEMA 1
15h – A FERIDA (2004) – 163min – 35mm
18h - DEBATE – NICOLAS KLOTZ e ELISABETH PERCEVAL (roteirista dos filmes) + MEDIAÇÃO LEONARDO LUIZ FERREIRA (curador da mostra)
CINEMA 2
16h - BRAD MEHLDAU (56min) + JAMES CARTER (56min)
SEXTA-FEIRA – 21 de FEVEREIRO
CINEMA 1
15h - LOW LIFE (2011) – 134min – 35mm
18h30 - PARIA (2000) – 125min – 35mm
CINEMA 2
16h - LE VENT SOUFFLE DANS LA COUR D'HONNEUR (2013) – 101min
19h - MADEMOISELLE JULIE (101min)
SABADO – 22 de FEVEREIRO
CINEMA 1
13h15 - LES AMANTS CINEMA (65min) + JEUNESSE D'HAMLET (9min – 35mm) + LA CONSOLATION (9min – 35mm)
15h - A QUESTÃO HUMANA (2007) – 143min – 35mm
18h – A FERIDA (2004) – 163min – 35mm
CINEMA 2
11h – MASTER CLASS – NICOLAS KLOTZ + MEDIAÇÃO RUY GARDNIER (CRÍTICO DE CINEMA)
16h –DIÁLOGOS CLANDESTINOS 2013 : CEREMONY BRAZZA (52min) + POUR SE FRAYER UN CHEMIN DANS LA JUNGLE, IL EST BON DE FRAPPER AVEC UN BATON POUR ÉCARTER LES DANGERS INVISIBLES (25min)
CINEMA 1
15h - PARIA (2000) – 125min – 35mm
18h - A QUESTÃO HUMANA (2007) – 143min – 35mm
CINEMA 2
16h - DIÁLOGOS CLANDESTINOS 2013 : CEREMONY BRAZZA (52min) + POUR SE FRAYER UN CHEMIN DANS LA JUNGLE, IL EST BON DE FRAPPER AVEC UN BATON POUR ÉCARTER LES DANGERS INVISIBLES(25min)
19h - BRAD MEHLDAU (56min) + JAMES CARTER (56min)
QUARTA-FEIRA – 19 de FEVEREIRO
CINEMA 1
15h – LES AMANTS CINEMA (65min) + JEUNESSE D'HAMLET (9min – 35mm) + LA CONSOLATION (9min – 35mm)
18h - LOW LIFE (2011) – 134min – 35mm
CINEMA 2
16h -MADEMOISELLE JULIE (2011) – 101min
18h30 - LE VENT SOUFFLE DANS LA COUR D'HONNEUR (2013) – 101min
QUINTA-FEIRA – 20 de FEVEREIRO
CINEMA 1
15h – A FERIDA (2004) – 163min – 35mm
18h - DEBATE – NICOLAS KLOTZ e ELISABETH PERCEVAL (roteirista dos filmes) + MEDIAÇÃO LEONARDO LUIZ FERREIRA (curador da mostra)
CINEMA 2
16h - BRAD MEHLDAU (56min) + JAMES CARTER (56min)
SEXTA-FEIRA – 21 de FEVEREIRO
CINEMA 1
15h - LOW LIFE (2011) – 134min – 35mm
18h30 - PARIA (2000) – 125min – 35mm
CINEMA 2
16h - LE VENT SOUFFLE DANS LA COUR D'HONNEUR (2013) – 101min
19h - MADEMOISELLE JULIE (101min)
SABADO – 22 de FEVEREIRO
CINEMA 1
13h15 - LES AMANTS CINEMA (65min) + JEUNESSE D'HAMLET (9min – 35mm) + LA CONSOLATION (9min – 35mm)
15h - A QUESTÃO HUMANA (2007) – 143min – 35mm
18h – A FERIDA (2004) – 163min – 35mm
CINEMA 2
11h – MASTER CLASS – NICOLAS KLOTZ + MEDIAÇÃO RUY GARDNIER (CRÍTICO DE CINEMA)
16h –DIÁLOGOS CLANDESTINOS 2013 : CEREMONY BRAZZA (52min) + POUR SE FRAYER UN CHEMIN DANS LA JUNGLE, IL EST BON DE FRAPPER AVEC UN BATON POUR ÉCARTER LES DANGERS INVISIBLES (25min)
terça-feira, fevereiro 11, 2014
quinta-feira, fevereiro 06, 2014
eu não faço a menor ideia do que eu tô fazendo com a minha vida
Não cheguei ao fim. Sequer sinto-me apto a dar-lhe estrelinhas. Fiquei realmente nervoso, irritado mesmo, com este filme. “Apenas o fim” (2008) já havia causado uma reação parecida. Eu, contudo, otimista, resolvi ver este “Eu não faço a menor ideia do que eu tô fazendo com a minha vida”. Saí da sessão depois de uns quarenta minutos, e, já na rua, em Copacabana, fiquei pensando sobre o que me incomoda tanto nestes filmes. E devo dizer, logo de cara, que não se trata da encenação limitada, um pouco preguiçosa e bem comportada de Matheus Souza. É mais do que isso.
Souza investe em um humor descolado, supostamente inteligente, porém totalmente desconectado com os sentimentos dos personagens. Coisas como: “Você tem cada de quem mora em casa” ou “Acredito que existe um lugar para onde vão todas as tampas de canetas”. E então, quando os sentimentos veem para o primeiro plano, fica muito difícil levá-los a sério. Os personagens estão todos em uma espécie de competição de performances (até mesmo os personagens reais que aparecem no projeto documental da protagonista). Estamos diante de um filme muito mais preocupado em exteriorizar um certo número de referências, de gracejos e tiradas verbais, do que na observação e nos sentimentos. Quer dizer: são subjetividades exteriorizadas onde vigoram a projeção e a antecipação. Uma subjetividade que se constitui na própria exterioridade, no processo mesmo de se projetar e de se fazer visível a outrem. É difícil solidarizar com estes personagens. Eles se filiam a qualquer gosto. São muito mais um estilo do que qualquer outra coisa.
O filme se afirma como uma história de autoconhecimento. Ok. Mas estes personagens são tão conscientes de si mesmos, de seus sonhos, de seus fracassos, da natureza das relações que mantém com seus familiares e (ex)amantes. E “Eu não faço a menor ideia do que eu tô fazendo com a minha vida” fala sem parar, mas nunca ouve, ninguém. É tudo tão... falso. Por isso, sinto-me muito incomodado quando ouço dizerem que se trata de um retrato geracional, de uma juventude da era da internet e do consumismo. Acho esta visão absolutamente míope e distorcida. Estes jovens são tão formatados, enquadrados, limitados (por roteiro, referências mil e uma certa visão de mundo), como os de “Malhação”.
Eu não conhecia até bem pouco tempo atrás ninguém que gostasse realmente ou abertamente dos filmes de Souza. Os meus amigos sequer veem seus filmes. Os meus primos mais jovens tampouco se dizem fãs de “Apenas o fim” ou “Eu não faço a menor ideia do que eu tô fazendo com a minha vida”. Como então Souza conseguiu fazer tanto (coluna em jornal, dois longas, peças de teatro, etc)? Não conseguia entender isso. Outro dia, contudo, ao ver o pôster de um de seus filmes na rua, minha afilhada de onze anos ficou animada. Ela gostou de “Apenas o fim” e queria muito ver “Eu não faço a menor ideia do que eu tô fazendo com a minha vida”. Nada contra ter fãs de onze anos. Mas isso não é no mínimo estranho? Souza tem seus vinte e tantos anos. Faz filmes sobre personagens com a mesma idade que ele. Contudo, quem se identifica com eles, quem gosta dos longas, têm uma década a menos.
