domingo, agosto 21, 2011

super 8 ***

Como pode um filme basear-se na evocação de um determinado cinema e ao mesmo tempo afirmar-se como uma aventura cinematográfica singular? Como pode um filme valer de uma só vez por seu potencial abstrato e pelas ações concretas narradas? Pois o que está em jogo em “Super 8” não é somente aquilo que vemos nas imagens, sua configuração dramática e narrativa, mas também aquilo que elas são capazes de evocar. Isto, na verdade, está dado já no título. Afinal, o formato super 8 comporta neste filme duas simbologias diferentes: ele é caseiro, intimista, afetivo, documenta momentos banais vividos entre amigos e familiares; ele é também o formato através do qual toda uma geração de artesãos-cineastas começou a dominar o fazer cinema (além do próprio Abrams, conta-se ainda gente como Spielberg e M. Night Shyamalan).

Gostei bastante de “Super 8". É um filme maravilhoso, nostálgico não exatamente por um tempo, por uma juventude que se foi, mas por um certo estilo de filmagem. O filme começa e vemos um céu estrelado, a noite e seus segredos, crianças correndo por uma pequena cidade em bicicletas... “Super 8” lembra logo de cara os filmes (produzidos ou dirigidos) de Steven Spielberg do início dos anos 80. Seus personagens se deparam com um fascinante mistério e tentam investigar por si próprios, em uma aventura entre “E.T.” (1982), “Os Goonies” (1985) e filmes antigos de ficção científica. O que J.J. Abrams deseja é evocar a inocência deste cinema enquanto introduz um nível mais avançado nos efeitos especiais.

Estes, é claro, jamais estão no primeiro plano. Esta talvez seja a grande lição de Spielberg. O filme deve fazer acumular uma certa empatia emocional. E os efeitos funcionam como catalisadores. Este é o papel do aliens de “Super 8”. Ele funciona como um catalisador que impulsiona Joe para frente. Ele estará para sempre no segundo, no fundo. Pois o que importa, em primeira instância, é a história sentimental, os personagens e as situações nas quais eles estão inseridos. É incrível, por exemplo, a associação que o filme nos sugere entre os olhares da mãe de Joe (no filmete caseiro que ele assiste com a menina) e do alien (já no final do longa). Há uma complexa rede simbólica em jogo em torno destes olhares. O olhar da mãe para Joe se equivale ao olhar do monstro para Joe.

sexta-feira, agosto 19, 2011

george méliès

Está rolando na Caixa Cultural uma mostra com os filmetes de George Méliès. Em sua maioria, os filmes são projetados, infelizmente, em vídeo. A descrição dos filmes você encontra aqui. Vejam a programação:

Dia 19 de agosto, sexta-feira

Cinema 1 17h
Sessão 9 – Filmes de 1907 e 1908
56 min. Classificação livre

Cinema 2 18h
Sessão 10 – Filmes de 1908 parte I
55 min. Classificação livre

Cinema 1 19h
Sessão 16mm (filmes em película 16mm, com acompanhamento de música ao vivo
30 min. Classificação livre

Dia 20 de agosto, sábado

Cinema 1 17h
Sessão 11 – Filmes de 1908 parte II
53 min. Classificação livre

Cinema 2 18h
Sessão 12 – Filmes de 1908 a 1909
40 min. Classificação livre

Cinema 1 19h
Sessão novas descobertas II (1907 a 1911)
58 min. Classificação 12 anos

Dia 21 de agosto, domingo

Cinema 1 17h
Sessão 13 – Filmes de 1911 e 1912
40 min. Classificação livre

Cinema 2 18h
Sessão 14 – Os últimos filmes (1912 e 1913)
56 min. Classificação livre

Cinema 1 19h
Sessão Panorama
103 min. Classificação 12 anos

domingo, agosto 14, 2011

s’en fou La mort ***

“S’en fou La mort” (1990) é o terceiro filme de Claire Denis. Nele, um longa mais bruto do que “Chocolat” (1988), já é possível identificar a cineasta de “Bom trabalho” (1998), “Desejo e obsessão” (2001), “O intruso” (2004), entre outras grandes obras. Denis deixa-se experimentar a possibilidade de rodar um filme feito de olhares, rostos e corpos. A câmera de Agnes Godard se cola nos personagens e uma profusão sensorial nos impede de concatenar os fatos. A narrativa é passagem, variações sutis de um estado instaurado desde o início do filme. "Todo homem, independente de raça, cor, ou origem, é capaz de tudo e qualquer coisa”, diz Dah (Isaach De Bankolé), citando Chester Himes, logo no início do filme. A violência está sempre na espreita por uma forma que lhe dê vida. “S’em fou La mort” é esta forma. Não há como não pensar em “Galo de briga”, um filme-corpo-estranho de Monte Hellman. Pois mais do que as semelhanças da trama, Denis imprime em seu filme uma sensação muito cara ao cineasta americano: um cinema assombrado pela morte em que se experimenta uma forte sensação de que estamos observando personagens que nunca poderemos realmente entender. Alteridade absoluta.

quinta-feira, agosto 11, 2011

links

Alguns links:

Um mesa redonda intitulada "Obscure Objects of Desire: A Jam Session on Non-Narrative", com Raymond Durgnat, David Ehrenstein e Jonathan Rosenbaum.

E, sobre "A árvore da vida", de Terence Malick, que estréia amanhã, uma mesa redonda na CinemaScope, e uma série de textos na Reverse Shot.




terça-feira, agosto 09, 2011

desejo e obsessão *****

"Desejo e obsessão" é sensacional. É um filme que apela discretamente para as convenções do cinema de gênero, mas sem nunca se permitir ser reivindicado por ele. "Desejo e obsessão" poderia ser descrito como um filme de terror ou como uma ficção científica que não age como tal ou jamais sai do armário. O cinema de gênero é como que contrabandeado, infiltra-se na história como uma doença ao mesmo tempo familiar e estranha. Denis demonstra uma capacidade incrível de revisitar narrativas aparentemente esgotadas para reinvesti-las em toda a sua estranheza. A narrativa (ou melhor, os códigos e signos associados a determinados gêneros cinematográficos) funciona como uma forma de negociar a entrada do espectador no filme, é uma espécie de terreno comum (compartilhado pelo filme e pelos espectadores) e que facilita o diálogo.

Denis desfila mais uma vez suas fixações pelo corpo masculino, pelo sêmen, pela pele, pela doença... É um cinema sobre os corpos, seus limites e desejos, sempre em um equilíbrio incrível entre a sua materialidade, sua espessura impenetrável, e o seu sentido ou significado. O que existe são sensações e a consciência destas sensações. Denis faz da sensação a condição de força primordial da realidade. Isso sem falar em momentos de plasticidade incrível. Agnes Godard, a fotógrafa, faz do corpo uma paisagem inexplorada. E a câmera parece filmar pelo toque.

"Desejo e obsessão" é um filme sobre a carne. A "carne" tal como Merleau-Ponty a definia: um conceito (de caráter propriamente ontológico) que expressa a unidade primordial entre corpo e mundo. A carne é "a indivisão entre este ser sensível que eu sou e todo o resto que é sentido em mim". A carne é a espessura entre o que é visto e quem vê. Essa é a substância do cinema de Denis.

sábado, agosto 06, 2011

kubrick e maristela

O Cine Jóia exibe hoje em seu cineclube, às 21h30, "Laranja mecânica" (1971), de Stanley Kubrick. A entrada é franca. Senhas serão distribuídas a partir das 20h30.

