sábado, abril 28, 2012
abel ferrara no brasil
- Quando passeávamos pela esplanada: “Yeah, I am totally unimpressed”.
- Quando visitamos o templo do Vale do Amanhecer: “This is scaring the shit out of me. What the hell are we doing here?! I don’t want to mess with this people”.
- Quando um jornalista em São Paulo o perguntou sobre testes de elenco: “You are auditioning right now man”.
Um dos assuntos preferidos de Ferrara é seu tio Bobo, o barman do curta “Could this be love”. Uma das curiosidades sobre ele: foi o tio de Ferrara que apresentou Jake La Mota a sua futura e bela esposa, loira e muito mais jovem que o boxeador. Lembram de “Touro indomável”?
segunda-feira, abril 16, 2012
problemas
sábado, abril 14, 2012
debate
- o Hernani disse que o diretor de fotografia do Abel Ferrara deveria ter mais atenção dos críticos. Ele tem razão. Eu vi ontem o "Enigma do Poder" (New Rose Hotel) é mesmo uma coisa impressionante aquele vermelho, os movimentos, as câmeras lentas... Ken Kelsh é o nome do homem.
- outra do Hernani sobre os personagens do Ferrara: "é como olhar para o Diabo e não ver o Mal".
- o Ruy lembrou de uma resposta do Ferrara a uma entrevista realizada pelo Scorsese. Ao ser perguntado sobre influência, além de citar alguns nomes, ele disse que o que mais o inspirava, contudo, era o que estava ao seu lado.
Outra coisa: visitem o site da mostra, www.abelferrara.com.br Há uma seção bacana de vídeos. Dá pra ver uma entrevista com o Conan O'Brian, alguns clipes dirigidos pelo Ferrara e outras coisas.
segunda-feira, abril 09, 2012
quinta-feira, abril 05, 2012
ferrara

terça-feira, abril 03, 2012
shame **
sábado, março 31, 2012
marli de feira de santana
quarta-feira, março 28, 2012
o porto***
segunda-feira, março 26, 2012
raul seixas **
sexta-feira, março 23, 2012
terça-feira, março 20, 2012
john carter **
RICARDO CALIL
CRÍTICO DA FOLHA
Depois de "Missão: Impossível - Protocolo Fantasma", de Brad Bird ("Ratatouille"), "John Carter: Entre Dois Mundos" é a segunda produção, em um ano, a recorrer a um diretor de animação da Pixar para dar consistência a um filme de aventura.
Nessa adaptação do livro "A Princess of Mars", de Edgar Rice Burroughs, o escolhido foi Andrew Stanton, diretor dos excelentes "Procurando Nemo" e "Wall-E".
Se Stanton não consegue um resultado com o frescor do mais recente "Missão: Impossível", ele parece ao menos salvar seu material do que poderia ser um desastre sem a sua presença.
O diretor imprime ao filme um espírito dos antigos seriados exibidos em matinês, como "Flash Gordon", em que a única complicação parecia vir dos nomes exóticos de personagens e de planetas.
"John Carter" quer uma fruição simples: protagonista que salta centenas de metros, monstros marcianos que se comportam como cachorros, alienígenas que remetem a tribos africanas, ritmo de aventura incessante e diálogos que indicam que o filme, sabiamente, não se leva a sério.
A esses prazeres talvez antiquados, Stanton adiciona outros mais modernos: efeitos especiais de ponta, cenários digitais grandiosos e uso eficiente do 3D.
Nesses aspectos, "John Carter" se aproxima da série "Star Wars" e de "Avatar" -que, não por acaso, também usaram a tecnologia para resgatar o clima dos antigos seriados de aventura.
A série de Burroughs se presta bem a esse tipo de operação. Nela, o capitão John Carter (Taylor Kitsch) é teletransportado misteriosamente dos Estados Unidos do século 19 para Marte (chamado pelos locais de Barsoom).
Ali ele se torna figura central de uma guerra civil que envolve os humanoides de Helium, com sua princesa Dejah Thoris (Lynn Collins), os de Zodanga, dominados pelo feiticeiro Matai Shang (Mark Strong), e ainda os alienígenas Tharks, liderados por Tars Tarkas (Willem Dafoe).
Por vezes, as relações entre os três grupos marcianos se tornam um tanto confusas -demonstrando que Stanton não conseguiu cumprir plenamente o projeto de uma diversão descomplicada.
Mas o principal problema de seu filme está na dupla de protagonistas, Kitsch e Collins, cuja beleza está num patamar bastante superior ao de seu talento dramático.