Souza investe em um humor descolado, supostamente inteligente, porém totalmente desconectado com os sentimentos dos personagens. Coisas como: “Você tem cada de quem mora em casa” ou “Acredito que existe um lugar para onde vão todas as tampas de canetas”. E então, quando os sentimentos veem para o primeiro plano, fica muito difícil levá-los a sério. Os personagens estão todos em uma espécie de competição de performances (até mesmo os personagens reais que aparecem no projeto documental da protagonista). Estamos diante de um filme muito mais preocupado em exteriorizar um certo número de referências, de gracejos e tiradas verbais, do que na observação e nos sentimentos. Quer dizer: são subjetividades exteriorizadas onde vigoram a projeção e a antecipação. Uma subjetividade que se constitui na própria exterioridade, no processo mesmo de se projetar e de se fazer visível a outrem. É difícil solidarizar com estes personagens. Eles se filiam a qualquer gosto. São muito mais um estilo do que qualquer outra coisa.
O filme se afirma como uma história de autoconhecimento. Ok. Mas estes personagens são tão conscientes de si mesmos, de seus sonhos, de seus fracassos, da natureza das relações que mantém com seus familiares e (ex)amantes. E “Eu não faço a menor ideia do que eu tô fazendo com a minha vida” fala sem parar, mas nunca ouve, ninguém. É tudo tão... falso. Por isso, sinto-me muito incomodado quando ouço dizerem que se trata de um retrato geracional, de uma juventude da era da internet e do consumismo. Acho esta visão absolutamente míope e distorcida. Estes jovens são tão formatados, enquadrados, limitados (por roteiro, referências mil e uma certa visão de mundo), como os de “Malhação”.
Eu não conhecia até bem pouco tempo atrás ninguém que gostasse realmente ou abertamente dos filmes de Souza. Os meus amigos sequer veem seus filmes. Os meus primos mais jovens tampouco se dizem fãs de “Apenas o fim” ou “Eu não faço a menor ideia do que eu tô fazendo com a minha vida”. Como então Souza conseguiu fazer tanto (coluna em jornal, dois longas, peças de teatro, etc)? Não conseguia entender isso. Outro dia, contudo, ao ver o pôster de um de seus filmes na rua, minha afilhada de onze anos ficou animada. Ela gostou de “Apenas o fim” e queria muito ver “Eu não faço a menor ideia do que eu tô fazendo com a minha vida”. Nada contra ter fãs de onze anos. Mas isso não é no mínimo estranho? Souza tem seus vinte e tantos anos. Faz filmes sobre personagens com a mesma idade que ele. Contudo, quem se identifica com eles, quem gosta dos longas, têm uma década a menos.
terça-feira, fevereiro 04, 2014
caché ***
Acho mesmo que um cineasta deve ser responsabilizado pelo mundo e pelas criaturas que ele põe em movimento. Neste sentido, Michael Haneke é uma espécie de Dr. Mabuse do cinema contemporâneo. É uma espécie de gênio do mal. Reconheço seu enorme talento, mas tenho um profundo desprezo pelo mundo que ele constitui em filme. Revi “Caché” (2005) outro dia. E aqui o projeto cinematográfico de Haneke atinge seu ápice de manipulação. Entre as muitas questões que o filme levanta, eu me vi nessa revisão pensando no processo de identificação com o imaginário representado na tela e mais propriamente na maneira pela qual europeus e argelinos convivem na mise-en-scène de Haneke. Destacaria ainda para uma análise mais sistemática do longa a pergunta pela autoria das imagens de vigilância (uma pergunta, na minha opinião, mais do válida), e o tipo de identificação que o filme alimenta entre o aparato cinematográfico e o espectador.
Acho cada vez mais que “Caché” desfila um multiculturalismo um tanto míope. Se o discurso nacionalista dos anos 60 traçava linhas demarcatórias bastante nítidas entre o Primeiro e o Terceiro Mundos, entre opressor e oprimido, o discurso pós-colonial e multiculturalista substitui esses dualismos binaristas por um espectro mais nuançado de sutis diferenciações. Mas em “Caché” não há ambiguidades. Há toda uma vitimização do personagem argelino, enquanto Georges é acusado de todos os males do filme. Apesar de não podermos falar numa pureza na representação destas identidades, os paradigmas permanecem rígidos, não se contaminam.
Neste sentido, parece-me haver por vezes uma certa nostalgia pelo retorno a uma política bem definida de oposições binárias, em que, teoricamente, se podia distinguir com maior clareza os bonzinhos dos malvados. Eu fico por fim com a suspeita de um narcisismo europeu às avessas - “Caché”, então, se aproximaria estranhamente de uma cada vez mais vasta produção hollywoodiana empenhada em “compreender” o problema da África (“Diamante de sangue”, “O senhor das armas”, “Jardineiro fiel”, entre outros). Haneke parece situar a Europa como fonte de todos os males sociais do mundo. Uma perspectiva que não deixa de ser eurocêntrica, reduzindo a vida fora da Europa a uma resposta passiva/patológica à “invasão” ocidental.
Acho cada vez mais que “Caché” desfila um multiculturalismo um tanto míope. Se o discurso nacionalista dos anos 60 traçava linhas demarcatórias bastante nítidas entre o Primeiro e o Terceiro Mundos, entre opressor e oprimido, o discurso pós-colonial e multiculturalista substitui esses dualismos binaristas por um espectro mais nuançado de sutis diferenciações. Mas em “Caché” não há ambiguidades. Há toda uma vitimização do personagem argelino, enquanto Georges é acusado de todos os males do filme. Apesar de não podermos falar numa pureza na representação destas identidades, os paradigmas permanecem rígidos, não se contaminam.
Neste sentido, parece-me haver por vezes uma certa nostalgia pelo retorno a uma política bem definida de oposições binárias, em que, teoricamente, se podia distinguir com maior clareza os bonzinhos dos malvados. Eu fico por fim com a suspeita de um narcisismo europeu às avessas - “Caché”, então, se aproximaria estranhamente de uma cada vez mais vasta produção hollywoodiana empenhada em “compreender” o problema da África (“Diamante de sangue”, “O senhor das armas”, “Jardineiro fiel”, entre outros). Haneke parece situar a Europa como fonte de todos os males sociais do mundo. Uma perspectiva que não deixa de ser eurocêntrica, reduzindo a vida fora da Europa a uma resposta passiva/patológica à “invasão” ocidental.
domingo, fevereiro 02, 2014
maurice pialat
Quem passa de vez em quando por aqui já sabe. Maurice Pialat!