E no CCBB, com a curadoria de Eduardo Ades e Rafael de Luna, está rolando uma mostra muito legal com os filmes do estúdio paulista Maristela. Vejam a programação:

Sábado (06/08):

- 15h, “Meu destino é pecar”, de Manuel Peluffo (Brasil, 1952). 35mm, 72min, P&B. Não recomendado para menores de 14 anos.
- 17h, “Presença de Anita”, de Ruggero Jacobbi (Brasil, 1951). Não recomendado para menores de 14 anos.
- 19h, “Ana”, de Alex Viany (Brasil, 1955). 25min (curta-metragem), P&B. Não recomendado para menores de 14 anos.
Debate: “Os gêneros no cinema brasileiro: melodramas e aventuras”, com: Rarafel de Luna Freire (curador da mostra) e Mariana Baltar (UFF).
Mediação: João Luiz Vieira (UFF).

Domingo (07/08):

- 15h, “Arara vermelha”, de Tom Payne (Brasil, 1957). 35mm (cópia nova), 97min, P&B. Não recomendado para menores de 14 anos.
- 17h, “O comprador de fazendas”, de Alberto Pieralisi (Brasil, 1951). 35mm, 90min, P&B. Livre.
- 19h, “Mãos sangrentas”, de Carlos Hugo Christensen (Brasil, 1954). Beta, 90min, P&B. Não recomendado para menores de 18 anos.

Terça (09/08):

- 17h, “Susana e o presidente”, de Ruggero Jacobbi (Brasil, 1951). 35mm (cópia nova), P&B, 79min Livre.
- 19h, “Getúlio, glória e drama de um povo”, de Alfredo Palácios (Brasil, 1956). 35mm, 85min, P&B. Livre.

Quarta (10/08):

- 17h, ”Vou te contá…”, de Alfredo Palácios (Brasil, 1958). 35mm (cópia nova), 90min. P&B. Livre.
- 19h, “O cinema nacional em marcha…”, de Jacques Deheinzelin (Brasil, 1951). 35mm (cópia nova), 10min, P&B. Livre
Debate: ”O cinema brasileiro industrial e independente”, com Afrânio Mendes Catani (USP) e Luís Alberto Rocha Melo (UFJF).
Mediação: Rafael de Luna Freire.
Quinta (11/08):
- 17h, “Simão, o caolho”, de Alberto Cavalcanti (Brasil, 1952). 35mm, 95min, P&B. Livre.
- 19h, “Quem matou Anabela?”, de D. A. Hamza (Brasil, 1956). 16mm, 93min, P&B. Não recomendado para menores de 14 anos.

Sexta (12/08):

- 15h, “A pensão de D. Estela”, de Alfredo Palácios e Frenc Frekete (Brasil, 1956). 16mm, 95min, P&B. Livre.
- 17h, “Mulher de verdade”, de Alberto Cavalcanti (Brasil, 1954). 35mm (cópia nova), 107min, P&B. Não recomendado para menores de 14 anos.
- 19h, “Susana e o presidente”, de Ruggero Jacobbi (Brasil, 1951). 35mm (cópia nova), P&B, 79min Livre.

Sábado (13/08):

- 15h, “Getúlio, glória e drama de um povo”, de Alfredo Palácios (Brasil, 1956). 35mm, 85min, P&B. Livre.
- 17h, “A pensão de D. Estela”, de Alfredo Palácios e Frenc Frekete (Brasil, 1956). 16mm, 95min, P&B. Livre.
- 19h, ”Vou te contá…”, de Alfredo Palácios (Brasil, 1958). 35mm (cópia nova), 90min. P&B. Livre.

Domingo (14/08):

- 15h, ”Mulher de verdade”, de Alberto Cavalcanti (Brasil, 1954). 35mm (cópia nova), 107min, P&B. Não recomendado para menores de 14 anos.
- 17h, “Quem matou Anabela?”, de D. A. Hamza (Brasil, 1956). 16mm, 93min, P&B. Não recomendado para menores de 14 anos.
- 19h, “Simão, o caolho”, de Alberto Cavalcanti (Brasil, 1952). 35mm, 95min, P&B. Livre.

terça-feira, agosto 02, 2011

serbian film 2

Hoje cineastas vão se encontrar na Fundição Progresso às 19h30m numa reunião aberta para debater as medidas que podem ser tomadas a fim de derrubar a censura ao "Serbian Film". Além disso, a Cinemateca do Museu de Arte Moderna (MAM) programou exibições de filmes censurados no passado, seguidas de debates.

Domingo, saiu no “Globo” este texto abaixo assinado pelo Marcelo Janot sobre o censurado “Serbian Film”. Não se trata de uma matéria jornalística. Tampouco exatamente de uma crítica. É algo no meio do caminho. Parece-me até certo ponto um retrocesso em relação ao texto do Cezar Migliorin (veja no post abaixo). Janot ficou em cima do muro. Ele não condena de maneira mais incisiva a censura. É entranho como ela é criticada apenas pelo fato de ter dado sobrevida a um filme (segundo ele) ruim “através da pirataria, despertando o interesse de um público infinitamente superior ao que assistiria ao filme pelas vias legais”. Janot tem razão. Mas este não é definitivamente o x da questão. Estamos falando de liberdade de expressão e artística. Estamos falando de censura a um filme que ninguém viu. E o que mais me incomodou mesmo foi está penúltima e incompreensível frase: “E pior: fizeram com que um grupo de abnegados que se mobilizou contra a censura deixasse em muitos a impressão equivocada de estar defendendo um filme que, com ou sem cortes, merecia nada mais do que o completo anonimato”. Como assim?

Leiam o texto:

RIO – Milos é um ex-astro do cinema pornô sérvio. Passando por dificuldades para sustentar a mulher e o filho, ele aceita uma proposta milionária para voltar a atuar em um filme de um misterioso produtor. Desde o momento em que chega ao local das gravações, todos os seus passos são filmados. Ele é forçado a espancar uma mulher que lhe fornece sexo oral ao mesmo tempo em que observa uma adolescente chupando pirulito e se maquiando. Quando o produtor lhe mostra um vídeo em que um homem estupra um recém-nascido logo após o parto, aquilo é a gota d’água para Milos. Mas arrumam um jeito de drogá-lo para que ele volte a filmar e cometa barbaridades ainda piores.

Esta é a sinopse de “A Serbian film – Terror sem limites” (“Srpski film”). A simples leitura do parágrafo acima já insinua algo que se confirma nos primeiros minutos da projeção: o diretor estreante Srjdan Spasojevic fez um filme para chocar, abordando sem sutileza os mais variados tipos de tabus sexuais. Ao oferecê-los sem a menor preocupação de poupar o espectador (com exceção da cena com o recém-nascido, vista de longe e onde percebe-se que se trata de um boneco), e sem contextualizar as violações (que incluem sexo com cadáver e um estupro do filho de 5 anos) dentro do fiapo de roteiro, o diretor deu um tiro $próprio pé. Apesar de justificáveis apenas sob a ótica doentia do personagem do produtor, as cenas são tão gratuitas, grotescas e exageradas que perdem o impacto pretendido.

Nem a presença do bom ator Srdjan Todorovic, conhecido por filmes do diretor bósnio Emir Kusturica, empresta qualidade a essa produção de proposta realista. O que confere ao filme um caráter trash e alguma semelhança com os gore movies, mesmo sem o humor que caracteriza essas produções, é o excesso de tripas e sangue e a ausência de um roteiro consistente. Risíveis são as declarações dadas pelo diretor de que o filme seria uma espécie de metáfora do que passou o povo sérvio nos últimos anos.

