quarta-feira, maio 05, 2010

peeping tom

"Peeping Tom" (1960) é um filme perturbador. É incrível o jogo (com diversos graus de coincidência) que Michael Powell promove entre o olhar do espectador, o olhar da câmera e o olhar do personagem. É deste “entre”, deste jogo entre nossa identificação com o personagem e nossa identificação com o olhar da câmera que o cineasta gera variados e intensos efeitos de terror. “Eu sempre perco tudo o que fotografo”, murmura com tristeza o protagonista, uma fala que mesmo hoje, depois de inúmeras revisões, ainda me deixa todo arrepiado. Ao ver “Peeping Tom”, somos não apenas voyeur, como também assassinos. Vejam essa cena (com um adendo: o pai do protagonista, visto nos filmes projetados em preto e branco, é interpretado pelo próprio Michael Powell):



O filme de Michael Powell nos ajuda a pensar essa questão da identificação. O termo identificação encerrava até meados dos anos 60 uma noção psicológica bastante vaga. Através desse termo, justificava-se a experiência do espectador que compartilha, durante a projeção, as esperanças, os desejos, as angústias, os sentimentos deste ou daquele personagem. Será Jean-Louis Baudry, a propósito do que ele chamou de “aparato de base” no cinema, metaforizado pela câmera, quem distinguirá pela primeira vez o jogo de uma dupla identificação: a identificação primária, com o sujeito da visão, com a instância representante; e a identificação secundária, com o personagem, com o representado. Mais do que isso. A identificação primária seria a base e a condição da identificação secundária.


Isso causou tremendo alvoroço que tomou conta dos estudos sobre a sétima arte no final dos anos 60 e por quase toda a década seguinte. A identificação primária faz o espectador se identificar com o seu próprio olhar e se sentir como foco da representação, como sujeito privilegiado, central e transcendental da visão. Esse lugar central e único, adquirido de antemão, sem qualquer esforço de motricidade, é o lugar de Deus, de sujeito que tudo vê. O cinema, sob sua forma dominante, manifesta uma intenção de constituir o indivíduo no sujeito centrado do idealismo. Ou seja: no plano ideológico, o cinema está inscrito em uma longa história cultural. Jean Louis Comolli, outro importante crítico e ensaísta que se debruçou sobre esse tema, é quem estava certo quando esbravejou que antes de ser uma invenção científica, o cinema preenchia uma demanda ideológica.

domingo, maio 02, 2010

notinhas da 'film comment'

- Jerzy Skolimowski está filmando “The essence of killing”. O filme traz a história de um membro do Talibã que mata três americanos no Afeganistão, é preso, transferido para a Europa para ser interrogado. Vicent Gallo é o protagonista.


- “Paul” é mais um roteiro escrito pela dupla de comediantes inglesa Simon Pegg e Nick Frost. Dessa vez, no entanto, o filme não será dirigido por Edgar Wright ou, como havia sido inicialmente anunciado, por David Schwimmer. Greg Mottola (“Superbad”) assina a direção. Além de Pegg e Frost, estão no elenco Seth Rogen, Jason Bateman and Sigourney Weaver.


- A Warner Brothers, que detém os direitos do projeto cinematográfico de Stanley Kubrick sobre o Holocausto, “The Aryan papers”, e Jan Harlan, produtor e cunhado de Kubrick, parecem ter assinado com Ang Lee.


- Takeshi Kitano está de volta aos filmes de gangsters, dez anos depois de “Brother”. Office Kitano e Warner Japan devem lançar “Outrage” ainda esse ano. Kitano assina o roteiro e a direção, e vive um gangster ambicioso.

quarta-feira, abril 28, 2010

sessão cinética

Sessão Cinética, hoje, lá no IMS:

17h
A Enguia (Unagi)
de Shohei Imamura (Japão, 1997), 117 min

19h
Os Amantes de Pont-Neuf (Les amants du Pont-Neuf)
de Leos Carax (França, 1991), 125 min

segunda-feira, abril 26, 2010

diálogos com ozu

O Fórum na Tela lá da UFRJ abriga uma pequena mostra chamada Diálogos com Ozu:

26/04 segunda 19h às 21h

Contos de Tóquio, de Yasujiro Ozu (Tokyo Monogatari, 1953,136 min, P&B, Japão, falado em japonês, legendas em português)

27/04 terça 19h às 21h

Tokyo-Ga, de Wim Wenders (Tokyo-Ga, 1985, 92 min, cor, USA/Alemanha, falado em japonês, legendas em português)

28/04 quarta19h às 21h

Pai e Filha, de Yasujiro Ozu (Banshun,1949, 108 min, P&B, Japão, falado em japonês, legendas em português)

29/04 quinta19h às 21h

35 Rhums, de Claire Denis (35 Rhums, 2008, 100 min, cor, França/Alemanha, falado em francês, legendas em inglês)

30/04 sexta19h às 21h

Café Lumière, de Hou Hsiao-Hsien (Kôhî jikô, 2003, 103min, cor, Japão/Taiwan, falado em chinês e japonês, legendas em inglês)

03/05 segunda19h às 21h

Casa de Alice, de Chico Teixeira (Casa de Alice, 2007, 92 min, cor, Brasil)

04/05 terça19h às 22h

Garotas do ABC, de Carlos Reichenbach (Garotas do ABC, 2003, 103 min, cor, Brasil)

Após o filme, haverá debate com Chico Teixeira e Carlos Reichenbach com mediação da profa. Anita Leandro (ECO/UFRJ)

quinta-feira, abril 22, 2010

as melhores coisas do mundo

Uma enorme decepção. Fui levado pelos muitos elogios feitos ao filme e quebrei a cara. Faço minhas as palavras de Sérgio Alpendre e Inácio Araújo. Leiam.

os famosos e os duendes da morte

Como era de se esperar de Esmir Filho, a montagem, os filtros, os desfocos, os movimentos bruscos e a forte marcação de cena geram um universo de extrema afinidade com o protagonista de “Os famosos”. Mas, para além da estilização da imagem e do som, há um certo compromisso com a captação da experiência - e neste sentido, a fotografia de Mauro Pinheiro Jr. (“No meu lugar”, “Cinema Aspirinas e Urubus”) é mais uma vez um grande destaque. Esmir aposta em tempos mais largos. Vemos em detalhes, sem pressa e sem síntese, os gestos do rapaz. Nada mais que simplesmente isso. Acompanhamos em um plano frontal o protagonista andando para a escola enquanto seu melhor amigo o segue de bicicleta fazendo em círculos em torno dele – o que faz lembrar muito do cinema de Gus Van Sant (especialmente “Paranoid Park), embora a lembrança talvez não faça lá muito bem a “Os Famosos”. Ou seja: há uma mudança no olhar para os personagens. Se antes Esmir parecia por demais preocupado em expressar suas criaturas com excelência técnica e domínio plástico (que o levaram muitas vezes a ser acusado de um certo “exibicionismo publicitário”), agora ele parece igualmente interessado na superfície dos corpos e nos sinais da existência.