Agora, no CCBB:
Dia 01 de fevereiro | sábado
17h – Nós não envelheceremos juntos | 115min | 35mm | 18 anos
19h – Polícia | 113min | 35mm | 14 anos
Dia 02 de fevereiro | domingo
17h – Loulou | 110min | 35mm | 14 anos
19h - Infância nua | 83min | 35mm | 12 anos
Dia 03 de fevereiro | segunda-feira
14h30 – Van Gogh | 158min | 35mm | 14 anos
17h30 - Nós não envelheceremos juntos | 115min | 35mm | 18 anos
19h30 – Antes passe no vestibular | 86min | DVD | 14 anos
Dia 05 de fevereiro | quarta-feira
15h30 – Sob o sol de satã | 93 min | 35mm | 16 anos
17h30 - Polícia | 113min | 35mm | 14 anos
19h30 – Sessão Curtas-metragens Turcos | O Mestre Galip, Bizâncio, Pehlivan- os lutadores turcos, Istambul, O Chifre de Ouro, O Estreito de Bósforo | 74min | 35mm | 12 anos
Dia 06 de fevereiro | quinta-feira
15h30 – Infância nua | 83min | 35mm | 12 anos
17h30 - O garoto | 102 min | 35mm | 12 anos
19h30 – A ferida aberta | 82min | DVD | 16 anos
Dia 07 de fevereiro | sexta-feira
15h30 - Antes passe no vestibular | 86min | DVD | 14 anos
17h30 - Loulou | 110min | 35mm | 14 anos
19h30 - Nós não envelheceremos juntos | 115min | 35mm | 18 anos
Dia 08 de fevereiro | sábado
17h - Sob o sol de satã | 93 min | 35mm | 16 anos
19h – Aos nossos amores | 95min | 35mm | 14 anos
Dia 09 de fevereiro | domingo
17h - Sessão Curtas-metragens Turcos | O Mestre Galip, Bizâncio, Pehlivan- os lutadores turcos, Istambul, O Chifre de Ouro, O Estreito de Bósforo | 74min | 35mm | 12 anos
18h30 - Van Gogh | 158min | 35mm | 14 anos
Dia 10 de fevereiro | segunda-feira
15h30 - Polícia | 113min | 35mm | 14 anos
17h30 - Aos nossos amores | 95min | 35mm | 14 anos
19h30 - O garoto | 102 min | 35mm | 12 anos
Agora, no CCBB:
Dia 01 de fevereiro | sábado
17h – Nós não envelheceremos juntos | 115min | 35mm | 18 anos
19h – Polícia | 113min | 35mm | 14 anos
Dia 02 de fevereiro | domingo
17h – Loulou | 110min | 35mm | 14 anos
19h - Infância nua | 83min | 35mm | 12 anos
Dia 03 de fevereiro | segunda-feira
14h30 – Van Gogh | 158min | 35mm | 14 anos
17h30 - Nós não envelheceremos juntos | 115min | 35mm | 18 anos
19h30 – Antes passe no vestibular | 86min | DVD | 14 anos
Dia 05 de fevereiro | quarta-feira
15h30 – Sob o sol de satã | 93 min | 35mm | 16 anos
17h30 - Polícia | 113min | 35mm | 14 anos
19h30 – Sessão Curtas-metragens Turcos | O Mestre Galip, Bizâncio, Pehlivan- os lutadores turcos, Istambul, O Chifre de Ouro, O Estreito de Bósforo | 74min | 35mm | 12 anos
Dia 06 de fevereiro | quinta-feira
15h30 – Infância nua | 83min | 35mm | 12 anos
17h30 - O garoto | 102 min | 35mm | 12 anos
19h30 – A ferida aberta | 82min | DVD | 16 anos
Dia 07 de fevereiro | sexta-feira
15h30 - Antes passe no vestibular | 86min | DVD | 14 anos
17h30 - Loulou | 110min | 35mm | 14 anos
19h30 - Nós não envelheceremos juntos | 115min | 35mm | 18 anos
Dia 08 de fevereiro | sábado
17h - Sob o sol de satã | 93 min | 35mm | 16 anos
19h – Aos nossos amores | 95min | 35mm | 14 anos
Dia 09 de fevereiro | domingo
17h - Sessão Curtas-metragens Turcos | O Mestre Galip, Bizâncio, Pehlivan- os lutadores turcos, Istambul, O Chifre de Ouro, O Estreito de Bósforo | 74min | 35mm | 12 anos
18h30 - Van Gogh | 158min | 35mm | 14 anos
Dia 10 de fevereiro | segunda-feira
15h30 - Polícia | 113min | 35mm | 14 anos
17h30 - Aos nossos amores | 95min | 35mm | 14 anos
19h30 - O garoto | 102 min | 35mm | 12 anos
terça-feira, janeiro 28, 2014
dois links
- Um ensaio visual de Cristina Álvarez López e Adrian Martin sobre dança, corpos e Philippe Garrel.
- David Bordwell vai fazer uma série de posts sobre críticos de cinema americanos: James Agee, Manny Farber e Parker Tyler.
- David Bordwell vai fazer uma série de posts sobre críticos de cinema americanos: James Agee, Manny Farber e Parker Tyler.
domingo, janeiro 26, 2014
silvia prieto ****
Não conheço muito da obra de Martin Rejtman. Este “Silvia Prieto” (1999), contudo, é um grande filme. Gosto muito dele. É um filme povoado por personagens que chegaram aos 30 e percebem que algo está mudando. Nenhum deles parece estar onde realmente queria, ou melhor, onde havia planejado estar quando chegasse a essa idade. O cineasta opera nesse microcosmo de personagens, que interagem a partir de um pequeno número de situações que se repetem a todo o momento. Eles não são frutos de ações. São o que dizem. Mas o que dizem não corresponde ao que fazem. É uma coisa um tanto confusa. Os atores são como marionetes, jamais cedem à tentação de “representar” o texto, como se estivessem escutando suas próprias palavras ditas por um outro. O tom é limpo e monocórdio, as falas parecem desapropriadas de significação, e a narrativa carece de qualquer sentido de profundidade trágica. Uma aventura dialogada sobre o nada?
Em “Silvia Prieto”, cada personagem pode ser definido por um grau de potência singular e, por conseguinte, por um certo poder de afetar e de ser afetado. Silvia Prieto é como um carrapato. Deleuze gostava dessa metáfora. O carrapato é aquele que busca o lugar mais alto da árvore, depois se deixa cair quando passa algum mamífero, e, por fim, se enfia debaixo da pele do animal, chupando o seu sangue. O que o afeta? A luz, o cheiro e o sangue. Eis um ser que se define por seus afetos. Ele poderia ficar um tempo longuíssimo na espera em meio à floresta imensa e silenciosa, para, de repente, ter o seu breve festim de sangue e possivelmente a morte. Silvia Prieto, por sua vez, troca de nome e identidade. Não liga muito para essas coisas. Não liga muito para nada. É sempre tudo uma questão de experimentação. Seu grau de potência, o seu poder de afetar e de ser afetada, não pode ser medido e jamais se esgota. Ela inventa constantemente a cena na qual se mostrará visível e a língua que a permitirá se expressar. Ela se nomeia e nomeia o mundo do qual quer fazer parte. E nesse jogo - eminentemente político, diga-se de passagem – o cinema recupera uma certa potência e evoca um outro agir na relação com o outro.
Em “Silvia Prieto”, cada personagem pode ser definido por um grau de potência singular e, por conseguinte, por um certo poder de afetar e de ser afetado. Silvia Prieto é como um carrapato. Deleuze gostava dessa metáfora. O carrapato é aquele que busca o lugar mais alto da árvore, depois se deixa cair quando passa algum mamífero, e, por fim, se enfia debaixo da pele do animal, chupando o seu sangue. O que o afeta? A luz, o cheiro e o sangue. Eis um ser que se define por seus afetos. Ele poderia ficar um tempo longuíssimo na espera em meio à floresta imensa e silenciosa, para, de repente, ter o seu breve festim de sangue e possivelmente a morte. Silvia Prieto, por sua vez, troca de nome e identidade. Não liga muito para essas coisas. Não liga muito para nada. É sempre tudo uma questão de experimentação. Seu grau de potência, o seu poder de afetar e de ser afetada, não pode ser medido e jamais se esgota. Ela inventa constantemente a cena na qual se mostrará visível e a língua que a permitirá se expressar. Ela se nomeia e nomeia o mundo do qual quer fazer parte. E nesse jogo - eminentemente político, diga-se de passagem – o cinema recupera uma certa potência e evoca um outro agir na relação com o outro.
terça-feira, janeiro 21, 2014
sábado, janeiro 18, 2014
leviatã *****
O filme começa com uma citação ao livro de Jó:
31 Ele faz as profundezas se agitarem como caldeirão fervente e revolve o mar como pote de unguento.
32 Deixa atrás de si um rastro cintilante, como se fossem os cabelos brancos do abismo.
33 Nada na terra se equipara a ele: criatura destemida!
Os versículos fazem referência ao monstro mitológico que dá nome ao filme. Leviatã (Leviathan ou Leviatha) é descrito na demonologia como um dos quatro príncipes coroados do inferno. É o monstro marinho bíblico, de enormes proporções. É o rei de todas as criaturas do mar. Seu nome vem do hebraico, e significa “Serpente Tortuosa” - uma referência tanto a sua natureza animalesca como ao seu aspecto oculto. Seu arquétipo se refere à brutalidade, à ferocidade e aos impulsos mais selvagens e incontidos da humanidade.
