quinta-feira, agosto 09, 2012

roberto farias no ccbb

Começou esta semana uma mostra no CCBB com filmes de Roberto Farias, uma das figuras mais importantes da história do cinema brasileiro. Vejam a programação:


9 de agosto – quinta-feira

14h – Curso: aula 2: "Comédia e drama em equilíbrio: a busca por um cinema popular"

16h – Os Trapalhões no Auto da Compadecida (1987)
Dir.: Roberto Farias 96 min, 35mm, Livre

18h – Cidade ameaçada (1960)
Dir.: Roberto Farias 105 min, 35mm, 12 anos

20h – DEBATE – "Roberto Farias: autoria e gênero". Mediação de João Luiz Vieira com a presença de Flávia Seligman e Rafael de Luna

10 de agosto – sexta-feira

14h – Curso: aula 3: "A crença na possibilidade de uma indústria cinematográfica
brasileira: estratégias, experiências, impasses e saídas".

16h – Os machões (1972)
Dir.: Reginaldo Faria 96 min, 35mm, 14 anos

18h – O assalto ao trem pagador (1962)
Dir.: Roberto Farias 103 min, 35mm, 12 anos

20h – Toda donzela tem um pai que é uma fera (1966)
Dir.: Roberto Farias 107 min, 35mm, Livre

11 de agosto – sábado

16h – Roberto Carlos a 300 km por hora (1971)
Dir.: Roberto Farias 99 min, 35mm, Livre

18h – Roberto Carlos em ritmo de aventura (1968)
Dir.: Roberto Farias 97 min, 35mm, Livre

20h – Roberto Carlos e o diamante cor-de-rosa (1968)
Dir.: Roberto Farias 94 min, 35mm, Livre

12 de agosto – domingo
16h – Aviso aos navegantes (1950)
Dir.: Watson Macedo 113 min, 35mm, Livre

18h – Selva trágica (1964)
Dir.: Roberto Farias 101 min, Betacam, 14 anos

20h – Um candango na Belacap (1961)
Dir.: Roberto Farias 100 min, Betacam, Livre

14 de agosto – terça-feira


15h – Os paqueras (1969)
Dir.: Reginaldo Faria 102 min, Betacam, 16 anos

17h – É fogo na roupa (1952)
Dir.: Watson Macedo 88 min, 35mm, Livre

19h – Cidade ameaçada (1960)
Dir.: Roberto Farias 105 min, 35mm, 12 anos

15 de agosto – quarta-feira

15h – Aventuras com tio Maneco (1971)
Dir.: Flávio Migliaccio 90 min, Betacam, Livre

17h – Rico ri à toa (1957)
Dir.: Roberto Farias 110 min, 35mm, 14 anos

19h – Com licença eu vou à luta (1986)
Dir.: Lui Farias 84 min, 35mm, 14 anos

16 de agosto – quinta-feira

15h – Toda donzela tem um pai que é uma fera (1966)
Dir.: Roberto Farias 107 min, 35mm, Livre

17h – O assalto ao trem pagador (1962)
Dir.: Roberto Farias 103 min, 35mm, 12 anos

19h – DEBATE: "Roberto Farias: mercado e política". Mediação de Tunico Amancio com a presença de Luiz Gonzaga de Luca e Lia Bahia.

17 de agosto – sexta-feira

15h – Quem tem medo de lobisomem (1974)
Dir.: Reginaldo Faria 92 min, Betacam, 14 anos

17h – Aguenta coração (1982)
Dir.: Reginaldo Faria 99 min, 35mm, 14 anos

19h – Selva trágica (1964)
Dir.: Roberto Farias 101 min, Betacam, 14 anos

18 de agosto – sábado

16h – Os Trapalhões no Auto da Compadecida (1987)
Dir.: Roberto Farias 96 min, 35mm, Livre

18h – Rio fantasia (1956)
Dir.: Watson Macedo 115 min, 35mm, Livre

20h – O fabuloso Fittipaldi (1974)
Dir.: Roberto Farias 98 min, 35mm, Livre

19 de agosto – domingo

16h - No mundo da Lua (1958)
Dir.: Roberto Farias 104 min, 35mm, Livre

18h – Toda nudez será castigada (1972)
Dir.: Arnaldo Jabor 103 min, 35mm, 16 anos

20h – O casamento de Romeu e Julieta (2004)
Dir.: Bruno Barreto 93 min, 35mm, 10 anos

21 de agosto – terça-feira

15h – Mar de rosas (1970)
Dir.: Ana Carolina 90 min, DVD, 16 anos

17h – Um candango na Belacap
Dir.: Roberto Farias 100 min, Betacam, Livre

19h – Os paqueras (1969)
Dir.: Reginaldo Faria 102 min, Betacam, 16 anos

22 de agosto – quarta-feira

17h – Roberto Carlos e o diamante cor-de-rosa (1968)
Dir.: Roberto Farias 94 min, 35mm, Livre

19h – Não quero falar sobre isso agora (1990)
Dir.: Mauro Farias 101 min, 35mm, 14 anos

23 de agosto – quinta-feira

15h – Roberto Carlos em ritmo de aventura (1968)
Dir.: Roberto Farias 97 min, 35mm, Livre

17h – Pra frente Brasil (1982)
Dir.: Roberto Farias 105 min, 35mm, 16 anos

19h – Master class: "Roberto Farias" – mediação de João Luiz Vieira e Tunico Amancio

24 de agosto – sexta-feira

17h – Rio fantasia (1956) 
Dir.: Watson Macedo 115 min, 35mm, Livre

19h – Com licença eu vou à luta (1986)
Dir.: Lui Farias 84 min, 35mm, 14 anos

25 de agosto – sábado

17h – É fogo na roupa (1952)
Dir.: Watson Macedo 88 min, 35mm, Livre

19h – Toda nudez será castigada (1972)
Dir.: Arnaldo Jabor 103 min, 35mm, 16 anos

26 de agosto – domingo

16h – Aguenta coração (1982)
Dir.: Reginaldo Faria 99 min, 35mm, 14 anos

18h – Roberto Carlos a 300 km por hora (1971)
Dir.: Roberto Farias 99 min, 35mm, Livre

20h - Mar de rosas (1970)
Dir.: Ana Carolina 90 min, DVD, 16 anos

domingo, agosto 05, 2012

batman *

Achei este último "Batman" bem chato. E embora a atuação de Heath Ledger no segundo longa da série seja algo do outro mundo, ainda prefiro o primeiro. Este último me enche mesmo a paciência com uma necessidade inexplicável de imprimir profundidade à trama - ao longo da sessão, lembrei-me da objetividade, da frontalidade, da falta de rodeios de "Os mercenários". O segundo longa já sofria disto, sem falar no virtuosismo para impressionáveis do Christopher Nolan. O Batman é um justiceiro. É preciso ter cuidado ao representá-lo. Este terceiro filme leva isto ás últimas. Leiam este texto do Ricardo Calil, publicado na "Folha de São Paulo":

RICARDO CALIL
CRÍTICO DA FOLHA
É difícil imaginar algum fã do Batman criado por Christopher Nolan pedindo o dinheiro do ingresso de volta depois de ver o último episódio de sua trilogia.
"Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge" entrega tudo aquilo que o admirador da série se acostumou a esperar.
Trama complexa, metáforas sobre a condição humana, um protagonista sólido (Christian Bale), um vilão marcante (o Bane de Tom Hardy), duas belas presenças femininas (Anne Hathaway e Marion Cotillard).
Para os que não são fãs incondicionais da série, porém, é possível notar ausências. Aí vai uma pequena lista de coisas que faltam ao filme.
1) Um ponto de vista: O filme assume de vez que Gotham City é Nova York e traz referências explícitas aos atentados de 11 de Setembro e à crise financeira. Mas nunca é possível entender a visão de Nolan sobre essas questões: ele é contra a guerra ao terrorismo e os privilégios dos mais ricos ou é a favor?
A cada cena, o diretor parece querer dizer algo diferente. O que sugere que esses temas foram trazidos ao filme para lhe emprestar uma profundidade que ele não tem.
2) Senso de humor: OK, os quadrinhos demoraram muito tempo para serem reconhecidos como uma forma de arte para adultos. OK, trata de um órfão traumatizado.
Mas precisava ser tão solene e pomposo? São duas horas e 45 minutos com algumas tiradas espirituosas, mas sem brechas para risadas.
3) Fé no poder da imagem: Nolan cria tramas tão intrincadas que os personagens gastam metade de seu tempo em tela tentando explicá-las com diálogos expositivos.
4) Risco: O último episódio da trilogia de Nolan é de uma eficácia acachapante. Falta, porém, a beleza que nasce da imperfeição, como a interpretação desatinada de Heath Ledger como o Coringa no filme anterior.
Da trilogia de Nolan, a imagem que permanecerá é a de Ledger/Coringa perguntando ao Batman (mas sobretudo a seu diretor): "Why so serious?" (Por que tão sério?).

quarta-feira, agosto 01, 2012

everyone else ****


Gostei muito deste filme. “Everyone Else” (2009), segundo longa da alemã Maren Ade, acompanha um jovem casal de férias na Itália. É um filme diferente sobre uma relação amorosa, recheado de rituais estranhos, momentos imbecis e por vezes meio secretos, além de constantes jogos de poder, provas e mais provais, decepções e uma ou outra epifania. É muito curioso como Maren Ade consegue alternar os pontos de vista de Gitti e Chris de maneira tão sutil, quase imperceptível. Quando começamos a achar que entendemos o personagem, quando a identificação se vislumbra no horizonte, o filme nos derruba novamente. Isto é muito bom: somos jogados na intimidade deste casal, mas Gitti e Chris permanecem algo indecifráveis. Eu mesmo não sei o que pensar sobre eles, sobre o papel que cada um representa nessa relação. Embora eu reconheça nessa mistura de naturalismo, psicologia e teatralidade talvez a mola mestra de toda e qualquer relação amorosa. O final do filme é bem legal. Gitti e Chris chegam a um impasse. A impressão é a de que eles precisam se reinventar como casal. “Everyone Else” termina com esta promessa.  