Segundo o site IMDB, na Sérvia o filme arrecadou menos de 7 mil. E, por mais que gerasse algum burburinho em exibições esporádicas em festivais, por sua má qualidade artística passaria quase despercebido pelos cinemas onde fosse lançado. E aí quem resolveu dar um tiro no próprio pé foram as autoridades brasileiras. Ao proibirem a exibição do filme, garantiram a ele uma sobrevida com a circulação através da pirataria, despertando o interesse de um público infinitamente superior ao que assistiria ao filme pelas vias legais. E pior: fizeram com que um grupo de abnegados que se mobilizou contra a censura deixasse em muitos a impressão equivocada de estar defendendo um filme que, com ou sem cortes, merecia nada mais do que o completo anonimato. Não se espantem se em breve surgir uma onda de obras à altura da mediocridade de “Um filme sérvio”, já que a publicidade gratuita estará garantida.

sábado, julho 30, 2011

serbian film

Leiam o texto do Cezar Migliorin publicado hoje no "O Globo":

Arte, democracia e a censura a 'A Serbian Film'
Por Cezar Migliorin

Fomos surpreendidos semana passada com a proibição de exibição do filme de ficção “A Serbian Film — Terror sem limites”, de Srdjan Spasojevic, um filme ao qual eu não dedicaria nenhuma linha, não fosse esse evento. A proibição nos joga para uma época em que cabia aos mais diversos poderes — os mais ricos, mais fortes, mais velhos — definir as imagens que poderiam fazer parte da comunidade e aquelas que não poderiam. A escolha das “boas imagens” visava proteger a comunidade impedindo que certas ideias circulassem. Para que esses poderes pudessem assim operar, eles deveriam partir de um desequilíbrio essencial entre aqueles que sabiam julgar as imagens — religiosos, juízes, políticos — e a massa incapaz de fazer uso das imagens. O filósofo francês Jacques Rancière chamou esse tipo de inscrição das imagens na comunidade de um regime ético das imagens. Nesse regime, a noção de arte, criação, invenção não poderia existir ou, pelo menos, não poderia ter nenhuma relevância posto que a pertinência das imagens não se fazia em relação à sua capacidade inventiva ou representacional, mas em relação às crenças da comunidade, ao ethos. Sem a ficção, a imagem é um duplo do evento, ou seja, o evento novamente. Fica claro que nesse regime, sem a ficção, toda imagem que esteja em desacordo com o que desejam os poderes instalados deve ser eliminada.

Em nossa comunidade — Brasil, século XXI — nos organizamos de forma diferente. Trabalhamos com a noção de arte e de ficção, fazendo com que não existam mais os temas que podem ou não fazer parte da criação artística, os assuntos que podem ser representados e os que não podem. Se isso não está claro para o senso comum, está explicito na Constituição. No inciso IX do artigo 5 lemos o seguinte: “é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”. Rancière poderia dizer que a constituição brasileira se filia a um regime estético das imagens.

No campo estético, imagem é uma forma de reflexão sobre o real

Do regime ético à forma que entendemos as imagens hoje há a introdução da variável ficcional e estética, operando uma mudança decisiva. A imagem deixa de ser a coisa em si, para ser uma forma de reflexão da sociedade sobre o que nela existe. Sejamos contra ou a favor, não podemos impedir que a ficção exista nesses termos, com essa liberdade.

Nossa comunidade, entretanto, proíbe certas práticas: assassinatos, roubos, pornografia infantil, etc. Sendo assim, a proibição do longa-metragem de ficção da Sérvia só poderia ser feita caso ele fosse em si um crime. Caso, por exemplo, houvesse uma cena real de pedofilia, o que não é o caso. Entretanto, o filme foi proibido.

Dizendo-se apoiado no Estatuto da Criança e do Adolescente, o advogado do DEM fez uma leitura do Estatuto como se vivêssemos em um regime em que os poderes devessem julgar as imagens que servem e as que não servem para a comunidade. Como se o partido fosse responsável pela proteção dos incultos indefesos que não têm condições de julgar o que veem e ouvem. A desembargadora de plantão construiu seu parecer dentro do mesmo pressuposto e, rompendo um princípio fundamental da democracia que diz que todos têm igualdade de condições para entender e criticar o mundo, impediu a exibição do filme.

Segundo o Art. 241-C do ECA, é proibido “Simular a participação de criança ou adolescente em cena de sexo explícito ou pornográfica por meio de adulteração, montagem ou modificação de fotografia, vídeo ou qualquer outra forma de representação visual.” Se ignorarmos que as representações visuais fazem parte de uma comunidade em que existe arte e ficção, poderíamos facilmente interpretá-lo como fez a desembargadora e o DEM. Mas é certo que para entender a noção de simulação que está no Estatuto não podemos abandonar a própria comunidade em que o Estatuto foi feito, o Brasil e a sua Constituição.

Nesse sentido, um outro trabalho de interpretação parece necessário. A simulação incide aqui sobre a ideia de parecer real o que é montado, ou seja, dar a impressão de verdade onde há ficção, efetuando, pela montagem, uma falsa impressão de que um crime existiu. No registro ficcional, simular que alguém presenciou um determinado evento é um artifício amplamente utilizado, entretanto algo antecede essa simulação, que é o pacto com o espectador de que aquilo não existiu. No pacto ficcional não há simulação, no sentido de fingimento, apenas uma insinuação sem que o crime se efetive e sem que se possa ter a impressão de que houve crime. No filme em questão, não só não houve crime como a impressão de ter havido crime é restrita ao universo da ficção. Na ficção, a montagem não simula para apagar os limites entre o que é construído como ficção e o que se efetiva na realidade. O estatuto da ficção antecede a impressão de que a criança participou da cena e qualquer público adulto é capaz de compartilhar esse regime de imagens. Entendemos que quando alguém morre em um filme ele não morreu na vida real.

Justiça e DEM querem decidir o que deve ou não ser visto por nós

Chegamos assim ao ponto central de meu argumento. Como sabemos que nenhuma criança foi exposta a situações que a aviltasse, não é tarefa da lei julgar se alguns indivíduos têm ou não a capacidade de lidar com imagens que insinuem pedofilia, como fez a desembargadora ao dizer: “Não se pode admitir e permitir que, em nome da liberdade de expressão, cenas de extrema violência física e moral, inclusive, utilizando recém natos, sejam levadas ao grande público, vez que possam provocar reações adversas, às vezes em cadeia, em pessoas sem equilíbrio emocional e psíquico adequado para suportar tais evidências de desumanidade.”

O texto da desembargadora evidencia um neoplatonismo em que as paixões e as emoções são afetos grandes demais para ficarem nas mãos de artistas e espectadores, por isso devem ser controlados por quem entende o que é bom para a sociedade: a Justiça e o DEM. Trata-se de uma decisão que pode ser ótima para uma comunidade em que as imagens devem guardar continuidade com a vida religiosa ou cívica, mas não para o Brasil. Aqui a liberdade artística é parte do princípio democrático, não somente porque para a arte não há limites entre o que pode ou não ser abordado pelas obras, como não autorizamos nenhum poder a decidir quais são as imagens que devem circular.

Pedofilia, no final das contas, não está em questão nesse caso, mas uma tentativa autoritária em que alguns pretendem dizer o que deve e o que não deve ser visto por nós, pobre massa indefesa. Isso tem um nome: censura. Não, obrigado.

CEZAR MIGLIORIN é professor do Departamento de Cinema e Vídeo da Universidade Federal Fluminense

domingo, julho 24, 2011

singularidades de uma rapariga loura ***


É delicioso este filme de Manoel de Oliveira. “Singularidades de uma Rapariga Loura” é uma história amor, um conto sobre os enganos de uma imagem. Um filme cuja tensão nasce entre o que se mostra e o que se esconde, nas entrelinhas. Eu acho bem interessante a maneira como o cineasta sublinha o fato de cada um dos personagens verem o mundo de uma maneira diferente. Gosto muito da interação entre os personagens no trem. Os olhares enviesados dos atores. Ela aos poucos olha mais e mais nos olhos do estranho ao seu lado. É engraçado: é como se este filme fosse a conquista de um olhar, do olhar desta mulher que, como nós, é convidada a entrar na brincadeira.