“Leviatã” é um filme sobre homens no mar, entre barcos, peixes e aves. Um longa rodado na costa da mítica cidade de Moby Dick. “Leviatã” parece totalmente desinteressado nos aspectos naturalistas ou antropológicos. Tampouco estamos diante de um documentário de natureza ou paisagem. Muito menos uma visão sobre o trabalho e as relações sociais que mantém a pesca. Não se trata de uma perspectiva puramente observacional ou contemplativa. Não há uma ênfase expositiva ou denúncias. Não há entrevistas, narração, ou enredo. Nem mesmo “cenas”. Sabe-se que os cineastas Lucien Castaing-Taylor e Véréna Paravel têm lá seus problemas com a noção de “direção”, e não é difícil entender o porquê.
“Leviatã” é uma espécie de forma de experimentação coletiva que dá rédea solta às perspectivas de ambos os diretores, os pescadores e as suas capturas, registrando as diversas maneiras em que homens, animais e máquinas, beleza e horror, vida e morte, se relacionam incessantemente neste que é um dos empreendimentos humanos mais antigos. É de um outro tempo que fala “Leviatã”. Um tempo não exatamente histórico, muito menos cronológico ou acronológico. Um tempo sensual que alinhava as ações e imagens em um fluxo contínuo: peixes são capturados e mortos; suas partes indesejáveis são jogadas ao mar; sangue transborda por todos os lados; gaivotas invadem os céus e mergulham atraídas pelas carcaças; as ondas balançam o barco; homens tomam banho; o trabalho recomeça.
Onze pequenas câmeras digitais estavam a bordo. Ora nas mãos dos cineastas Castaing-Taylor e Paravel. Ora presas aos corpos dos pescadores. São ainda muitas vezes colocadas em lugares absolutamente inusitados, como, por exemplo, coladas a peixes mortos que balançam com o barco. Elas mergulham, balançam, chocam-se com os corpos ao redor. Elas são, elas mesmas, corpos sencientes. E, conjugadas com a engenhosidade da montagem e do som, constroem uma materialidade líquida, contagiosa, bem como algo que somente a expressão absolutamente feliz de Castaing-Taylor poderia expressar: “uma etnografia sensorial”.
Quer dizer: “Leviatã” é como um ensaio sobre o nascimento de um visível que ainda se furta aos nossos olhos. É um filme que deseja falar do espaço, dos corpos, da luz, que estão aí - e dificilmente você terá visto o mar, peixes e a pesca como aqui. Castaing-Taylor e Paravel acreditam na capacidade do cinema de elevar nossa faculdade de sentir a um certo limiar de intensidade que a liberta dos esquemas que a engendram, fazendo-nos vislumbrar novas formas de se relacionar com o mundo. Eles valorizam uma certa impotência no âmago do pensamento que o cinema é capaz de revelar. E apostam na conexão homem-mundo, algo que se estabelece não por meio de uma fé em uma alguma transcendência, mas através de uma fé imanente nesse mundo.
Vejam aí o trailer:
* Uma pena não tê-lo visto no cinema. Ele, com certeza, só teria a crescer – sobretudo no que diz respeito ao engenhoso desenho de som.
quarta-feira, janeiro 15, 2014
links
- Algumas Listas Legais de Fim de Ano: La Furia Umana, Mubi, Senses of Cinema, BFI, Film Comment e Filipe Furtado.
- Steven Shaviro deu uma aula sobre "Spring Breakers" (2012), de Harmony Korine. Dá pra baixar o pod cast neste link.
- Texto de Luiz Soares Júnior sobre Júlio Bressane.
- Sensacional a pauta James Benning na Cinética.
- Muito bom também o novo número da Film Philosophy.
- Jonathan Rosenbaum sobre "O Discreto Charme da Burguesia" (1972), de Luis Buñuel.
- MediaScape é a revista do departamento de cinema e mídia da UCLA.
- Ritwik Ghatak em dois textos de Adrian Martin, aqui e aqui.
- Adrian Martin e os 10 confrontos do ano.
- Outro belo texto de Adrian Martin.
- Os 12 Favoritos de gente como: Jonathan Rosenbaum, Adrian Martin, Nicole Brenez, Fergus Daly, Brad Stevens, Monte Hellman, Raymond Bellour, Peter Tscherkassky, etc.
- J. Hoberman sobre David Cronenberg.
- Bela entrevista com Philippe Garrel
- Steven Shaviro deu uma aula sobre "Spring Breakers" (2012), de Harmony Korine. Dá pra baixar o pod cast neste link.
- Texto de Luiz Soares Júnior sobre Júlio Bressane.
- Sensacional a pauta James Benning na Cinética.
- Muito bom também o novo número da Film Philosophy.
- Jonathan Rosenbaum sobre "O Discreto Charme da Burguesia" (1972), de Luis Buñuel.
- MediaScape é a revista do departamento de cinema e mídia da UCLA.
- Ritwik Ghatak em dois textos de Adrian Martin, aqui e aqui.
- Adrian Martin e os 10 confrontos do ano.
- Outro belo texto de Adrian Martin.
- Os 12 Favoritos de gente como: Jonathan Rosenbaum, Adrian Martin, Nicole Brenez, Fergus Daly, Brad Stevens, Monte Hellman, Raymond Bellour, Peter Tscherkassky, etc.
- J. Hoberman sobre David Cronenberg.
- Bela entrevista com Philippe Garrel
quinta-feira, janeiro 09, 2014
regis dialogue
Neste site, é possível acessar as conversas entre grandes cineastas e críticos de renome. Vejam lá. Vale muito a pena.
terça-feira, janeiro 07, 2014
sombras ****
Eu não conheço bem o trabalho de Philippe Grandrieux. Vi apenas uma ou outra cena de “Un Lac” (2008). É pra mim, portanto, difícil descrever a experiência de ver um filme como “Sombras” (1998). Grandrieux acompanha um mestre de marionettes que é também um bruto assassino de mulheres. O título se refere à escuridão a partir da qual os eventos narrados surgem e para onde parecem sempre retornar. “Sombras” é um filme de extremos. Ele começa já no oito ou oitenta: crianças veem espantadas e aos berros um show de fantoches, o que dá lugar, em seguida, a um longo travelling de pessoas na beira de uma estrada apenas olhando diretamente para câmera. Entre a histeria lúdica e alegre da primeira sequencia e a serenidade elegante e silenciosa da segunda, entre o tom mágico e o terror em suspenso, desenha-se uma certa ficção - e o verbo desenhar não se faz aqui de maneira inocente.
