domingo, maio 19, 2013

pineapple express 2

Um video de Evan Goldberg e Seth Rogen lançado no dia 1° de abril, dia da mentira: “Pineapple Express 2”.


Na verdade, era uma promo do novo filmed a dupla: “This is the End”.

sábado, maio 18, 2013

debate são paulo 2


Ainda em São Paulo, pouco antes do debate começar, um senhor fez graça comigo e o mestre Inácio Araújo sobre uma cena de “Paixões que Alucinam” (1964): enfermeiros seguram Johnny Barret, que, amarrado à cama, está prestes a passar por uma sessão de choques elétricos. “Ora, se fosse de verdade, os enfermeiros também receberiam as cargas elétricas. Será que o Fuller não sabia disso?”. Eu acho curioso como uma pergunta simples e inofensiva como esta é capaz, se levada a sério, de revelar particularidades interessantes do cinema de Fuller, talvez do cinema em geral. Quer dizer, o senhor do debate tem razão: os enfermeiros também levariam os choques – lembro também que meu pai, professor e psicanalista, não conseguiu gostar de “Paixões que Alucinam”; “A loucura dos personagens, as sessões de análise, é tudo muito caricato”, disse ele. A impressão é a de que, para Fuller, estamos no plano dos detalhes. Na verdade, não sei se é bem isso. Fuller é bem detalhista quando o assunto é a trama, o personagem. Talvez seja melhor colocar desta forma: sua preocupação maior não é exatamente uma certa fidelidade à realidade, mas a precisão dramática. Ou seja: os enfermeiros segurarem o paciente, torna a cena ainda mais verossímil e intensa. Em cinema, verossimilhança é questão dramática. O próprio Fuller dizia ter alguns problemas coma encenação da guerra. Um tiroteio, dizia ele, não durava mais do que dois minutos. As pessoas morrem rápido. Em um filme, não há como narrar um confronto em menos de dois minutos. Fuller tinha consciência disso. 

segunda-feira, maio 13, 2013

debate em são paulo


Em São Paulo, no debate da mostra do Samuel Fuller, o Inácio Araújo disse que é preciso aprender a gostar de alguns cineastas. Este teria sido o seu o caso com Fuller. Inácio já conhecia seus filmes, sem muito entusiasmo. Carlão Reichenbach o convenceu a vê-los novamente. Aprender a gostar. É uma ideia que me parece interessante. Não é a minha história com o Fuller, que sempre me manteve de olhos abertos. Robert Bresson, este sim, aprendi a gostar dele. Odiei os primeiros filmes que vi: "Diário de um Padre" (1951) e "Lancelot du Lac" (1974). Hoje, contudo, os acho divertidos. "Mouchette" (1967) e "O dinheiro" (1983) são dois dos meus filmes prediletos. Foi-me preciso “entender” aquele cinema para gostar dele. Contextualizá-lo. Saber de onde ele vinha. As atuações. A fotografia. O tom. A mão pesada de Bresson. A noção de encontro. As coisas foram se encaixando. Isto levou um certo tempo. Manoel de Oliveira também me era chato, entediante, aborrecido – talvez, sobretudo, pelo português de Portugal, que me dói os ouvidos, num preconceito bizarro e difícil por vezes de ultrapassar.