sexta-feira, julho 27, 2012

martha marcy may marlene **


Não gostei muito deste “Martha Marcy May Marlene” (2011), longa de estreia de Sean Durkin muito bem recebido pela crítica internacional. Nele, uma jovem mulher sofre delírios e paranoias ao voltar para a casa da irmã depois de um período vivendo em um estranho culto. As primeiras sequencias já imprimem o tom entre o mistério e a ansiedade que perpassa o filme, além de estabelecer sua base formal: a alternância entre a desorientação silenciosa da vida em família e a loucura sedutora do culto.  O que me incomoda é como esta estrutura e tema (além do cenário) me parecem recorrentes no chamado cinema independente americano, mais um pré-requisito do que matéria-prima, menos uma realidade realmente vivida, do que um cenário e mise-scène já prontas.   Pra mim, “Martha” não diz ao que veio. Ainda assim, devo dizer que John Hawkes é um grande ator, e, por causa dele, na pele do loucamente esclarecido líder do culto, algumas imagens ainda permanecem rondando minhas memórias.

quarta-feira, julho 25, 2012

links

- Uma nova revista online: Laika!

- Texto de Nicole Brenez sobre Renoir.

- Mais um novo texto na Lola, uma conversa sobre os filmes presentes no último festival de Rotterdam.

E Bresson:

domingo, julho 22, 2012

fausto**


“Fausto” é mais uma elegia do cineasta russo Alexander Sokurov, um conto melancólico, uma composição poética e musical consagrada aos tropeços do homem como condutor da história. O filme começa e somos já introduzidos ao universo absolutamente inconfundível do realizador: a recusa ao naturalismo, a força da paisagem na caracterização dos personagens, o talento plástico e de composição do quadro, a dilatação do tempo, as anamorfoses, as lentes deformantes, os variados filtros, o trabalho refinado de uma imagem mais expressionista.

A história do homem que vendeu a alma ao diabo é material farto para Sokurov. A princípio, “Fausto” é uma nova adaptação do celebrado poema de Goethe, sobre o ambicioso Dr. Fausto que, ávido por conhecimento, faz um pacto com o demônio para superar a técnica e o progresso de seu próprio tempo. Na interpretação de Sokurov, no entanto, Fausto (Johannes Zeiler) é absolutamente desprovido de qualquer característica romântica. Ele é cínico e utilitarista, disposto a passar por cima de qualquer um para alcançar seu objetivo. O tratamento dado ao personagem é cômico, beirando o pastelão, com toques escatológicos e diálogos intermináveis. Mefistófeles, conhecido no filme como o agiota (Anton Adasinskiy), diferentemente da maioria de suas incorporações literárias, não é um demônio encantador. Muito pelo contrário. É uma figura desajeitada e um tanto grotesca.

Com “Fausto”, Sokurov fecha sua tetralogia sobre o poder, formada ainda por “Moloch” (1999), sobre Hitler, “Taurus” (2001), sobre Lenin, e “O Sol” (2005), sobre o imperador japonês Hirohito. Dessa vez, estamos diante de um personagem ficcional que, diferente dos tiranos dos filmes anteriores, que se viam como representantes de Deus na Terra e são levados à desagradável constatação de que são apenas humanos, Fausto se transforma em algo “superior” já no fim do longa e sua jornada nos é apenas introduzida. Se os outros personagens eram confrontados com a morte, Fausto sai de quadro para enfim tornar-se o que sempre quis. Hitler, Lênin e Hiroito são enquadrados em um processo de desmistificação que, no caso dos dois primeiros, os retirava mais ou menos do contexto Histórico no qual estavam inseridos. Fausto, por sua vez, é como a história definitiva do Homem com H maiúsculo.

Isto porque os seres humanos no cinema de Sokurov jamais operam somente sob a dimensão do indivíduo. São sempre, sobretudo, reflexos da condição humana ou sintomas de um determinado fluxo histórico. Se para Goeth, Fausto seria a representação do humano em seu sentimento mais profundo de impotência diante da natureza e da inexorabilidade da morte, para o cineasta russo, o desejo insaciável do personagem por conhecimento e poder é como que a fonte de todo o mal do século XX, terreno comum sob qual surgiriam Hitler, Lênin e Hiroito. E se nos filmes anteriores havia uma certa piedade em relação ao humano, dessa vez a palavra mais adequada talvez seja mesmo cinismo. Resta então a Sokurov uma única salvação, uma busca também insaciável por transcendência através do cinema.  

quinta-feira, julho 19, 2012

links

- o MAM do Rio exibe em película alguns filmes do Carlão Reichenbach: “Audácia – a fúria dos desejos”  (dom 22, às 18h), “Bens confiscados” (qui 26, às 18h30), “As libertinas” (sex 27, às 18h30), “Amor, palavra prostituta” (sab 28, às 18h).


- dois textos bem legais na Cinética. Um do guru Hernani Heffner e outro de Andrea Ormond sobre Sérgio Mallandro e Mr. Catra.

- uma entrevista com Apichatpong Weerasethakul.

- nova edição da "La Furia Umana".

- textos novos na "Lola".

- dossiê Maurice Pialat na Interlúdio.

- Inácio Araújo sobre "Na estrada".

terça-feira, julho 17, 2012

bellamy ***


Eu me diverti muito vendo este filme, o último de Claude Chabrol. O cineasta é de uma elegância ímpar. O espaço é seu campo de trabalho. Jamais um personagem se encontra a direita do quadro de maneira indiferente. Muito pelo contrário. “Bellamy” (2009) é uma espécie de suspense psicológico, mais um capítulo da filmografia deste cineasta, um dos maiores caricaturistas da classe média francesa. Nele, Gerard Depardieu vive o Inspetor Paul Bellamy. Em plenas férias, ele é procurado por um homem que se diz responsável pela morte de outro homem. Enquanto isso, Bellamy recebe a vista de seu irmão. Françoise é como seu oposto: inseguro, mau caráter, mal sucedido...

Aos poucos, vemos uma sucessão de duplos não somente do protagonista (seu irmão), como também do homem que o procurou. E o duplo não é visto como um outro, mas como uma espécie de modalidade de sua própria existência. Compreende-se então que, mais importante do que a resolução do caso de assassinato, é reconhecer que Bellamy poderia estar do outro lado desta história, poderia ser ele o assassino. Jean Douchet disse certa vez que a grande questão do cinema de Chabrol é a do ser e ter. O que o personagem quer ter para poder ser? E o problema é que quanto mais ele quer ter, menos ele é. Ao fim, em geral, o personagem é como um monstro, completamente embriagado pelo ter. E consciente disto. Bellamy, contudo, talvez seja diferente. Não sabemos.

quarta-feira, julho 11, 2012

ricky gervais


"I’m not one of those people who think that comedy is your conscience taking a day off. My conscience never takes a day off and I can justify everything I do. There’s no line to be drawn in comedy in the sense that there are things you should never joke about. There’s nothing that you should never joke about, but it depends what that joke is. Comedy comes from a good or a bad place. The subject of a joke isn’t necessarily the target of the joke. You can make jokes about race without any race being the butt of the joke. Racism itself can be the butt, for example. When dealing with a so-called taboo subject, the angst and discomfort of the audience is what’s under the microscope. Our own preconceptions and prejudices are often what are being challenged. I don’t like racist jokes. Not because they are offensive. I don’t like them because they’re not funny. And they’re not funny because they’re not true. They are almost always based on a falsehood somewhere along the way, which ruins the gag for me. Comedy is an intellectual pursuit. Not a platform".

sexta-feira, julho 06, 2012

a febre do rato **


Ainda não me decidi a respeito deste filme. Na verdade, não sei bem se gosto ou não dos filmes de Cláudio Assis. É um cineasta dividido entre a necessidade de denunciar, diagnosticar, representar uma dada realidade, e o desejo de afirmar uma maneira de olhar para essa realidade. E este olhar nunca parece no mesmo nível dos personagens, não se liga aos seus corpos, ao contrário, afirma-se sempre como uma outra instância. Assume-se o aspecto formalista do cinema, e, consequentemente, produz-se distanciamentos. Distanciamentos que vão muitas vezes contra os próprios filmes. É bem verdade que essa busca por uma marca, visível em cada plano, é realizada com um tesão contagiante. E isto me faz ver seus filmes com certa simpatia.

Este “A febre do rato”, contudo, me incomodou bastante. Talvez tenha mesmo a ver com a escolha pelo preto e branco estilizado. Não sei... Eu me senti distante daquele universo. Muito distante. E os personagens deste filme não parecem ter vida própria. Não são gente de carne, osso e desejos. Isto talvez já existisse lá em “Amarelo Manga” e “Baixio das Bestas”. Talvez... Acho especialmente estranho não se falar em dinheiro em “A febre do rato”. De que sobrevive o poeta? Não me parece haver muito conflito neste filme. Até que, de repente, Zizo é preso e assassinado. Assis, no entanto, continua com o mesmo tesão, mas é como se o filme não fechasse.  

terça-feira, julho 03, 2012

top30


Como sabem, semana passada, pude ver dois dos meus filmes preferidos (“Imitação da vida” e “O medo devora a alma”). Isto acabou me levando a fazer uma lista com os filmes que mais gosto. Foi difícil chegar a 30, mas eles seguem aí abaixo. Não são necessariamente os que mais importantes ou mesmo melhores.... São, isto sim, os que mais me divertem, os que vi mais vezes... 