O mais importante em “Sombras” não está exatamente na narrativa reconhecível do serial killer, mas na confrontação entre este material já codificado, formatado, e todo um tratamento formal ou um experimento estético. Ou seja: Grandrieux se utiliza da história do assassino em série como um ponto de partida, como uma porta de acesso, como uma hipótese de trabalho. O cineasta impõe uma tensão contínua, uma espécie de suspensão temporária do mau, que nos acompanha do início do fim do filme. A imagem é dotada de uma inquietação formal e plástica. Os planos são instáveis, erráticos, na mão. A montagem é cáustica, estabelecendo um ritmo particular para em seguida violá-lo violentamente. Somos instados a desconfiar do que vemos. Talvez não seja isso. O que se produz, na verdade, é talvez um abismo entre o que vemos e o que podemos dizer sobre o que vemos.
A imagem cinematográfica como um processo de figuração constante. Um mundo material e virtual. Um cinema que retoma de certa maneira aquela mesma vontade que levaram nossos antepassados a pintar nas cavernas. Ou seja, a imagem não exatamente como uma forma de representação, mas um vir a ser. O som, a luz, o tempo, embora na maioria das vezes considerados como imateriais, apontam também para uma presença mais evidente do material da imagem cinematográfica, para uma dimensão tátil ou háptica. A câmera persiste implacavelmente sobre o cabelo das vítimas, o que não geral nenhum significado, sublinhando apenas a textura daquele material. A natureza é tratada da mesma forma, em diferentes profundidades de campo, angulações e gradações de luz e foco. É preciso admitir essa relação tátil com a imagem, como um tipo de visão que faz do olho um órgão de toque. Daí o háptico: ao olhar, tocamos o objeto com os nossos olhos.
“Sombras” se faz em uma espécie de emanação de luz. É um filme sobre a espessura impenetrável dos corpos, sobre a fricção elétrica entre a luz e as trevas, sobre a tentação pelo crepúsculo, sobre a densidade dos planos e a intensidade incandescente do material fílmico. Grandrieux parece buscar o ponto de encontro entre a pintura, o cinema e a vídeo arte. Não é a toa que Nicole Brenez costuma dizer que o cinema de Grandrieux atente uma exigência contemporânea por um retorno às fontes mais profundas e obscuras do desejo de representação. Por que fazer imagens? Que objetivo elas contém? Que realidade carregam consigo? Em uma conversa com a teórica francesa, o cineasta lança mão de imagens e sugestões inspiradoras: um campo com ramos crescendo por todos os lados (ao invés de uma árvore, com tronco e galhos), um filme espinosiano, uma constante vibração de sensações e afetos que nos irmana, que nos reeinscreve no mundo.
Coisas a se pensar. A imagem sem valor de face aparente, que preserva um tipo de fascinação que o cinema não via há algum tempo e que nos demanda uma postura diferenciada. Antes de compreender, é preciso ver. Não se trata de uma decifração. Um filme deve ganhar uma consistência de ser, que insiste em si mesmo, abre-se, expõe-se e produz uma vida, anterior e adiante, que fissura o tempo presente, justifica-o e dinamiza-o. É uma certa opacidade do pensamento da visão que está em jogo: experiência irredutível à generalização, que, justamente por situar-se além de nossas possibilidades, força a pensar.
sexta-feira, janeiro 03, 2014
uma questão de pecado ****
Se “Azul é a cor mais quente” fica menor a cada lembrança, este novo filme de Jia Zhang-ke cresce sempre que o revisito. Eu já tinha gostado de “Uma questão de pecado”. Em geral, os filmes de Zhange-Ke são muito marcados por dois elementos: os personagens principais e as locações. É o caso de “Em busca da vida” (2006), seus dois protagonistas e região da represa. “Uma questão de pecado” é menos background e mais imediato e direto. As locações e a modulação dos espaços são de extrema importância, mas o que se privilegia é a relação entre os personagens. A China continua em quadro. É ela que move a história. O dado humano, contudo, é o ponto nevrálgico deste cinema. Varridos pelo desenvolvimento desenfreado, pela abertura econômica sem precedentes, pelo capitalismo em sua versão mais feroz.
“Uma questão de pecado” é de natureza líquida. Quer dizer, o filme tem uma propensão à dissolução, seja no que diz respeito aos acontecimentos, aos personagens, aos espaços. Esta liquidez aponta em um crescente pouco harmônico para violência. A violência gráfica, sangrenta, chocante. Ela, afinal, talvez também seja direcionada a nós espectadores. Ela também nos concerne. É preciso ainda sublinhar a construção dos espaços, a riqueza “cenográfica” das locações, e, talvez, sobretudo, a precisão dos movimentos de câmera. Os movimentos aprisionam os personagens em um ir e vir que eles não controlam, não entendem.
O tempo fez muito bem a “Uma questão de pecado”, e vez ou outra me pego pensando em alguma cena, em algum dado. São coisas que, espalhadas pelo filme, não chamam muita atenção para si em uma primeira experiência. Refiro-me, por exemplo, ao fato dos personagens jamais estarem onde nasceram, à questão da migração. O que mais me impressiona, contudo, é a condição de maleabilidade moral que permeia os personagens, o estado de corrupção iminente ao qual todos neste filme estão fadados. As memórias, os laços, a tradição, ainda estão por lá. Muitos dos problemas nascem de uma espécie de guerra travada no imaginário dos personagens. É algo muito forte o que Zhange-Ke consegue alcançar neste filme.
“Uma questão de pecado” é de natureza líquida. Quer dizer, o filme tem uma propensão à dissolução, seja no que diz respeito aos acontecimentos, aos personagens, aos espaços. Esta liquidez aponta em um crescente pouco harmônico para violência. A violência gráfica, sangrenta, chocante. Ela, afinal, talvez também seja direcionada a nós espectadores. Ela também nos concerne. É preciso ainda sublinhar a construção dos espaços, a riqueza “cenográfica” das locações, e, talvez, sobretudo, a precisão dos movimentos de câmera. Os movimentos aprisionam os personagens em um ir e vir que eles não controlam, não entendem.
O tempo fez muito bem a “Uma questão de pecado”, e vez ou outra me pego pensando em alguma cena, em algum dado. São coisas que, espalhadas pelo filme, não chamam muita atenção para si em uma primeira experiência. Refiro-me, por exemplo, ao fato dos personagens jamais estarem onde nasceram, à questão da migração. O que mais me impressiona, contudo, é a condição de maleabilidade moral que permeia os personagens, o estado de corrupção iminente ao qual todos neste filme estão fadados. As memórias, os laços, a tradição, ainda estão por lá. Muitos dos problemas nascem de uma espécie de guerra travada no imaginário dos personagens. É algo muito forte o que Zhange-Ke consegue alcançar neste filme.
domingo, dezembro 29, 2013
azul é a cor mais quente **
Alguns filmes crescem na memória. Outros ficam menores. O novo filme-sensação do franco-argelino Abdellatif Kechiche me parece (cada vez mais) estar no segundo time. É só lembrar de “Azul é a cor mais quente” que eu fico mais e mais incomodado. O filme é eficiente, porém limitado. Nada demais, embora com alguns pontos positivos. Isso já tinha ficado claro. Em um primeiro visionamento, contudo, apeguei-me ao sentido de urgência já característico do cinema Kechiche, e me perguntava durante a sessão se aquilo não era melhor compreendido como uma experiência subjetiva da personagem.
Agora, contudo, o que mais me salta à memória é um desejo de grandeza, uma vontade onipotente de cobrir tudo, absolutamente tudo. “Azul é a cor mais quente” é enorme. Suas cenas quase sempre duram mais do que de fato necessitavam. É curioso como, em um primeiro momento, o filme retira muito de sua força justamente dessa duração. Em um segundo momento, entretanto, o que se sobressai pra mim são alguns esquematismos e simplificações bem complicadas. Vejo um certo determinismo em algumas relações, sobretudo no que diz respeito a Adele e suas amigas de escola. O bar de lésbicas é um crime de tão estereotipado, assim como o mundo artístico da cidade. A própria personagem da Emma, suas motivações e dilemas artísticos e profissionais, parece saída de uma espécie de manual.
