quarta-feira, agosto 27, 2014

grandrieux

Para que servem? Que real é capaz de animá-las? Philippe Grandrieux, em entrevista a Nicole Brenez, fala de uma certa exigência, de uma dinâmica que busca voltar às fontes mais profundas e obscuras do desejo de representação. Ele diz:

"O que buscamos, desde os primeiros traços de mãos impressas em rochas, na longa e alucinada perambulação dos homens através do tempo, o que tentamos alcançar tão febrilmente, com obstinação e sofrimento, por meio da representação, através de imagens, senão abrir a noite do corpo, sua massa opaca, a carne com a qual pensamos - e apresentá-lo à luz, à nossa cara, o enigma de nossas vidas".

A imagem sem valor de face aparente, que preserva um tipo de fascinação que o cinema não via há algum tempo e que nos demanda uma postura diferenciada. Antes de compreender, é preciso ver. Não se trata de uma decifração. Um filme deve ganhar uma consistência de ser, que insiste em si mesmo, abre-se, expõe-se e produz uma vida, anterior e adiante, que fissura o tempo presente, justifica-o e dinamiza-o. É uma certa opacidade do pensamento da visão que está em jogo: experiência irredutível à generalização, que, justamente por situar-se além de nossas possibilidades, força a pensar.

domingo, agosto 24, 2014

amantes eternos **

O cinema de Jim Jarmusch sempre foi algo pós-punk. Quer dizer: um cinema não mais exatamente revoltoso ou militante, mas melancólico, algo mais para um tédio (neo)existencialista. Seus personagens se veem sem rumo, cansados, desinteressados, embora não exatamente derrotados ou deprimidos. Eles vão buscar alguma coisa, alternativas, certo reencontro com uma mundanidade.  Os filmes fazem então retratos, contextualizações, se promiscuem com o pop, o artifício, diversas formas de entretenimento; incorporam o enfado de um olhar atento e até certo ponto desejoso, porém incapaz ao menos inicialmente de se fascinar com o mundo.  De "Flores partidas" (2005) pra o novo "Eternos amantes", passando pelo pouco conhecido "Os limites do controle" (2009), este olhar jarmuschiano talvez esteja ao mesmo tempo mais entediado e melancólico, de um lado, e atento ao mundano, do outro.

Jarmusch agora nos apresenta o reencontro de dois amantes: Eva (Tilda) e Adão (Tom Hiddleston, o Loki de “Os Vingadores”). Eles são vampiros. Amam-se a séculos. Eva estava em Tânger, no Marrocos, um local marcado pelos expatriados do Novo Mundo que ali se estabeleceram em busca de uma existência mais livre. Adão fez carreira na indústria fonográfica, entre Paris e Detroit, berço da industrialização automobilística americana em vias de sucateamento - aliás, ambas cidades, românticas, embora decadentes ajudam Jarmusch a intuir o tom da trama. Adão é um fastio secular e ambulante. Eva retruca: “não adianta ficar assim, no final das contas o que vale é dançar”. O reencontro entre eles tem gosto de recomeço.

O filme tem um jeitão de thriller, mas requer um tipo diferente de envolvimento do espectador. "Eternos amantes" é um filme de ação sem ação. Não interessa o enredo. Tampouco sua resolução.  É neste sentido bem curiosa a relação que Jarmusch alimenta com o cinema de gênero. Se, por um lado, os códigos já amplamente assimilados dos filmes de vampiro estão todos por lá, do outro, não só não se mergulha no gênero por inteiro, como parece por vezes rechaçá-lo. Talvez seja ainda mais complicado. Quer dizer: não se trata de um movimento que nos traz para mais perto e depois, sorrateiramente, nos tira o chão. Não é bem isso. Nunca nos sentimentos realmente em casa em "Eternos amantes". Tampouco nos sentimentos verdadeiramente desconcertados.

Aos poucos, uma estranha dicotomia de mortos prevalece. Os zumbis são mortos reanimados, sem rumo, sem vida. Para Adam, somos todos zumbis, e, como tal, merecemos sua aversão. Os vampiros são eternos sobreviventes, seres humanos transformados, imortais porém atados ao mundo, ao vício do sangue. Adão e Eva são personagens que enxergam a história em uma linha temporal justamente porque passaram por tudo, embora a partir das margens, das sombras, em segredo. A imortalidade, contudo, nada mais é do que o amargo privilégio de já ter visto tudo. O amargo fica, claro, por conta de Adão. Sua imortalidade é como a constante reafirmação de uma impotência diante das grandes questões, e da crescente  corrosão (moral, artística, social etc) do mundo contemporâneo. Eva tenta confortá-lo. Ela é mais serena e ainda consegue ater-se ao instante, à fruição de prazeres efêmeros. A arte, sobretudo, a música emerge quase sempre como única escapatória.