Manoel de Oliveira não provoca sentimentos ou sensações. É algo de diferente ordem. É bem curioso. Vejamos a cena em que o casal se beija e a câmera corta docemente para o pé da rapariga que então se levanta para trás. Este movimento da perna da rapariga é a materialização de sentimento. É um signo. O cineasta isola o signo em seu sentido. E para fazê-lo, ele vai despindo, através das composições frontais, das atuações estilizadas, da cenografia, os excessos dramáticos ou narrativos. É um trabalho de subtração. E o que fica, curiosamente, é o artifício (e as camadas pelas quais o realizador passou para chegar até ali).

Manoel de Oliveira é um velhinho completamente fascinado por algumas das mais sedimentadas convenções da linguagem do cinema. Como disse uma vez Tag Gallagher a respeito dos Straub, o que me impressiona em algumas passagens deste filme (e do cinema todo de Manoel de Oliveira) não é a subversão às convenções consagradas, mas sua autenticidade. Parece mero jogo de palavras, mas não é. Acho importante por vezes distinguir uma coisa da outra. Manoel de Oliveira, como os Straub, não são cineastas anti-convencionais. Muito pelo contrário. Eles estão a todo momento dialogando com as maias variadas referências, algumas delas consagradas. Seus filmes são como uma árvore genealógica.

sexta-feira, julho 22, 2011

filmes pela cidade e um link

Enquanto o circuito comercial segue bobo, feio e chato, alguns bons filmes serão exibidos na cidade este fim de semana.

No MAM, há uma mostra sobre o cinema maneirista:

22/07, às 18h30
Edward II, de Derek Jarman

23/07
16h - O Fundo do Coração, de Francis Ford Coppola
18h – A Lua na Sarjeta, de Jean-Jacques Beineix

24/07
16h – Daunbailó, de Jim Jarmush
18h – Os Amantes da Pont-Neif, de Leon Carax

No IMS, "Violência e Paixão" e "Rocco e seus irmãos", ambos de Visconti, serão exibidos em diversos horários entre hoje e domingo.

E a revista FOCO lança mais uma nova edição. Agora, sobre James Gray.

sábado, julho 16, 2011

o corpo

Outro dia, estava zapeando pela TV e esbarrei nesta cena de perseguição abaixo, de "Caçadores de emoção" (1991), de Kathryn Bigelow. E o que mais me impressionou foi mesmo uma espécie de outro estatuto ou olhar sobre o corpo. Vejam a cena, especialmente a parte da perseguição a pé. É curioso como o corpo neste filme tem os seus limites. Limites físicos mesmo. A câmera não pensa em ultrapassar a porta. E o corte não vem exatamente socorrê-la. Pois "socorro" já seria dizer que a câmera queria ultrapssar aquela porta, seria dizer que o novo olhar que o cinema contemporãneo lança ao corpo já estaria ali prefigurado. E não é isso. Não era impossível técnicamente, era, sobretudo, inimaginável ou sem sentido. Hoje, no entanto, se compararmos esta cena com as perseguições dos filmes do "Homem Aranha", por exemplo, o que vemos é um corpo diferente, maleável, volátil, virtual, talvez mais livre, mas ao mesmo tempo mais arrogante em um certo sentido.



quarta-feira, julho 13, 2011

o intruso ****

"O intruso", de Claire Denis, como que reproduz a percepção de mundo típica de um bebê: confusão sensorial própria a tudo aquilo que vem ao mundo como acontecimento inteiramente novo, singular, diferente. O impacto que este filme nos causa é da ordem do sonho, onde pensamentos, sentimentos e sensações ainda não ganharam forma dentro de uma gramática bem ordenada e lógica. Diante de um filme como este somos afetados por algo que nossas coordenadas não conseguem capturar por inteiro, ordenamos um sentido daquilo independentemente de uma interpretação. Esse é o delicioso mistério de Denis: referir-se às coisas do mundo antes de elas fazerem parte de um mundo. Ao experimentarmos "O intruso" descobrimos que não há nenhum sentido para além da experiência imanente das imagens que as justifique, e que o “ser-no-mundo” se dá primeiramente nesta relação de contigüidade entre corpos.

terça-feira, julho 12, 2011

vers nancy****

Por alguma razão, não consegui postar os vídeos deste curta da Claire Denis. Mas seguem abaixo os vídeos.



domingo, julho 10, 2011

texto

Segue o link para um texto sobre música eletrônica que escrevi com meu primo, Rafael Bz. Vejam os outros textos da revista. São bacanas.

quinta-feira, julho 07, 2011

bamako *****

“Bamako” (2006) nos lembra que a dominação (política, econômica , técnico e cultural) é hoje reforçada por termos de contrato degradantes e “programas de austeridade”, entre os quais os do Banco Mundial e do FMI, instaurados, é claro, com a ajuda das elites locais, e que impõem regras que os países mais ricos jamais tolerariam. Mas aqui não se trata exatamente de apontar culpabilidades. Em “Bamako” as crianças assistem a um filme na TV chamado “Death in Timbuktu”, uma espécie de western africano cômico com cowboys brancos e negros. No próprio tribunal, temos brancos e negros em ambos os lados. A idéia, me parece, é indicar que a vida de milhões de pessoas é decidida longe de seus universos. E também que, ao contrário do que muitos filmes parecem dizer, os africanos têm sim plena consciência da situação em que se encontram.

“Bamako” também discorre sobre o conceito de “pós-colonialismo”. Adotado no final dos anos 80, o termo foi sendo talvez confusamente universalizado, ferido por certos descuidos e homogeneizações. Em “Crítica da imagem eurocentrica”, Robert Stam e Ella Shohat falam muito bem sobre isso no recorte cinematográfico, afirmando que, dependo do uso que você faz do termo, “o pós-colonial” se torna uma sacanagem conceitual. De certa maneira, é disso também que fala Sissako. O pós-colonial pode evaporar algumas relações de perspectiva, pode obscurecer a presença do colonialismo no presente. Enquanto os meios de comunicação parecem tratar o multiculturalismo como um fenômeno recente, desligado do colonialismo, Sissako baseia o discurso de seu filme em uma longa história de múltiplas opressões específicas.

Mas ao mesmo tempo em que desconfia do termo, “Bamako” parece a ele se referir como uma resposta a uma necessidade genuína de se superar a crise de compreensão produzida pela incapacidade das velhas categorias de explicar o mundo. E, na verdade, o “pós-colonial” não sinaliza apenas uma simples sucessão cronológica do tipo antes/depois. O “pós-colonial” marca a passagem de uma configuração ou conjuntura histórica de poder para outra. Problemas como a dependência, o subdesenvolvimento e a marginalização persistem hoje, mas sob uma nova configuração. O “colonial” não terminou, mas não consegue mais explicar ou entender uma política de cowboys brancos e negros. Como dizem Stuart Hall e Peter Hulme, o termo “pós-colonial” não é avaliativo, mas descritivo.



segunda-feira, julho 04, 2011

denis e coleman

Gosto bastante da comparação que o crítico inglês Jonathan Romney lançou entre “Bom trabalho”, belíssimo filme de Claire Denis, e o Free Jazz de Ornette Coleman. A alusão não poderia ser mais acertada. Em primeiro lugar, porque Denis faz cinema como quem encontra um tom, uma melodia. Em segundo, porque, para Coleman, que jamais gostou do rótulo de Free Jazz imputado ao seu trabalho, suas músicas eram muito pautadas por composições e as improvisações não bastavam. O acaso era, segundo ele, fruto de muito, mas muito trabalho.

sexta-feira, julho 01, 2011

borat ****


Eu revi pedaços de "Borat" outro dia. Para quem não lembra, Borat é um repórter da TV estatal do Casaquistão, machista, anti-semita, e hiper-sexualizado. Enviado aos Estados Unidos para uma série de reportagens sobre o modo de vida daquele rico e poderoso país. “Borat” registra as andanças do repórter Cazaque pelos Estados Unidos. Ele aterriza em Nova York, deixa um frango escapar no metrô, pensa que o elevador do hotel é o seu quarto, lava roupa no Central Park, inferniza a vida de algumas feministas, e, por fim, se apaixona por Pamela Anderson. Com medo que os judeus repitam o ataque de 11 de setembro, o repórter convence o produtor Azamat a alugar um pequeno caminhão de sorvete e partir para a Califórnia.