Esse desequilíbrio sempre esteve presente no cinema de Kechiche, e isso me faz pensar, com uma convicção cada vez mais forte, que para o franco-argelino, o estilo precede mesmo ao filme: a câmera (multicâmeras, na verdade) na mão hiperativa, quase sempre bem perto dos corpos, muitas vezes em closes, com cortes sucessivos dentro das cenas e muitas elipses. O final aberto me irrita bastante também. É algo recorrente no cinema de Kechiche, embora também esteja presente no cinema de muitos outros. Ela aspira a algo aberto, aberto ao nosso testemunho, como algo que se desenrolou e se desenrolará... A cena ainda dura, mais uma vez, mais do que ela precisava... O que vejo é uma manipulação dramática muito forte e consciente. Quer dizer: Kechiche dá vida aos seus personagens, mas também os asfixia. Às vezes a impressão é a de que os personagens nascem já asfixiados, algo como natimortos. Enfim...
Agora, contudo, o que mais me salta à memória é um desejo de grandeza, uma vontade onipotente de cobrir tudo, absolutamente tudo. “Azul é a cor mais quente” é enorme. Suas cenas quase sempre duram mais do que de fato necessitavam. É curioso como, em um primeiro momento, o filme retira muito de sua força justamente dessa duração. Em um segundo momento, entretanto, o que se sobressai pra mim são alguns esquematismos e simplificações bem complicadas. Vejo um certo determinismo em algumas relações, sobretudo no que diz respeito a Adele e suas amigas de escola. O bar de lésbicas é um crime de tão estereotipado, assim como o mundo artístico da cidade. A própria personagem da Emma, suas motivações e dilemas artísticos e profissionais, parece saída de uma espécie de manual.
Esse desequilíbrio sempre esteve presente no cinema de Kechiche, e isso me faz pensar, com uma convicção cada vez mais forte, que para o franco-argelino, o estilo precede mesmo ao filme: a câmera (multicâmeras, na verdade) na mão hiperativa, quase sempre bem perto dos corpos, muitas vezes em closes, com cortes sucessivos dentro das cenas e muitas elipses. O final aberto me irrita bastante também. É algo recorrente no cinema de Kechiche, embora também esteja presente no cinema de muitos outros. Ela aspira a algo aberto, aberto ao nosso testemunho, como algo que se desenrolou e se desenrolará... A cena ainda dura, mais uma vez, mais do que ela precisava... O que vejo é uma manipulação dramática muito forte e consciente. Quer dizer: Kechiche dá vida aos seus personagens, mas também os asfixia. Às vezes a impressão é a de que os personagens nascem já asfixiados, algo como natimortos. Enfim...
sexta-feira, dezembro 20, 2013
terça-feira, dezembro 17, 2013
doce amianto ****
Que filme bonito. Dói-me vê-lo sair assim do circuito carioca, em apenas duas semanas, como se sequer tivesse entrado em cartaz. Dói-me porque, para além de ser comoventemente belo, é um filme que quer ser visto. Acho mesmo que caso a divulgação fosse mais presente e os exibidores um pouco mais corajosos, “Doce Amianto” encontraria seu público, fiel e apaixonado. Eu mesmo fui vê-lo sozinho pela primeira vez. Depois voltei com minha esposa e minha mãe. Elas indicaram para outras pessoas. O meu primo ouviu, gostou e indicou para os seus. Estes vão ter que esperar pelo DVD...
Amianto é um personagem diferente, afetada como o filme. Amianto é uma certa sensibilidade. Amianto é ela mesma uma espécie de artifício. É vulnerável, porém invencível. É excessiva, mas não precisa de muito. Amianto é um duplo fabular que se propaga, que se dissemina por uma vontade de narratividade, de afirmação e desejo. Amianto busca um lugar para chamar de seu. Este lugar, é preciso construí-lo, a cada fantasia, a cada afeto, a cada encontro, através do cinema. Um lugar que nem por isso deixa de ser real.
É na verdade bem curioso o fato de meu último post ter sido sobre Manoel de Oliveira e seu caso de amor pelo artifício cinematográfico. A riqueza contagiante de “Doce Amianto” é de natureza parecida. O filme exala aquela consciência de seu próprio lugar na história das formas cinematográficas, aquela noção de ter vindo depois. Algo que me lembra o diagnóstico de Alain Bergala, que, nos anos 80, usou o termo “maneirismo” para se referir ao cinema de Lars Von Trier, Win Wenders e Jim Jarmush, entre outros. “Doce Amianto” compartilha essa constatação da idade avançada do cinema e se constitui em uma espécie de inventário de formas cinematográficas. São muitas referências. São muitos artifícios. São muitas “maneiras”. O que é extremamente interessante é que tudo isso é captado na mesma textura, identificáveis, embora indiferenciáveis. Quer dizer: a constatação da idade do cinema e o inventário de formas se fazem sem peso ou dificuldade. É um amor pansexual este que “Doce Amianto” alimenta com o cinema e suas convenções. Através delas, da exploração daquilo que elas podem, busca-se novos vínculos com o mundo.
Amianto é um personagem diferente, afetada como o filme. Amianto é uma certa sensibilidade. Amianto é ela mesma uma espécie de artifício. É vulnerável, porém invencível. É excessiva, mas não precisa de muito. Amianto é um duplo fabular que se propaga, que se dissemina por uma vontade de narratividade, de afirmação e desejo. Amianto busca um lugar para chamar de seu. Este lugar, é preciso construí-lo, a cada fantasia, a cada afeto, a cada encontro, através do cinema. Um lugar que nem por isso deixa de ser real.
É na verdade bem curioso o fato de meu último post ter sido sobre Manoel de Oliveira e seu caso de amor pelo artifício cinematográfico. A riqueza contagiante de “Doce Amianto” é de natureza parecida. O filme exala aquela consciência de seu próprio lugar na história das formas cinematográficas, aquela noção de ter vindo depois. Algo que me lembra o diagnóstico de Alain Bergala, que, nos anos 80, usou o termo “maneirismo” para se referir ao cinema de Lars Von Trier, Win Wenders e Jim Jarmush, entre outros. “Doce Amianto” compartilha essa constatação da idade avançada do cinema e se constitui em uma espécie de inventário de formas cinematográficas. São muitas referências. São muitos artifícios. São muitas “maneiras”. O que é extremamente interessante é que tudo isso é captado na mesma textura, identificáveis, embora indiferenciáveis. Quer dizer: a constatação da idade do cinema e o inventário de formas se fazem sem peso ou dificuldade. É um amor pansexual este que “Doce Amianto” alimenta com o cinema e suas convenções. Através delas, da exploração daquilo que elas podem, busca-se novos vínculos com o mundo.
terça-feira, dezembro 10, 2013
o estranho caso de angélica ****
Vi este filme novamente. Viria mais algumas vezes. “O estranho caso de Angélica” é um grande filme. Manoel de Oliveira faz um cinema que me agrada cada vez mais. Eu tinha uma certa implicância com os seus longas, sobretudo, com o português de Portugal. Uma idiossincrasia minha, difícil de ser superada. O tempo, os anos que ganhei ao longo do tempo, contudo, abriram-me os olhos e os ouvidos. E hoje, me vejo divertindo-me aos montes nos filmes de Oliveira.
Não foi diferente neste “O estranho caso de Angélica”. É curioso como Oliveira consegue imprimir uma certa indeterminação temporal em seus filmes. As referências temporais confundem um pouco as coordenadas, embora sem jamais chamar atenção pra si ou atrapalhar a compreensão da coias. Quer dizer: ao contrário, a indeterminação faz incrivelmente bem ao jogo cinematográfico um tanto romântico que Oliveira nos propõe neste longa. Ela talvez aumente o alcance do filme. Não sei bem. “O estranho caso de Angélica” é certamente um filme livre e desimpedido.