É tudo bem, realmente, jarmuschiano. Mais do que isso. É tudo bem metafórico, a começar pelo nome dos personagens - que o cineasta insiste não ter como inspiração a "Bíblia", mas um livro de Mark Twain. Tudo neste filme simboliza outra coisa, maior, mais profunda. Um certo esquematismo se faz transparente. "Eternos amantes", apesar da vibração poderosa de algumas de suas locações, das comoventes interpretações de seus protagonistas, da beleza plástica de suas acinzentadas imagens, de seus momentos de poesia sobre o nada, mostra-se excessivamente cauteloso na administração de seus temas e proposições formais.

domingo, agosto 17, 2014

cães errantes ****

O universo truffautiano de Tsai Ming-Liang parece estar se esvaindo. Vejam bem: eu não falo em um cansaço ou desgaste do universo de Tsai, mas algo mais para um esvanecimento, uma dissolução. Em "Cães Errantes" talvez tenhamos chegado a uma espécie de capítulo final. O digital tem culpa. Este é o primeiro longa de Tsai a ser rodado inteiramente em digital. É um dado importante. Pois em "Cães Errantes" vemos uma relação diversa entre câmera, atores e espaços, a começar pela longa duração dos planos e pela sensação (talvez inédita mesmo para um cineasta como Tsai) de paralisia e isolamento. Tsai jamais havia isolado tanto seus planos. São raros os momentos em que conexões entre planos são expressas, implicadas, sugeridas. Os planos duram, duram, duram, e, dificilmente, se compõem em sequências, como se o cinema narrativo estivesse ameaçado. Ainda assim, como todos os longas de Tsai, este é um filme centrado em um corpo-personagem e na exploração de suas possíveis narrativas. É bem interessante como Tsai consegue enxertar micronarrativas no interior de uma estrutura mais ampla sem ter necessariamente em conta uma conectividade mais literal às cenas em torno delas.

Vale uma menção aos dois últimos planos de "Cães Errantes". Em um drama silencioso e melancólico, estes planos são como um clímax íntimo. A imagem nos mostra marido e mulher. Ela tem o rosto em primeiro plano. Ele está por trás dela. Nenhum dos dois falam por quase 14 minutos. A única ação que vemos na maior parte do plano é o marido tomando goles de cerveja enquanto a mulher chora. Não temos ideia de quando esta cena vai terminar. Até porque nenhuma trajetória mais claro se configurou. Depois de 13 minutos, ele agarra o ombro dela e inclina sua cabeça cansada. Em um filme como este, um movimento mínimo e aparentemente aleatório se transforma em um verdadeiro acontecimento. E o filme, subitamente, se abre novamente a uma série de possibilidades narrativas. Estaria ele querendo reatar o relacionamento? Pedindo desculpas? Desculpas pelo quê exatamente? O corte interrompe o fluxo e nos põe distantes do casal, agora de costas, com o mural em relevo e as ruínas da casa. Mais dez minutos se passam. Marido e mulher saem de quadro. Para onde? Ela sai primeiro. Estaria nervosa? Será que vão ficar juntos?

É triste, contudo, que a maioria das pessoas só enxergue o desespero, vazio e as lágrimas. Lembrei das últimas cenas de “Viver l’amour” (1994). Vejam bem. Não refiro-me somente da famosa cena final. Pois pouco antes da cena de choro de Mey, Tsai nos oferece um outro longo plano que fecha as participações dos demais protagonistas do longa, Hsiao-kang e Ah-jung. O primeiro sai debaixo da cama, onde estava escondido. Ele deita ao lado de Ah-jung, que permanece dormindo. Hsiao-kang encena uma cena romântica, com os olhos esbugalhados, apreensivo, porém entusiasmado com a própria brincadeira. Ele beija o rosto de Ah-jung, cobre-se com o braço do rapaz e fecha os olhos. Em um certo sentido, a plenitude estranha dessa cena, funciona como contraponto da que virá logo em seguida. Poderíamos falar em um filme com dois finais - talvez seja um exagero dizer o mesmo de "Cães Errantes".

terça-feira, agosto 12, 2014

FRITZ LANG!

Começa amanhã a retrospectiva do Frtiz Lang no CCBB do Rio. Dá pra ver a programação desta primeira semana clicando aqui.

quarta-feira, agosto 06, 2014

jia zhang-ke na caixa!