E assim, “Os Famosos” se afirma em um difícil equilíbrio entre um tom mais realista e um outro mais onírico. Esmir oscila com bastante freqüência por entre estes regimes, por entre uma aproximação mais epidérmica com o universo dos personagens e uma misteriosa cadeia de acontecimentos, entre a atenção aos gestos e olhares do protagonista e um certo excesso de gordura expressiva nas imagens. Esse vai e vem talvez tenha enfraquecido o conjunto da obra. “Os Famosos” começa atento aos pequenos e banais momentos de seu personagem, interessado por seu universo e a relação que ele alimenta com aquilo que o cerca, e termina como um drama recheado de suspense e revelações. O filme nos promete um mundo que nunca veremos de fato. Aos poucos, seu protagonista parece contaminado por uma estranha espécie de solipsismo. A melancolia ou o luto do menino não se concretizam. A morte jamais se impõe como ameaça. E nem mesmo o gosto por Bob Dylan se justifica.

terça-feira, abril 20, 2010

mostra

Começa hoje a Mostra Cineastas e Imagens do Povo, lá no CCBB. Vejam a programação:

terça, 20 de abril
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17:30 PGM 8 . Operários 3 - Linha de montagem (Renato Tapajós, 1981, 35mm, cor, 90 min, livre)
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19:30 Abertura (74’): Maioria absoluta (Leon Hirszman, 1964, beta, p&b, 18 min, 14 anos),Liberdade de imprensa (João Batista de Andrade, 1967, 16mm, p&b, 24 min, livre), Lavra-Dor(Paulo Rufino, 1968, beta, p&b, 11 min, livre), Brasília segundo Feldman (Vladimir Carvalho 1979, 16mm, cor, 21 min, livre)
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quarta, 21 de abril
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17:30 PGM 10 . Filmar a história 2 - Os anos JK, uma trajetória política (Sílvio Tendler, 1980, beta, cor, 109 min, livre)
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19:30 PGM 15 . Diálogo com “Filmar a história” - São Paulo Sinfonia e Cacofonia (Jean-Claude Bernardet, 1994, beta, cor, 29 min, 14 anos), Isto é Noel (Rogério Sganzerla, 1991, beta, cor/p&b, 42 min, livre)

quinta, 22 de abril
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17:30 PGM 18 . Diálogo com a ficção - O homem que virou suco (João Batista de Andrade, 1979, 35mm, cor, 97 min, 16 anos)
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19:30 PGM 6 . Operarios 1 - Chapeleiros (Adrian Cooper, 1983, 16mm, cor, 24 min, livre),Greve (João Batista de Andrade, 1979, 16mm, cor, 37 min, livre), Os queixadas (Rogério Corrêa, 1978, 16mm, cor, 30 min, livre)

sexta, 23 de abril
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17:30 PGM 17 . Diálogo com Bernardet - Iracema - Uma transa amazônica (Jorge Bodanzky e Orlando Senna, 1974, 35mm, cor, 90min, 18 anos)
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19:30 PGM 2 . O espelho perturba o método - A opinião pública (Arnaldo Jabor, 1967, DVD, p&b, 78 min, 14 anos)

sábado, 24 de abril
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16:00 PGM 4 . Vertentes outras - Cultura & loucura (Antônio Manuel, 1973, beta, p&b, 9 min, livre), Brasília segundo Feldman (Vladimir Carvalho 1979, 16mm, cor, 21 min, livre), Aruanda(Linduarte Noronha, 1960, beta, p&b, 21 min, livre), A pedra da riqueza: ou a peleja do sertanejo para desencantar a pedra que foi parar na lua com a nave dos astronautas(Vladimir Carvalho, 1976, 16mm, p&b, 15 min, livre)
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18:00 PGM 3 . Em busca da voz do documentarista - Liberdade de imprensa (João Batista de Andrade, 1967, 16mm, p&b, 24 min, livre), Migrantes (João Batista de Andrade , 1972, 16mm, p&b, 7 min, livre), Congo (Arthur Omar, 1972, 16mm, p&b, 11 min, livre), Lavra-Dor (Paulo Rufino, 1968, beta, p&b, 11 min, livre)
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19:30 Debate “As vozes que Bernardet escutou: da voz do dono a voz do outro”, comArthur Omar e Maurice Capovilla, mediação Simplício Neto

domingo, 25 de abril
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16:00 PGM 1 . A voz do dono - Subterrâneos do futebol (Maurice Capovilla, 1965-65, beta, p&b, 30 min, livre), Maioria absoluta (Leon Hirszman, 1964, beta, p&b, 18 min, 14 anos), Passe Livre (Oswaldo Caldeira, 1974, beta, cor, 75 min, livre)
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18:00 PGM 9 . Filmar a historia 1 - Cabra marcado para morrer (Eduardo Coutinho, 1964/84, 35mm, cor e p&b, 119 min, 12 anos)
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20:00 PGM 19 . Novas Imagens do povo 1 - Uma Avenida chamada Brasil (Octávio Bezerra, 1988, 35mm, cor, 85 min, 16 anos)

terça, 27 de abril
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15:00 Curso “A voz do dono”, com Fernando Morais
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17:30 PGM 1 . A voz do dono - Subterrâneos do futebol (Maurice Capovilla, 1965-65, beta, p&b, 30 min, livre), Maioria absoluta (Leon Hirszman, 1964, beta, p&b, 18 min, 14 anos), Passe Livre (Oswaldo Caldeira, 1974, beta, cor, 75 min, livre)
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19:30 PGM 3 . Em busca da voz do documentarista - Liberdade de imprensa (João Batista de Andrade, 1967, 16mm, p&b, 24 min, livre), Migrantes (João Batista de Andrade , 1972, 16mm, p&b, 7 min, livre), Congo (Arthur Omar, 1972, 16mm, p&b, 11 min, livre), Lavra-Dor (Paulo Rufino, 1968, beta, p&b, 11 min, livre)

quarta, 28 de abril
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15:00 Curso “Filmar a história”, com Roberto Moura
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17:30 PGM 9 . Filmar a história 1 - Cabra marcado para morrer (Eduardo Coutinho, 1964/84, 35mm, cor e p&b, 119 min, 12 anos)
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19:30 PGM 10 . Filmar a história 2 - Os anos JK, uma trajetória política (Sílvio Tendler, 1980, beta, cor, 109 min, livre)

quinta, 29 de abril
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15:00 Curso “O espelho perturba o método”, com Andrea França
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17:30 PGM 2 . O espelho perturba o método - A opinião pública (Arnaldo Jabor, 1967, DVD, p&b, 78 min, 14 anos)
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19:30 PGM 13 . Diálogo com “O espelho perturba o método” - Pacific (Marcelo Pedroso, 2009, beta, cor, 74 min, sem classificação indicativa)

sexta, 30 de abril
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15:00 Curso “A entrevista”, com Consuelo Lins
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17:30 PGM 11 . A entrevista - À margem da imagem (Evaldo Mocarzel, 2002, 35mm, cor, 72 min, livre), Casa de cachorro (Thiago Villas Boas, 2001, beta, cor, 26 min, livre)
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19:30 PGM 16 . Diálogo com “A entrevista” - Jorjamado no cinema (Glauber Rocha, 1979, beta, cor, 51 min, 12 anos), Memória do cangaço (Paulo Gil Soares, 1965, DVD, p&b, 30 min, 14 anos)