terça-feira, maio 07, 2013

a visitante francesa ***


Foi bem divertido ver este filme de Hong Sang-Soo. Um cinema que se assume como construção, embora exale um certo desprendimento, uma aleatoriedade, um aqui e agora. Na verdade, a história da jovem que, por tédio e em fuga, escreve três pequenos enredos envolvendo uma francesa em uma pacata cidade do litoral coreano, explicita um pouco da natureza dos personagens deste cinema. Eles existem como narrações de si mesmos. São seres incompletos, sempre em construção, sem versões definitivas, enredados em rocamboles afetivos, em encontros e desencontros de sentimentos e emoções imprecisos, sempre regados a álcool. São o que dizem, embora o que fazem muitas vezes os contradigam. Uma gente confusa, como a gente.  
“A visitante francesa” põe em movimento o jogo absolutamente desconcertante característico dos últimos filmes de Sang-Soo. Nele, é tudo tão pensado, baseado em ensaios e roteiro... Os personagens, contudo, se desprendem de tudo isso, em uma soma aparentemente aleatória de conversas, alinhavadas sem uma relevância mais explícita, muito menos uma curva dramática de amadurecimento. Os personagens são sempre um aqui e agora. Eis que, no entanto, por vezes para sublinhar um diálogo, a reação de um personagem, ou apenas para reenquadrar a ação ou, quem sabe, chamar nossa atenção, Sang-Soo lança mão do zoom. E, de repente, uma enunciação de mão pesada e um estilo aberto ao universo do encontro, vamos lá, como uma janela aberta sobre o mundo, convivem, se alimentam, dependem um do outro. O cinema sempre à nossa frente.

Eu fui dar uma olhada no que havia saído a respeito do filme aqui e, sobretudo, no estrangeiro, e, confesso, fiquei um pouco decepcionado. A crítica é muitas vezes exercida como uma espécie de polícia, de patrulha. Ora exigindo novidades. Ora movido por uma necessidade de encontrar fragilidades, mesmo que pontuais. É, portanto, importante sublinhar que o cinema de Sang-Soo, embora brote da exploração sistemática de um mesmo universo, método de filmagem e estilo, instala sempre sutis variações a cada filme; e que talvez seja mais interessante (dependendo, é claro do filme, do olhar que ele nos demanda) pensar por meio de uma noção de integralidade. Qualquer filme tem lá suas fragilidades. Alguns dependem delas, fazem delas parte integrante de sua existência.   

sexta-feira, abril 19, 2013

saiu na revista da folha


Os cinco filmes do Fuller de que mais gosto:


1. CÃO BRANCO (White Dog, 1982)

Último filme feito nos EUA. Um cão branco é treinado para atacar negros. Em sua pelugem branca, inscrevem-se séculos de violência. Um treinador negro tentará descondicioná-lo. Será possível extinguir o racismo? Em Samuel Fuller, perguntas geram apenas perguntas. Não se trata, contudo, de um filme reflexivo. “Cão Branco” é um filme de closes, emoção e ação, sempre no aqui e agora, capaz de incomodar o mais impassível dos espectadores. Sem falar na trilha de Ennio Morricone.

2. AGONIA E GLÓRIA (The Big Red One, 1980)

Ao lado de “A Dama de Preto”, é seu filme mais pessoal. Em parte autobiográfico, funciona como o diário de combate de uma divisão do exército americano durante a Segunda Guerra Mundial. Nada de espetacular. Nenhum monólogo interior. Tampouco os horrores do nazismo. A guerra é insana e irrepresentável. O que resta são os detalhes mais mundanos e menos crucias, que, Fuller, como um repórter, relata apaixonadamente. Moral da história? Na guerra, o único heroísmo é sobreviver. A mostra exibe a versão reconstruída, 50 minutos mais longa.

3. O BEIJO AMARGO (The Naked Kiss, 1964)

A cena de abertura é ontológica. Kelly, uma prostitua, careca, espanca um homem. Saberemos depois que se trata de um gigolô que a fez perder os cabelos. Ela tentará mudar de vida, em outra cidade. No entanto, os EUA pós-guerra, com esqueletos escondidos por todos os lados, a persegue. Recomeçar talvez não seja possível. O filme, como sua personagem, vai do angelical ao diabólico, da elegância ao ritmo frenético, dos closes estilizados aos movimentos inesperados, bruscos.