Vejam abaixo a retrospectiva do Jia Zhang-ke na Caixa Cultural. Começou ontem:

06 | quarta

16h30 | sala 1: Memórias de Xangai

19h | sala 2: 24 city

07 | quinta

16h30 | sala 2: Inútil + Our ten years

19h | sala 2: Volta pra casa + In public

8 | sexta

14h | sala 2: Yulu + Remembrance

16h30 | sala 2: Dong + Cry me a river + Black Breakfast

19h | sala 1: Em busca da vida

9 | sábado

14h | sala 1: Plataforma

16h | MASTERCLASS com Jia Zhangke

10 | domingo

14h | sala 2: Prazeres Desconhecidos

16h30 | sala 2: O Mundo

19h | sala 1: Um artista batedor de carteiras + Dog’s condition

12 | terça

16h30 | sala 2: Volta pra casa + In public

19h | sala 1: Um artista batedor de carteiras + Dog’s condition

13 | quarta

16h30 | sala 1: Plataforma

19h | sala 2: Prazeres Desconhecidos

14 | quinta

16h30 | sala 2: O Mundo

19h | sala 1: Em busca da vida

15 | sexta

14h | sala 2: Dong + Cry me a river + Black Beakfast

16h30 | sala 2: Inútil + Our ten years

19h | sala 2: 24 city

16 | sábado

16h30 | sala 1: Memórias de Xangai

19h | sala 2: Yulu + Remembrance

17 | domingo

14h | sala 2: Jia de volta pra casa

16h30 | sala 2: Um toque de pecado

19h | sala 1: mesa de debate 1

segunda-feira, agosto 04, 2014

os residentes ***

Este filme de Tiago Mata Machado é diferente. Ele quer ser diferente. E o é, sem dúvida. Por aí já dá pra ver que tive uma experiência um tanto conturbada com "Os Residentes". Quer dizer: a primeira impressão era de um filme muito preocupado em ser diverso, inteligente, difícil, onde a imagem vem agarrada à um conceito, é ela mesma uma conceito, querendo sempre dizer algo para além dela. As ações não costuram e ou mediam o mundo constituído em filme. O que existem são representações. Refletir sobre a linguagem para poder pensar sobre o mundo. Hoje isso soa como mais um código na gaveta, na grande maioria das vezes. É estranho. Esse incômodo inicial não me abandonou ao longo do filme. "Os Residentes", contudo, ganhava-me devagarzinho, com momentos muito fortes, reencontrando uma energia criativa/destruidora talvez adormecida nos anais da história do cinema. A própria complexidade da fruição do filme mostrava-se pouco a pouco apenas aparente.

Machado interpela a imagem. O que ela pode? Nada sabemos sobre o que pode a imagem cinematográfica. Esta declaração de ignorância é, no entanto, uma provocação e um ponto de partida para uma aventura estético-ideológica. Existe neste filme a consciência de ter vindo depois, de ter chegado depois. Para Machado, este depois diz respeito às diversas vanguardas que tomaram o cinema de assalto ao longo dos anos 60 e 70 com uma vontade de intervenção na vida, para destruí-la e lhe dar quem sabe um outro nome. "Os Residentes", neste sentido, vive em uma espécie de ruína, dos escombros do grande projeto do cinema moderno e suas vanguardas. Ele é como uma resposta corajosa ao trauma deste "fracasso", encarando-o de frente e ao mesmo tempo jogando-o para o retrovisor e seguindo em frente. Vivemos em um momento em que a vida e o mundo são forjados por códigos estéticos? Somos representações sem referencia? O que resta então ao cinema? "Os Residentes" faz este diagnóstico, sendo ele mesmo um sintoma deste diagnóstico, e prega, por fim, a exploração dos poderes representacionais da imagem.

Lendo sobre o filme na Internet, esbarrei nesta preciosidade, uma conversa sobre "Os Residentes", entre Francis Vogner dos Reis e Tiago Mata Machado. Vejam aqui.


terça-feira, julho 29, 2014

sábado, julho 26, 2014

imovision no arteplex

A Imovision completa 25 anos e faz uma pequena mostra no Arteplex, com destaque para o novo filme de Abel Ferrara, "Bem vindo a Nova York". O filme passa hoje e terça, às 21h30.

Além dele, outros grandes filmes do catálogo da distribuidora serão exibidos:

24/07 – A FITA BRANCA

25/07 – DANÇANDO NO ESCURO

26/07 – A SEPARAÇÃO

27/07 – AMOR À FLOR DA PELE

28/07 – CINEMA, ASPIRINAS E URUBUS

29/07 – VINCERE

30/07 – AMOR

Sessões sempre às 19hs

terça-feira, julho 22, 2014

surrealismo e vanguardas, no CCBB

Dia 23/07 (Quarta-feira)

17h – Sessão Man Ray (Classificação Indicativa: Livre)

Emak-Bakia – Direção: Man Ray. 1927, 35mm, 18 min
L’Etoile de Mer (Estrela do Mar) – Direção: Man Ray. 1928, 35mm, 21 min
Les Mystères du Chateau du Dé – Direção: Man Ray. 1929, 35mm, 27 min

19h – Sessão Luís Buñuel (Classificação Indicativa: Livre)

A Idade de Ouro (L’âge D’or) – Direção: Luís Buñuel. 1930, 35mm, 63 min
Um Cão Andaluz – Direção: Luís Buñuel. 1928, 35mm, 16 min.