Aurora (1927) - F.W. Murnau
A cadela (1931) - Jean Renoir
O diabo a quatro (1933) - Leo McCarey
O Gato Preto (1934) - Edgar G. Ulmer
Stromboli (1950) - Roberto Rossellini
As Férias do Sr. Hulot (1953) - Jacques Tati
Rastros de ódio (1956) - John Ford
Delírio de loucura (1956) - Nicholas Ray
A Marca da Maldade (1958) - Orson Welles
A imitação da vida (1959) - Douglas Sirk
Crônica de um verão (1960) - Jean Renoir e Edgar Morin
Hatari (1962) - Howard Hawks
O leopardo (1963) - Luchino Visconti
O desprezo (1963) – Jean-Luc Godard
Mouchette (1967) / O dinheiro (1983) – Robert Bresson (1967)
Terra em Transe (1967) - Glauber Rocha
Husbands (1970) - John Cassavetes
Nathalie Grander (1972) - Marguerite Duras
O medo devora a alma (1974) - Rainer W. Fassbiner
Apocalypse Now (1979) - Francis Ford Coppola
Aos nossos amores (1982) - Maurice Pialat
Cão branco (1982) - Samuel Fuller
Vídeodrome (1983) - David Cronenberg
Bad lieutenant (1992) - Abel Ferrara
Jovens, loucos e rebeldes (1993) - Richard Linklater
Dead Man (1995) - Jim Jarmusch
Millennium Mambo (2001) - Hou Hsiao-hsien
O Intruso (2004) - Claire Denis
Síndromes e um século (2006) - Apichatpong Weerasethakul
Os donos da noite (2007) - James Gray

domingo, julho 01, 2012

relato sobre o último edital do minc


Pequeno relato de Dácia Ibiapina, em 19/06/2012.

Aceitei participar desta comissão atendendo a um convite da Secretária Ana Paula Santana. Estava fora de Brasília quando recebi o telefonema e aceitei, como dever de ofício, sem saber quem eram os outros integrantes. Posteriormente recebi as instruções: cada integrante deveria ler todos os projetos (253) e indicar apenas 03 para serem discutidos em uma reunião dos cinco membros da comissão.

Não foi solicitado parecer dos membros da comissão para cada um dos projetos. Foi solicitado que pontuássemos com notas de 0 a 10 quatro critérios de seleção conforme abaixo:

1) Excelência criativa

2) Coerência do roteiro ou argumento com a proposta de produção e de direção da obra

3) Originalidade na abordagem e/ou ações de pesquisa do tema

4) Exeqüibilidade orçamentária da obra nos termos do edital.

Com estas notas os técnicos do MinC fizeram a tabulaçã e daí saiu a lista de 12 filmes a serem debatidos na reunião da comissão de seleção. Dos quais 05 foram contemplados e outros 03 ficaram na suplência. O número de 12 filmes e não de 15 é porque algumas indicações coincidiram.

A comissão de seleção foi formada por:

1) Denise Correia da Fontoura – do Rio de Janeiro – trabalha com roteiro, consultoria de roteiro, produção. Foi casada com Antonio Carlos Fontoura.

2) Dácia Ibiapina – DF, documentarista

3) Elisa Tomelli – SP, produtora

4) Selma Cristina Nunes – SP, Diretora de Negócios e conteúdo audiovisual Teleimage/Casablanca

5) Wilson Feitosa – SP, Distribuidor, Diretor Geral da Unifilmes Distribuidora

A reunião estava prevista para acontecer aqui em Brasília, no MinC. Foi transferida de última hora para um hotel no Rio. Ao chegar lá, fiquei conhecendo pessoalmente os colegas de comissão.

Foi uma reunião difícil para mim. Estava duplamente em minoria: única de fora do eixo RJ/SP e única diretora de documentários. O tom do debate sobre os filmes foi pautado no chamado “negócio do cinema”. Quem vai querer ver um filme como esse? Quem vai querer exibir? Quem vai querer distribuir? Quem vai querer comprar? Sobre a questão de contemplar filmes de fora do eixo Rio/SP para descentralizar a produção, fui voto vencido com base em dois argumanetos: 1) o edital não prevê cotas regionais; 2) a maioria esmagadora dos projetos era do Rio ou de São Paulo. Os colegas também insistiram muito na questão dos nomes consagrados como garantia de que os filmes terão qualidade e espaço de exibição. O mesmo aconteceu na comissão do edital de roteiros, que se reuniu no dia anterior. A novidade neste sentido é que alguns projetos gaúchos foram contemplados nos dois editais. Principalmente o pessoal que foi ou é da Casa de Cinema, já consagrados.

Aproveito para lembrar aqui que alguns diretores de fora do eixo Rio/SP concorreram por produtoras do Rio ou de São Paulo. São profissionais que hoje residem e trabalham naquelas cidades; ou ainda diretores que não encontraram produtora em seus estados de origem dispostas a entrar com seu projeto.

Não quero entrar aqui na discussão sobre os filmes contemplados ou não. Não acho ético. Também não pretendo aqui me justificar. Cumpri o edital, li e analisei com atenção todos os 253 projetos, fiz anotações e, ao final, pude indicar apenas 03 projetos para debate. Uma decisão cruel. Passei o mês de maio inteiro fazendo este trabalho. O edital não previa qualquer tipo de cota, seja regional ou para estreante. E este é o motivo pelo qual faço aqui este relato. Acho que esta questão é de interesse coletivo. Não previa também cota regional para a comissão de seleção. Sinto-me desobrigada com relação a questões pessoais, afinal eu também já tive, por inúmeras vezes, projetos e filmes preteridos em editais, bem como em comissões de seleção e júris de festivais e mostras de cinema. Nem por isso fui pedir explicações aos colegas ou pressioná-los. Nestes casos, infelizmente, ser contemplado é a exceção. A regra é não ser contemplado. No caso do edital longa doc a concorrência era de 50 projetos para 01 contemplado.

Porque participar e o que aprendi

Pude ler os projetos e me informar sobre quem está querendo fazer documentários, que tipo de documentários, sobre quais temas, de que forma e com quais objetivos. Para mim que faço documentários e estudo o tema, é importante ter este panorama.
Pude constatar que hoje é difícil pensar sobre o que é e o que não é documentário. A esmagadora maioria dos projetos caberia perfeitamente na categoria documentário para televisão. Dos 253 projetos, 60 eram filmes sobre personalidades. O que me remeteu ao projeto DocTV, que poderia perfeitamente acolher parte dos projetos e estes poderiam ser feitos com até 200 mil reais, em vez de pleitearem neste edital 625 mil reais, sendo 125 mil de contrapartida e 500 mil do edital. A idéia de exigir contrapartida não funcionou a contento. A maioria colocou como contrapartida cachês de pesquisa, roteiro, direção; além de uso sem custo dos equipamentos da produtora. Coloquei esta questão do DocTV para Ana Paula Santana, que passou rapidamente na reunião. Estava a caminho da Rio+20. Ela disse que o DocTV não acabou. Está sendo reformulado porque o “modelo de negócios” se revelou falho. Revelou, para minha surpresa, que nem a TV Brasil, nem a TV Cultura, estão interessadas no DocTV. Disse que ainda este ano o MinC pretende lançar ainda editais de telefilmes e teledocumentários. Que também não sei bem se é o que a gente gostaria. Contra o doctv, alguém argumentou: o pessoal pegava a grana do doctv já pensando em fazer um doc pra cinema e não um doctv, tanto é que muitos doctvs tiveram também versão pra cinema. Depois fiquei pensando: se a Globo pode pegar seus programas e transformar em filme pra cinema, porque os documentaristas não podem fazer o mesmo? São as famosas multiplataformas. Por que não?

Ainda sobre os 253 projetos, observei que tinha vários que foram claramente formatados para outros editais e reformulados para este. Editais como EtnoDoc, Histórias que ficam e, pasmem, para editais de filmes de ficção, que foram transformados em projetos de documentário. Nada contra: apenas um dado que chamou minha atenção. Observei também que tinham muitos “ficcionistas” concorrendo neste edital. Observei também que tinha muitos filmes que permitem à equipe técnica viajar pelo Brasil e por outros países, tipo doc “on the Road”. Havia também muitos projetos de produtores e diretores de televisão. Havia também projetos que já estão em produção.

Dever de casa para nós, em minha modesta opinião

1) Nós, de fora do eixo RJ/SP, precisamos apresentar mais e melhores projetos. Assim, talvez, fique mais fácil fazer frente à quantidade avassaladora de projetos do Rio e de São Paulo. Por outro lado: que estímulo temos se quase nunca somos contemplados?

2) Se acreditamos em descentralização da produção audiovisual, especialmente de cinema para exibição em salas, precisamos voltar a pressionar o MinC por cotas regionais, não só nos editais, mas também nas comissões de seleção.

3) Se acreditamos que uma parte dos recursos públicos deva ser investida em formar mão de obra fora do eixo Rio/SP e em diretores estreantes; temos que voltar a pressionar o MinC para estabelecer cotas para estreantes também. Tudo que conquistamos nesse sentido em gestões anteriores, foi por água abaixo nesta gestão. Observei que o discurso dos colegas do Rio e de São Paulo é: não podemos tirar oportunidade de realização de diretores consagrados para dar para diretores estreantes. Não podemos tirar o emprego de profissionais experientes para dar para gente que está aprendendo a ser profissional. À pergunta: e então, como vamos renovar e democratizar o cinema e o audiovisual brasileiro? Eles respondem: isso é problema do MinC. Ele que vá ensinar esse pessoal a trabalhar. Ensinar a fazer orçamento. Que vá fazer editais com pouca grana para estreantes e que deixe os editais maiores para quem sabe fazer filme. É o mesmo discurso que foi feito pela Associação Nacional de Roteiristas tempos atrás. Com este discurso eles conseguiram retirar a cota de estreante deste último edital de roteiros. O MinC aproveitou para acabar com a política de cotas para estreantes e de cotas regionais em todos os editais. Qual é nossa posição em relação a este tema?