Nas filmagens, Baron Cohen se apresenta como Borat aos entrevistados, convence-os a assinar autorizações para uso de imagens e faz perguntas constrangedoras (“as mulheres devem ser educadas?”, “Qual a melhor arma para se matar um judeu?”). Mas o curioso é que quando Borat despeja um comentário estúpido sobre mulheres, deficientes mentais, e/ou judeus, seus entrevistados tentam ser compreensivos. Afinal, trata-se de um pobre jornalista Cazaque, que se masturba diante de uma vitrine da Victoria Secret, mantém relações sexuais freqüentes com sua irmã, etc.. É como se os entrevistados se sentissem conclamados a orientarem o pobre jornalista Cazaque, ensinando-o a respeito, por exemplo, da etiqueta americana. Porém, aos poucos, o jornalista consegue sem muito esforço declarações a favor da escravidão, do encarceramento de homosexuais, do extermínio de judeus.

Em determinado momento, uma mulher que recebia Borat em sua casa diz que apesar das diferenças culturais, não seria muito difícil americanizar o repórter. Cohen fala então de uma tolerância repressiva, concebida agora como “tolerância” do Outro em sua forma asséptica e benigna. Em “Borat”, multiculturalismo é uma espécie de versão invertida e alto-referencial dos mais variados preconceitos. Quando, por exemplo, Borat ri da idéia de que alguém pode ser contra a crueldade com animais, o que Baron Cohen parece querer nos dizer é que não há como controlar legalmente nossos preconceitos, que dirá exterminá-los. Eles estão aí para serem discutidos. É preciso aceitar o caráter radicalmente antagônico e político da vida social, e admitir a necessidade de se “tomar partido”.

terça-feira, junho 28, 2011

anime japonês

Começou esta semana a mostra "O universo de Myasaki, Otomo e Kon" lá na Caixa Cultural. Veja a programação aqui.

domingo, junho 26, 2011

budapeste e três macacos

Dois filmes um tanto pedantes. Pedantes em suas estratégias. Pedantes pelo pacto de leitura que propõe ao espectador. Pedantes de maneiras diferentes, mas pedantes assim mesmo.

Walter Carvalho enxerga muito pouco em “Budapeste”. O filme não consegue observar o corpo de uma mulher sem que haja uma luz cortando-a, um espelho que a reflita, um fundo de quadro e uma trilha altamente expressivos. A nudez é sem propósito, banal. Será que o filme é uma tentativa de reprodução do olhar viciado do ghost-writer, muito mais apegado à caligrafia do que com o corpo e a alma daquilo que escreve? Não sei. O fato é que Walter Carvalho sempre foi um cineasta do excesso. Ele aposta sempre no acúmulo e na intensidade dos elementos narrativos. A luz, o som, a música, os cortes e a cenografia sempre vão além. Talvez, tenha ido longe demais. Nesse escancaramento da representação, não vaza realidade, sentimento ou verdade. Símbolos, apenas símbolos. Resta um exibicionismo vazio que jamais alcança os efeitos pretendidos.

Em “3 Macacos”, o esforço é por ser, não exatamente belo e expressivo (como em “Budapeste”), mas inteligente e autoral. Nuri Bilge Ceylan grita por nossa admiração. Grita afinado a um glossário de “cinema de autor contemporâneo” (tempos alongados, incomunicabilidade, o esvaziamento da ação, e a expressão de questões existenciais por intermédio de determinadas sacadas formais), mas que diz muito pouco. Não há nenhum interessa da parte de Ceylan em tornar seus personagens criaturas verdadeiramente humanas. Muito pelo contrário. O que se vê é de um cinismo e de um determinismo atrozes. O político sua como um porco, o marido corno ronca, a esposa adúltera tenta calar a desconfiança do esposo com seus seios e uma lingerie. Ceylan expõe todos os seus personagens ao ridículo. Tudo muito bem pensado e programado. Os ventos ruidosos, as nuvens negras em trânsito, a beleza infindável do oceano, as ruínas de um prédio, ou as angulações tipo câmera de vigilância, tudo impecavelmente e rigorosamente filmado. Auto-afirmação. Nada mais.

quarta-feira, junho 22, 2011

links

- Uma nova edição da "La Furia Umana". É a vez do grande Monte Hellman.

- Uma pauta muito legal sobre Hou Hsiao-Hsien na "Cinética".

- Um podcast bacana sobre crítica de cinema com Jonathan Rosenbaum, Gerald Peary e David Sterritt.

- Uma universidade em Chicago realizou uma conferência sobre crítica de cinema este ano. Estavam presentes Nick Davis, Jonathan Rosenbaum, Fred Camper, Dave Kehr, Gabe Klinger, Scott Foundas, Ignatiy Vishnevetsky, Scott Foundas, etc. Os vídeos dos debates estão disponíveis aqui.

segunda-feira, junho 20, 2011

estamos juntos **

Não gostei muito de “Estamos juntos”. Mas o filme de Toni Venturi dá pano pra manga. Venturi é um realizador diferente. Não está apenas interessado em grandes temas ou questões políticas, mas preocupado com experiências individuais específicas. Isso faz com que seus filmes tentem quase sempre abraçar histórias demais. “Estamos juntos” não foge à regra. É um filme de boas interpretações, embora esteja recheado de idéias um tanto inexplicáveis (como o misterioso personagem amigo Carmem) . O roteiro dá as caras diversas vezes (o final do filme é bastante triste neste sentido).

Em uma ou outra cena, Venturi baixa a bola. A câmera documenta com paciência e atenção os atores interagindo em cena. Gosto bastante da maioria das seqüências entre Carmem e Juan. Outra que me agrada é em que Carmem estaria sendo operada. Uma tela negra. Luzes coloridas. Algumas palavras dela em off. A trilha. Venturi dilata um intervalo entre acontecimentos. O tempo é suspendido. Somos convidados a entrar no filme. A atmosfera criada nesta cena não diz respeito somente a Carmem, mas também a nós espectadores. Venturi não leva isto às últimas, mas pareceu-me um bom refresco.

No entanto, acho que por vezes Venturi põe a carroça à frente dois bois, vai com muita sede ao pote. Vez ou outra o filme escorrega em códigos por demais banalizados (a invasão ao prédio vem com textura diferente, o travelling pelo corpo de Carmem). Noutras, parece suspender o movimento em torno de uma imagem que supostamente simbolizaria tudo o que poderia ser dito a respeito de um personagem, de uma situação ou do próprio filme. Este congelamento, como diria Serge Daney, representa a essência da publicidade e sua busca pela imagem emblemática.

domingo, junho 19, 2011

claire denis!!!

A Caixa Cultural abriga a partir desta terça uma retrospectiva sobre Claire Denis! Não percam! Vejam a programação aqui.

quarta-feira, junho 15, 2011

cineclube cinética

Amanhã tem Cineclube Cinética lá no IMS. Às 17h passa "Acossado" (1960), de Jean-Luc Godard, e, às 19h, é a vez de "Eleição – submundo do poder" (2005), de Johnnie To. Para ler textos sobre os filmes, é có clicar nos títulos.

terça-feira, junho 14, 2011

o viajante ****


Eu revi outro dia “O Viajante” (1999), de Paulo César Saraceni, outro filmaço. É curioso: lembro de tê-lo visto no cinema, quando tinha 17 ou 18 anos. Recordo-me de ter ficado um pouco aborrecido com o filme... Como as coisas mudam, não é? “O viajante” é um longa disposto a encarar outras ligações que não a da sucessão ou do encadeado. O filme vai e vem, cria relações entre sequencias afastadas uma das outras, entre gestos e movimentos que não são nem do mesmo momento nem da mesma ação. As imagens se repetem, ecoam, ressoam. A montagem une rompendo. Saraceni afrouxa os mecanismos intelectuais e deixa a sensibilidade ocupar os intervalos. É magnífico!

domingo, junho 12, 2011

links

2 links bem bacanas:

Audiovisualcy - Um site de críticas com imagens em movimento. Ainda não vascullhei a coisa. Mas vale dar uma olhada.