Dia 24/07 (Quinta-feira)

17h - A Nós a Liberdade – Direção: René Clair. 1931, DVD, 80 min. Classificação Indicativa : Livre

19h - Traité de bave et d’eternité – Direção: Isidore Isou. 1951, 35mm, 123 min. Classificação Indicativa : 14 anos

Dia 25/07 (Sexta-feira)

17h – Sessão Joseph Cornell (Classificação indicativa: Livre)

Rose Robart – Direção: Joseph Cornell. 1936, DVD, 20 min.
By Night with Torch and Spear – Direção: Joseph Cornell. 1942, DVD, 8 min.
Aviary – Direção: Joseph Cornell. 1955, DVD, 14 min.
Centuries of June – Direção: Joseph Cornell. 1955, DVD, 11 min.
Gnir Rednow – Direção: Joseph Cornell. 1955-1970, DVD, 6 min
Angel – Direção: Joseph Cornell. 1957, DVD, 3 min
Nymphlight – Direção: Joseph Cornell, 1957, DVD, 8 min.
A Legend for Fountains – Direção: Joseph Cornell. 1857-1965, DVD, 17 min.

19h - Limite – Direção: Mário Peixoto. 1931, bluray, 120 min.
Classificação Indicativa : Livre

Dia 26/07 (Sábado)

15h30 - Traité de bave et d’eternité – Direção: Isidore Isou. 1951, 35mm, 123 min. Classificação Indicativa : 14 anos

18h – Sessão Luís Buñuel (Classificação indicativa: Livre)

A Idade de Ouro (L’âge D’or) – Direção: Luís Buñuel. 1930, 35mm, 63 min
Um Cão Andaluz – Direção: Luís Buñuel. 1928, 35mm, 16 min.

Dia 27/07 (Domingo)

15h30 - Limite – Direção: Mário Peixoto. 1931, bluray, 120 min. Classificação Indicativa : Livre

18h – Sessão Man Ray (Classificação indicativa: Livre)

Emak Bakia – Direção: Man Ray. 1927, 35mm, 18 min
L’Etoile de Mer (Estrela do Mar) – Direção: Man Ray. 1928, 35mm, 21 min
Les Mystères du Chateau du Dé – Direção: Man Ray. 1929, 35mm, 27 min

Dia 28/07 (Segunda-feira)

17h – Sessão Joseph Cornell (Classificação indicativa: Livre)

Rose Robart – Direção: Joseph Cornell. 1936, DVD, 20 min.
By Night with Torch and Spear – Direção: Joseph Cornell. 1942, DVD, 8 min.
Aviary – Direção: Joseph Cornell. 1955, DVD, 14 min.
Centuries of June – Direção: Joseph Cornell. 1955, DVD, 11 min.
Gnir Rednow – Direção: Joseph Cornell. 1955-1970, DVD, 6 min
Angel – Direção: Joseph Cornell. 1957, DVD, 3 min
Nymphlight – Direção: Joseph Cornell, 1957, DVD, 8 min.
A Legend for Fountains – Direção: Joseph Cornell. 1857-1965, DVD, 17 min.

19h - A Nós a Liberdade – Direção: René Clair. 1931, DVD, 80 min. Classificação Indicativa : Livre

Dia 30/07 (Quarta-feira)

17h – Sessão James Broughton 1 (Classificação indicativa: 16 anos)

The Pleasure Garden – Direção: James Broughton. 1953, 16mm, 38 min.
The Bed – Direção: James Broughton. 1968, 16mm, 20 min.
Testament – Direção: James Broughton. 1974, 16mm, 20 min.

19h – Sessão Maya Deren 1 (Classificação indicativa: Livre)

Study in Choreography for Camera – Direção: Maya Deren. 1945, 16mm, 3 min.
At Land – Direção: Maya Deren. 1944, DVD, 14 min.
Tramas do Entardecer (Meshes of Afternoon) – Direção: Maya Deren. 1943, 16mm, 13 min.
Ritual in Transfigured Time – Direção: Maya Deren. 1946, 16mm, 14 min.
The Very Eye Of Night – Direção: Maya Deren. 1958.16mm, 15 min.

Dia 31/07 (Quinta-feira)

17h – Sessão James Broughton 2 (Classificação indicativa: 16 anos)

Dreamwood – Direção: James Broughton. 1972, 16mm, 45 min.
Devotions – Direção: James Broughton, Joel Singer. 1983, 16mm, 22 min.

19h – Sessão Maya Deren 2 (Classificação indicativa: Livre)

Meditation on Violence – Direção: Maya Deren. 1948, 16mm, 10 min.
Divine Horsemen: The Living Gods of Haiti – Direção: Maya Deren, Cherel Ito e Teiji Ito. 1951 – 1985, 16mm, 55 min.

Dia 01/08 (Sexta-feira)

17h – Sessão Germaine Dulac + Jean Genet (Classificação indicativa: 18 anos)

Um Chant D’Amour – Direção: Jean Genet. 1950, 35mm, 26 min
A Concha e o Clérigo (La Coquille et le Clergymen) – Direção: Germaine Dulac. 1928, 35mm, 40 min.