Ora eles parecem saídos de uma novela americana, ora parecem seres criados por computação gráfica, menos humanos (e carismáticos) do que os alienígenas do filme.
sábado, março 17, 2012
hugo cabret ***
“Hugo Cabret” é puro entretenimento. Um filme feito para crianças. Scorsese mostra-se, em primeiro lugar, interessado em contar uma boa história. Isto por vezes, especialmente em sua primeira hora, faz de “Hugo” uma sucessão meio aborrecida de convenções. Mas para alguém que gosta mesmo de cinema, parece-me difícil não se sentir atraído por esta história. Até porque “Hugo Cabret” é também uma forma de manifesto. Um filme feito para cinéfilos, de irmão para irmãos. Scorsese nos chama de mágicos, feiticeiros, sonhadores... e ainda busca, com as imagens em 3D e os muitos efeitos especiais, não somente um olhar para frente, sem medo, como também novas possibilidades de “maravilhamento”. “Hugo” é material contagioso. Este é o maior elogio que se pode fazer sobre este filme.
quarta-feira, março 14, 2012
fellini no ims
domingo, março 11, 2012
quinta-feira, março 08, 2012
a essa altura do campeonato...
terça-feira, março 06, 2012
domingo, março 04, 2012
a música segundo tom jobim ***
Gostei bastante deste filme do Nelson Pereira dos Santos. Talvez goste mais até do esforço de se fazer uma biografia diferente do que do filme propriamente dito. Na verdade, é estranho separar as coisas dessa maneira... Mas o fato é que estamos hoje vivendo em uma realidade em que a “ousadia” é um valor a priori (não só no cinema; o capitalismo contemporâneo incorporou os discursos das liberdades individuais dos anos 60 e 70). Hollywood mesmo é uma espécie de vale-tudo de “originalidades” vazias. Então, quando um cineasta faz uma biografia como “A música segundo Tom Jobim” sinto-me aliviado, inspirado e na obrigação de agradecê-lo.
quinta-feira, março 01, 2012
séries
- “Walking Dead”. Uma decepção esta segunda temporada. Eu gostei muito da primeira. Até cheguei a postar algo por aqui. Mas esta segunda (atualmente em seu décimo episódio) mais parece uma novela (no pior sentido da palavra): as situações se estendem ao máximo; os personagens, suas características, nos são reiteradas a todo o momento; e, o que é pior, agora temos mocinhos e bandidos entre os personagens. Isso sem contar com alguns problemas que não ocorriam na primeira temporada, como personagens que aparecem sem mais nem menos (como os dois jovens que vivem na fazenda).
- Eu achava impossível. Mas, depois dos dois primeiros episódios de sua terceira temporada, me parece que “Eastbound & down” está ainda mais engraçado. Pra mim, a melhor série do momento. Escrevi sobre ela no blog.
- Acabo de ver a terceira temporada de “Bored to death”. As duas primeiras foram incríveis. Jason Schwartzman, Zach Galifianakis e, especialmente, Ted Danson estão sensacionais na pele de três maconheiros inveterados e super amigos. Muito engraçado. Esta terceira temporada, contudo, me decepciono um pouco. A coisa ficou meio rocombolesca. Os personagens deram uma enlouquecida. A série andava mal de audiência e corria o risco de ser cancelada (o que ocorreu). Talvez tenha sido esse o problema.
- Eu acabei de ver o primeiro episódio de “Luck”, dirigido por ninguém menos que Michael Mann. Ainda não sei o que dizer. Muitos personagens. Uma realidade, um espaço, que eu não entendo muito bem. Uma câmera com parkinson. Belíssimos planos dos cavalos. Grandes atuações. É preciso esperar por alguns outros episódios.
- Aguardo, ansioso, pela estréia da terceira temporada de “Louie”, série cômica de um dos maiores comediantes de stand up da atualidade, Louie C..K (ele escreve, produz, dirige e monta). Gostei muito da segunda temporada, quando a série deixou de ser fundamentalmente cômica, e se colou à experiência de seu protagonista, um sujeito carismático de meia idade, comediante e pai de duas filhas. Um cara que parece estar sempre tomando as decisões erradas.
terça-feira, fevereiro 28, 2012
sábado, fevereiro 25, 2012
a separação ***

Eu ando lendo por aqui alguns textos de filosofia política e, ao ver este “A separação”, não consegui parar de pensar em Rousseau. O pensador francês não busca organizar conceitos abstratos como a maior parte dos filósofos, mas conhecer e compreender o homem. Pra ele, o homem é bom por natureza, a sociedade é que o corrompe. Mais do que isso. O homem é perfectível, um animal em devir. A partir de uma inocência originária (que se mantém em nós sufocada), nos tornaríamos bons ou maus. Lembro de uma passagem de “Confissões”, a autobiografia de Rousseau, em que o autor descreve um incidente ocorrido entre ele e uma criada chamada Marrion. Ao serem chamados pelos donos da casa, ele a acusou de ter roubado uma fita (na verdade, o culpado era ele). Marrion foi expulsa e Rousseau sublinha ter sido este o maior erro de sua vida. Contudo, quando o confessa em seus escritos, declara jamais ter sido tão bom. Nem é preciso dizer quanta confusão isso criou na época. Até hoje, Rousseau parece-me classificado com um pensador, no mínimo, ingênuo.
Mas é importante entender que para ele existe uma inocência primitiva que está fora do bem e do mal, da virtude e do vício. Em sua infância, o homem é anterior à fase em que se tornará moral ou imoral: ele é inocente. A “bondade”, na infância e na vida adulta, não é nem boa nem má, mas uma espécie de valor psicológico e não ético. Está mais para uma espécie de predisposição espontânea para a piedade e a benevolência. Ser bom, para Rousseau, é colocar-se no lugar do outro. Ele sentiu o que Marrion sentia, condenava-se como ela o condenava. Mas, por timidez e por temor, não ousou dizer a verdade e cometeu o pior dos erros. Contudo, não foi bondade o que lhe faltou, e sim virtude.