Projet: New Cinephilia - É um um site lançado numa cooperação entre o Edinburgh International Film Festival e o MUBI. É uma espécie de simpósio sobre cinefilia e crítica. Alguns posts são muito bons. Sem falar nas mesas redondas.

sexta-feira, junho 10, 2011

sob o signo de capricórnio ****

Gosto muito de uma cena de “Sob o Signo de Capricórnio” (1949), de Hitchcock. O filme se passa na Austrália em pleno século XIX e conta a história de um sujeito inglês que segue para o novo continente para visitar uma prima. Ele chega à casa da prima. Outros convidados também estão por lá. Lady Henrietta Flusky ainda não saiu de seu quarto. Sua ausência é sentida e comentada. Seu marido está visivelmente inquieto. Todos sentam à mesa de jantar. Algo fora de quadro, à esquerda, chama atenção dos presentes. Corte. Grande plano dos pés nus de Ingrid Bergman. Ela parece cansada ou embriagada, não há como definir ao certo. Lady Flusky cumprimenta a todos e se senta. Eu acho genial este corte seco para os pés nus de Bergman. Seus pés são bizarramente inconvenientes, não apenas não combinam com a imagem social transmitida pelos primeiros planos do filme, como afirma uma ruptura, um divisor de águas. Vejam a sequencia abaixo. Ela une os dois posts.




terça-feira, junho 07, 2011

almodovar no caixa

Começou esta terça uma retrospectiva de Pedro Almodovar no Caixa Cultural - com direito a alguns dos filmes prediletos do cineasta espanhol. Vejam a programação abaixo:

Terça-feira (7/6)

SALA 1
- Às 15h30m: "Pepi, Luci, Bom e outras garotas de montão" (ESP, 1980), 18 anos
- Às 17h15m: "Labirinto de paixões" (ESP, 1982), 18 anos
- Às 19h15m, "Maus hábitos" (ESP, 1983), 18 anos

SALA 2
- Às 16h: "Os olhos sem rosto", De Georges Franju (FRA/ITA, 1960), 12 anos
- Às 18h: "A espinha do diabo", de Guillermo del Toro (ESP, 2001), 14 anos (entrada franca)

Quarta-feira (8/6)

SALA 1
- Às 15h: "Que fiz eu para merecer isto?" (ESP, 1984), 13 anos
- Às 17h: "De salto alto" (ESP, 1991), 16 anos
- Às 19h15m: "Kika" (ESP, 1993), 14 anos

SALA 2
- Às 16h: "Tudo sobre o desejo: O apaixonante cinema de Pedro Almodóvar", de Nick Cory Wright (GBR, 2001), 12 anos
- Às 18h: "Tudo que o céu permite", de Douglas Sirk (EUA, 1955), 14 anos

Quinta-feira (9/6)

SALA 1
- Às 15h15m: "Matador" (ESP, 1985/86), 18 anos
- Às 17h15m, "Ata-me!" (ESP, 1989), 18 anos
- Às 19h: Debate sobre Pedro Almodóvar com Aluízio Abranches e Breno Lira Gomes. Mediação de Mário Abbade

SALA 2
- Às 16h: "Minha vida sem mim", de Isabel Coixet (CAN/ESP, 2003), 12 anos
- Às 18h15m: "Wanda", de Barbara Loden (EUA, 1970), 16 anos

Sexta-feira (10/6)

SALA 1
- Às 15h: "Tudo sobre minha mãe" (ESP, 1999), 14 anos
- Às 17h: "Carne trêmula" (ESP, 1997), 18 anos
- Às 19h: "A lei do desejo" (ESP, 1986), 16 anos

SALA 2
- Às 16h: "A menina santa", de Lucrecia Martel (ARG/FRA/ITA, 2004), 18 anos
- Às 18h15m: "Noites de Cabíria", de Federico Fellini (EUA/ITA, 1957), 16 anos (entrada franca)

Sábado (11/6)

SALA 1
- Às 15h15m: "A flor do meu segredo" (ESP, 1995), 14 anos
- Às 17h15m: "Mulheres à beira de um ataque de nervos" (ESP, 1987), 12 anos
- Às 19h15m: "Que fiz eu para merecer isto?" (ESP, 1995), 13 anos

SALA 2
- Às 16h: "A vida secreta das palavras", de Isabel Coixet (ESP, 2005), 12 anos
- Às 18h15m: "Coração vagabundo", de Fernando Grostein Andrade (BRA, 2008), livre (entrada franca)

Domingo (12/6)

SALA 1
- Às 14h: "Fale com ela" (ESP, 2002), 14 anos
- Às 16h15m: "Má educação" (ESP, 2004), 18 anos
- Às 18h15m: "Volver" (ESP, 2006), 14 anos

SALA 2
- Às 16h: "Horas de desespero", de Michael Cimino (EUA, 1990), 14 anos (entrada franca)
- Às 18h15m: "A tortura do medo", de Michael Powell (GBR, 1960), 16 anos

segunda-feira, junho 06, 2011

- Não teve jeito. Na última aula, conversando com os alunos sobre “A escola do rock”, Ana perguntou se tinham gostado das músicas. Os alunos, claro, não sabiam os nomes das bandas ou das músicas, mas identificaram alguns momentos do filme cujas canções lhes agradaram. Uma no meio do filme – Ramones, explicou a Ana. E a outra, era a última do longa. Neste momento, antes mesmo que a Ana pudesse dizer o nome da banda, aquele aluno dos posts abaixo levantou a mão e disse a palavra mágica: AC/DC! Não é que o muleque foi mesmo pesquisar na Internet! Ainda disse que o primeiro vocalista da banda tinha morrido há muito tempo. A Ana acrescentou que ele havia sido substituído por aquele que era até então o motorista da banda. Os alunos acharam graça disso. Um deles disse: “Meu pai é motorista de Van. Imagina se ele virar o vocalista do Exaltasamba?!”.

- A mostra “Cinema Brasileiro: anos 2000, 10 questões” disponibiliza no site os vídeos de todos os debates (no Rio e em São Paulo), além das transcrições destes em PDF. É só clicar aqui.

- Li neste domingo sobre alguns filmes que estão apostando no esquema de captação coletiva, onde cada pessoa faz uma doação e é recompensada com a feitura do filme em si e com contrapartidas como DVD, camisa, cartaz autografado... E o dinheiro só sai da sua conta caso os produtores consigam atingir o valor que precisam no tempo estipulado. Até aí, a coisa é bem bacana mesmo. Mas vi também que alguns produtores estão pensando na hipótese de oferecer vagas de estágio para quem doar uma certa quantia de dinheiro. Isso eu acho bem, bem bizarro.

sábado, junho 04, 2011

a última noite *****

Revi outro dia este “A última noite” (2002), de Spike Lee. Grande filme! Estava em minha lista dos 20 melhores dos 2000. Spike Lee talvez tenha sido o primeiro cineasta a falar das torres gêmeas. Em determinado momento, dois personagens conversam com o Ground Zero ao fundo. A música marca uma espécie de liturgia. Não se vai falar do 11 de Setembro. Há uma única menção a Osama Bin Laden. Mas essa seqüência marca um período de transição. Algo acabou. Não está mais ali. Essa ausência também diz respeito ao filme. Ela está entranhada na cidade – curioso como Lee filma Nova York em um tempo diferente, como se não a reconhecesse. E nos personagens também. O que os une ficou no passado, algo distante, frágil.