19h – Sessão de Curtas René Clair + Fernand Léger + Marcel Duchamp (Classificação indicativa: Livre)

Anemic Cinema – Direção: Marcel Duchamp. 1926, blu-ray.
Ballet Mécanique – Direção: Fernand Léger, Dudley Murphy. 1923, 35mm, 19 min.
Entr’act – Direção: René Clair. 1924, 35mm, 20 min.

Dia 02/08 (Sábado)

16h – Sessão Maya Deren 1 (Classificação indicativa: Livre)

Study in Choreography for Camera – Direção: Maya Deren. 1945, 16mm, 3 min.
At Land – Direção: Maya Deren. 1944, DVD, 14 min.
Tramas do Entardecer (Meshes of Afternoon) – Direção: Maya Deren. 1943, 16mm, 13 min.
Ritual in Transfigured Time – Direção: Maya Deren. 1946, 16mm, 14 min.
The Very Eye Of Night – Direção: Maya Deren. 1958.16mm, 15 min.

18h – Sessão Germaine Dulac + Jean Genet (Classificação indicativa: 18 anos)

Um Chant D’Amour – Direção: Jean Genet. 1950, 35mm, 26 min
A Concha e o Clérigo (La Coquille et le Clergymen) – Direção: Germaine Dulac. 1928, 35mm, 40 min.

Dia 03/08 (Domingo)

16h – Sessão James Broughton 1 (Classificação indicativa: Livre)

The Pleasure Garden – Direção: James Broughton. 1953, 16mm, 38 min.
The Bed – Direção: James Broughton. 1968, 16mm, 20 min.
Testament – Direção: James Broughton. 1974, 16mm, 20 min.

18h – Sessão de Curtas René Clair + Fernand Léger + Marcel Duchamp (Classificação indicativa: Livre)

Anemic Cinema – Direção: Marcel Duchamp. 1926, blu-ray.
Ballet Mécanique – Direção: Fernand Léger, Dudley Murphy. 1923, 35mm, 19 min.
Entr’act – Direção: René Clair. 1924, 35mm, 20 min.

Dia 04/08 (Segunda-feira)

17h – Sessão Maya Deren 2 (Classificação indicativa: Livre)

Meditation on Violence – Direção: Maya Deren. 1948, 16mm, 10 min.
Divine Horsemen: The Living Gods of Haiti – Direção: Maya Deren, Cherel Ito e Teiji Ito. 1951 – 1985, 16mm, 55 min.

19h – Sessão James Broughton 2

Dreamwood – Direção: James Broughton. 1972, 16mm, 45 min.
Devotions – Direção: James Broughton, Joel Singer. 1983, 16mm, 22 min.

Dia 06/08 (Quarta-feira)

15h - Sessão Joseph Cornell (Classificação indicativa: Livre)

Rose Robart – Direção: Joseph Cornell. 1936, DVD, 20 min.
By Night with Torch and Spear – Direção: Joseph Cornell. 1942, DVD, 8 min.
Aviary – Direção: Joseph Cornell. 1955, DVD, 14 min.
Centuries of June – Direção: Joseph Cornell. 1955, DVD, 11 min.
Gnir Rednow – Direção: Joseph Cornell. 1955-1970, DVD, 6 min
Angel – Direção: Joseph Cornell. 1957, DVD, 3 min
Nymphlight – Direção: Joseph Cornell, 1957, DVD, 8 min.
A Legend for Fountains – Direção: Joseph Cornell. 1857-1965, DVD, 17 min.

17h - Salomé – Direção: Téo Hernandez. 1976, 16mm, 65 min. Classificação Indicativa : 18 anos

19h – Sessão Sidney Peterson (Classificação indicativa: Livre)

The Potted Psalm – Direção: Sidney Peterson, James Broughton. 1946, 16mm, 17 min.
The Cage – Direção: Sidney Peterson. 1947, 16mm, 28 min.
The Lead Shoes – Direção: Sidney Peterson, 1949, 16mm, 18 min.

Dia 07/08, quinta-feira

15h - A Nós a Liberdade – Direção: René Clair. 1931, DVD, 80 min. Classificação Indicativa : Livre

17h – Sessão Jean Painlevé (Classificação indicativa: Livre)

Mathusalem – Direção: Jean Painlevé, 1926, 16mm, 7 min.
Hyas et Stenoriques – Direção: Jean Painlevé, 1927, 16mm, 13 min.
Le Bernard – L’Hermite – Direção: Jean Painlevé, 1927, 16mm, 13 min.
Caprelles – Direção: Jean Painlevé, 1929, 16mm, 8 min.
Le Quatrieme Dimension – Direção: Jean Painlevé, 1936, 16mm, 10 min
Le Vampire – Direção: Jean Painlevé, 1939, 16mm, 9 min.