sábado, 1º de maio
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16:00 PGM 14 . Diálogo com Operários - Peões (Eduardo Coutinho, 2004, DVD, cor, 85 min, Livre)
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18:00 PGM 8 . Operários 3 - Linha de montagem (Renato Tapajós, 1981, 35mm, cor, 90 min, livre)
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19:30 Debate “As imagens da história: comemorando o 1º de maio”, com Eduardo Coutinho, Silvio Tendler e Otávio Bezerra, mediação Eliska Altmann

domingo, 02 de maio
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16:00 PGM 20 . Novas imagens do povo 2 - Aboio (Marília Rocha, 2005, 35mm, cor, 73 min, Livre)
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18:00 PGM 06 . Operários 1 - Chapeleiros (Adrian Cooper, 1983, 16mm, cor, 24 min, livre),Greve (João Batista de Andrade, 1979, 16mm, cor, 37 min, livre), Os queixadas (Rogério Corrêa, 1978, 16mm, cor, 30 min, livre)
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20:00 PGM 18 . Diálogo com a ficção - O homem que virou suco (João Batista de Andrade, 1979, 35mm, cor, 97 min, 16 anos)

terça, 04 de maio
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15:00 Curso “Em busca da voz do documentarista”, com Mariana Baltar
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17:30 PGM 3 . Em busca da voz do documentarista - Liberdade de imprensa (João Batista de Andrade, 1967, 16mm, p&b, 24 min, livre), Migrantes (João Batista de Andrade , 1972, 16mm, p&b, 7 min, livre), Congo (Arthur Omar, 1972, 16mm, p&b, 11 min, livre), Lavra-Dor (Paulo Rufino, 1968, beta, p&b, 11 min, livre)
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19:30 PGM 11 . A entrevista - À margem da imagem (Evaldo Mocarzel, 2002, 35mm, cor, 72 min, livre), Casa de cachorro (Thiago Villas Boas, 2001, beta, cor, 26 min, livre)

quarta, 05 de maio
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15:00 Curso “Operários”, com Simplício Neto
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17:30 PGM 7 . Operários 2 - O Porto de Santos, (Aloysio Raulino, 1979, 35mm, p&b, 19 min, livre), Braços cruzados, máquinas paradas (Sérgio Toledo Segall e Roberto Gervitz, 1979, 16mm, p&b, 76 min, livre)
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19:30 PGM 8 . Operários 3 - Linha de montagem (Renato Tapajós, 1981, 35mm, cor, 90 min, livre)

quinta, 06 de maio
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15:00 Curso “Vertentes outras”, com Luiz Alberto Rocha Melo
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17:30 PGM 4 . Vertentes outras - Cultura & loucura (Antônio Manuel, 1973, beta, p&b, 9 min, livre), Brasília segundo Feldman (Vladimir Carvalho 1979, 16mm, cor, 21 min, livre), Aruanda (Linduarte Noronha, 1960, beta, p&b, 21 min, livre), A pedra da riqueza: ou a peleja do sertanejo para desencantar a pedra que foi parar na lua com a nave dos astronautas (Vladimir Carvalho, 1976, 16mm, p&b, 15 min, livre)
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19:30 PGM 17 . Diálogo com Bernardet - Iracema - Uma transa amazônica (Jorge Bodanzky e Orlando Senna, 1974, 35mm, cor, 90min, 18 anos)

sexta, 07 de maio
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15:00 Curso “O segredo da voz do outro”, com Cezar Migliorin
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17:30 PGM 5 . O segredo da voz do outro - Tarumã (Mario Kuperman, 1975, beta, cor, 13 min, livre), Jardim nova Bahia (Aloysio Raulino, 1971, 35mm, p&b/cor, 15 min, livre), Gilda (Augusto Sevá, 1977, 16mm, cor, 13 min, livre), Mito e metamorfoses das mães nagô (Iya-Mi-Agbá - Arte sacra negra II) (Juana Elbein dos Santos, 1979, 16mm, p&b, 51 min, livre)
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19:30 PGM 12 . Diálogo com “O segredo da voz do outro” - Prisioneiro da Grade de Ferro(Paulo Sacramento, 2004, 35mm, cor, 123 min, 16 anos)

sábado, 08 de maio
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16:00 PGM 10 . Filmar a história 2 - Os anos JK, uma trajetória política (Sílvio Tendler, 1980, beta, cor, 109 min, livre)
.
18:00 PGM 15 . Diálogo com “Filmar a história” - São Paulo Sinfonia e Cacofonia (Jean-Claude Bernardet, 1994, beta, cor, 29 min, 14 anos), Isto é Noel (Rogério Sganzerla, 1991, beta, cor/p&b, 42 min, livre)
.
20:00 PGM 7 . Operários 2 - O Porto de Santos (Aloysio Raulino, 1979, 35mm, p&b, 19 min, livre), Braços cruzados, máquinas paradas (Sérgio Toledo Segall e Roberto Gervitz, 1979, 16mm, p&b, 76 min, livre)

domingo, 09 de maio
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16:00 PGM 1 . A voz do dono - Subterrâneos do futebol (Maurice Capovilla, 1965-65, beta, p&b, 30 min, livre), Maioria absoluta (Leon Hirszman, 1964, beta, p&b, 18 min, 14 anos), Passe Livre (Oswaldo Caldeira, 1974, beta, cor, 75 min, livre)
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18:00 PGM 2 . O espelho perturba o método - A opinião pública (Arnaldo Jabor, 1967, DVD, p&b, 78 min, 14 anos)
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20:00 PGM 5 . O segredo da voz do outro - Tarumã (Mario Kuperman, 1975, beta, cor, 13 min, livre), Jardim nova Bahia (Aloysio Raulino, 1971, 35mm, p&b/cor, 15 min, livre), Gilda (Augusto Sevá, 1977, 16mm, cor, 13 min, livre), Mito e metamorfoses das mães nagô (Iya-Mi-Agbá - Arte sacra negra II) (Juana Elbein dos Santos, 1979, 16mm, p&b, 51 min, livre)

quinta-feira, abril 15, 2010

pessoa 2

Agora é a vez de Alberto Caieiro.

Trechos de O Guardador de Rebanhos

II

O meu olhar é nítido como um girassol
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isto muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras..
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
Eu não tenho filosofia: tenho sentido...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é
Mas porque a amo, e amo-a por isto,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem o que é amar...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar...


V

Há metafísica bastante em não pensar em nada.
O que penso eu do Mundo?
Sei lá o que penso do Mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.
Que idéia tenho eu das coisas?
Que opinião tenho eu sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do Mundo?
Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).
O mistério das coisas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o Sol
E a pensar muitas coisas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o Sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do Sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do Sol não sabe o que faz
E por isto não erra e é comum e é boa.
Metafísica? Que metafísica tem aquelas árvores?
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar
A nós que não sabemos dar por elas.
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber o que não sabem?
"Constituição íntima das coisas"...
"Sentido íntimo do Universo"...
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
É incrível que se possa pensar em uma coisa dessas.
É como pensar em razões e fins
Quando o começo da manhã está raiando e pelos lados das árvores
Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.
Pensar no sentido íntimo das coisas
É acrescentado, como pensar na saúde
Ou levar um copo à água das fontes.
O único sentido íntimo das coisas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.