Outra grande cena começa com um “fuck you” escrito no espelho do banheiro. Monty vocifera um monólogo: "Foda-se toda a cidade", diz ele. Segue uma lista de ódio para com todos os grupos étnicos e sociais que compõem Nova York. Lee ilustra esse catálogo com uma seqüência de retratos e a música de Terence Blanchard. O filme não é moralista. Lee nem mesmo afirma ou nega a necessidade de um traficante de drogas ir para a prisão. Na verdade, o cineasta é extremamente ambíguo na maneira pela qual nos mostra o seu protagonista. O que vemos é a história da última noite em liberdade de um traficante em particular e as pessoas que o cercam. Uma história de perda de inocência, que, quando saímos do específico do filme, notamos que também diz respeito a um momento histórico. Lee faz de “A última noite” um trabalho de sucateiro. Seu filme é uma ruína. É um recomeço sem terreno firme.


quinta-feira, junho 02, 2011

cinema na escola

Ana, minha esposa, dá aulas de inglês em colégios públicos aqui do Rio. E semana passada ela começou a passar filmes para os alunos. Primeiro “O âncora”, para alunos de 14 anos, e, depois, “A escola do rock”, para os de 11, 12 anos. Ela me contou tim tim por tim tim o que rolou e eu acabei pensando algumas coisas:

- Em ambas as classes, brigou-se para que o filme fosse exibido com legendas. Os alunos insistiram até o último momento que o filme fosse dublado. Isso é um pouco triste – aliás, conheci alguns dubladores que me contaram como a coisa funciona, e, realmente, pelo menos com os filmes hollywoodianos, não tem como a dublagem ficar boa (com a exceção dos desenhos).

- Nenhum dos alunos conhecia o Jack Black. Caramba: se eles não sabem que é Jack Black é porque não vão nunca ao cinema. No Brasil, sétima arte, é mesmo coisa de classe média.

- Todos os alunos adoraram o Jack Black. Todos.

- Em uma determinada sequencia, “A escola do rock” nos mostra, com Ramones na faixa sonora, pequenos clipes de grandes músicos: Keith Moon na bateria, Jimmy Hendrix na guitarra... Quando Angus Young apareceu, sem camisa, correndo e tocando de um lado ao outro do palco, um menino não se agüentou: “Quem maluco irado professora!”. No fim da aula, ele veio perguntar para a Ana quem era o cara. Pronto! Pra mim, já valeu a pena essa aula. Esse muleque vai procurar o AC/DC na internet. E aí, não tem mais jeito. O rock ganhou mais um adepto.

- Metade da turma viu “O âncora”. Deles, metade gostou. E destes, apenas um ou outro ficaram realmente empolgados com a coisa. A maioria ria apenas das piadas mais físicas e achou o filme muito bobo. Em diversas cenas, a Ana ria sozinha (para a diversão dos alunos). Isso é curioso. Essas novas comédias americanas são aparentemente tão rasteiras, mas, na verdade, se você não tiver uma determinada bagagem, não conseguirá entender grande parte das piadas.

segunda-feira, maio 30, 2011

hitchcock!

Começa amanhã no CCBB uma retrospectiva "completa" de ninguém menos que Alfred Hitchcock. Explico as ": os organizadores dizem ser completa, mas não sei não... Bom, vejam a programação aqui.

quarta-feira, maio 25, 2011

reencontrando a felicidade **


“Reencontrando a felicidade” é o terceiro longa de John Cameron Mitchell (“Shortbus” e “Hedwig”). Desta vez, ele é diretor contratado – entrou no projeto convidando por Nicole Kidman, que também assina como produtora. Mas o fato é que “Reencontrando a felicidade” lembra em seu melhor os demais filmes de Mitchell. Como “Shortbus” e “Hedwig”, o cineasta filma com muita leveza, trabalhando seus personagens com elegante discrição. A câmera é quase invisível, sempre à serviço dos atores. Mitchell imprime à sua maneira um ritmo flutuante, com picos de intensidade dramática que surgem sem muito alarde. Em alguns momentos, o filme se tornar surpreendentemente divertido, dadas as circunstâncias, em um humor nasce a partir de observações a respeito da natureza humana. Indicada ao Oscar, Nicole Kidman é outro ponto a favor do filme. Em uma interpretação exuberante, ela optou, astutamente, por sublinhar duas feições de Becca: sua raiva incontida e a consciência de que isso não a levará muito longe. A cada seqüência vemos uma personagem que não tem idéia do que fazer, mas sabe que tem de fazer alguma coisa. “Reencontrando a felicidade” afirma mais uma vez um certo cinema da comunhão de Mitchell. O cineasta gosta de personagens tristes, mas jamais niilistas ou cínicos. Eles estão sempre atrás de uma saída, em busca da vida. Um cinema marcado por tragédias, mas disposto a seguir adiante delas.

Talvez o maior problema deste filme seja a auto-consciência deste projeto de comunhão, um certo esquematismo que já dava as caras vez ou outra nos trabalhos de Mitchell e que agora ganhou a maioridade. “Reencontrando a felicidade” é um filme bem comportado, cristalino. A confusão de seus personagens é vista e encenada de maneira imperturbada. Em um longa sobre um casal reagindo à trágica morte de seu único filho, faltam emoções genuínas. A montagem vem embalada em cadeias explicativas. Becca e Howie encontram saídas no mesmo exato momento do filme. Em determinados momentos, Mitchell mais parece um burocrata. E essa burocracia impede que “Reencontrando a felicidade” seja o que pretende: um filme sobre a complexidade da vida, a inconstância das coisas a nossa volta, a memória e o tempo.

segunda-feira, maio 23, 2011

andy warhol na caixa

Começa amanhã na Caixa Cultural uma mostra com filmes de Andy Warhol. Vejam abaixo a programação:

Terça, 24 de maio
15h Sleep (5 horas 21 min)

Quarta, 25 de maio
17h Camp (66 min)
18h30 My Hustler (66 min)
20h The Life of Juanita Castro (66 min)

Quinta, 26 de maio – projeções duplas
15h Lupe (37 min)
16h Outter and Inner Space (33 min)
17h30 Chelsea Girls (3 horas 30 min)

Sexta, 27 de maio
15h Screen Test #1 (66 min)
16h30 Hedy (66 min)
18:30 Kiss (48 min) - sessão com música ao vivo
20h Mario Banana #1 (4 min) + Couch (52 min) - sessão com música ao vivo

Sábado, 28 de maio
16h Rolo 26 dos Screen Tests (40 min)
17h Rolo 25 dos Screen Tests (40 min)
18h I, a Man (95 min)
20h Salvador Dalí (22 min) + Velvet Underground in Boston (34 min)

Domingo, 29 de maio
14h Screen Test #2 (66 min)
15h30 Blow Job (36 min) + Eat (35 min)
17h The Nude Restaurant (100 min)
19h My Hustler (66 min)

Terça, 31 de maio
13h Empire (8 horas 5 min)

Quarta, 1 de junho
16h Salvador Dali (22 min) + Velvet Underground in Boston (34 min)
17h30 Lonesome Cowboys (109 min)
20h Blow Job (36 min) + Eat (35 min)

Quinta, 2 de junho
16h30 I, a Man (95 min)
18h30 Mario Banana #1 (4 min) + Couch (52 min)
20h Kiss (48 min)

Sexta, 3 de junho
16h The Nude Restaurant (100 min)
18h Screen Test #2 (66 min)
19h30 Lonesome Cowboys (109 min)