19h - L’ange – Direção: Patrick Bokanowski. 1982, 35mm, 70 min. Classificação Indicativa : 14 anos

Dia 08/08, sexta-feira

15h – Sessão Oskar Fischinger + Len Lye (Classificação indicativa: Livre)

Wachs Experimente – Direção: Oskar Fischinger. 1923, 16mm, 9 min.
München Berlin Wanderung – Direção: Oskar Fischinger. 1927, 16mm, 5 min.
Seelische Konstruktionen – Direção: Oskar Fischinger. 1927, 16mm, 7 min.
Komposition in Blau – Direção: Oskar Fischinger. 1935, 16mm, 4 min.
Motion Painting 1 – Direção: Oskar Fischinger. 1947, 16mm, 11 min.
Tusalava – Direção: Len Lye. 1929, 16mm, 11 min.
Kaleidoscope – Direção: Len Lye, 1935, 16mm, 4 min.
Colour Flight – Direção: Len Lye, 1938, 16mm, 4 min.

17h - Salomé – Direção: Téo Hernandez. 1976, 16mm, 65 min. Classificação Indicativa : 14 anos

19h – Debate com Luiz Fernando Gallego e Cristiana Miranda

Dia 09/08, sábado

16h – Sessão Oskar Fischinger + Len Lye (Classificação indicativa: Livre)

Wachs Experimente – Direção: Oskar Fischinger. 1923, 16mm, 9 min.
München Berlin Wanderung – Direção: Oskar Fischinger. 1927, 16mm, 5 min.
Seelische Konstruktionen – Direção: Oskar Fischinger. 1927, 16mm, 7 min.
Komposition in Blau – Direção: Oskar Fischinger. 1935, 16mm, 4 min.
Motion Painting 1 – Direção: Oskar Fischinger. 1947, 16mm, 11 min.
Tusalava – Direção: Len Lye. 1929, 16mm, 11 min.
Kaleidoscope – Direção: Len Lye, 1935, 16mm, 4 min.
Colour Flight – Direção: Len Lye, 1938, 16mm, 4 min.

18h – Sessão Sidney Peterson (Classificação indicativa: Livre)

The Potted Psalm – Direção: Sidney Peterson, James Broughton. 1946, 16mm, 17 min.
The Cage – Direção: Sidney Peterson. 1947, 16mm, 28 min.
The Lead Shoes – Direção: Sidney Peterson, 1949, 16mm, 18 min.

Dia 10/08, domingo

16h – Sessão Jean Painlevé (Classificação indicativa: Livre)

Mathusalem – Direção: Jean Painlevé, 1926, 16mm, 7 min.
Hyas et Stenoriques – Direção: Jean Painlevé, 1927, 16mm, 13 min.
Le Bernard – L’Hermite – Direção: Jean Painlevé, 1927, 16mm, 13 min.
Caprelles – Direção: Jean Painlevé, 1929, 16mm, 8 min.
Le Quatrieme Dimension – Direção: Jean Painlevé, 1936, 16mm, 10 min
Le Vampire – Direção: Jean Painlevé, 1939, 16mm, 9 min.

18h – Sessão Henri Storck (Classificação indicativa: Livre)

Images D’Ostende – Direção: Henri Storck. 1929, 16mm, 15 min.
Trains de Plaisir – Direção: Henri Storck. 1930, 16mm, 7 min.
Une Idylle a la Plage – Direção: Henri Storck. 1931, 16mm, 35 min.
Le Histoire du Soldat Inconnu – Direção: Henri Storck, 1931, 16mm, 10 min.
Sur les Bords de la Caméra – Direção: Henri Storck. 1932, 16mm, 10 min.

Dia 11/08, segunda-feira

17h – Sessão Henri Storck (Classificação indicativa: Livre)

Images D’Ostende – Direção: Henri Storck. 1929, 16mm, 15 min.
Trains de Plaisir – Direção: Henri Storck. 1930, 16mm, 7 min.
Une Idylle a la Plage – Direção: Henri Storck. 1931, 16mm, 35 min.
Le Histoire du Soldat Inconnu – Direção: Henri Storck, 1931, 16mm, 10 min.
Sur les Bords de la Caméra – Direção: Henri Storck. 1932, 16mm, 10 min.

19h - L’ange – Direção: Patrick Bokanowski. 1982, 35mm, 70 min. Classificação Indicativa : 14 anos

domingo, julho 20, 2014

primeiros encontros no ims

"Primeiros encontros": uma mostra bem legal lá no IMS. Começa dia 25. Vejam aí a programação:

SEXTA | 25 de julho

14h00

Alan Vega: um milhão de sonhos (Alan Vega: Just a Million Dreams) de Marie Losier (França, 2013. 15’)

O último filme (La última película) de Mark Peranson e Raya Martin (México, Dinamarca, Canadá, Filipinas, 2013. 88’)

16h00

Perseverança (Let Us Persevere in What We Have Resolved Before We Forget) de Ben Russell (França, 2013. 20’)