XX

O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia
O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêm em tudo o que lá não está,
A memória das naus.
O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso, porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.
Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.
O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.


XXIV

O que nós vemos das coisas são as coisas.
Porque veríamos nós uma coisa se houvesse outra?
Porque é que ver e ouvir seria iludirmo-nos
Se ver e ouvir são ver e ouvir?
O essencial é saber ver,
Saber ver sem estar a pensar,
Saber ver quando se vê,
E nem pensar quando se vê,
Nem ver quando se pensa.
Mas isso (triste de nós que trazemos a alma vestida!),
Isso exige um estudo profundo,
Uma aprendizagem de desaprender
E uma sequestração na liberdade daquele convento
De que os poetas dizem que as estrelas são as freiras eternas
E as flores as penitentes convites de um só dia,
Mas onde afinal as estrelas não são senão estrelas
Nem as flores senão flores,
Sendo por isso que lhes chamamos estrelas e flores.


XXVI

Às vezes em dias de luz perfeita e exacta,
Em que as coisas têm toda a realidade que podem ter,
Pergunto a mim próprio devagar
Porque sequer atribuo eu
Beleza às coisas.
Uma flor acaso tem beleza?
Tem beleza acaso um fruto?
Não: tem cor e forma
E existência apenas.
A beleza é o nome de qualquer coisa que não existe
Que dou às coisas em troca do agrado que me dão.
Não significa nada.
Então porque digo eu das coisas: são belas?
Sim, mesmo a mim, que vivo só de viver,
Invisíveis, vêm ter comigo as mentiras dos homens
Perante as coisas,
Perante as coisas que simplesmente existem.
Que difícil ser próprio e não ver senão o visível!


XXVIII

Li hoje quase duas páginas
Do livro dum poeta místico,
E rí como quem tem chorado muito.
Os poetas místicos são filósofos doentes,
E os filósofos são homens doidos.
Porque os poetas místicos dizem que as flores sentem
E dizem que as pedras têm alma
E que os rios têm êxtases ao luar.
Mas as flores se sentissem, não eram flores,
Eram gente;
E se as pedras tivessem alma, eram coisas vivas, [não eram pedras;
E se os rios tivessem êxtases ao luar,
Os rios seriam homens doentes.
É preciso não saber o que são flores e pedras e rios
Para falar dos sentimentos deles.
Falar da alma das pedras, das flores, dos rios,
É falar de sí próprio e dos seus falsos pensamentos.
Graças a Deus que as pedras são só pedras,
E que os rios não são senão rios,
E que as flores são apenas flores.
Por mim, escrevo a prosa dos meus versos
E fico contente,
Porque sei que compreendo a Natureza por fora;
E não a compreendo por dentro
Porque a Natureza não tem dentro;
Senão não era a Natureza.


XXXI

Se à vezes digo que as flores sorriem
E se eu disser que os rios cantam,
Não é porque eu julgue que há sorrisos nas flores
E cantos no correr dos rios...
É porque assim faço mais sentir aos homens falsos
A existência verdadeiramente real das flores e dos rios.
Porque escrevo para eles me lerem sacrifico-me às vezes
À sua estupidez de sentidos...
Não concordo comigo mas absolvo-me,
Porque só sou essa coisa séria, um intérprete da Natureza,
Porque há homens que não percebem a sua linguagem,
Por ela não ser linguagem nenhuma.


XXXV

O luar através dos altos ramos,
Dizem os poetas todos que ele é mais
Que o luar através dos altos ramos.
Mas para mim, que não sei o que penso,
O que o luar através dos altos ramos
É, além de ser
O luar através dos altos ramos,
É não ser mais
Que o luar através dos altos ramos.


XXXIX

O mistério das coisas, onde está ele?
Onde está ele que não aparece
Pelo menos a mostrar-nos que é mistério?
Que sabe o rio e que sabe a árvore
E eu, que não sou mais do que eles, que sei disso?
Sempre que olho para as coisas e penso no que os homens pensam delas,
Rio como um regato que soa fresco numa pedra.
Porque o único sentido oculto das coisas
É elas não terem sentido oculto nenhum,
É mais estranho do que todas as estranhezas
E do que os sonhos de todos os poetas
E os pensamentos de todos os filósofos,
Que as coisas sejam realmente o que parecem ser
E não haja nada que compreender.
Sim, eis o que os meus sentidos aprenderam sozinhos:
As coisas não tem significação: têm existência.
As coisas são o único sentido oculto das coisas.


XL

Passa uma borboleta por diante de mim
E pela primeira vez no Universo eu reparo
Que as borboletas não têm cor nem movimento,
Assim como as flores não tem perfume nem cor.
A cor é que tem cor nas asas da borboleta,
No movimento da borboleta o movimento é que se move.
O perfume é que tem perfume no perfume da flor.
A borboleta é apenas borboleta
A flor é apenas flor.


XLV

Um renque de árvores lá longe, lá para a encosta.
Mas o que é um renque de árvores? Há árvores apenas.
Renque e o plural de árvores não são coisas, são nomes.
Tristes das almas humanas, que põem tudo em ordem,
Que traçam linhas de coisa a coisa,
Que põem letreiros com nomes nas árvores absolutamente reais,
E desenham paralelos de latitude e longitude
Sobre a própria terra inocente e mais verde e florida do que isso!


XLVII

Num dia excessivamente nítido,
Dia em que dava a vontade de ter trabalhado muito
Para nele não trabalhar nada,
Entrevi, como uma estrada por entre as árvores,
O que talvez seja o Grande Segredo,
Aquele Grande Mistério de que os poetas falsos falam.
Vi que não há Natureza,
Que a Natureza não existe,
Que há montes, vales, planícies,
Que há árvores, flores, ervas,
Que há rios e pedras,
Mas que não há um todo a que isso pertença,
Que um conjunto real e verdadeiro
É uma doença das nossas idéias.
A Natureza é partes sem um todo.
Isto é talvez o tal mistério de que falam.
Foi isto que sem pensar nem parar,
Acertei que devia ser a verdade
Que todos andam a achar e que não acham,
E que só eu, porque a não fui achar, achei.


XLVIII

Da mais alta janela da minha casa
Com um lenço branco digo adeus
Aos meus versos que partem para a humanidade
E não estou alegre nem triste.
Este é o destino dos versos.
Escrevi-os e devo mostrá-los a todos
Porque não posso fazer o contrário
Como a flor não pode esconder a cor,
Nem o rio esconder que corre,
Nem a árvore esconder que dá fruto.
Ei-los que vão já longe como que na diligência
E eu sem querer sinto pena
Como uma dor no corpo.
Quem sabe quem os lerá?
Quem sabe a que mãos irão?
Flor, colheu-me o meu destino para os olhos.
Árvore, arrancaram-me os frutos para as bocas.
Rio, o destino da minha água era não ficar em mim.
Submeto-me e sinto-me quase alegre,
Quase alegre como quem se cansa de estar triste.
Ide, ide, de mim!
Passa a árvore e fica dispersa pela Natureza.
Murcha a flor e o seu pó dura sempre.
Corre o rio e entra no mar e a sua água é sempre a que foi sua.
Passo e fico como o Universo.