Sábado, 4 de junho – projeções duplas
15:30h Outter and Inner Space (33 min)
16h30 Lupe (37 min)
17h30 Chelsea Girls (3 horas 30 min)

Domingo, 5 de junho
14h Screen Test #1 (66 min)
15h30 Hedy (66 min)
17h The Life of Juanita Castro (66 min)
18h30 Camp (66 min)

sexta-feira, maio 20, 2011

natimorto *


Eu queria bastante que “Natimorto” fosse um bom filme. Gosto muito de Lourenço Mutarelli, um cara chegado a confissões, que torna verdadeiro tudo que toca, e que jamais nos dá o poder de absolvê-lo. Sempre me pergunto como é possível alguém ter tanta consciência de si mesmo, mas distanciar-se o suficiente para tornar abstrata a sua profunda, extrema e única experiência de vida. “Natimorto”, no entanto, um pouco como “Cheiro do ralo” (outra adaptação de Mutarelli), é um mergulho por demais seguro, controlado, higiênico. Os diálogos entram mal nos ouvidos, reproduzidos, parece, direto do texto original. O jogo de luzes, as contra-ponglés, o grão da fotografia, o vai-e-vem da narrativa, são, pra mim, como um perfex. As vísceras do personagem, seu processo de decomposição, se transformam em algo palatável. Mutarelli precisava de um cineasta como Abel Ferrara.

quarta-feira, maio 18, 2011

cineclube cinética

Amanhã, o Cineclube da Cinétia lá no IMS estará bem especial. Às 17h30, "Lola Montès" (1955), de Max Ophüls, e, às 20h, "A Cicatriz Interior" (1972), de Philippe Garrel. Para ler textos sobre os filmes, é só clicar neles.

terça-feira, maio 17, 2011

bróder **


“Bróder” é um filme diferente. Estamos mais uma vez na periferia de São Paulo, acompanhando personagens às voltas em situações desfavoráveis. Mas o olhar de Jefferson De é inegavelmente mais próximo do mundo representado. Ele não é um observador distante, mas um olhar mais solidário com as experiências vividas. É um filme por vezes esquemático, mas bem sincero nesse esquematismo. A periferia é, por exemplo, sempre nervosa e explosiva, seja em uma briga entre amigos, seja em um passeio de carro. O que realmente me incomoda em “Bróder” é que essa solidariedade de Jefferson De se transforma muitas em militância por um certo tipo de olhar. Não sei se consigo explicar essa impressão. Vou tentar o filme novamente e depois retomo onde parei.

segunda-feira, maio 16, 2011

mostras

Duas mostras. A primeira começou, na verdade, na semana passada: "20 x Pornochanchada", na Caixa Cultural. Vejam a programação da segunda e última semana da mostra:

Terça feira 17/05
15h Embalos Alucinantes (José Miziara, 1979)
17h A Super Fêmea (Aníbal Massaini Neto, 1973)
19h Bate-papo com o ilustrador e cartazista Benício

Quarta feira 18/05
15h O Olho Mágico do Amor (José Antônio Garcia e Ícaro Martins, 1982)
17h Ainda Agarro Essa Vizinha (Pedro Carlos Rovai, 1974)
19h Giselle (Vitor di Mello, 1980)

Quinta feira 19/05
15h Escola Penal de Meninas Violentadas (Antonio Meliande, 1977)
17h Soninha Toda Pura (Aurélio Teixeira, 1971)
19h Damas do Prazer (Antonio Meliande, 1978)

Sexta feira 20/05
15h Dezenove Mulheres e um Homem (David Cardoso, 1977)
17h Amada Amante (Claudio Cunha, 1978)
19h Ninfas Diabólicas (John Doo, 1979)

Sábado 21/05
15h O Inseto do Amor (Fauzi Mansur, 1980)
17h Snuff – Vítimas do Prazer (Claudio Cunha, 1977)
19h Sábado Alucinante (Claudio Cunha, 1979)

Domingo 22/05
15h Possuídas pelo Pecado (Jean Garret, 1976)
17h Convite ao Prazer (Walter Hugo Khouri, 1980)
19h Sessão de Encerramento: A Ilha dos Prazeres Proibidos (Carlos Reichenbach, 1978)

E a retrospectiva completa da japonesa Naomi Kawase começa amanhã no CCBB. Vejam a programação aqui.

segunda-feira, maio 09, 2011

odete lara no ccbb

Começa amanhã no CCBB a mostra "Odete Lara: Atriz de Cinema". Vejam a programação abaixo:

Dia 10 de maio | terça-feira
14h00 | Absolutamente Certo (95 min)
16h00 | Moral em Concordata (95 min)
18h00 | Copacabana me Engana (93 min)
20h00 | A Estrela Sobe (105 min)

Dia 11 de maio | quarta-feira
14h00 | Bonitinha, mas Ordinária (101 min)
16h00 | O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro (95 min)
18h00 | As Sete Faces de um Cafajeste (90 min)
20h00 | A Rainha Diaba (100 min)

Dia 12 de maio | quinta-feira
14h00 | Em Família (100 min)
16h00 | Câncer (86 min)
18h00 | O Princípio do Prazer (90 min)
20h00 | Retratos Brasileiros: Odete Lara (30 min), seguido de bate-papo com convidados

Dia 13 de maio | sexta-feira
15h00 | O Gato de Madame (90 min)
17h00 | Um Filme 100% Brazileiro (83 min)
19h00 | Boca de Ouro (103 min)
21h00 | Copacabana me Engana (93 min)

Dia 14 de maio | sábado
18h30 | Noite Vazia (93 min)
20h10 | Retratos Brasileiros: Odete Lara (30 min) + Câncer (86 min)

Dia 15 de maio | domingo
18h00 | A Estrela Sobe (105 min)
20h00 | Sábado a Noite, Cinema (103 min)

domingo, maio 08, 2011

amor? *


"Amor?” é um filme autodestrutivo. Atores famosos recontam depoimentos sobre histórias de amor que o filme insiste em nos dizer que são verdadeiros. A voz do diretor, suas perguntas, nem sempre são, no entanto, ouvidas, o que me parece já de saída meio estranho. Seguem-se angulações inusitadas de uma mesma entrevista, seqüências intermináveis em super 8, cenas abstratas de sexo e nudez, e “Carinhoso” em versão Sax. Em determinada história, duas atrizes se revezam nos mesmos papéis. Diante disso, faço minha a pergunta feita pelo Fábio de Andrade lá na “Cinética”: o que ganha o filme com a encenação? Nada. Muito pelo contrário: a encenação de João Jardim, muito pouco verdadeira, tende a me afastar das histórias.

Vez ou outra surgem legendas na tela para nos lembrar que determinado gesto ou acontecimento (um celular que toca) realmente aconteceu. Por que isso? Pra mim, essa legenda, muito pelo contrário, nos distancia de uma suposta veracidade daquilo que nos é mostrado. Eu fiquei pensando em Bazin. Pois foi ele quem disse que o realismo no cinema se baseava, não em um entendimento físico da realidade, mas em uma noção psicológica. Quer dizer: o realismo não tem a ver com a acuidade da reprodução, mas com a crença do espectador na origem da reprodução. Para Bazin, a matéria-prima do cinema não é a própria realidade e sim a impressão da realidade deixada na película. Qualquer filme cujo objetivo seja realista, no sentido de colocar a imagem em íntima relação com seu objeto, deve permitir ao evento dramatizado desvendar-se por sua própria conta e assim sinalizar-nos que a imagem que estamos vendo está geneticamente ligada ao evento filmado. “Amor?” nos interdita isto.

quarta-feira, maio 04, 2011

kenneth anger

Começou hoje no CCBB a mostra "Kenneth Anger, o Fetichista Pop". Os filmes serão todos eles exibidos em DVD. Vejam a programação aqui.