Conclusão pessoal: fiquei desanimada para concorrer nos próximos editais do MinC. Após analisar 253 projetos, só pude indicar para debate 03; em um debate onde 03 colegas eram de SP, uma do Rio e eu de Brasília. Onde 04 eram do chamado “negócio do cinema” e apenas eu diretora de documentários. É uma escolha cruel. As chances de ser contemplado em um edital desses é pequena. É tipo: muita burocracia por nada. Entretanto, a política de editais ainda é, em minha opinião, a mais democrática que temos. Só nos resta seguir tentando.

quinta-feira, junho 28, 2012

e aí, comeu? °


Uma cena de “E aí, comeu?” consegue sintetizar o que me incomoda neste filme. Um personagem leva um manuscrito para o tio, para ser publicado. O tio alerta que a obra tem defeitos. Ele pergunta ao sobrinho se já amou alguém, pois falta vida à relação amorosa dos protagonistas de seu livro. Este me parece ser o mesmo problema de “E aí, comeu?”: um filme um tanto mentiroso. Não era pra ser uma espécie de conversa de bar? Pois fica parecendo que estes caras nunca saíram para beber e falar de mulheres entre amigos. Tudo aquilo ali parece ter saído de outro lugar, do roteiro, muito provavelmente. Não é nem que as piadas sejam ruins. Algumas são até engraçadas. Mas falta algo a elas. Falta verdade. 

terça-feira, junho 26, 2012

links


- uma nova revista de cinema: “Aurora

- nova edição da "Lola" está no ar

- entrevista com o Abel Ferrara na "Contracampo"

quinta-feira, junho 21, 2012

o medo devora a alma *****

Domingo, às 16h, o CCBB exibe outro filme preferido: “O medo devora a alma” (1974), de Rainer W. Fassbiner. O filme conta a história de Emmi, uma viúva de 60 anos que se apaixona por Ali, um imigrante mulçumano muito mais jovem do que ela. Como um filme consegue ser tão simples, tão direto no uso da linguagem cinematográfica? Como consegue tornar crível um encontro tão improvável? Como um filme consegue fazer com que nós nos identifiquemos com os personagens justamente por suas fragilidades, por um sentimento de clausura frente às diversas determinações da vida em sociedade? Como consegue fazer com que a câmera seja sempre um olhar de alguém para um outro, como que enquadrando-o? Como se produz um distanciamento que nos aproxima? Como consegue ser ao mesmo tempo tão denso emocionalmente e tão claro nas idéias? Vejam esta cena:



Alguns dizem que se trata de um cinema um tanto pessimista. Eu tendo a discordar, fervorosamente. O que está em jogo ali é uma espécie de revelação dos mecanismos que ordenam o nosso convívio social. Para o cineasta alemão, essa revelação seria uma maneira de alertar a nós, espectadores, sobre a necessidade de mudarmos nossas vidas. O cinema de Fassbinder é um chamado para a ação. E isto sim é que é ser otimista. Eu lembro de um texto do alemão falando sobre o impacto causado pelos filmes de Douglas Sirk. Fassbinder diz que jamais havia visto personagens femininas pensando no cinema. E isso, vejam só, lhe dava força e esperança.

terça-feira, junho 19, 2012

imitação da vida *****

Este sábado, às 20h, o CCBB exibe um dos meus filmes prediletos: “A imitação da vida” (1959), de Douglas Sirk. Leiam aí abaixo um texto escrito por outro grande, Rainer W. Fassbinder:

“Imitação da Vida” (1959) é o último filme de Douglas Sirk. Um grande, incrível filme sobre a vida e a morte. E urn filme sobre a América. O primeiro plano geral: Annie diz à Lana Turner que Sirah Jane é sua filha. Annie é negra e Sarah Jane é quase branca. Lana Turner, primeiro, hesita, mas logo compreende e age como se fosse a coisa mais natural do mundo uma negra ter uma filha branca. Mas isto não é nada natural. Nem passa a sê-lo ao longo do filme. Sarah Jane não quer ser tida como branca porque é bonito. Mas porque, como branca, pode viver melhor. Lana Turner não faz teatro porque acha belo, mas porque gente de sucesso consegue uma posição melhor nesse mundo. E Annie não deseja ter um enterro pomposo porque teria alguma vantagem nisto, mas apenas porque assim, mesmo morta, teria um significado para a sociedade que não teve em vida. Nenhum desses protagonistas parece compreender que tudo isto — pensamentos, desejos, sonhos — são provocados e manipulados pela sociedade. Eu não conheço nenhum filme que exponha esta circunstância de uma forma tão clara e desesperada. Quase no final do filme, Annie conta a Lana Turner que possui muitos amigos. Lana fica perplexa. Annie tem amigos? As duas mulheres vivem juntas há dez anos, já, e Lana não sabe nada sobre Annie. Lana Turner se surpreende. E quando a filha de Annie reclama de ela a ter deixado sempre só, Lana também se surpreende, da mesma forma que ao ver Sarah Jane rebelar-se contando seus problemas e exigindo ser levada a sério. E quando Annie morre, Lana Turner só pode espantar-se. Ninguém pode morrer assim, tão simplesmente.

Por todo o resto do filme Lana permanece assim, perplexa. O resultado disto é que ela, no futuro, quer desempenhar apenas papéis dramáticos. Paixão, morte, lágrimas devem servir para alguma coisa. A problemática de Lana Turner passa então a ser a problemática do diretor do filme. Lana é atriz, provavelmente uma boa atriz. Mas isso não chegamos a saber. No começo, ela precisa ganhar dinheiro para ela e sua filha. Ou será que ela quer fazer carreira? A morte de seu marido parece não ter importado muito. Ela sabe que ele foi um bom diretor. Eu creio que Lana gostaria de fazer carreira. O dinheiro, para ela, é secundário, o sucesso vem em primeiro lugar. Em terceiro, John Gavin. John ama Lana, e para aproximar-se dela abandona ambições artísticas e arranja emprego como fotógrafo de publicidade. Lana não consegue entender que alguém renuncie a suas ambições por amor. Sim, tenho certeza de que Lana não quer ganhar dinheiro, mas sim fazer carreira. John, tolamente, força Lana a escolher entre o casamento e a carreira. Lana acha isto interessante e dramático e escolhe a carreira.

Assim transcorre o filme todo. Eles fazem planos românticos, de felicidade, aí toca o telefone, um novo convite, e Lana se entusiasma. Ela não tem salvação, nem ele. Na realidade, ele deveria perceber que não tem chances, mas, pelo contrário, vive em função dessa mulher. Mas é sempre assim: as pessoas insistem no que não devem insistir. A filha de Lana, então, se apaixona por John. Ela é exatamente como John queria que Lana fosse, mas ela não é Lana. Nós podemos compreender bem isto, mas Sandra Dee não. Provavelmente, quem ama compreende menos. Annie também ama sua filha, mas não a compreende. Uma vez, quando Sarah Jane ainda era pequena, choveu, e Annie foi levar um guarda-chuva para ela na escola. Sarah Jane dizia para os colegas que ela era branca. Quando a mãe apareceu, a mentira se revelou. Sarah Jane jamais esqueceu isto. E quando Annie, pouco antes de morrer, deseja ver Jane pela última vez e vai visitá-la num bar de Las Vegas, ela continua incapaz de compreender esta. O fato de Sarah Jane querer passar por branca é para ela um pecado. É uma cena terrível. Vulgar é a filha, a mãe é a pobre ofendida. No fundo, porém, dá-se o contrário. A mãe, que quer a filha para si, porque a ama, é brutal. E Sarah Jane se defende do terror da mãe, do terror do mundo. É cruel. A gente pode bem entender as duas, ambas têm razão, mas ninguém pode ajudá-las. Só se nós mudássemos o mundo. E todo mundo chora dentro do cinema. Porque é tão difícil mudar o mundo. Então, no enterro de Annie estão todos juntos de novo, e, por um momento, tudo parece estar bem. E esta "pausa" permite que eles estraguem tudo de novo, pois cada um, mesmo sabendo o que procura, esquece outra vez.

“Imitação da Vida” começa como se fosse um filme sobre o personagem de Lana Turner, e, sem que a gente note, torna-se um filme sobre a negra Annie. No fim, o diretor deixa de lado a sua problemática, a única coisa do tema com que ele se identifica, e procura a problemática existencial no personagem de Annie, encontrando algo muito mais doloroso do que teria achado em Lana Turner ou em si mesmo. Ainda menos esperança. Ainda mais desespero.