E o que isso tem a ver com “A separação”? Acho que a descrição que Rousseau faz da natureza humana está em sintonia com o que vemos neste filme. Nenhum dos personagens é sacana ou mau. Na verdade, são todos boas pessoas. Querem fazer o bem, mas estão a todo o momento cometendo falhas. O que lhes falta, no entanto, mais uma vez, não é bondade, mas virtude. O curioso é que estas falhas, como bolas de neve, crescem, se expandem, contaminam tudo. A última sequencia do filme é paradigmática neste sentido. A inocência da filha do casal, atacada por todo o longa, é, no fim, corrompida por completo quando obrigam a menina a escolher um dos pais.
quinta-feira, fevereiro 23, 2012
terça-feira, fevereiro 21, 2012
j. edgar ***

Acho estranho quando um filme é desqualificado (como ocorreu, por exemplo, na crítica do “O Globo”) por problemas de maquiagem. Ok, a maquiagem de Di Caprio é mesmo ruim. E isso prejudica a nossa entrada no longa até certo ponto. Agora, “J. Edgar” é mais um ótimo filme de Clint Eastwood. É incrível como Eastwood consegue (nesta que é uma de suas assinaturas) construir relações humanas tão carregadas de sentimentos. Este é um filme de cenas antológicas: o beijo e a briga apaixonados e apaixonantes entre os dois protagonistas; a sequência em que Edgar coloca o vestido da mãe recém falecida e se vê no espelho; o último e terno beijo na testa de Tolson já no fim do filme.
Eastwood não quer chegar ao homem por trás do mito. Tampouco toma o personagem como exemplar - gosto muito como, no fim, Hoover não reconhece o mundo em que vive, embora tenha consciência de que ele foi um dos agentes privilegiados deste estado de coisas. O que interessa ao cineasta americano é um gesto de aproximação. Eastwood está sempre privilegiando o elemento humano. E tudo acontece de maneira natural, discreta, sem alardes. O cineasta seleciona e narra fatos. Através deles, identificamos obsessões, desejos e fantasmas. Um personagem próximo, porém distante e por vezes até mesmo incompreensível. Este, na verdade, tem sido um dos grandes mistérios do veterano realizador: ser claro e objetivo e ao mesmo tempo preservar fissuras e obscuridades latentes. Essas lacunas ajudam a entender a força das cenas citadas no primeiro parágrafo.
domingo, fevereiro 19, 2012
terça-feira, fevereiro 14, 2012
segunda-feira, fevereiro 13, 2012
o artista **
Eu não entendo como alguém queira fazer hoje um filme mudo. Não acho que não se deva fazê-lo. Não acho que um filme mudo contemporâneo seria inevitavelmente ruim. Eu só não entendo o que leva um cineasta a fazer um filme mudo hoje. E me incomoda bastante a maneira como “O artista” vem sendo promovido na mídia de maneira geral. É como se o “mudo” fosse uma espécie de valor a priori, como se sua mudez fosse algo por si só digno de elogios. Acho isso tão estranho. E, na verdade, me parece que essa questão está lá no filme. Embora “O artista” seja divertido e tenha lá suas grandes cenas (como quando a atriz coloca um de seus braços no paletó de seu ídolo ou quando o protagonista é engolido pela areia movediça), o cinema mudo para ele é algo como um verbete de dicionário, uma coisa meio morta, reduzida a códigos, regras e efeitos. Isto, aliás, é bem curioso. Por que, neste sentido, este filme de Michel Hazanavicius não poderia ser mais contemporâneo nessa sua valorização pelo estilo (como arte da cópia) e pela obediência a um certo número de regras. Fiquei pensando no “Machete”. São filmes opostos. “O artista” é sério, orgulhoso de seu ar de alta cultura, apesar de ter sido produzido para o consumo rápido das classes média do mundo inteiro. O filme de Rodrigues caracteriza-se por uma negação da seriedade, por um certo desprezo por instâncias oficiais de legitimação do gosto na arte e na cultura.
* outra coisa: não gosto da atuação e das caretas dos atores deste filme, com a exceção de John Goodman.