XLIX

Meto-me para dentro, e fecho a janela.
Trazem o candeeiro e dão as boas-noites.
E a minha voz contente dá as boas-noites.
Oxalá a minha vida seja sempre isto:
O dia cheio de sol, ou suave de chuva,
Ou tempestuoso como se acabasse o Mundo,
A tarde suave e os ranchos que passam
Fitados com interesse da janela,
O último olhar amigo dado ao sossego das árvores,
E depois, fechada a janela, o candeeiro aceso,
Sem ler nada, sem pensar em nada, nem dormir,
Sentir a vida correr por mim como um rio por seu leito.
E lá fora um grande silêncio como um deus que dorme.

segunda-feira, abril 12, 2010

pessoa

Fernando Pessoa:

“Falsamente creamos a idéia de uma realidade interna. Realidade então é um conteúdo de termos. A idéia de realidade é coincidente com a de externo. Ao externo a devemos. No externo a vemos. A criança, mal toma consciencia, é do externo que a toma. Ter consciencia de si é semelhança. É translato e ficticio o processo pelo qual nos pensamos existentes. Penso, portanto existo, disse Descartes. Pensa-se, devia dizer. Ao dizer penso, o philosopho faz introduzir absurdamente no pensamento um conhecimento do eu que nenhuma intelligencia faz alli apparecer”.

Álvaro de Campos:

Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir.
Sentir tudo de todas as maneiras.
Sentir tudo excessivamente,
Porque todas as coisas são, em verdade, excessivas
E toda a realidade é um excesso, uma violência,
Uma alucinação extraordinariamente nítida
Que vivemos todos em comum com a fúria das almas,
O centro para onde tendem as estranhas forças centrífugas
Que são as psiques humanas no seu acordo de sentidos.

E isso tudo me faz pensar em um certo cinema contemporâneo, que reclama o caos e o infinito que subsiste por trás de toda organização formal. Mais do que isso. Um cinema que admite a necessidade de uma porção formal e narrativa, mas uma forma e uma narrativa que possibilitem o escoamento do caótico, do infinito, que compõem as próprias formas e não param de trabalhá-las por dentro.

quarta-feira, abril 07, 2010

desabafo 2


Eita filme afetado. Queriam mesmo fazer de “Insolação” um filme de arte! Fotografia bonita. Diálogos profundos. Desconstrução narrativa. Dramas mudos do cotidiano. Não julgamento dos personagens e das situações em que se envolvem. O corpo em detrimento da psicologia. Personagens inspirados em Tolstoi. Tolstoi? Não consegui ver isso. Os personagens de Tolstoi são sempre pessoas simples, dessas que conhecemos aos montes, boas, porém incapazes de fazer o bem. E em “Insolação”? O Fábio Andrade lá na Cinética lembrou de Antonioni como uma referência incontornável. Ele tem razão. Lá estão os corpos cansados, o embate figura x fundo, a solidão e a incomunicabilidade como característicos da miséria do mundo moderno. Antonioni, no entanto, não critica o mundo moderno. Muito elo contrário. Ele acredita em suas possibilidades. O corpo se mostra cansado, mas o cérebro parece vislumbrar esperanças. Desespero e esperança fazem parte do cinema de Antonioni. E em “Insolação”, um filme que opera a nível cerebral e intelectual, jamais a nível nervoso? O que falta pra mim mais uma vez é sensação, sentimento (= verdade).

segunda-feira, abril 05, 2010

curtas de kleber

O Filipe Furtado já havia recomendado lá no seu Anotações de um Cinéfilo. Resolvi fazer coro à indicação. Acessem esta página e vejam os curtas de Kléber Mendonça Filho.

sexta-feira, abril 02, 2010

desabafo 1


“Histórias de amor duram apenas 90 minutos” me deixou triste pra burro. Pois é, sai desesperançoso do filme de Paulo Halm. É um cinema sem verdade, sem tesão, sem sentimento. Sabe como é? A metalinguagem já vem no título. O afetado flashback inicial. O jazz inteligente. A lapa hedonista. Tudo aqui tem o seu valor de face, explorado sem nenhum disfarce. Em determinado momento, o narrador-protagonista diz que sua mulher é como uma personagem de filme francês, “linda inteligente e fria”. Mas não se engane. Ela é isso mesmo, uma personagem de filmes francês. O nosso narrador também não foge à triste regra desse longa. Como ele mesmo diz, o personagem de Caio Blat é um “babaca metido à escritor”. Sacou? E o pior de tudo isso, é uma espécie de complexo de superioridade no qual a narrativa desse filme desfila, plano após plano. É como se cineasta nos afirmasse a todo momento que ele sabe o que é bom, rejeitando ao mesmo tempo as “besteiras” hollywoodianas e os experimentos mais “modernos”, nem popular demais, nem cabeça em demasiado. E o público presente ria, ria...

segunda-feira, março 29, 2010

rohmer na caixa

A Caixa Cultural abriga uma mostra com filme de Eric Rohmer. Vejam a programação abaixo:

29/03 Segunda-feira

19h – Os Amores de Astrée e de Céladon (DVD) 109’. 16 anos.

30/03 Terça

14h30 – O signo do leão (1959) (35mm) 102’.14 anos
16h30 – A Padeira do Bairro (1962) (35mm) 23’+ A Carreira de Suzanne(1963)(35mm) 54’. 16 anos.
18h30 – Eric Rohmer, Provas de Apoio Aos 120′. Doc. (Direção: André S. Labarthe, 1994) (DVD) 120’. 14 anos.

31/03 Quarta
14h30 – A Colecionadora (1967) (35mm) 89’. 14 anos.
16h30 – Minha Noite Com Ela (1969) (35mm) 85’. 16 anos.
18h30 – O joelho de Claire (1970) (35mm) 105’. 14 anos.

01/04 Quinta
14h30 – Amor à Tarde (1972) (35mm) 97’. 14 anos.
16h30 – A Marquesa d´O (1976) (35mm) 100’. 14 anos.
18h30 – A mulher do Aviador (1980) (35mm) 106’. 14 anos.

02/04 Sexta
14h30 – Um Casamento Perfeito (1982) (35mm) 100’. 14 anos.
16h30 – Pauline na praia (1983) (35mm) 94’. 14 anos.
18h30 – Noites da Lua Cheia (1984) (35mm) 102’. 12 anos.

03/04 Sábado
14h30 – O Raio Verde (1986) (35mm) 98’. 12 anos.
16h30 – O Amigo da Minha Amiga (1987) (35mm) 103’. 12 anos.
18h30 – As 4 aventuras de Reinette e Mirabelle (1987) (35mm) 99’. 14 anos.

04/04 Domingo
14h30 – Conto da Primavera (1990) (35mm) 112’. 12 anos.
16h30 – Conto de inverno (1991) (35mm) 114’. 14 anos.

06/04 Terça
14h30 – A Fábrica do Conto de Verão. Doc. (Direção: Jean-André Fieschi, 2005) (DVD) 90’ + Charlotte e seu bife (1951) (DVD)12’ + Nadja em Paris (1964) (DVD) 13’. 14 anos.
16h30 – Conto de verão (1996) (35mm) 113’. 12 anos.
18h30 – Conto de Outono (1998) (35mm) 112’. 12 anos.