Procurei escrever sobre seis filmes de Douglas Sirk, e a partir daí eu descobri como é difícil escrever sobre filmes que têm alguma coisa a ver com a vida real, que não são apenas literatura. Eu precisei deixar muita coisa de lado, talvez aquelas que fossem mais importantes. Falei pouco sobre a luz, como é bem cuidada, como ela o ajuda a mudar a estória. Além de Sirk, só mesmo Joseph von Steinberg sabe usar tão bem a luz. Também falei pouco do espaço que Douglas Sirk constrói. Como tudo é perfeito! Também explorei muito pouco a importância das flores e dos espelhos, e o seu significado dentro da trama. Eu não acentuei devidamente que Sirk é um diretor que extrai o máximo dos atores. Que transforma personagens como Marianne Koch ou Lisellote Pulver em gente em quem a gente quer e pode acreditar. Também vi poucos filmes seus. Eu quero ver tudo, todos os 39 que ele fez. E talvez eu possa desenvolver mais a minha pessoa, a minha vida, o relacionamento com os meus amigos. Eu vi seis filmes de Douglas Sirk. Dentre eles, estão alguns dos melhores filmes do mundo.



sexta-feira, junho 15, 2012

carlão!

Carlão Reichenbach! Um dos caras mais sensacionais que tive a honra de conhecer.

Domingo, o IMS exibe uma de suas obras-primas, "Filme Demência" (1986), às 18h15.

segunda-feira, junho 11, 2012

douglas sirk no ccbb!

Programação:

12/06 (terça-feira)
18h Herança sagrada, 79min, DVD
20h Sinfonia interrompida, 90min, DVD

13/06 (quarta-feira)
18h Apaixonados, 79min, 16mm
20h La Habanera, 98min, 35mm

14/06 (quinta-feira)
18h Tudo o que o céu permite, 89min, 35mm
20h Almas maculadas, 91min, 35mm

15/06 (sexta-feira)
16h Os pilares da sociedade, 84min, 35mm
18h Sinfonia prateada, 88min, 16mm
20h Recomeçar a vida, 106min, 35mm

16/06 (sábado)
16h Sublime obsessão (John M.Stahl), 112min, DVD
18h Sublime obsessão, 108min, 35mm
20h Palavras ao vento, 99min, 35mm

17/06 (domingo)
15h30 April! April!, 82min, 35mm
17h30 Amar e morrer, 132min, 35mm
20h A garota do pântano, 82min, 35mm

19/06 (terça-feira)
14h Aula – “A encenação pelo excesso e o sistema sirkiano” com Mariana Baltar professora de cinema da Universidade Federal Fluminense (UFF)
16h Hino de uma consciência, 108min, DVD
18h Vidocq, 102min, DVD
20h Onde canta o rouxinol, 85min, 35mm

20/06 (quarta-feira)
18h O que matou por amor, 106min, 16mm
20h Sublime obsessão, 108min, 35mm

21/06 (quinta-feira)
17h30 Palavras ao vento, 99min, 35mm
19h30 Amar e morrer, 132min, 35mm

22/06 (sexta-feira)
16h Sangue rebelde, 91min, DVD
18h Chamas que não se apagam, 84min, 35mm
20h La Habanera, 98min, 35mm

23/06 (sábado)
16h Sinfonia prateada, 88min, 16mm
18h Almas maculadas, 91min, 35mm
20h Imitação da vida, 125min, 35mm

24/06 (domingo)
16h O medo devora a alma, 93min, 35mm
18h Tudo o que o céu permite, 89min, 35mm
20h O que matou por amor, 106min, 16mm

26/06 (terça-feira)
18h Emboscada, 102min, DVD
20h Agonia de uma vida, 84min, 16mm

27/06 (quarta-feira)
18h Longe do Paraíso, 107min, 35mm
20h Mulher de fogo, 81min, 16mm

28/06 (quinta-feira)
15h Imitação da vida (John M.Stahl), 111min, DVD
17h30 Imitação da vida, 125min, 35mm
20h O poder da fé, 86min, 35mm

29/06 (sexta-feira)
14h Aula – “A permanência de Douglas Sirk” com João Luiz Vieira, professor de cinema da Universidade Federal Fluminense (UFF)
16h Herança sagrada, 77min, DVD
18h Sonha, meu amor, 97min, 16mm
20h Onde canta o rouxinol, 85min, 35mm

30/06 (sábado)
16h Os pilares da sociedade, 84min, 35mm
18h Música e romance, 87min, 16mm
20h Chamas que não se apagam, 84min, 35mm

01/07 (domingo)
16h E o noivo voltou, 82min, DVD
18h Desejo atroz, 79min, 16mm
20h April! April!, 82min, 35mm

03/07 (terça-feira)
18h Emboscada, 102min, DVD
20h A garota do pântano, 82min, 35mm

04/07 (quarta-feira)
18h Vidocq, 102min, DVD
20h Apaixonados, 79min, 16mm

05/07 (quinta-feira)
15h Segredos e mentiras, 142min, DVD
18h Sinfonia interrompida, 88min, DVD
20h O poder da fé, 86min, 35mm

06/07 (sexta-feira)
16h Hino de uma consciência, 108min, DVD
18h E o noivo voltou, 82min, DVD
20h Música e romance, 87min, 16mm

07/07 (sábado)
16h Sonha, meu amor, 97min, 16mm
18h Mulher de fogo, 81min, 16mm
20h Recomeçar a vida, 106min, 35mm

08/07 (domingo)
16h Desejo atroz, 79min, 16mm
18h Agonia de uma vida, 84min, 16mm
20h Sangue rebelde, 91min, DVD

quinta-feira, junho 07, 2012

plano de fuga °

Este filme me deixou meio perturbado. Por um bom tempo, pensei em sair do cinema. Aliás, costumo fazer isso de vez em quando. Nunca é fácil fazê-lo, devo dizer. Fico com vergonha e me um acho um cara meio sem escrúpulos quando abando um filme pelo meio; mas, ao mesmo tempo, sinto-me desrespeitado, sinto o cinema sendo desrespeitado, quando vejo um filme ruim, preguiçoso, medíocre. É uma coisa bem conflituosa pra mim. Mas, enfim, voltando ao assunto: “Plano de fuga”. Vi o filme até o fim, completamente espantado - é dirigido por um estreante, Adrian Grunberg, e traz Mel Gibson no papel do protagonista. Fiquei pensando em Serge Daney e o que ele descrevia como sendo “o terceiro estado da imagem”, condicionado pela técnica, de modo a encaminhar a transformação do mundo no sentido de um vasto estúdio cinematográfico. Uma imagem marcada não apenas pela ruptura cada vez maior nas relações do homem com o mundo, mas pela perda do próprio mundo. “Plano fuga” é um filme absurdamente impossível. Não sei se estaria correto afirmar que a imagem perde completamente neste filme a sua dimensão de testemunho do mundo. Isto porque o mundo que vivemos me parece como que contaminado por este “absurdamente impossível”. Mas o que me chama atenção é um certo cinismo... “Plano de fuga”, como seu personagem principal, é cínico. O filme acabou e, andando pra casa, me veio à mente uma outra expressão: niilista. O termo indica uma concepção em que tudo o que é (as coisas, o mundo, os valores, o ser) é negado e ou reduzido a nada. Eu preciso voltar a “Plano de fuga”....

quarta-feira, maio 30, 2012

a conspiração*

Robert Redford é cheio de boas intenções. E neste seu novo filme, ele se transformou mesmo naquele professor universitário que representou em seu último longa “Leões e Cordeiros” (2007). “Conspiração” é um filme pontuado por falas eloqüentes compactadas em personagens. Os personagens falam, falam... Vemos eles falando. Cada um deles parece saído de alguma gaveta de repartição pública. E a narrativa ainda está sempre com pressa. Outra coisa me parece tão estranha: Redford obviamente não está nenhum pouco interessado no caso do assassinato de Abraham Lincoln. O que o interessa é mesmo os EUA pós-ataque às Torres Gêmeas. E isto me parece uma covardia disfarçada de inteligência. Sei lá. Como um filme pode ser político ou falar de política se não consegue nem mesmo dar nome aos bois.

quinta-feira, maio 24, 2012

kenny powers!

Leiam só este discurso de Kenny Powers (Danny McBride) no insuperável último episódio de “Estbound & Down”. Ele invade a sala de aula da jovem Andrea, uma recente ex-namorada. Ela está no College e deve ser uns quase 20 anos mais jovem que ele:

Andrea: You can't keep storming into my classrooms. We're broken up.

Kenny: What? No, no, no, no. That breakup wasn't real. Sure, You betrayed me and my party, but that breakup was spoken in anger. And, I'm sorry for that. It didn't count.

Andrea: It didn't?

Kenny: No, this is the breakup that counts.

Andrea: You're an asshole.

Kenny: Easy, let's not get bitter, okay? I know a lot of you guys are looking at me and saying, "Hey, there's a dude who is exactly my same age". Well, truth be told. I'm a grown-up, real person. Sure your bodies might be tight. You might like to have sex in amazing, cool, intricate positions. But besides that shit... you all don't have a fucking clue. The shit y'all are doing. The fucking Facebook shit, the Internets, the fucking DVDS. That's all bullshit. Your shit isn't real. But from where I'm standing, a full grown man, who has achieved his dreams. Yeah, that's right. I'm going back to the majors. My shit is about as real as it gets. And besides, I can out-party, out-drink, and out-fuck, each of you. Youth can suck my dick. So unless you have anything to add. Then consider this relationship over. Have a nice life. I'll never forget you. And I know you won't forget me. Cause I popped that cherry. That's right, I tore it out for all you young guys.

terça-feira, maio 22, 2012

o homem que não dormia

Estou em uma relação conturbada com “O homem que não dormia”. O diálogo com um certo misticismo brasileiro, a preservação de um sentido alegórico aos personagens e situações narradas, uma certa noção de alegria que me parece sempre muito presente, o elogio à fabulação... tudo isso me agrada bastante. Sem falar que é bom ver um filme que se mantém em uma continuidade com um cinema brasileiro talvez meio esquecido. No entanto, algo me incomoda ou me decepciona. A Lila Foster disse sobre o “Eu me lembro” que faltava ao filme uma linguagem que pudesse dar conta de tanta intenção. Acho que talvez seja por aí. “O homem que não dormia” é um longa de muitas e boas questões. Às vezes, no entanto, o filme me parece se afogar nelas.

terça-feira, maio 15, 2012

links

Alguns links:

- Nova edição de La Furia Umana sobre Jerry Lewis.