quarta-feira, fevereiro 08, 2012
os homens que não amavam as mulheres ***
Gostei de “Os homens que não amavam as mulheres”. Mas não muito. David Fincher é um cineasta competente, sem dúvida nenhuma. Contudo, há uma espécie de grife fincher... Não sei se me entendem. É como se Finhcer, agora um cineasta de qualidade consagrada, estivesse confortável, preguiçoso, pouco corajoso. Bom, talvez coragem, digamos, estética nunca tenha sido um forte de Fincher. Mas este “Os homens que amavam as mulheres”, embora sempre divertido, esteja, como apontou o J. Hoberman lá no “Village Voice”, mais para “evening stroll through a well-lit topiary garden” do que “a walk on the wild side”. Algo que me incomoda bastante neste filme é o elemento sueco mal resolvido. Os atores falam inglês com sotaque britânico e dizem vez ou outra palavras como “tak” ou “hej hej”. É meio ridículo isto, não? Talvez tenha sido uma imposição do estúdio. Talvez os produtores acreditassem que isto fosse bom para a aceitação do filme internacionalmente. A mim, no entanto, me parece faltar “culhão” ao longa. A cena de estupro de Lisbeth também me incomoda bastante. Não acho que não se deva filmar cenas de estupro. Não é isso. Mas vejam parte da sequencia abaixo. A montagem, a trilha, as interpretações dos atores... É uma cena por demais espetaculosa, na minha opinião. Ela não é narrada colada à experiência da mulher que está sendo estuprada (e vive aquilo de uma maneira nem um pouco espetaculosa), nem a do estuprador. A maneira como a sequencia é filmada diz muito mais respeito à grife fincher e a nos espectadores. Não sei. Vi o filme ontem. Ainda estou a pensar sobre estas coisas.
A trilha sonora de Trent Reznor é incrível. Vejam aí a versão de “Immigrant Song” do Led Zeppeling.
sexta-feira, fevereiro 03, 2012
quarta-feira, fevereiro 01, 2012
segunda-feira, janeiro 30, 2012
links
sexta-feira, janeiro 27, 2012
quinta-feira, janeiro 26, 2012
compramos um zoológico **

O que me parece ser o grande projeto de Cameron Crowe é nos convencer de que a vida pode dar certo como um filme hollywoodiano. Por isso ele trabalha tão perto de uma variedade enorme de clichês e imagens consagradas, usadas e abusadas no cinema. “Compramos um zoológico” é um desfile de tipos, diálogos e situações industrializadas, digamos assim, sem pré-julgamentos. Crowe tenta redimir, reinvestir, recalibrar todos isto. Este é o seu desafio: produzir momentos epifânicos de dentro da cultura pop e de consumo. E talvez ele até consiga em um ou outro momento, seja através de uma música, da atuação de um ator (Crowe costuma tirar boas interpretações de seus intérpretes), ou do jogo de identificação por meio do qual um clichê consegue por vezes nos ganhar.
Agora, a minha sensação é a de que Crowe se esforça demais. Talvez seja um dos cineastas mais chantagistas e carentes do cinema americano hoje. “Compramos um zoológico”, como “Elizabethown” (2005), penúltimo filme do cineasta, é uma metralhadora programada para atirar momentos epifânicos por todos os lados. E isto é como uma contradição. Veja bem: “Compramos um zoológico” é um misto de comédia romântica, de comédia de costumes, de temas de redenção e realização pessoal. E o nosso protagonista vai à luta depois de perder a jovem mulher, o emprego e o apreço do filho mais velho. Como pode, contudo, ele encontrar uma vida tão pré-roteirizada?
sexta-feira, janeiro 13, 2012
filmes e links
quarta-feira, janeiro 11, 2012
quarta-feira, dezembro 21, 2011
...
segunda-feira, dezembro 19, 2011
domingo, dezembro 18, 2011
garoto da bicicleta ***

Não sei se gosto de “O Garoto de Bicicleta”. Acho que o Francis Vogner dos Reis conseguiu sintetizar a minha sensação com os filmes mais recentes dos Dardenne em sua crítica sobre “O silêncio de Lorna”: o projeto estético-cinematográfico dos belgas anda dando sinais de saturação e não exatamente de esgotamento. É bem por aí mesmo. Ainda é possível maravilhar-se como o garoto (brilhantemente interpretado por Jérémie Renier) nos é revelado enquanto anda em sua bicicleta, como suas vontades e angústias tornam-se em geral evidentes pela maneira como ele pedala. O jogo de gato e rato entre a câmera e o personagem que tanto marca o cinema dos Dardenne também permanece sedutor e energético, assim como a precisão e objetividade narrativa dos irmãos belgas. Agora, contudo, as linhas (e seus pontos de chegada) que conjugam essa negociação entre a câmera e o corpo dos atores e dos espaços e determinadas funções narrativas, me parecem por demais visíveis. É neste sentido que a trilha supostamente bressoneana (como bem disse o Fábio de Andrade lá na Cinética) me incomoda bastante. Ele vem em três momentos do filme, como que a sublinhar viradas e fazer brotar sentimentos por demais esclarecidos, pena, piedade, compaixão. Tudo muito certinho, programático, previsível.
quinta-feira, dezembro 15, 2011
terça-feira, dezembro 13, 2011
ferrara
Ando revendo os filmes de Abel Ferrara - a minha produtora (firula filmes) aprovou uma retrospectiva do homem lá no CCBB. Eu já tinha visto quase tudo (com a exceção dos episódios do “Miami Vice” e dos filmes para a TV), e, agora, revejo os meus favoritos: “Maria” (2005), “New Rose Hotel” (1998), “The blackout” (1997), “Bad Lieutenant” (1992), “MS.45” (1981), “Dangerous game” (1993) ... É um cineasta que parece falar pra mim. Só pra mim. Tudo me chega com uma intensidade... Tudo me parece tão livre... Fico pensando de onde vem esta sensação de algo que transborda, que nos joga pra frente. Ferrara filma como se fosse o primeiro. Seus filmes são diferentes. Diferentes a ponto de serem estranhos. A cada plano, algo potencialmente novo se vislumbra e nos convoca. Tudo é possível em um filme de Ferrara. Talvez venha daí...