4. PAIXÕES QUE ALUCINAM (Shock Corridor, 1963)

O filme contém todos os temas fullerianos, o jornalismo, o insano, a guerra, o homem e seu livre-arbítrio. Um jornalista entra num asilo psiquiátrico para desvendar um crime. Ele ganha o prêmio Pulitzer. Paga, porém, com a loucura. No hospício, os personagens carregam em suas loucuras as contradições fundadoras dos EUA: o patriotismo, a guerra, o racismo... Paixões que alucinam. Os personagens querem mudar de identidade, mas ela se volta violentamente contra eles. Samuel Fuller, mais uma vez, faz milagres com o baixo-orçamento.

5. DRAGÕES DA VIOLÊNCIA (Forty Guns, 1957)

Um dos westerns mais originais da história do cinema. Samuel Fuller filma um duelo como um confronto de vontades e energias, entre um plano médio e um close espetacular do olho do destemido Griff. Ele, um pistoleiro envelhecido, está cansado. Jessica, fazendeira de pulso firme, também. Talvez possam juntos por um fim à violência, sempre destrutiva, que marca suas vidas. Enquanto tentam, Fuller ataca cada cena com a precisão dramática que lhe é de costume. Emoção 24 quadros por segundo.

segunda-feira, abril 15, 2013

samuel fuller: se voc~e morrer eu te mato!


1° Semana

Terça, 16 de abril

16h – Mortos que Caminham (Merrill’s Marauders / 35 mm / 96 min / 1962 / 16 anos)
 18h – Dragões da Violência (Forty Guns / DVD / 79 min / 1957 / 16 anos)
 20h – O Beijo Amargo (The Naked Kiss / 35 mm / 90 min / 1964 / 16 anos)

Quarta, 17 de abril

16h – Tubarão (Shark / DVD / 92 min / 1969 / 16 anos)
18h – Tigrero: A Film That Was Never Made (DVD / 75 min / 1994 / 12 anos)
20h – A Dama de Preto (Park Row / 35 mm / 83 min / 1952 / 16 anos)


Quinta, 18 de abril

16h – O Barão Aventureiro (The Baron of Arizona / DVD / 97 min / 1950 / 16 anos)
18h – La Madonne et Le Dragon (DVD / 90 min / 1990 / 16 anos)

20h – Capacete de Aço (The Steel Helmet / 16 mm / 85 min / 1951 / 16 anos)

Sexta, 19 de abril

16h – Tubarão (Shark / DVD / 92 min / 1969 / 16 anos)
18h – Rua sem Volta (Street of no Return / DVD / 93 min / 1989 / 16 anos)

20h – O Beijo Amargo (The Naked Kiss / 35 mm / 90 min / 1964 / 16 anos)


Sábado, 20 de abril

16h – Tigrero: A Film That Was Never Made (DVD / 75 min / 1994 / 12 anos)
18h – A Dama de Preto (Park Row / 35 mm / 83 min / 1952 / 16 anos)
20h – Cão Branco (White Dog / 35 mm / 90 min / 1982 / 16 anos)



Domingo, 21 de abril

15h – Mortos que Caminham (Merrill’s Marauders / 35 mm / 96 min / 1962 / 16 anos)

17h – Proibido! (Verboten! / 16 mm / 93 min / 1959 / 16 anos)
19h – Agonia e Glória (Big Red One / 35 mm / 162 min / 1980 / 16 anos)


2° Semana


Terça, 23 de abril

16h – Proibido! (Verboten! / DVD / 93 min / 1959 / 16 anos)
18h – O Barão Aventureiro (The Baron of Arizona / DVD / 97 min / 1950 / 16 anos)
20h – Capacete de Aço (The Steel Helmet / 16 mm / 85 min / 1951 / 16 anos)

Quarta, 24 de abril

15h – Agonia e Glória (Big Red One / DVD / 162 min / 1980 / 16 anos)
18h – Rua sem Volta (Street of no Return / DVD / 93 min / 1989 / 16 anos)

20h – Cão Branco (White Dog / 35 mm / 90 min / 1982 / 16 anos)