- Uma reportagem da "LA Weekly" sobre película em Hollywood.

- Um breve tutorial sobre como ripar clipes de DVDs.

- A primeira parte de uma entrevista com o Jean louis Comolli no "Senses of Cinema".

- Para quem ainda não conhece, vale checar o Pinewood Dialogues. São podcasts com bastante gente. Alguns muito legais. Vejam aqui a lista completa dos entrevistados.


sexta-feira, maio 11, 2012

sete dias com marylin *

Simon Curtis (formado na escola da televisão britânica) mostra-se um bom diretor de atores (Williams e Branagh, ambos indicados ao Oscar deste ano, estão estupendos) e o longa funciona melhor nessa disputa entre dois atores e seus métodos. O cineasta se esforça para fazer um filme simpático e pouco afeito ao conflito. O que se vê é um cinema, digamos, de “qualidade”, onde tudo está certo, funcionando, leve e bonito. Um tanto rápido, também, é preciso dizer. “Sete dias com Marilyn” imprimi um ritmo acelerado aos acontecimentos, mais preocupado em registrá-los do que construí-los. Curtis aposta ainda em citar e manter Marilyn Monroe em poses famosas, seja nua, com os cabelos desgrenhados ou cantando. Uma estratégia que, embora nos mostre como a atriz era consciente de sua imagem e poder, prejudica algumas vezes o movimento no qual o filme se baseia, do mito à pessoa.

O maior problema talvez esteja no roteiro de Adrian Hodges. A narrativa se alterna entre a experiência pessoal e o amadurecimento de Colin e o dilema de Marilyn, uma mulher que depende e ao mesmo sofre da imagem que o mundo faz dela. Mas “Sete dias com Marilyn” nunca abandona o ponto de vista do rapaz – embora quase todos os demais personagens tenham mais presença e carisma do que ele. Ele abre e fecha o filme com narrações em off e frases do tipo "Eu tinha tudo para provar a minha família ... mas mais para mim mesmo”, e Hodges insiste em fazê-lo presente para entreouvir todos os momentos dramáticos da história. É bem verdade que, por vezes, vislumbra-se a possibilidade de “Sete dias com Marilyn” ter sido mais do que um filme simpático, porém demasiadamente convencional (especialmente no que concerne as interpretações e as situações e os personagens da trama), mas falou mais alto o desejo por um “cinema de qualidade”, funcional, perecível, sem conflito.

quarta-feira, maio 09, 2012

terça-feira, maio 08, 2012

orson welles

Vejam aí abaixo a programação desta última semana da mostra "O Legado de Orson Welles". Atenção para as cópias em película:

8 de Maio

14h00 Soberba (88min, 35mm)
16h30 Verdades e Mentiras (89min, exibição digital)
19h00 O Estranho (95min, 35mm)

9 de Maio

14h00 Dom Quixote (116min, exibição digital)
16h30 Macbeth – Reinado de Sangue (89min, 16mm)
19h00 Debate “Elementos e Influência de Shakespeare no universo
wellesiano”, com o Prof. Dr. Marcel Vieira (UFC) e Profª Drª.
VanessaTeixeira de Oliveira (UNIRIO)

10 de Maio

14h00 Falstaff – O Toque da Meia-noite (115min, exibição digital)
16h30 A Dama de Shangai (87min, exibição digital)
19h00 Otelo (92min, 35mm)

11 de Maio

14h00 A Marca da Maldade (95min, 35mm)
16h30 Grilhões do Passado (97min, exibição digital)
19h00 Soberba (88min, 35mm)

12 de Maio

14h00 Cidadão Kane (115min, 35mm)
16h30 O Processo (119min, 35mm)
19h00 É Tudo Verdade (85min, exibição digital)

13 de Maio

14h00 Falstaff – O Toque da Meia-noite (115min, exibição digital)
16h30 Dom Quixote (116min, exibição digital)
19h00 The Hearts of Age (8min, exibição digital)
Verdades e Mentiras (89min, exibição digital)

sexta-feira, maio 04, 2012

saraceni no mam

Começa hoje uma retrospectiva imperdível do grande Paulo César Saraceni lá no MAM. Vejam a programação neste link.

quarta-feira, maio 02, 2012

catálogo

Caso você tenha o número mínimo de carimbos exigidos e não tenha conseguido um catálogo, por favor, entre em contato com a produção da mostra no email firulafilmes@gmail.com

sábado, abril 28, 2012

abel ferrara no brasil

- Quando chegamos à Brasília, em pleno domingo: “where are all the people? What kind of city is this”?

- Quando passeávamos pela esplanada: “Yeah, I am totally unimpressed”.

- Quando visitamos o templo do Vale do Amanhecer: “This is scaring the shit out of me. What the hell are we doing here?! I don’t want to mess with this people”.

- Quando um jornalista em São Paulo o perguntou sobre testes de elenco: “You are auditioning right now man”.

Um dos assuntos preferidos de Ferrara é seu tio Bobo, o barman do curta “Could this be love”. Uma das curiosidades sobre ele: foi o tio de Ferrara que apresentou Jake La Mota a sua futura e bela esposa, loira e muito mais jovem que o boxeador. Lembram de “Touro indomável”?

segunda-feira, abril 16, 2012

problemas

Infelizmente, por problemas alfandegários, amanhã terça, as exibições do The Addiction e do Blackout terão de ser em DVD. Os filmes repetem em película.

sábado, abril 14, 2012

debate

O debate desta quinta com o Ruy Gardnier, o Calac Nogueira e o Hernani Heffner foi bem bacana. Três coisa ficaram comigo depois do debate:

- o Hernani disse que o diretor de fotografia do Abel Ferrara deveria ter mais atenção dos críticos. Ele tem razão. Eu vi ontem o "Enigma do Poder" (New Rose Hotel) é mesmo uma coisa impressionante aquele vermelho, os movimentos, as câmeras lentas... Ken Kelsh é o nome do homem.

- outra do Hernani sobre os personagens do Ferrara: "é como olhar para o Diabo e não ver o Mal".

- o Ruy lembrou de uma resposta do Ferrara a uma entrevista realizada pelo Scorsese. Ao ser perguntado sobre influência, além de citar alguns nomes, ele disse que o que mais o inspirava, contudo, era o que estava ao seu lado.

Outra coisa: visitem o site da mostra, www.abelferrara.com.br Há uma seção bacana de vídeos. Dá pra ver uma entrevista com o Conan O'Brian, alguns clipes dirigidos pelo Ferrara e outras coisas.

quinta-feira, abril 05, 2012

ferrara


Começa dia dez (terça) a retrospectiva do Abel Ferrara que estamos organizando nos CCBBs do Rio, de Brasília e São Paulo. Vejam aí a programação do Rio:


Terça, 10 de abril

16h – CURTAS (DVD: The Hold Up, 14 min / Nick’s Film, 6 min / Could this be Love, 29 min) (18 anos)
17h30 – Cidade do Medo (Fear City / DVD / 96 min / 18 anos)
20h – Vício Frenético (Bad Lieutenant / 35 mm / 96 min / 18 anos)

Quarta, 11 de abril

15h30 – O Assassino da Furadeira (The Driller Killer / DVD / 96 min / 18 anos)
18h – China Girl (Blu-Ray / 89 min / 18 anos)
20h – Enigma do Poder (New Rose Hotel / 35 mm / 93 min / 18 anos)

Quinta, 12 de abril

15h30 – The Gladiator (DVD / 98 min / 18 anos)
18h – Maria (Mary / 35 mm / 83 min / 14 anos)
20h – DEBATE (Ruy Gardnier, Hernani Heffner e Calac Nogueira)

Sexta, 13 de abril

16h – Sedução (Cat Chaser/ DVD / 90 min / 18 anos)
18h – Enigma do Poder (New Rose Hotel / 35 mm / 93 min / 18 anos)
20h – O Rei de Nova York (The king of New York / 35 mm / 103 min / 18 anos)

Sábado, 14 de abril

16h – Crime Story (DVD / 96 min / 18 anos)
18h – Vício Frenético (Bad Lieutenant / 35 mm / 96 min / 18 anos)
20h – Gangues do Gueto (R Xmas / 35 mm / 85 min / 18 anos)

Domingo 15 de abril

16h – China Girl (Blu-Ray / 89 min / 18 anos)
18h – O Rei de Nova York (The king of New York / 35 mm / 103 min / 18 anos)
20h – Maria (Mary / 35 mm / 83 min / 14 anos)


Terça, 17 de abril

15h30 – Napoli Napoli Napoli (DVD / 102 min / 16 anos)
18h – The Addiction (35mm / 82 min / 18 anos)
20h – Blackout – Sentiu a minha falta? (The Blackout / 35 mm / 98 min / 18 anos)

Quarta, 18 de abril

15h30 – Chelsea on the rocks (35 mm / 88 min / 18 anos)
18h – Miami Vice (DVD: The Dutch Oven and The Home Invaders / 1985 / 49 min cada) (18 anos)
20h – Sedução e Vingança (Ms. 45 / 35mm / 80 min / 18 anos)

Quinta, 19 de abril

15h30 – The Addiction (35mm / 82 min / 18 anos)
17h30 – Os Chefões (The Funeral / 35 mm / 99 min / 18 anos)
20h – Olhos de Serpente (Dangerous Game / DVD / 108 min / 18 anos)