Aliás, já troquei alguns emails com o Ferrara. São emails com a cara do cinema de Ferrara: palavras fortes, sem tempo para vírgulas ou pontuações... e, por vezes, de uma curiosa incompreensão. Depois volto a isso.
domingo, dezembro 11, 2011
sexta-feira, dezembro 09, 2011
links
quinta-feira, novembro 24, 2011
cineclube cinética
sábado, novembro 19, 2011
ray, haneke e von trier
terça-feira, outubro 25, 2011
links
- a nova edição da La Furia Umana está no ar.
- algumas homenagens a Raul Ruiz.
domingo, outubro 23, 2011
sexta-feira, outubro 21, 2011
cineclube cinética
quinta-feira, outubro 20, 2011
terça-feira, outubro 18, 2011
canções
É um privilégio ver um filme de Eduardo Coutinho. Talvez ele nunca esteve tão feliz fazendo um documentário quanto neste “As canções”. E algo desta felicidade imprimi no filme. Um palco, uma cadeira, uma cortina, e pessoas conversando sobre suas vidas e canções preferidas. Coutinho é de uma simplicidade meio punk. Ao mesmo tempo, o jogo entre fato, lembrança, ficção e relato é de uma sofisticação desconcertante. Nada disso, contudo, parece realmente importante quando “experienciamos” um filme de Coutinho. “Canções” é como um presente. Vê-lo é como ganhar um presente.
domingo, outubro 16, 2011
festival
Este Festival do Rio é uma bagunça. Agora mesmo cancelaram a exibição do filme do Abel Ferrara. Não consegui ver “Drive”, que disseram que não ia mais passar, mas acabou passando. Os longas de Monte Hellman e Chantal Akerman ainda não começaram a vender. E, pelo amor de Deus, quem faz a seleção dos curtas deste festival?
terça-feira, outubro 11, 2011
francesco
domingo, outubro 09, 2011
elvis & madona
sexta-feira, outubro 07, 2011
festival do rio
terça-feira, outubro 04, 2011
aula magna com roberto farias
segunda-feira, outubro 03, 2011
assombro
sábado, outubro 01, 2011
riscado e casa de sandro
- “Riscado” busca uma espécie de simplicidade sofisticada. Várias texturas compõem o longa, do HDV (para a história principal) ao
O final de “Riscado”, no entanto, me incomoda. Bianca (quem não viu o filme deve parar por aqui) é desligada de maneira grosseira do filme que estava fazendo. Por que ela não poderia seguir no filme? Por que “Riscado” termina com uma derrota? Acho que este é um problema meu mesmo. Não desmereço o filme por isto, embora não possa negar que aquele final me desagrada. “Riscado” tinha o poder de dar aquela vitória, talvez a grande primeira vitória de Bianca. Eu gosto de finais felizes. Gosto de filmes felizes. “Riscado” é um filme ensolarado (recheado, é verdade, de muita mesquinharia e pequenezas) que no fim me parece duro demais com Bianca.
- "Casa de Sandro” nos desafia com uma câmera insistentemente fixa, por vezes como uma intrusa à espreita, noutras como uma convidada silenciosa. È curiosa esta dupla função. Pois somos convocados a contemplar um mundo que parece se constituir muitas vezes através desta mesma contemplação. Neste sentido, é mesmo muito legal a primeira cena de “Casa de Sandro”. Fábio Andrade falou dela lá na Cinética. “Casa de Sandro” se afirma como um exercício do olhar. Este exercício, no entanto, é a todo o momento reiterado e valorizado pelo filme. E aos poucos, a relação que o filme estabelece com o que filma esfria-se. A impressão em alguns momentos é a de que o filme já estava pronto antes de ser filmado.
quinta-feira, setembro 29, 2011
links
terça-feira, setembro 27, 2011
clichês
Algo me incomoda quando um crítico desmerece um filme descrevendo-o como uma sucessão de clichês. Talvez isso fizesse sentido algumas décadas atrás. Hoje, no entanto, parece-me muito mais uma certa preguiça crítica. Afinal, o que não é clichê nesta sociedade em que vivemos, quando não se pode mais pensar a cultura de mídia e a cultura do consumo em separado? E mais: os clichês (imagens que, repetidas diversas e diversas vezes, supostamente, sintetizariam a essência daquilo que representam), refletem o contexto em que foram criados e passaram com o tempo a nos propor uma relação afetiva. Talvez o problema não seja exatamente o clichê, mas o reduzir-se a ele. Parece mero jogo de palavras, mas não é. Pois, se por um lado, um clichê, tal como uma camisa de força, pode reduzir nosso horizonte de possibilidades; por outro, ele pode também funcionar como uma porta de entrada, facilitar a comunicação, demarcar afinidades ou distâncias. Um clichê não é em si falso ou verdadeiro. Esta é uma questão que se resolve no decorrer da sequencia, no dia a dia. Eu lembro de “Eastbound & Down”, a série de Jody Hill e David Gordon Green. Trata-se uma sucessão de clichês. Kenny Powers, o personagem principal, é um clichê ambulante. Mas tudo nele soa tão autêntico.