A unidade de todas as coisas (The Unity of All Things) de Alexander Carver e Daniel Schmidt(EUA, Suíça, China, 2013. 98‘)

18h00

Manakamana(Manakamana) de Pacho Velez e Stephanie Spray (Nepal, EUA, 2013. 118’)

20h00

América (America) de Valérie Massadian (França, 2013. 7’)

Orbitalna (Orbitalna) de Marcin Malaszczak (Alemanha, 2014. 25‘)

Costa da Morte (Costa da Morte) de Lois Patiño ( Espanha, 2013. 81’)

SÁBADO | 26 de julho

14h00

Metáfora ou a tristeza virada ao avesso (Metáfora ou a tristeza virada ao avesso) de Catarina Vasconcelos (Portugal, Reino Unido, 2014. 32’)

A selva interior(La jungla interior) de Juan Barrero (Espanha, 2013. 75‘)

16h00

O incitador (Le souffleur de l’affaire) de Isabelle Prim (França, 2014. 55’)

Mil sóis(Mille soleils) de Mati Diop (França, Senegal, 2013. 45‘)

18h00

Alan Vega: um milhão de sonhos (Alan Vega: Just a Million Dreams) de Marie Losier (França, 2013. 15’)

O último filme (La última película) de Mark Peranson e Raya Martin (México, Dinamarca, Canadá, Filipinas, 2013. 88’)

20h00

Perseverança (Let Us Persevere in What We Have Resolved Before We Forget) de Ben Russell (França, 2013. 20’)

A unidade de todas as coisas (The Unity of All Things) de Alexander Carver e Daniel Schmidt(EUA, Suíça, China, 2013. 98‘)

DOMINGO | 27 de julho

14h00

Manakamana (Manakamana) de Pacho Velez e Stephanie Spray (Nepal, EUA, 2013. 118’)

16h00

América (America) de Valérie Massadian (França, 2013. 7’)

Orbitalna (Orbitalna) de Marcin Malaszczak (Alemanha, 2014. 25‘)

Costa da Morte (Costa da Morte) de Lois Patiño (Espanha, 2013. 81’)

18h00

Metáfora ou a tristeza virada ao avesso (Metáfora ou a tristeza virada ao avesso) de Catarina Vasconcelos (Portugal, Reino Unido, 2014. 32’)

A selva interior(La jungla interior) de Juan Barrero (Espanha, 2013. 75‘)

20h00

O incitador (Le souffleur de l’affaire) de Isabelle Prim (França, 2014. 55’)

Mil sóis(Mille Soleils) de Mati Diop (França, Senegal, 2013. 45‘)

segunda-feira, julho 14, 2014

links

- Alguns belos trechos de grandes cineastas que passaram pelo austríaco Film Museum

The Cinephiliacs é um site especializado em podcasts com cineatas, críticos e pesquisadores. Bacana

Storyboard do "Enigma do outro mundo" (1982) em comparação com filme

- Uma conversa entre Kenneth Anger e Harmony Korine

- O novo número da "La Furia Umana"

Adrian Martin fala sobre crítica audiovisual com Catherine Grant

- E David Cronenberg:

sexta-feira, julho 11, 2014

realidade

Andei revendo alguns filmes de Jia Zhang-ke, e volta e meia "Riocorrente" me vem à cabeça. Aos poucos, uma inesperada associação entre um e outro foi ganhando corpo. Quer dizer: a realidade não como um dado, objetivo, evidente. A realidade como uma sensação, um sentimento, uma atmosfera, um gesto. Enfim. Como Paulo Sacramento, o chinês, em filmes como "O Mundo" (2004) e "Em Busca da Vida" (2006), também recorre à intervenções por meio de efeitos animados. Vivemos em uma sociedade de imagens. Elas são mais reais do que a realidade. Não mais testamos a imagem pela realidade. Fazemos o contrário. Já faz algum tempo. Testamos a realidade pela imagem. Quer dizer: a imagem da realidade, precisa, muitas vezes, dependendo de que realidade estamos falando, ser mais do que um registro, mais, mais, mais.

quinta-feira, julho 03, 2014

riocorrente ****

Que filme! "Riocorrente" é como um palavrão bem dado, um longa à flor da pele, em estado de ebulição. É um filme de muitas ideias, com certeza. Contudo, raramente vejo as imagens sendo asfixiadas por elas. Ao contrário: as imagens se afirmam em seus possíveis, no seu excesso e imperfeição. Eu me peguei pensando na física nuclear, que decifra a origem do universo pela explosão da massa em energia, onde as novas partículas produzidas são da mesma espécie das que as produziram. Pois o filme começa e uma certa virulência é liberada. Ela compõe o filme e o ameaça. Uma coisa bem poderosa. Falou-se muito que "Riocorrente" seria um longa sobre a vida em São Paulo, suas tensões, contradições. Pode ser. Eu já acho que o filme de Paulo Sacramento consegue dar conta de certo espírito de época, de nossa época de copa do mundo e olimpíadas, onde todo mundo parece ter ligado o foda-se. E nisso me agrada muito os efeitos de "Riocorrente". Sacramento parece nos dizer que a realidade em que vivemos parece ultrapassar a capacidade dos sentidos realistas de apreensão da vida e de representação cinematográfica. Quer dizer: a realidade é menos algo dado do que um sentimento; e para dar conta dele é preciso de mais imaginação.