07/04 Quarta
14h30 – O joelho de Claire (1970) (35mm) 105’. 14 anos.
16h30 – A Árvore, o Prefeito e a Mediateca (1993) (35mm) 105’. 14 anos.
18h30 – A inglesa e o Duque (2001) (35mm) 125’. 14 anos.

08/04 Quinta
14h30 – Noites da Lua Cheia (1984) (35mm) 102’. 12 anos.
16h30 – O Raio Verde (1986) (35mm) 98’. 12 anos.
18h30 – Minha Noite Com Ela (1969) (35mm) 85’. 16 anos.

09/04 Sexta
14h30 – Eric Rohmer, Provas de Apoio Aos 120′. Doc. (Direção: André S. Labarthe, 1994) (DVD) 120’. 14 anos
16h30 – Agente Triplo (2004) (DVD) 104’. 16 anos.
18h30 – Os Amores de Astrée e de Céladon (2007) (DVD) 109’. 16 anos.

10/04 Sábado
14h30 – Pauline na praia (1983) (35mm) 94’. 14 anos.
16h30 – Amor à Tarde (1972) (35mm) 97’. 14 anos.
18h30 – Agente Triplo (2004) (DVD) 104’. 16 anos.

11/04 Domingo
14h30 – A Marquesa d´O (1976) (35mm) 100’. 14 anos.

16h30 – A inglesa e o Duque (2001) (35mm) 125’. 14 anos.

sábado, março 27, 2010

mostra do filme livre

Amanhã, às 17h, no CCBB do Rio, dentro da programação da Mostra do Filme Livre, será exibido o longa "A Fuga, a Raiva, a Dança, a Bunda, a Boca, a Calma, a Vida da Mulher Gorila", de Felipe Bragança e Marina Meliande.

terça-feira, março 23, 2010

o amor segundo b. shianberg **


Gosto muito da trajetória do Beto Brant. Ele é menor a cada filme. Este “O amor segundo B. Shianberg” é pequeno como poucos. O filme, no entanto, não me agrada. O dispositivo cinematográfico é sublinhado como nunca. E a minha impressão é a de que as carnes soltas de um cotidiano sem peso que Brant nos oferece não combinam com a grande maioria dos cortes e as variadas angulações que costuram esse filme. O digital salta aos olhos. O som chega com dificuldade aos ouvidos. Se “Cão sem dono” era um filme entregue aos acidentes, às causalidades, este “O amor”, ao contrário do que possa parecer, é todo controle.

É bem verdade que existe um terceiro personagem. Ele está fora do quadro, no título. B. Shianberg é um personagem de “Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios”, romance de Marçal Aquino e matéria-prima do próximo longa de Brant. B. Shianberg é um psicanalista que escreveu um livro pouco ortodoxo sobre o amor. O fotógrafo, protagonista e narrador de "Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios” o venera e cita diversas passagens da obra de Shianberg. Para quem leu o livro de Marçal Aquino, Shianberg se transforma numa espécie de narrador ausente. E assim, toda aquela exposição agressiva da intimidade do casal seria um experimento do psicanalista – na verdade, poderíamos até discutir se essa intimidade realmente se concretiza na tela. Agora, para quem não leu, “O amor” é apenas um exercício.

intexto

Um texto meu publicado na Intexto, revista da UFRGS. O resumo:

O cinema não é mais a experiência audiovisual matriz em nossa “sociedade das imagens”. Essa enorme rede heterogênea que vai se constituindo no terreno da produção e circulação de imagens-sons tem nos mostrado que é preciso mudar a nossa percepção do lugar do cinema entre os demais dispositivos. O objetivo deste texto é pensar o cinema em suas relações com o que vem sendo chamado de novas mídias. Nossa posição se aproxima de certa maneira de Phillipe Dubois: afirmando o cinema como uma espécie de referência fundante para todo o audiovisual sem ressentimentos e/ou opiniões fechadas com relação às novas tecnologias. Neste caminho, passamos invariavelmente por algumas falsas questões, pela melancólica idéia da “morte do cinema”, pelo surgimento de uma novíssima cinefilia digital e rizomática, por um cinema contemporâneo pra lá de impuro.

sábado, março 20, 2010

divisão

Estava lendo um posto do Marcelo Ikeda lá no Cinecasulofilia. Ele falava do Mekas, de como os filmes do mestre lituano “não nos ENSINAM a olhar para a vida de um outro modo, eles nos ESTIMULAM a fazê-lo”. A partir disso, fiquei aqui pensando em uma divisão um tanto aleatória, mas que faz um certo sentido pra mim neste momento: existem os cineastas que fazem com que nos apaixonemos pelo cinema, e há aqueles, como Mekas, que nos impelem a sair de casa. Os filmes de Godard, de Sergio Leone, do Carpenter, entre muitos outros, me fazem ansiar pelo momento em que as luzes se apagam, onde tudo é forma e linguagem e a fábula cinematográfica é destrinchada e celebrada em um livre jogo de possibilidades alternativas. Já o cinema do Mekas, de Pialat, de Claire Denis, entre muitos outros, não podem ser refeitos. São filmes que parecem dizer sim e não à técnica de cinema. São cineastas que buscam produzir nos filmes, como processo narrativo, uma espécie de desfazer das ferramentas, da idéia de autoria.

nicolas cage

Isso é muito engraçado.

quarta-feira, março 17, 2010

curtas na cinética

Vale a pena dar uma olhada lá na atualização da Cinética. Um especial muito legal sobre curta-metragens.

Tem também uma entrevista feita pelo Felipe Bragança com o cineasta português João Pedro Rodrigues ("Morrer como um homem").

domingo, março 14, 2010

eles vivem!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Vi "Eles vivem" (1988) ontem. Puta que pariu! Caralho! O Carpenter é sinistro! A cena de luta abaixo talvez seja a melhor que já vi. Sem efeitos ou coreografias mirabolantes. Vejam:



Para completar, a crítica apaixonada de Nicolas Saada, traduzida por José Roberto Rocha lá no Era uma vez na Paraíba:

Apocalypse Now
(Eles Vivem de John Carpenter)
por Nicolas Saada

O filme se abre num clima de errância que caracteriza o cinema de Carpenter e sua filiação ao western e aos seus heróis solitários. O herói é John Nada (interpretado por Rodney Piper, ex-lutador) que chega, bolsa nas costas, a Los Angeles para encontrar um emprego. Nada, sem abrigo nem trabalho, é recebido por uma pequena comunidade de desempregados e vagabundos, localizada próxima a uma igreja, onde entrará em contato com resistentes que lutam impetuosamente contra invasores misteriosos que controlam a população. John Nada é, evidentemente, o próprio John Carpenter que, desde seu grande fracasso comercial, “Aventureiros do Bairro Proibido”, voltou à produção B após seu purgatório em diferentes majors hollywoodianas. É assim, com nada, que Carpenter recomeça. Se é possível arriscar esta analogia, é porque Carpenter seguiu um trajeto (produção B-televisão-majors-produção B) comparável ao de seu personagem em “Eles Vivem”.