domingo, setembro 25, 2011
quinta-feira, setembro 22, 2011
decora
Estava vendo outro dia um pedaço do programa “Decora” do GNT. Eu simplesmente odeio este programa. Odeio como os espaços ficam depois que a decoradora os arranja. Eles ficam todos muito parecidos, bizarramente impessoais, com um jeitão enorme de mostruário. São espaços que não parecem muito abertos ao humano, entendem? Se você tirar algo do lugar, se alguma coisa quebrar, toda aquela harmonia fabricada vai para o quinto dos infernos. E o que mais me espanta é o fato destes espaços alterados serem sempre tão imensamente sedutores. É difícil não gostar da coisa logo de cara. É uma coisa meio agressiva neste sentido. Daí talvez venha este ódio todo. Eu me pego tendo que lutar contra esta sedução inicial...
terça-feira, setembro 20, 2011
lonely island 2
domingo, setembro 18, 2011
cinemaison
quarta-feira, setembro 14, 2011
edward yang e vicente minnelli
domingo, setembro 11, 2011
The Creep (feat. Nicki Minaj & John Waters)
sexta-feira, setembro 09, 2011
festival do rio
1. A NOVELA DAS OITO de Odilon Rocha
2. AMANHÃ NUNCA MAIS de Tadeu Jungle
3. EU RECEBERIA AS PIORES NOTÍCIAS DE SEUS LINDOS LÁBIOS de Beto Brant e Renato Ciasca
4. GIRIMUNHO de Helvécio Marins Jr. e Clarissa Campolina
5. HISTÓRIAS QUE SÓ EXISTEM QUANDO LEMBRADAS de Julia Murat
6. MÃE E FILHA de Petrus Cariry
7. A HORA E A VEZ DE AUGUSTO MATRAGA de Vinícius Coimbra
8. O ABISMO PRATEADO de Karim Aïnouz
9. SUDOESTE de Eduardo Nunes
HORS CONCOURS FICÇÃO
1. CAPITÃES DE AREIA de Cecília Amado
2. CORAÇÕES SUJOS de Vicente Amorim
3. O PALHAÇO de Selton Mello
4. OS 3 de Nando Olival
5. REIS E RATOS de Mauro Lima
NOVOS RUMOS
1. PARAÍSO, AQUI VOU EU de Walter Daguerre e Cavi Borges
2. CRU de Jimi Figueiredo
3. DIA DE PRETO de Marcos Felipe, Daniel Mattos e Marcial Renato
4. RÂNIA de Roberta Marques
5. TEUS OLHOS MEUS de Caio Sóh
6. VAMOS FAZER UM BRINDE de Cavi Borges e Sabrina Rosa
7. CIRCULAR de Adriano Esturilho, Aly Muritiba, Bruno de Oliveira, Diego Florentino e Fábio Allon
8. ESPIRAL de Paulo Pons
COMPETIÇÃO LONGAS DOCUMENTÁRIOS
1 . A ERA DOS CAMPEÕES - de Cesario de Mello Franco e Marcos Bernestein -
2. CANÇÕES de Eduardo Coutinho
3. LAIÁ, LAIÁ de Alexandre Iglesias
4. LUZ, CÂMERA, PICHAÇÃO de Marcelo Guerra, Gustavo Coelho e Bruno Caetano
5. MARIGHELLA de Isa Grinspum Ferraz
6. MENTIRAS SINCERAS de Pedro Asbeg
7. OLHE PRA MIM DE NOVO de Kiko Goifman e Claudia Priscilla
8. OS ÚLTIMOS CANGACEIROS de Wolney Oliveira
HORS CONCOURS DOCS
1. CASA 9 de Luiz Carlos Lacerda
2. UMA LONGA VIAGEM de Lúcia Murat
3. VIDA DE ARTISTA de José Joffily
RETRATOS
1. Abdias Nascimento, Um Brasileiro do Mundo de Aída Marques
2. Augusto Boal e o Teatro do Oprimido de Zelito Viana
3. Bruta Aventura em Versos de Letícia Simões
4. Cena Nua de Belisário Franca
5. MARCELO YUKA NO CAMINHO DAS SETAS de Daniela Broitman
6. Salgado Filho - O Herói Esquecido de Ricky Ferreira
PREMIERE LATINA
1 CARTA PARA O FUTURO de Renato Martins
2 CUBA LIBRE de Evaldo Mocarzel
MOSTRA EXPECTATIVA
1.TAMBORES de Sérgio Raposo
2. VALE DOS ESQUECIDOS de Maria Carvalho Raduan
PANORAMA DO CINEMA MUNDIAL
1.Rock Brasília, Era de Ouro de Wladimir Carvalho
MOSTRA ITINERÁRIOS ÚNICOS
1. Um dia com Frederico Morais de Guilherme Coelho
2. Meia hora com Darcy de Roberto Berliner
quarta-feira, setembro 07, 2011
wim wenders
terça-feira, setembro 06, 2011
alguns brasileiros
- Não gostei do novo filme de Eryk Rocha. A mise en scène sempre foi protagonista de seu cinema. Há em seus filmes um formalismo do plano, um certo maneirismo de se conseguir um efeito plástico. “Transeunte” não é diferente. Organiza-se uma sucessão de sequencias singulares, com imagens empenhadas em criar estranhamento e adquirir estatuto de autonomia em relação à narrativa, sempre com angulações inusitadas, muitos grãos e o corpo do protagonista em primeiro plano. O efeito plástico é como um fim que justifica os meios. “Transeunte” é um filme de coragem – disposto a construir um olhar atento aos pormenores de um personagem anônimo sem particularidades. Neste processo, no entanto, Rocha deixou a receita à vista. “Transeunte” faz força demais, repetidamente, para “significar”. É um filme de macetes significantes. E sua busca de um não sentido por vezes parece escorregar na busca de um sentido único.