É incrível como o varal de fotos do quarto de Isaac (Ricardo Trêpa, um animal oliveiriano) contém o conflito que move o filme. As fotos de Angélica morta, porém, bela e como que sorrindo, são intercaladas com as imagens de um grupo de homens e suas enxadas, arando um campo. A beleza assustadora de Angélica. A brutalidade bela dos trabalhadores. A noite e o dia. O interior e o exterior. A mágica e o documento. O sonho e a realidade. Morte e vida. A sucessão das imagens nos varal faz das fotografias cinema. Oliveira sempre fala de cinema. Espírito, Matéria, Imagem. E cinema, como nenhuma outra arte, é capaz de capturar tudo na mesma textura, em uma dialética ativa entre o atual e o virtual, o interno e o externo, o concreto e abstrato, o sonho e a realidade.
A imagem de Angélica, morta, vem à vida, toma seu “criador” de assalto, torna-se mais real do que o mundo do qual ela foi extraída. Isaac se apega aos trabalhadores, vive em uma espécie de inter-mundo, entre eles e Angélica. Eis que, de repente, em um sonho, Angélica aparece, o abraça, e, juntos, eles voam pela cidade. O voo de Angélica e Isaac é movido a inesperados efeitos especiais, em preto-e-branco. Fala-se em homenagem a George Meliés. Fala-se em um elogio a um tempo, digamos, mais artesanal. Talvez seja tudo isso mesmo. E um pouco mais. Isaac acorda, dá-se conta que estava sonhando, e se pergunta: “seria isto o absoluto pelo qual eu ansiava”?
Caramba! Isaac tem razão. Ele passará o resto do filme esperando por momento absoluto. Eu, enquanto esperava com ele, me perguntava o que isso dizia sobre o cinema de Oliveira. Afinal, ao busca uma imagem do absoluto, o cineasta centenário esculpiu (e o termo não é empregado à toa) uma sequência artificiosa, brincalhona, um tanto irreal, porém também absolutamente realista. Ou não? Não é uma maravilha? O artifício oliveiriano é algo que supera dicotomias que marca o cinema e o pensamento sobre ele. “O estranho caso de Angélica” pode ser sintetizado como uma certa postura do cinema diante do mundo. Oliveira é um cara fascinado pelo poder do cinema, ou melhor, pelas convenções mais disseminadas do cinema.
Não foi diferente neste “O estranho caso de Angélica”. É curioso como Oliveira consegue imprimir uma certa indeterminação temporal em seus filmes. As referências temporais confundem um pouco as coordenadas, embora sem jamais chamar atenção pra si ou atrapalhar a compreensão da coias. Quer dizer: ao contrário, a indeterminação faz incrivelmente bem ao jogo cinematográfico um tanto romântico que Oliveira nos propõe neste longa. Ela talvez aumente o alcance do filme. Não sei bem. “O estranho caso de Angélica” é certamente um filme livre e desimpedido.
É incrível como o varal de fotos do quarto de Isaac (Ricardo Trêpa, um animal oliveiriano) contém o conflito que move o filme. As fotos de Angélica morta, porém, bela e como que sorrindo, são intercaladas com as imagens de um grupo de homens e suas enxadas, arando um campo. A beleza assustadora de Angélica. A brutalidade bela dos trabalhadores. A noite e o dia. O interior e o exterior. A mágica e o documento. O sonho e a realidade. Morte e vida. A sucessão das imagens nos varal faz das fotografias cinema. Oliveira sempre fala de cinema. Espírito, Matéria, Imagem. E cinema, como nenhuma outra arte, é capaz de capturar tudo na mesma textura, em uma dialética ativa entre o atual e o virtual, o interno e o externo, o concreto e abstrato, o sonho e a realidade.
A imagem de Angélica, morta, vem à vida, toma seu “criador” de assalto, torna-se mais real do que o mundo do qual ela foi extraída. Isaac se apega aos trabalhadores, vive em uma espécie de inter-mundo, entre eles e Angélica. Eis que, de repente, em um sonho, Angélica aparece, o abraça, e, juntos, eles voam pela cidade. O voo de Angélica e Isaac é movido a inesperados efeitos especiais, em preto-e-branco. Fala-se em homenagem a George Meliés. Fala-se em um elogio a um tempo, digamos, mais artesanal. Talvez seja tudo isso mesmo. E um pouco mais. Isaac acorda, dá-se conta que estava sonhando, e se pergunta: “seria isto o absoluto pelo qual eu ansiava”?
Caramba! Isaac tem razão. Ele passará o resto do filme esperando por momento absoluto. Eu, enquanto esperava com ele, me perguntava o que isso dizia sobre o cinema de Oliveira. Afinal, ao busca uma imagem do absoluto, o cineasta centenário esculpiu (e o termo não é empregado à toa) uma sequência artificiosa, brincalhona, um tanto irreal, porém também absolutamente realista. Ou não? Não é uma maravilha? O artifício oliveiriano é algo que supera dicotomias que marca o cinema e o pensamento sobre ele. “O estranho caso de Angélica” pode ser sintetizado como uma certa postura do cinema diante do mundo. Oliveira é um cara fascinado pelo poder do cinema, ou melhor, pelas convenções mais disseminadas do cinema.
quarta-feira, dezembro 04, 2013
miklos jancso
Começou na Caixa Cultural uma mostra com alguns filmes do húngaro Milos Jancso! Vejam a programação abaixo. Se tiver que escolher um, vá ver "Os sem esperança" (1966). Dá-lhe plano sequencia.
QUARTA-FEIRA, 4 DE DEZEMBRO
14h30 - Rapsódia Húngara (Magyar rapszódia) – 1978, DVD, 103min | Classificação: 16 anos
17h - Allegro Bárbaro (Magyar rapszódia II) – 1979, DVD, 73min | Classificação: 16 anos
19h - Coração Tirano, aliás, Boccaccio na Hungria (A zsarnok szíve, avagy Boccaccio Magyarországon) – 1981, 35mm, 96min | Classificação: 14 anos
QUINTA-FEIRA, 5 DE DEZEMBRO
15h40 - Inverno de Sirocco (Sirokkó) – 1969, DVD, 80min | Classificação: 14 anos
17h40 - Silêncio e Grito (Csend és kiáltás) – 1967, 35mm, 73min | Classificação: 12 anos
19h10 - DEBATE: A ESTÉTICA DE JANCSÓ – com Hernani Heffner, pesquisador e chefe de preservação no MAM-Rio e Ruy Gardnier, fundador da revista de crítica cinematográfica Contracampo e crítico no jornal O Globo.