Em 1982, Carpenter declarou a Cahiers du Cinéma (nº 339), a propósito de seus primeiros passos com as majors: “Uma parte do charme de Assalto a 13ª DP ou de Halloween devia-se ao fato de que não havia dinheiro suficiente para mostrar as coisas. Ao contrário, hoje me dão dinheiro para mostrá-las, então é necessário fazê-lo”.

Mostrar: o próprio tema de “Eles Vivem” (e a função de seu herói); certamente um tema cinematográfico, mas também, para Carpenter, uma preocupação moral que o aproxima de Fritz Lang. “Eles Vivem” ilustra, na verdade, o velho adágio languiano segundo o qual a aparência não é a realidade, o visível não é a verdade. Provocação de Carpenter ao espectador que não consegue mais fazer a triagem das imagens que lhe são enviadas cotidianamente. Nada é ao início bastante ingênuo, crédulo (como poderia ter sido Carpenter no início dos anos 80 antes de seu fracasso nas majors): “Eu acredito na América, eu estou dentro do sistema”, declara ao início do filme. Depois, graças aos óculos escuros fabricados pela resistência (a produção B), espécies de “decodificadores portáteis”, Nada terá a prova de que não se pode confiar no sistema: este que rege a América de hoje é nada mais que o fruto de um vasto complô fomentado por extraterrestres (auxiliados por humanos sem escrúpulos) que embrutecem a população lhes transmitindo mensagens subliminares primárias (“não pensem”, “não reflitam”, “submetam-se”, “consumam”, “reproduzam-se”, “o dinheiro é seu Deus”). Este horror da realidade é mostrado bastante curiosamente através de imagens em preto e branco, que revelam esta visão decodificada do mundo. Carpenter poderia ter recorrido a outros estratagemas visuais: na verdade, este preto e branco pertence a um cinema de ontem (Hawks, citado por Carpenter como um pai em sua cinefilia) que joga nova luz sobre a face absolutamente inumana da América deste fim de anos 80. A fonte de emissão destas mensagens é naturalmente a televisão e seus programas (outro câncer do cinema americano) que a resistência tenta sabotar, em vão, através de transmissões clandestinas: John Nada e seu colega negro Frank vão destruir, fuzis às mãos, a estação televisiva. Assim, “Eles Vivem” é também a história de uma mini-insurreição que se pode interpretar ao mesmo tempo como política e, em outra medida, como de cinefilia.

Esta gravidade da proposta de Carpenter nunca é, felizmente, explicitada verbalmente no filme. Em total adequação com seu tema, Carpenter prefere mostrar, através de longas seqüências quase mudas, a extensão do mal ao criar um sentimento de inquietude e agonia constante, arte na qual ele se tornou mestre (assim como na utilização da trilha, tão opressora quanto possível). O resultado de “Eles Vivem” é deslumbrante, notadamente em seu controle do scope, formato ingrato que Carpenter emprega para isolar os personagens alienando-os no quadro, acentuando este efeito ao fimá-los em espaços fechados, com perspectivas de profundidade limitada (ruelas, corredores, becos).

Quanto ao aspecto “guéguerre” que alguns censuram no filme (a luta a mão armada entre os resistentes e os invasores), ele não faz com que Carpenter caia nas armadilhas do filme de gênero (filme de ação). Todas estas batalhas são dominadas por uma distância plástica que as transforma em verdadeiros ballets, ritmados por uma montagem, em certos instantes, digna do melhor cinema soviético: um insert, magnífico, dos canos das metralhadoras marca a maioria destas seqüências. A cena pivô do filme, uma briga de mais de dez minutos entre John Nada e seu colega Frank (que ele obriga a usar os famosos óculos) ilustra dois princípios hitchcock-hawksianos. O primeiro, hitchcockiano, é que tudo deve ser utilizado para as necessidades de uma cena (como o avião de “Intriga Internacional” que fumiga Cary Grant). O intérprete de Nada, Rodney Piper, é um ex-lutador: e nesta lógica ele deve, a um momento ou outro, brigar. O segundo, herdado das brigas iniciáticas dos filmes de Hawks ou Ford, é menos uma homenagem que uma necessidade: trata-se, para Frank, o negro, de sofrer a dor a fim de melhor ver. Diante da papa em que se tornou o cinema comercial americano, este mal é necessário: já o era para o herói de “Comando Assassino” de Romero, e também o é para aqueles de Carpenter. “Eles Vivem” soube reencontrar esta beleza e este discurso da produção B americana, que se podia dar por desaparecidos: isto é excepcional.

NICOLAS SAADA
(Cahiers du Cinéma nº418, abril de 1989)

Texto contido nas páginas 204-207 do volume 56 da coleção Petite anthologie des Cahiers du cinéma: "Le goût de l'Amérique". Tradução feita por José Roberto Rocha.

quinta-feira, março 11, 2010

Outro dia revi “Napoleon Dynamite” (2004), de Jared Hess and Jerusha Hess. Gosto do filme. Jon Heder é um bom comediante. Mas uma seqüência em particular me incomoda bastante. É aquela em que Nepoleon dança ao som de “Canned Heat”, do Jamiroquai. Vejam a cena abaixo.



Eu acho que essa cena tinha que ser um plano seqüência. É o que eu acho. Os cortes soam pra mim como uma grande sacanagem. Lembrei do cineasta e crítico Luc Moullet que dizia que a corrida de um homem em um filme de Samuel Fuller era um verdadeiro ato de cinema. Para Moullet, a moral de um realizador consiste em se manter fiel a esse ato de cinema original: um ritmo, um olhar, uma encenação que mostra o corpo do homem. “A moral é uma questão de travellings”, disse ele. Eu não diria que os cortes na seqüência da dança de Napoleon são amorais, mas em mim eles batem como uma traição ao personagem.

segunda-feira, março 08, 2010

indicações

Uma enormidade de links e recomendações de leitura:


blogs

Matheus Cartaxo

No escuro e vendo

Assim está escrito

Vistos e escritos


site

Editado por Daniel Dalpizzolo e Luis Henrique Boaventura, o Multiplot promete um especial sobre Anthony Mann.


adrian martin

Sobre “Aquele querido mês de agosto”, de Miguel Gomes.

Sobre o namoro recente dos blockbusters americanos e a Idade Média.


bordwell

O teórico americano num post polêmico sobre Kurosawa.


lilian ross

Uma curiosidade. Ícone do novo jornalismo americano, Lilian Ross escreve sobre J. D. Salinger e revela um pouco do gosto cinematográfico do recluso autor.


kiarostami

Jonathan Rosenbaum e Mehrnaz Saeed-Vafa conversam sobre “Shrin”, o mais novo filme do mestre iraniano (que eu, infelizmente, ainda não vi).


rohmer

Godard

Skorecki

Mourlet


benning

Para baixar os filmes de James Benning


francis ford

Mais um belo texto de Tag Gallagher, sobre a relação entre John Ford e seu irmão Francis.


sergei parajanov

Um texto bacana sobre esse cineasta da Armênia.

mulheres no ccbb

O CCBB abriga a partir de amanhã a mostra "Mulheres que alucinam". Bons filmes serão exibidos, embora, até onde pude apurar, quase todos em DVD. A programação:

09.03
17h – Diário de uma Garota Perdida (116 min.)
19h - O Anjo Azul (94 min.)