- Hugo Carvana é um cineasta com um universo facilmente reconhecível. E muito me agrada o seu espírito descompromissado. "Não se Preocupe, Nada Vai Dar Certo", como os últimos longas de Carvana, é um filme apaixonado. É claro: Carvana tem suas limitações como cineasta, todas elas muito evidentes. Mas ele não as disfarça. Muito pelo contrário. É como se por vezes suas imperfeições tão particulares funcionassem como assinaturas. Devo dizer, no entanto, que um furo na narrativa de “Não se preocupe” me jogou para longe do filme e eu não consegui mais voltar. O guru indiano havia sido preso em Miami por uma acusação de pedofilia. Uma empresária brasileira que havia contratado o guru para palestras no Rio de Janeiro resolve procurar um ator desconhecido que possa se passar pelo indiano. Lalau (Gregório Duvivier) aceita o trabalho, sobrevive aos jornalistas e às primeiras palestras. Eu me senti agredido por isto. Em tempos de Internet, se um famoso guru indiano for preso em Miami por pedofilia antes de vir ao Brasil, todo mundo vai saber. A trama talvez funcionasse alguns anos atrás. Hoje, no entanto, é como se ela estivesse subestimando a minha inteligência. Pelo menos foi como me senti. E por mais que eu quisesse, não consegui mais entrar no filme.
- O que é o final de “O Homem do futuro”!? O filme seguia aos trancos até o fim, é verdade, até mesmo Wagner Moura me parecia ruim, mas Cláudio Torres tem de fato algum talento se o compararmos a outros cineastas brasileiros. Mas este final é algo tão cínico e amoral... Um filme morre pra mim num momento como este. Fiquei lembrando de Jacques Rivette e seu texto paradigmático sobre “Kapo” (1959), em que ele condenava um movimento de câmera de Gillo Pontecorvo ao “mais profundo desprezo”. Faço o mesmo com “O homem do futuro”.
- Sobre “A alegria”, leiam esta crítica de Inácio Araújo:
"A Alegria" é, até certo ponto, o filme da geração do "fim da história", do sentimento de nada a fazer, nada por que combater, nada a obter. Representada por quatro amigos, a geração opõe-se ao nada que lhe é oferecido e dispõe-se a lutar contra.
É, também, o filme de uma cidade que experimenta o fantasma do próprio extermínio, da submersão, do fim sob uma onda de violência, a saber, o Rio de Janeiro.
Unir os dois temas não é simples. O primeiro envolve uma atitude existencial, uma disposição diante de como o mundo se apresenta a jovens de determinado momento. O segundo diz respeito a uma experiência urbana.
O produto de ambos talvez seja esse grupo de adolescentes em busca de si mesmos diante de uma realidade que se apresenta bastante hostil.
Diante dela, o grupo de amigos estará com Luiza, sua aparente líder, que menciona uma "política da alegria", talvez a única viável ao grupo (e à geração).
Essas questões já se encontravam no filme anterior da dupla Felipe Bragança e Marina Meliande, "A Fuga da Mulher Gorila". Talvez não seja inexato dizer que estavam colocados de maneira mais eficaz lá, na trajetória da garota que se transformava numa assustadora gorila.
Aqui certos elementos retornam: as máscaras, a menção ao fantástico (um tanto incompreensível) ao final, compondo a estranha e fascinante colagem de imagens ora coloquiais, ora poéticas, ora realistas, ora alegóricas.
A aproximação entre esses registros gera uma incômoda sensação de obscuridade (para a qual colaboram decisivamente as deficiências do som e da direção de atores).
Sem paternalismo, os tropeços podem ser vistos como parte do percurso muito interessante escolhido pelos realizadores, de um grupo que se opõe ao comercialismo (o sucesso de bilheteria como fim) do cinema brasileiro.