Quinta, 25 de abril

15h – Samuel Fuller, Cineasta Independente (Samuel Fuller, Independent Filmaker / 1967 / 68 min / 12 anos) + Fuller à Mesa (Fuller à la Table / 1982 / 11 min / 12 anos), ambos de André S. Labarthe

17h – Agonia e Glória (Big Red One / 35 mm / 162 / 1980 / 16 anos)

20h – DEBATE (Ruy Gardnier, Luiz Carlos Oliveira Jr. e Julio Bezerra)


Sexta, 26 de abril

15h50 – Tormenta sob os Mares (Hell and High Water / DVD / 103 min / 1954 / 16 anos)
18h – Ladrões do Amanhecer (Les Voleurs de La Nuit / 35 mm / 98 min / 18 anos)
20h – A Lei dos Marginais (Underworld USA / 16 mm / 99 min / 1961 / 16 anos)


Sábado, 27 de abril

16h – Samuel Fuller, Cineasta Independente (Samuel Fuller, Independent Filmaker / 1967 / 68 min / 12 anos) + Fuller à Mesa (Fuller à la Table / 1982 / 11 min / 12 anos), ambos de André S. Labarthe
18h – Renegando o Meu Sangue (Run of the Arrow / 35 mm / 89 min / 1957 / 16 anos)

20h – Paixões que Alucinam (Shock Corridor / 35 mm / 101 min / 1963 / 16 anos)

Domingo, 28 de abril

16h – Quando os Homens são Maus (The Meanest Men in the West / DVD / 91 min / 1967 / 16 anos)
18h – Anjo do Mal (Pickup on South Street / 35 mm / 75 min / 1953 / 16 anos)
20h – O Quimono Escarlate (The Crimson Kimono / 35 mm / 82 min / 1959 / 16 anos)


3° Semana


Terça, 30 de abril

16h – Cão Branco (White Dog / 35 mm / 90 min / 1982 / 16 anos)
17h50 – Tormenta sob os Mares (Hell and High Water / DVD / 103 min / 1954 / 16 anos)
20h – A Lei dos Marginais (Underworld USA / 16 mm / 99 min / 1961 / 16 anos)

Quarta, 01 de maio

16h – La Madonne et Le Dragon (DVD / 90 min / 1990 / 16 anos)

18h – Eu Matei Jesse James (I Shot Jesse James / DVD / 81 min / 1949 / 16 anos)
20h – Dragões da Violência (Forty Guns / 35 mm / 79 min / 1957 / 16 anos)

Quinta, 02 de maio

16h – Quando os Homens são Maus (The Meanest Men in the West / DVD / 91 min / 1967 / 16 anos)
18h – Baionetas Caladas (Fixed Bayonets! / 35mm / 92 min / 1951 / 16 anos)

20h – O Quimono Escarlate (The Crimson Kimono / 35 mm / 82 min / 1959 / 16 anos)


Sexta, 03 de maio

16h – Eu Matei Jesse James (I Shot Jesse James / DVD / 81 min / 1949 / 16 anos)
18h – Casa de Bambu (House of Bamboo / 35 mm / 102 min / 1955 / 16 anos)

20h – Paixões que Alucinam (Shock Corridor / 35 mm / 101 min / 1963 / 16 anos)


Sábado, 04 de maio

16h – Ladrões do Amanhecer (Les Voleurs de La Nuit / 35 mm / 98 min / 18 anos)

18h – Dragões da Violência (Forty Guns / 35 mm / 79 min / 1957 / 16 anos)
20h – Anjo do Mal (Pickup on South Street / 35 mm / 75 min / 1953 / 16 anos)


Domingo, 05 de maio

16h – Baionetas Caladas (Fixed Bayonets! / 35 mm / 92 min / 1951 / 16 anos)

18h – Casa de Bambu (House of Bamboo /35 mm / 102 min / 1955 / 16 anos)

20h – Renegando o Meu Sangue (Run of the Arrow / 35 mm / 89 min / 1957 / 16 anos)