Sexta, 20 de abril

15h – Blackout – Sentiu a minha falta? (The Blackout / 35 mm / 98 min / 18 anos)
17h30 – Sedução (Cat Chaser/ BETA / 157 min / 18 anos)
20h – Os Invasores de Corpos (The Body Snatchers / 35 mm / 87 min / 18 anos)

Sábado, 21 de abril

16h – Mulberry St. (DVD / 90 min / 14 anos)
18h – Debate (Abel Ferrara, Shanyn Leigh e Ruy Gardnier)
20h – Go Go tales (35 mm / 96 min / 18 anos)

Domingo 22 de abril

16h – Os Invasores de Corpos (The Body Snatchers / 35 mm / 87 min / 18 anos)
18h – Sedução e Vingança (Ms. 45 / 35mm / 80 min / 18 anos)
20h – Os Chefões (The Funeral / 35 mm / 99 min / 18 anos)

terça-feira, abril 03, 2012

shame **

Não consigo levar “Shame” a sério. Esta coisa de vício em sexo não me convence. É muito mais um sintoma, uma obsessão, algo com um subterfúgio involuntário que impossibilita a pessoa de confrontar o verdadeiro problema. O filme até nos dá indícios de que existe mesmo um problema por trás daquele comportamento, do tão sujo e horripilante vício sexual. Há alguma coisa entre os irmãos. Um passado. Mas isso fica tão apenas esboçado. E isto me parece tão estranhamente calculado, nos mínimos detalhes. O que não quer dizer que eu não goste de algumas coisas. Michael Fassbender é um ator estupendo. É legal como o filme se coloca a serviço dele e de Carey Mulligan, dos atores. E isso, conjugado com longos planos-sequencia de câmera estática, consegue gerar alguns bons momentos.

sábado, março 31, 2012

marli de feira de santana

Talvez vocês já tenham visto estes vídeos abaixo. O primeiro tem uns dez anos. O outro é mais recente. Não sei muito bem a história da Marli. Acho que o menino que morava na casa onde ela trabalhava a viu cantar e a ajudou a fazer este primeiro vídeo. Com o passar do tempo, o menino virou produtor. O vídeo ficou mais "profissional" e tal... Mas, sinceramente, prefiro muito mais o primeiro. Acho ele bem mais legal. Dá pra sentir a enorme vontade das pessoas envolvidas em fazer aquilo. Entende? O segundo não, é mais limpo, certinho, "profissional".




quarta-feira, março 28, 2012

o porto***

Este novo filme de Aki Kaurismäki é de uma integridade invejável. A palavra me veio à cabeça durante a sessão. Depois fui ao dicionário ver se a coisa era mesmo adequada. Vejam só: "s. f. Estado de uma coisa que tem todas as suas partes: a integridade de uma soma. Qualidade do que é inteiro, completo. Fig. Qualidade de uma pessoa íntegra, honesta, incorruptível". Acho que tem mesmo tudo a ver. Porque a sensação é a de que o que vemos na tela só poderia se dar daquela maneira. O " que" e o "como" são aqui uma única e mesma coisa.

segunda-feira, março 26, 2012

raul seixas **

Eu escrevi aqui brevemente sobre o “A música segundo Tom Jobim”, do Nelson Pereira dos Santos, e não consegui parar de pensar neste filme enquanto via “Raul Seixas”, do Walter Carvalho. Algo neste último filme me incomodava bastante, e, na comparação com o longa do Nelson, pude compreender um pouco melhor o que era aquilo. O fato é que “Raul Seixas” é uma obra “artística”, que busca fervorosamente o termo “artístico”. Quando a mão do cineasta se faz presente de maneira mais forte, é quase sempre para alcançar esse objetivo: as diversas sobreposições, a edição do momento em que Paulo Coelho mata uma mosca ou quando um amigo de Raul imita Elvis... Na verdade, comecei a pensar nos outros filmes dirigidos pelo Walter Carvalho (“Budapeste”, “Cazuza”, “Janela da alma”), e ele sempre foi um cineasta do excesso e marcado por uma necessidade de se afirmar como autor. E mais: tenho achado esse modelo “cabeças falantes” algo meio anacrônico. Ainda não sei bem explicar isso. Acho que não se consegue dar conta da coisa dessa maneira. Não sei.

terça-feira, março 20, 2012

john carter **

E não é que esse "John Carter" é divertido?! Seria um exagero dizer que trata-se de um bom filme, mas está longe da bomba que eu pelo menos esperava. O Ricardo Calil escreveu uma crítica bem legal lá na "Folha". Leiam abaixo:

RICARDO CALIL

CRÍTICO DA FOLHA

Depois de "Missão: Impossível - Protocolo Fantasma", de Brad Bird ("Ratatouille"), "John Carter: Entre Dois Mundos" é a segunda produção, em um ano, a recorrer a um diretor de animação da Pixar para dar consistência a um filme de aventura.

Nessa adaptação do livro "A Princess of Mars", de Edgar Rice Burroughs, o escolhido foi Andrew Stanton, diretor dos excelentes "Procurando Nemo" e "Wall-E".

Se Stanton não consegue um resultado com o frescor do mais recente "Missão: Impossível", ele parece ao menos salvar seu material do que poderia ser um desastre sem a sua presença.

O diretor imprime ao filme um espírito dos antigos seriados exibidos em matinês, como "Flash Gordon", em que a única complicação parecia vir dos nomes exóticos de personagens e de planetas.

"John Carter" quer uma fruição simples: protagonista que salta centenas de metros, monstros marcianos que se comportam como cachorros, alienígenas que remetem a tribos africanas, ritmo de aventura incessante e diálogos que indicam que o filme, sabiamente, não se leva a sério.

A esses prazeres talvez antiquados, Stanton adiciona outros mais modernos: efeitos especiais de ponta, cenários digitais grandiosos e uso eficiente do 3D.

Nesses aspectos, "John Carter" se aproxima da série "Star Wars" e de "Avatar" -que, não por acaso, também usaram a tecnologia para resgatar o clima dos antigos seriados de aventura.

A série de Burroughs se presta bem a esse tipo de operação. Nela, o capitão John Carter (Taylor Kitsch) é teletransportado misteriosamente dos Estados Unidos do século 19 para Marte (chamado pelos locais de Barsoom).

Ali ele se torna figura central de uma guerra civil que envolve os humanoides de Helium, com sua princesa Dejah Thoris (Lynn Collins), os de Zodanga, dominados pelo feiticeiro Matai Shang (Mark Strong), e ainda os alienígenas Tharks, liderados por Tars Tarkas (Willem Dafoe).

Por vezes, as relações entre os três grupos marcianos se tornam um tanto confusas -demonstrando que Stanton não conseguiu cumprir plenamente o projeto de uma diversão descomplicada.

Mas o principal problema de seu filme está na dupla de protagonistas, Kitsch e Collins, cuja beleza está num patamar bastante superior ao de seu talento dramático.

Ora eles parecem saídos de uma novela americana, ora parecem seres criados por computação gráfica, menos humanos (e carismáticos) do que os alienígenas do filme.

sábado, março 17, 2012

hugo cabret ***

“Hugo Cabret” é puro entretenimento. Um filme feito para crianças. Scorsese mostra-se, em primeiro lugar, interessado em contar uma boa história. Isto por vezes, especialmente em sua primeira hora, faz de “Hugo” uma sucessão meio aborrecida de convenções. Mas para alguém que gosta mesmo de cinema, parece-me difícil não se sentir atraído por esta história. Até porque “Hugo Cabret” é também uma forma de manifesto. Um filme feito para cinéfilos, de irmão para irmãos. Scorsese nos chama de mágicos, feiticeiros, sonhadores... e ainda busca, com as imagens em 3D e os muitos efeitos especiais, não somente um olhar para frente, sem medo, como também novas possibilidades de “maravilhamento”. “Hugo” é material contagioso. Este é o maior elogio que se pode fazer sobre este filme.

quarta-feira, março 14, 2012

fellini no ims

O IMS exibe desde sexta um bom número de filmes do italiano Federico Fellini - além de uma ampla exposição sobre sua vida e obra. Hoje tem "Amacord" e amanhã "Oito e meio". Vejam a programação aqui.

quinta-feira, março 08, 2012

a essa altura do campeonato...


Eu fiquei cheio de dúvida de postar isto aqui - até pra não dá trela para este tipo de coisa. Mas esta carta (publicada no O Globo), a essa altura do campeonato, é realmente de lascar.


domingo, março 04, 2012

a música segundo tom jobim ***

Gostei bastante deste filme do Nelson Pereira dos Santos. Talvez goste mais até do esforço de se fazer uma biografia diferente do que do filme propriamente dito. Na verdade, é estranho separar as coisas dessa maneira... Mas o fato é que estamos hoje vivendo em uma realidade em que a “ousadia” é um valor a priori (não só no cinema; o capitalismo contemporâneo incorporou os discursos das liberdades individuais dos anos 60 e 70). Hollywood mesmo é uma espécie de vale-tudo de “originalidades” vazias. Então, quando um cineasta faz uma biografia como “A música segundo Tom Jobim” sinto-me aliviado, inspirado e na obrigação de agradecê-lo.

quinta-feira, março 01, 2012

séries

- “Walking Dead”. Uma decepção esta segunda temporada. Eu gostei muito da primeira. Até cheguei a postar algo por aqui. Mas esta segunda (atualmente em seu décimo episódio) mais parece uma novela (no pior sentido da palavra): as situações se estendem ao máximo; os personagens, suas características, nos são reiteradas a todo o momento; e, o que é pior, agora temos mocinhos e bandidos entre os personagens. Isso sem contar com alguns problemas que não ocorriam na primeira temporada, como personagens que aparecem sem mais nem menos (como os dois jovens que vivem na fazenda).