SEXTA-FEIRA, 6 DE DEZEMBRO
17h - Temporada dos monstros (Szörnyek évadja) – 1987, DVD, 100min | Classificação: 14 anos
19h - Ventos Cintilantes (Fényes Szelek) – 1968, 35mm, 80min | Classificação: 10 anos
SÁBADO, 7 DE DEZEMBRO
15h - Em Budapeste, o Senhor deu uma lanterna em minhas mãos (Nekem lámpást adott kezembe az Úr Pesten) – 1998, 35mm, 103min | Classificação: 12 anos
17h - Coração Tirano, aliás, Boccaccio na Hungria (A zsarnok szíve, avagy Boccaccio Magyarországon) – 1981, 35mm, 96min | Classificação: 14 anos
19h - Os sem-esperança (Szegénylegények) – 1966, 35mm, 90min | Classificação: 12 anos
DOMINGO, 8 DE DEZEMBRO
14h - Temporada dos monstros (Szörnyek évadja) – 1987, DVD, 100min | Classificação: 14 anos
16h - O horóscopo de Jesus Cristo (Jézus Krisztus horoszkópja) - 1988, 35mm, 90min | Classificação: 14 anos
18h - Silêncio e Grito (Csend és kiáltás) – 1967, 35mm, 73min | Classificação: 12 anos
//SEMANA 2
TERÇA-FEIRA, 10 DE DEZEMBRO
15h - Rapsódia Húngara (Magyar rapszódia) – 1978, DVD, 103min | Classificação: 16 anos
17h - Ventos Cintilantes (Fényes Szelek) – 1968, 35mm, 80min | Classificação: 10 anos
19h - DEBATE: HUNGRIA, HISTÓRIA E CINEMA – a confirmar
QUARTA-FEIRA, 11 DE DEZEMBRO
14h - Inverno de Sirocco (Sirokkó) – 1969, DVD, 80min | Classificação: 14 anos
16h - Meu caminho pra casa (Így jöttem) – 1964, DVD, 109min | Classificação: 12 anos
19h - Vermelhos e Brancos (Csillagosok, katonák) – 1967, 35mm, 90min | Classificação: 12 anos
QUINTA-FEIRA, 12 DE DEZEMBRO
15h - Electra, meu amor (Szerelmem, Elektra) – 1974, 35mm, 70min | Classificação: 14 anos
17h - Salmo Vermelho: O Povo ainda quer mais! (Még kér a nép) – 1971, 35mm, 87min | Classificação: 14 anos
19h - Cantata: dissolução e ligação (Oldás és kötés) – 1963, 35mm, 94min | Classificação: 12 anos
SEXTA-FEIRA, 13 DE DEZEMBRO
17h - Allegro Bárbaro (Magyar rapszódia II) – 1979, DVD, 73min | Classificação: 16 anos
19h - Em Budapeste, o Senhor deu uma lanterna em minhas mãos (Nekem lámpást adott kezembe az Úr Pesten) – 1998, 35mm, 103min | Classificação: 12 anos
SÁBADO, 14 DE DEZEMBRO
15h - O horóscopo de Jesus Cristo (Jézus Krisztus horoszkópja) - 1988, 35mm, 90min | Classificação: 14 anos
17h - Electra, meu amor (Szerelmem, Elektra) – 1974, 35mm, 70min | Classificação: 14 anos
19h - Salmo Vermelho: O Povo ainda quer mais! (Még kér a nép) – 1971, 35mm, 87min | Classificação: 14 anos
DOMINGO, 15 DE DEZEMBRO
15h - Cantata: dissolução e ligação (Oldás és kötés) – 1963, 35mm, 94min | Classificação: 12 anos
17h - Vermelhos e Brancos (Csillagosok, katonák) – 1967, 35mm, 90min | Classificação: 12 anos
QUARTA-FEIRA, 4 DE DEZEMBRO
14h30 - Rapsódia Húngara (Magyar rapszódia) – 1978, DVD, 103min | Classificação: 16 anos
17h - Allegro Bárbaro (Magyar rapszódia II) – 1979, DVD, 73min | Classificação: 16 anos
19h - Coração Tirano, aliás, Boccaccio na Hungria (A zsarnok szíve, avagy Boccaccio Magyarországon) – 1981, 35mm, 96min | Classificação: 14 anos
QUINTA-FEIRA, 5 DE DEZEMBRO
15h40 - Inverno de Sirocco (Sirokkó) – 1969, DVD, 80min | Classificação: 14 anos
17h40 - Silêncio e Grito (Csend és kiáltás) – 1967, 35mm, 73min | Classificação: 12 anos
19h10 - DEBATE: A ESTÉTICA DE JANCSÓ – com Hernani Heffner, pesquisador e chefe de preservação no MAM-Rio e Ruy Gardnier, fundador da revista de crítica cinematográfica Contracampo e crítico no jornal O Globo.
SEXTA-FEIRA, 6 DE DEZEMBRO
17h - Temporada dos monstros (Szörnyek évadja) – 1987, DVD, 100min | Classificação: 14 anos
19h - Ventos Cintilantes (Fényes Szelek) – 1968, 35mm, 80min | Classificação: 10 anos
SÁBADO, 7 DE DEZEMBRO
15h - Em Budapeste, o Senhor deu uma lanterna em minhas mãos (Nekem lámpást adott kezembe az Úr Pesten) – 1998, 35mm, 103min | Classificação: 12 anos
17h - Coração Tirano, aliás, Boccaccio na Hungria (A zsarnok szíve, avagy Boccaccio Magyarországon) – 1981, 35mm, 96min | Classificação: 14 anos
19h - Os sem-esperança (Szegénylegények) – 1966, 35mm, 90min | Classificação: 12 anos
DOMINGO, 8 DE DEZEMBRO
14h - Temporada dos monstros (Szörnyek évadja) – 1987, DVD, 100min | Classificação: 14 anos
16h - O horóscopo de Jesus Cristo (Jézus Krisztus horoszkópja) - 1988, 35mm, 90min | Classificação: 14 anos
18h - Silêncio e Grito (Csend és kiáltás) – 1967, 35mm, 73min | Classificação: 12 anos
//SEMANA 2
TERÇA-FEIRA, 10 DE DEZEMBRO
15h - Rapsódia Húngara (Magyar rapszódia) – 1978, DVD, 103min | Classificação: 16 anos
17h - Ventos Cintilantes (Fényes Szelek) – 1968, 35mm, 80min | Classificação: 10 anos
19h - DEBATE: HUNGRIA, HISTÓRIA E CINEMA – a confirmar
QUARTA-FEIRA, 11 DE DEZEMBRO
14h - Inverno de Sirocco (Sirokkó) – 1969, DVD, 80min | Classificação: 14 anos
16h - Meu caminho pra casa (Így jöttem) – 1964, DVD, 109min | Classificação: 12 anos
19h - Vermelhos e Brancos (Csillagosok, katonák) – 1967, 35mm, 90min | Classificação: 12 anos
QUINTA-FEIRA, 12 DE DEZEMBRO
15h - Electra, meu amor (Szerelmem, Elektra) – 1974, 35mm, 70min | Classificação: 14 anos
17h - Salmo Vermelho: O Povo ainda quer mais! (Még kér a nép) – 1971, 35mm, 87min | Classificação: 14 anos
19h - Cantata: dissolução e ligação (Oldás és kötés) – 1963, 35mm, 94min | Classificação: 12 anos
SEXTA-FEIRA, 13 DE DEZEMBRO
17h - Allegro Bárbaro (Magyar rapszódia II) – 1979, DVD, 73min | Classificação: 16 anos
19h - Em Budapeste, o Senhor deu uma lanterna em minhas mãos (Nekem lámpást adott kezembe az Úr Pesten) – 1998, 35mm, 103min | Classificação: 12 anos
SÁBADO, 14 DE DEZEMBRO
15h - O horóscopo de Jesus Cristo (Jézus Krisztus horoszkópja) - 1988, 35mm, 90min | Classificação: 14 anos
17h - Electra, meu amor (Szerelmem, Elektra) – 1974, 35mm, 70min | Classificação: 14 anos
19h - Salmo Vermelho: O Povo ainda quer mais! (Még kér a nép) – 1971, 35mm, 87min | Classificação: 14 anos
DOMINGO, 15 DE DEZEMBRO
15h - Cantata: dissolução e ligação (Oldás és kötés) – 1963, 35mm, 94min | Classificação: 12 anos
17h - Vermelhos e Brancos (Csillagosok, katonák) – 1967, 35mm, 90min | Classificação: 12 anos
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