terça-feira, junho 17, 2014

olhu nu **

Fiquei um pouco decepcionado com este filme. "Olho nu" é veloz. As músicas se sucedem vertiginosamente, bem como a presença impactante, misteriosa, indecifrável de Ney Matogrosso, que nos chega sempre em breves fragmentos, em uma espécie de estética do coito-interrompido. Joel Pizzini não nos dá tempo nem para nos instalarmos em determinada imagem nem para saborearmos certa informação biográfica.  "Olho nu" parece-me um filme em crise de identidade, entre um documentário mais biográfico-informativo e um ensaio de imagens mais expressivas e "experimentais". As aspas não são a toa. "Olho nu" funciona como versão mais "comportada" ou "conformada" (aspas, mais uma vez) de certo jogo de auto-elogio da figura transgressora e desviante do artista e de uma suposta liberdade de linguagem que soa na grande maioria das vezes como um dejá vú. Isso porque se boa parte do cinema ensaístico e experimental procurava criar efeitos estéticos de transgressão e de negação, com a finalidade de ameaçar a recepção alienada da realidade e propor novas formas de fruição, hoje, essa negação e essa proposição se tornaram por si só algo estéril, sendo apenas mais uma maneira de atrair atenção e intensificar a mesma alienação a qual desejavam inicialmente se opor.

segunda-feira, junho 16, 2014

que horas são aí? ***

Ansioso por seu novo filme ("Cães Errantes"; será mesmo que estréia no Rio?), revi não tem muito tempo "Que horas são aí?" (2001). É mesmo um belíssimo filme. Algumas cenas ficaram comigo. Hsiao-Kang batendo o relógio na passarela é uma delas. Porque ele faz aquilo? Porque rimos daquilo? Que sentido ou significado pode ser intuído a partir dali? Difícil. Aquilo é tão despropositado, sem história ou justificativas - como o choro de May em "Vive L'amour" (1994). Tsai busca sempre a erupção e a vidência do presente, da duração, da consciência deste presente e desta duração. O presente como ruptura. O presente como um impasse. O acontecimento rompe a serialidade linear, traga a história pela urgência de viver aquela situação tão aparentemente banal. Este banal, contudo, acontece e está acontecendo com uma força tal...

Penso muito também na associação com Antonioni. Em "Que horas são aí?" acompanhamos personagens solitários caminhando por quadros urbanos e arquitetônicos despersonalizados. Eles vagam vagarosamente, sem finalidades mais objetivas. Eu, contudo, não consigo ver ali somente um mundo de disjunção e incomunicabilidade, o mundo do apocalipse vindouro. Pra mim, o que fica destas sequências não é a pulverização do individuo no concreto impessoal, mas a possibilidade ao mesmo tempo latente e impossível de um encontro. O que mais impressiona neste filme é como Tsai consegue construir uma espécie delicada de suspense em que cada plano vive justamente essa possibilidade. 

sexta-feira, junho 13, 2014

heli °

É uma coisa um tanto amoral esse "Heli". "Bastardos" (2008) já era um filme bem complicado, mas este novo Amat Escalante é realmente algo deplorável, de um sadismo injustificável, de uma visão de mundo torpe, em que o homem pode apenas gerar ao outro dor, mal, horror - um horror, um mal, uma dor, claro, embaladas em uma estética rigorosa e afinada ao circuito de festivais. Para Escalante, não há nada mais a registrar do que o sofrimento. É, na verdade, algo bem previsível. Pois, aos poucos, sabemos que o que vai acontecer em cada plano é sempre o pior possível e imaginável - o pior possível e imaginável no que diz respeito aos personagens porque a imagem é sempre bonita, bem enquadrada, elegante e toma seu tempo, longo, sem cortes. Fica a dúvida: sabemos que os personagens são um pretexto, mas quem é a protagonista deste filme, a violência ou a imagem? Se pegamos a cena da tortura do cadete, como é possível entender as opções de Escalante? Expressar uma visão pessoal sobre o México atual? Colar-se a experiência do personagem? Longe disso, parece-me. O filme quer condenar a violência, ok. Mas, para fazê-lo, o cineasta decide explorá-la?! Ao longo da sessão, pensei muito em "Jaula de oro" (2013), o belíssimo e doído longa de Diego Quemada-Díez sobre três jovens da Guatemala que passam o diabo na tentativa de imigrar para os EUA. Quer dizer: não é uma questão de temáticas, mas de visão de mundo e cinema.