10.03

17h – Dama do Outro Mundo (73 min.)
19h - A Mulher Satânica (79 min.)

11.03

17h – Gilda (111 min.)
19h - A Malvada (138 min.)

12.03

15h30 - Carmen Jones (104 min.)
17h30– Lola Montés (106 min.)
19h30 - De Repente No Último Verão (112 min.)

13.03

15h30 - Madre Joana Dos Anjos (105 min.)
17h30– Os Inocentes (99 min.)
19h30 - Bonequinha de Luxo (114 min.)

14.03

15h – Cleópatra (248 min.)
19h30 - Deserto Vermelho (113 min.)

16.03

17h – Marnie – Confissões De Uma Ladra (130 min.)
19h - Persona – Quando duas Mulheres Pecam (84 Min.)

17.03

17h – Barbarella (98 min.)
19h - Lua De Mel de Assassinos (108 min.)

18.03

17h – O Amor (88 min.).
19h - Trabalhos Ocasionais de Uma Escrava (87 min.)

19.03

15h30 - Betty Blue (185 min.)
17h30– Mulheres a Beira de um Ataque de Nervos (89 min.)
19h30 - A Ultima Dança de Salomé (89 min.)

20.03

15h30 - Um Assunto de Mulheres (108 min.)
17h30– Rosalie Vai as Compras (90 min.)
19h30 - A Garota da Fábrica de Caixas de Fósforos (72 min.)

21.03

16h30 – Twin Peaks – Os Últimos Dias de Laura Palmer (135 min.)
18h30 - Corra Lola Corra (81 min.)

23.03

17h – Lady Vingança (114 min.)
19h - Maldito Coração (97 min.)

24.03

17h – Nome Próprio (120 min.)
19h - Anticristo (109 min.)

sexta-feira, março 05, 2010

japoneses

Em comemoração ao centário de nascimento de Akira Kurosawa (23 de março), o MAM do Rio vai exibir ao longo desse mês uma série de filmes do cineasta. São ao todo doze longas-metragens dirigidos por ele e mais dois outros nos quais foi roteirista. Ainda esse mês, o MAM projeta "Uma breve história do tempo", de Errol Morris, e alguns filmes suecos (dirigidos por Ingmar Bergman, Alf Sjoberg, Bo Widerberg e Per Lindeberg). Veja a programação aqui.

E na Caixa Cultural, quatro longas do também japonês Nobuhiro Suwa serão exibidos até domingo. Olhem aí:

5 de Março - sexta-feira
14h30 - H/Story
17h - Um Couple Parfait
19h - Debate

6 de Março - sábado
16h - 2/DUO
19h - M/Other

7 de Março - domingo
16h - Um Casal Perfeito
19h - H Story

quarta-feira, março 03, 2010

cartografias do desejo, de felix guattari e suely rolnik

Depois de “Preciosa”, fiquei aqui pensando nesse livro. O parágrafo abaixo (pág. 135) é especial. É o tipo de coisa que me faz quere ser melhor. Leiam:

“Com esse tipo de afirmação costuma-se usar o famoso argumento ‘se a política está por toda parte, ela não está em parte alguma’. A isso eu responderia que, efetivamente, a política e a micropolítica não estão por toda parte, e que a questão é, justamente, pôr a micropolítica por toda parte: em nossas relações estereotipadas de vida pessoal, de vida conjugal, de vida amorosa e de vida profissional, nas quais tudo é guiado por códigos. Trata-se de fazer entrar em todos esses campos um novo tipo de pragmática: um novo tipo de análise que corresponda, de fato, a um novo tipo de política”.

terça-feira, março 02, 2010

preciosa **


Vejam só: produção de Oprah Winfrey, atuações de Mariah Carey e Lenny Kravitz, várias indicações para o Oscar, uma trama (obesidade, incesto, aids) susceptível ao mais rasteiro dos dramas... “Preciosa”, um programa de alto risco. Pois não é que o filme surpreende?! Lee Daniels evita qualquer glamourização. Sua personagem não está congelada, seja como vítima ou heroína. Seu filme não tem mensagem. “Preciosa” aposta até por vezes em momentos um tanto crus, como as seqüências na escola especial ou as cenas pós-parto no hospital. Eu diria até que o filme se desenrola morno, no mesmo tom, sem altos e baixos. Ainda assim, Daniels me perde toda vez que se afirma virtuoso. A personagem é agredia, segue a imagem de um frigideira e muita gordura. Ela é estuprada ao som de uma trilha inusitada, em agulações, desfocos e firulas. Pequenas traições de Daniels.

terça-feira, fevereiro 16, 2010

antônio carlos bernardes gomes

deixe ela entrar

“Deixe ela entrar”, uma adaptação do romance homônimo do sueco John Ajvide Lindqvist, nos fala de uma estranha relação entre um tímido garoto de 12 anos e uma pequena vampira que aparenta ter a mesma idade. Oskar é maltratado pelos colegas de escola. Fica a maior parte do tempo sozinho, vendo o inverno passar da janela de seu quarto. Eli (Lina Leandersson) é a vizinha nova do apartamento ao lado. Ela não sente frio e só sai de casa após escurecer.

Eli mal consegue administrar suas necessidades vitais. Ela não quer expandir sua raça e sempre mata suas vítimas. Obrigada a viver para sempre, a personagem se afirma em um desejo/dilema aparentemente insolúvel: encontrar alguém para amar e, ao mesmo tempo, condená-lo a uma vida subserviente e criminosa. Oskar vive em uma sociedade que não o respeita. E ele parece assumir total responsabilidade por isso. Um movimento interessante. Oskar não quer saner de seus professores, de seus pais, e não cultiva nenhuma amizade.

O encontro desperta nos personagens sentimentos sem nome. Algo sempre nos escapa. Oskar e Eli recusam qualquer forma de subordinação ou de funcionalidade. O que os une é um desejo sem nome. Não é amor, paixão, compaixão, ou amizade. A relação aqui é de outra ordem, ainda a ser classificada. A direção de Tomas Alfredson é delicada, porém radical em sua entrega sem cautelas à compreensão dos corpos e desejos de seus personagens. Eli decepa os garotos que maltratavam Oskar. O cineasta filma tudo com uma certa alegria, e nos convida a partilha-la com ele. Alfredson recupera um certo apelo à coragem de pensar de uma forma ainda não-pensada ou de sentir de maneira diferente. Essa é a política de “Deixa ela entrar”. Uma política da imaginação que aponta para a criação de novas imagens e metáforas para o pensamento, a política e os sentimentos e que renuncie a prescrever uma imagem dominante.

“Deixe ela Entrar” é uma estranha espécie de afirmação das diferenças e dos diferentes. Oskar será o novo provedor de sangue para a menina? Ele será um vampiro e com ela viverão felizes? É um final cheio de esperança, estranhamente otimista. Ta aí um filme disposto a devolver ao mundo uma certa complexidade.

zona livre

O CCBB do Rio abriga o festival Zona Livre. Alguns destaques:

- Nowhere, de Gregg Araki
- Sangre, de Amat Escalante
- Trash Humpers, de Harmony Korine (video)
- Gozu, de Takeshi Miike
- Hunger, de Steve McQueen (em 35mm)
- Moonlighting, de Jerzy Skolimowski