Talvez essa trajetória se torne mais clara quando observarem que a limpidez de algumas de suas imagens é mais significativa do que os momentos em que a necessidade de buscar a originalidade parece se interpor entre os autores do filme e seu objeto.
quinta-feira, setembro 01, 2011
colóquio
Começa hoje o colóquio “Itinerários da Comunidade”, no auditório G-1 da Faculdade de Letras da UFRJ. Vejam as mesas:
Dia 1º de setembro:
10:00 h - Márcio Seligmann-Silva (UNICAMP) - “Toda comunidade é fascista. Um elogio do nomadismo”.
10:30 h - Karl Erik Schollhammer (PUC/RJ) – “Pode a literatura formar uma comunidade estética?”
Mediação: João Camillo Penna (UFRJ).
11:30 h - Eduardo Sterzi (UNICAMP) - "A comunidade antropófaga".
12:00 h - Denilson Lopes (UFRJ) – “Encenações Minimalistas e Pós-Dramáticas do Comum”.
Mediação: Ângela Maria Dias (UFF).
15:00 h - Ângela Dias (UFF) – “Nostalgia da presença e comunidades infundadas”.
15:30 h - Paula Glenadel (UFF) – “Comunidades poéticas”.
Mediação: Ana Alencar (UFRJ).
16:30 h - Eliane Robert Moraes (USP) - "Sobreviver junto".
17:00 h - Susana Scramim (UFSC)- “Agamben, a poesia e a comunidade que vem”.
Mediação: Alberto Pucheu (UFRJ).
18:00 h - Edson Rosa (UFRJ) – “A obra de arte: resistência e insubmissão".
18:30 h - Rosana Kohl Bines (PUC-RJ) - “"Formas de partilha estética”.
Dia 2 de setembro
10:00 h - Roberto Vecchi (Universita degli Studi de Bologna) - "Imperfeições, vácuos e potências do ser-em-comum: as incompletudes da comunidade e a força literária".
Mediação: Danielle Corpas (UFRJ).
11:00 h - Raul Antelo (UFSC)– «Comunidade acéfala ».
11:30 h - Ettore Finazzi Agrò (UNIROMA)- “Munus e communitas: a identidade negociada e a comunidade ausente na Modernidade brasileira”.
Mediação: Ricardo Pinto (UFRJ).
14:30 h - Julio Ramos (UC Berkeley) - "Arte, trabajo y comunidad en los murales fordistas de Diego Rivera en Detroit".
15:00 h - Cláudio Oliveira (UFF) – “Comunidade que vem e política não estatal em Giorgio Agamben”.
Mediação: Francisco Foot-Hardman (UNICAMP).
16:00 h - Roberto Zular (USP) – "Comunhão de bocas vazias ou a poesia como potência de enunciação".
16:30 h - João Camillo Penna (UFRJ) – “Comunidade autoimune”.
Mediação: Flávia Trocoli (UFRJ).
17:30 h - Ana Kiffer (PUC-RJ) – “Da comunidade, entre o intruso e o corpo”;
18:00 h - Marcelo Jacques de Moraes (UFRJ) - "A poesia: lugar comum, lugar sem fim".
Mediação: Ângela Maria Dias (UFF).
quarta-feira, agosto 31, 2011
melancolia ***

Não parece mais haver no cinema de Lars Von Trier um “apetite pelo real”. Ele não trabalha mais com imagens do mundo, com um material real sobre a realidade. Von Trier inscreve-se cada vez mais numa certa tendência de um cinema agressivo e manipulador do mal-estar do espectador. Em seus filmes, o cineasta exibe e põe em crise a essência da manipulação cinematográfica, sendo, ao mesmo tempo, manipulador e delator da sua própria manipulação – algo que o diferencia, pra mim, de um realizador como Michael Hanake. Em geral, pelo menos até “Anticristo” (2010), seu último filme, o cinema de Von Trier vinha sendo associado ao termo niilismo. No entanto, Melancolia, no sentido que este seu mais novo longa imprimi a palavra (algo que remonta, como bem delimitou Luiz Felipe Pondé na "Folha", a Sade), parece mesmo uma expressão mais certeira.
Algo estranho se passa com Justine. Em plena festa de casamento ela parece distante. Lars Von Trier alterna cenas da festa (um verdadeiro ritual de gestos e ações protocolares) e sequencias de Justine sozinha, seja em espaços fechados (como quartos ou banheiro), seja do lado de fora da mansão. Justine parece ter flertado com o caos, contemplado o vazio. E a partir daí, como ela mesma diz, será preciso lutar consigo própria para conseguir caminhar e respirar. Não é mais possível voltar atrás, casar ou trabalhar como publicitária. Nem mesmo seu prato preferido pode ser, como antes, saboreado. "A vida na Terra é má", diz ela. "Estamos sós", continua. Para Justine, a questão não é a apenas a sociedade contemporânea ou nem mesmo a raça humana. É a própria vida que é torta, errada, perversa. Melancolia, para Lar Von Trier, nasce desta consciência de que a natureza em si má. E o filme narra a tomada de consciência de Justine. Melancolia é também o nome de um planeta que se chocará com a Terra. Para Justine, é como se o universo dissesse a verdade pela primeira vez. E em uma estranha, porém bela cena narrada pelo ponto de vista de sua irmã, vemos Justine oferecendo seu corpo nu para Melancolia.