- Eu achava impossível. Mas, depois dos dois primeiros episódios de sua terceira temporada, me parece que “Eastbound & down” está ainda mais engraçado. Pra mim, a melhor série do momento. Escrevi sobre ela no blog.

- Acabo de ver a terceira temporada de “Bored to death”. As duas primeiras foram incríveis. Jason Schwartzman, Zach Galifianakis e, especialmente, Ted Danson estão sensacionais na pele de três maconheiros inveterados e super amigos. Muito engraçado. Esta terceira temporada, contudo, me decepciono um pouco. A coisa ficou meio rocombolesca. Os personagens deram uma enlouquecida. A série andava mal de audiência e corria o risco de ser cancelada (o que ocorreu). Talvez tenha sido esse o problema.

- Eu acabei de ver o primeiro episódio de “Luck”, dirigido por ninguém menos que Michael Mann. Ainda não sei o que dizer. Muitos personagens. Uma realidade, um espaço, que eu não entendo muito bem. Uma câmera com parkinson. Belíssimos planos dos cavalos. Grandes atuações. É preciso esperar por alguns outros episódios.

- Aguardo, ansioso, pela estréia da terceira temporada de “Louie”, série cômica de um dos maiores comediantes de stand up da atualidade, Louie C..K (ele escreve, produz, dirige e monta). Gostei muito da segunda temporada, quando a série deixou de ser fundamentalmente cômica, e se colou à experiência de seu protagonista, um sujeito carismático de meia idade, comediante e pai de duas filhas. Um cara que parece estar sempre tomando as decisões erradas.

terça-feira, fevereiro 28, 2012

sábado, fevereiro 25, 2012

a separação ***

Eu ando lendo por aqui alguns textos de filosofia política e, ao ver este “A separação”, não consegui parar de pensar em Rousseau. O pensador francês não busca organizar conceitos abstratos como a maior parte dos filósofos, mas conhecer e compreender o homem. Pra ele, o homem é bom por natureza, a sociedade é que o corrompe. Mais do que isso. O homem é perfectível, um animal em devir. A partir de uma inocência originária (que se mantém em nós sufocada), nos tornaríamos bons ou maus. Lembro de uma passagem de “Confissões”, a autobiografia de Rousseau, em que o autor descreve um incidente ocorrido entre ele e uma criada chamada Marrion. Ao serem chamados pelos donos da casa, ele a acusou de ter roubado uma fita (na verdade, o culpado era ele). Marrion foi expulsa e Rousseau sublinha ter sido este o maior erro de sua vida. Contudo, quando o confessa em seus escritos, declara jamais ter sido tão bom. Nem é preciso dizer quanta confusão isso criou na época. Até hoje, Rousseau parece-me classificado com um pensador, no mínimo, ingênuo.

Mas é importante entender que para ele existe uma inocência primitiva que está fora do bem e do mal, da virtude e do vício. Em sua infância, o homem é anterior à fase em que se tornará moral ou imoral: ele é inocente. A “bondade”, na infância e na vida adulta, não é nem boa nem má, mas uma espécie de valor psicológico e não ético. Está mais para uma espécie de predisposição espontânea para a piedade e a benevolência. Ser bom, para Rousseau, é colocar-se no lugar do outro. Ele sentiu o que Marrion sentia, condenava-se como ela o condenava. Mas, por timidez e por temor, não ousou dizer a verdade e cometeu o pior dos erros. Contudo, não foi bondade o que lhe faltou, e sim virtude.

E o que isso tem a ver com “A separação”? Acho que a descrição que Rousseau faz da natureza humana está em sintonia com o que vemos neste filme. Nenhum dos personagens é sacana ou mau. Na verdade, são todos boas pessoas. Querem fazer o bem, mas estão a todo o momento cometendo falhas. O que lhes falta, no entanto, mais uma vez, não é bondade, mas virtude. O curioso é que estas falhas, como bolas de neve, crescem, se expandem, contaminam tudo. A última sequencia do filme é paradigmática neste sentido. A inocência da filha do casal, atacada por todo o longa, é, no fim, corrompida por completo quando obrigam a menina a escolher um dos pais.

quinta-feira, fevereiro 23, 2012

terça-feira, fevereiro 21, 2012

j. edgar ***

Acho estranho quando um filme é desqualificado (como ocorreu, por exemplo, na crítica do “O Globo”) por problemas de maquiagem. Ok, a maquiagem de Di Caprio é mesmo ruim. E isso prejudica a nossa entrada no longa até certo ponto. Agora, “J. Edgar” é mais um ótimo filme de Clint Eastwood. É incrível como Eastwood consegue (nesta que é uma de suas assinaturas) construir relações humanas tão carregadas de sentimentos. Este é um filme de cenas antológicas: o beijo e a briga apaixonados e apaixonantes entre os dois protagonistas; a sequência em que Edgar coloca o vestido da mãe recém falecida e se vê no espelho; o último e terno beijo na testa de Tolson já no fim do filme.

Eastwood não quer chegar ao homem por trás do mito. Tampouco toma o personagem como exemplar - gosto muito como, no fim, Hoover não reconhece o mundo em que vive, embora tenha consciência de que ele foi um dos agentes privilegiados deste estado de coisas. O que interessa ao cineasta americano é um gesto de aproximação. Eastwood está sempre privilegiando o elemento humano. E tudo acontece de maneira natural, discreta, sem alardes. O cineasta seleciona e narra fatos. Através deles, identificamos obsessões, desejos e fantasmas. Um personagem próximo, porém distante e por vezes até mesmo incompreensível. Este, na verdade, tem sido um dos grandes mistérios do veterano realizador: ser claro e objetivo e ao mesmo tempo preservar fissuras e obscuridades latentes. Essas lacunas ajudam a entender a força das cenas citadas no primeiro parágrafo.

segunda-feira, fevereiro 13, 2012

o artista **

Eu não entendo como alguém queira fazer hoje um filme mudo. Não acho que não se deva fazê-lo. Não acho que um filme mudo contemporâneo seria inevitavelmente ruim. Eu só não entendo o que leva um cineasta a fazer um filme mudo hoje. E me incomoda bastante a maneira como “O artista” vem sendo promovido na mídia de maneira geral. É como se o “mudo” fosse uma espécie de valor a priori, como se sua mudez fosse algo por si só digno de elogios. Acho isso tão estranho. E, na verdade, me parece que essa questão está lá no filme. Embora “O artista” seja divertido e tenha lá suas grandes cenas (como quando a atriz coloca um de seus braços no paletó de seu ídolo ou quando o protagonista é engolido pela areia movediça), o cinema mudo para ele é algo como um verbete de dicionário, uma coisa meio morta, reduzida a códigos, regras e efeitos. Isto, aliás, é bem curioso. Por que, neste sentido, este filme de Michel Hazanavicius não poderia ser mais contemporâneo nessa sua valorização pelo estilo (como arte da cópia) e pela obediência a um certo número de regras. Fiquei pensando no “Machete”. São filmes opostos. “O artista” é sério, orgulhoso de seu ar de alta cultura, apesar de ter sido produzido para o consumo rápido das classes média do mundo inteiro. O filme de Rodrigues caracteriza-se por uma negação da seriedade, por um certo desprezo por instâncias oficiais de legitimação do gosto na arte e na cultura.

* outra coisa: não gosto da atuação e das caretas dos atores deste filme, com a exceção de John Goodman.

quarta-feira, fevereiro 08, 2012

os homens que não amavam as mulheres ***

Gostei de “Os homens que não amavam as mulheres”. Mas não muito. David Fincher é um cineasta competente, sem dúvida nenhuma. Contudo, há uma espécie de grife fincher... Não sei se me entendem. É como se Finhcer, agora um cineasta de qualidade consagrada, estivesse confortável, preguiçoso, pouco corajoso. Bom, talvez coragem, digamos, estética nunca tenha sido um forte de Fincher. Mas este “Os homens que amavam as mulheres”, embora sempre divertido, esteja, como apontou o J. Hoberman lá no “Village Voice”, mais para “evening stroll through a well-lit topiary garden” do que “a walk on the wild side”. Algo que me incomoda bastante neste filme é o elemento sueco mal resolvido. Os atores falam inglês com sotaque britânico e dizem vez ou outra palavras como “tak” ou “hej hej”. É meio ridículo isto, não? Talvez tenha sido uma imposição do estúdio. Talvez os produtores acreditassem que isto fosse bom para a aceitação do filme internacionalmente. A mim, no entanto, me parece faltar “culhão” ao longa. A cena de estupro de Lisbeth também me incomoda bastante. Não acho que não se deva filmar cenas de estupro. Não é isso. Mas vejam parte da sequencia abaixo. A montagem, a trilha, as interpretações dos atores... É uma cena por demais espetaculosa, na minha opinião. Ela não é narrada colada à experiência da mulher que está sendo estuprada (e vive aquilo de uma maneira nem um pouco espetaculosa), nem a do estuprador. A maneira como a sequencia é filmada diz muito mais respeito à grife fincher e a nos espectadores. Não sei. Vi o filme ontem. Ainda estou a pensar sobre estas coisas.

A trilha sonora de Trent Reznor é incrível. Vejam aí a versão de “Immigrant Song” do Led Zeppeling.

quarta-feira, fevereiro 01, 2012

mostras

Duas mostras começaram esta semana. Uma traz os filmes de John Waters, na Caixa Cultural, e a outra leva alguns longas do húngaro Peter Forgacs ao CCBB. Vejam as programações e textos sobre os dois cineastas aqui e aqui, respectivamente.